segunda-feira, 21 de junho de 2010

Wilson Bueno não valia R$ 130

 

publicado originalmente no congresso em foco no dia 19/06/2010 e retirado em 21/06/2010 do endereço:

http://congressoemfoco.uol.com.br/coluna.asp?cod_canal=14&cod_publicacao=33357

Marcelo Mirisola*

“Salvo os escritores que vivem de editais, de organizar antologias e/ou de puxar o saco de figurões, os caras que escrevem geralmente são mal remunerados. Em vida, ganham uma miséria. Depois de mortos, a exposição ao ridículo”

Foi mais do que uma indelicadeza que a imprensa, principalmente os jornais, cometeram contra Wilson Bueno, um segundo assassinato, a meu ver.
Pra que sauna, garoto de programa, rodoviária e cheque sem fundo de 130 reais?  Um escritor e ensaísta como ele, que colaborava pro Estadão, merecia, eu acho, mais respeito e, sobretudo, uma remuneração decente. Pois foi um cheque sem fundos que o matou. Segundo a cobertura sórdida dos jornais, o michê foi descontar o cheque pessoalmente, entraram em luta corporal e Bueno levou a pior: virou notícia.
Eis a questão. Não estou querendo dizer que um sujeito merece tratamento ou “notícia” diferente porque é escritor. Muito pelo contrário.
Quero dizer que, salvo os que vivem de editais e os que vivem de organizar antologias e/ou de puxar o saco de figurões ilustrados, existem os caras que escrevem aqui e acolá e geralmente são mal remunerados (embora nada impeça que um sujeito mal remunerado acumule as funções acima citadas: não devemos subestimar a ambição desmedida e a urgência de ser incluído na próxima antologia... que vai puxar o saco, sei lá, do Caetano). Ou seja, em vida ganham uma miséria e, depois de mortos, a exposição ao ridículo – exatamente nos lugares onde trabalharam e emprestaram verniz.
Não era 100% o caso de Wilson Bueno. Um escritor sério que, segundo os jornais, passava o tempo se divertindo com michês e dava cheque sem fundos apenas para se distrair da rotina entediante de ser vizinho do Dalton Trevisan. Imagino que ele devia fazer isso pelo prazer do risco, por esporte. A propósito. Sabiam que tem resenhista que escreve de graça só pelo gozo de ter o nome publicado no jornal? Isso mesmo: só pra mostrar pra mamãe, pra namorada(o) e pros amiguinhos. Eu me pergunto: como é que o leitor pode confiar na indicação de leitura de um cara que escreve de graça? Eu penso que seria melhor pedir uma indicação de leitura pro garçom, e mais um frango assado com batatas fritas e farofa.
Mas eu dizia que tem aqueles que escrevem em jornalões “respeitáveis” e – como Wilson Bueno – são pessimamente remunerados. Nesse caso, diante do contra-cheque, eu acho que a humilhação é bem pior: ganham muito menos do que o garoto de programa que está à espreita na primeira sauna virando à esquerda, ao lado do respectivo caixão. Não, eu não estou sendo cruel. Cruel é o dono de jornal que paga 150, 200 reais por uma resenha.
Só fazer as contas: se o michê faturar dois resenhistas numa noite, ele valerá mais que o dobro que qualquer livro do Ítalo Calvino, capisce? 
Daí se depreende que meus coleguinhas ou são carentes profissionais ou são quase mendigos mesmo – não escapam disso, todos vivendo de esmolas e bicos afins: não bastasse, têm aqueles que, além de escrever pra Folha, Estadão e O Globo, ainda sacam filósofos sombrios da cartola para alegrar festinha de madame ninfomaníaca na Casa do Saber, são eles os novos Houdinis que transformam Schopenhauer em coelhinho da Kopenhagen; alguns, para garantir o fornecimento do traficante de estimação, pagar o michê e a escola particular da filha única, alguns se especializaram em dar cambalhotas e equilibrar bolas de sinuca nos focinhos, de modo geral, meus coleguinhas, os escritores brasileiros, fazem qualquer negócio para completar o orçamento, atendem bailes de formatura e festas de debutante. Coisa triste.
As garotas de programa, universitárias e leitoras dos segundos cadernos que dizem eu te amo, cobram mais caro.
Em vez de se fartar das vísceras e da carniça dos colaboradores (vivos ou mortos, tanto faz) os jornais e sites e revistas e os editores em geral – com as exceções raras e de praxe – deviam, eu creio, pagar valores decentes para o colaborador não correr o risco de morrer nas mãos de um michê ou de uma garota de programa (gosto não se discute). Ou – no mínimo – deviam dar liberdade pro sujeito pensar por conta própria.
Sob esses aspectos, posso dizer que sou um milionário. Sim, recebi um adiantamento honestíssimo do Pedro Galé para escrever um romance (devidamente torrado com várias go go girls) e também, da parte do Sylvio Costa, meu editor aqui no Congresso em Foco, sempre tive liberdade plena para escrever o que me desse na telha: nunca tive uma vírgula trocada de lugar. Coisa que não é regra n’outros lugares: não é incomum publicarem seu texto todo retalhado, eles singelamente chamam “censura” de “edição”. Aconteceu comigo na moderninha revista Trip – tesouraram as melhores partes da reportagem que fiz para o Festival de Cinema de Gramado. Também não é incomum encomendarem um texto, e simplesmente não o publicarem porque você elogiou quem deveria criticar e vice-versa.
Tudo manipulado, meus caros. O Estadão encomendou uma resenha do meu livro Proibidão para Fabiano Calixto –  além de não publicarem a resenha, não pagaram nada para ele. Será que Calixto elogiou o livro? Um desrespeito desgraçado com o autor. Quem não lhes interessa é limado, e ponto final. Lembram da Mônica Bérgamo? Na coluna dessa senhora todo tipo de escória tem nome, desde Preta Gil, passando por Jesus Luz até chegar em Ivete Sangalo.
Menos este que vos escreve. Ela cobriu a estreia do Monólogo da velha apresentadora, e não citou meu nome. Fui reclamar pro ombudsman, pro bispo e pro dono do jornal e ficou por isso mesmo. São tantas sacanagens e manipulações que eu precisaria de mais duas crônicas para inventariar tudo.
Prezo muito pela liberdade que tenho aqui no Congresso em Foco, inclusive, se for o caso, para pedir um aumento. Mas isso é exceção. O escritor brasileiro – insisto - se vende por qualquer ticket-refeição e vive de quatro politicamente falando: perdeu a voz. A consequência é o sumiço dessa espécie “escritor brasileiro” das prateleiras das livrarias. Outro dia tive a manha de entrar numa La Selva de aeroporto e sair de lá – foi a primeira vez que aconteceu isso - com um saco de batatas fritas na mão. Daí que qualquer Chalita, qualquer mago ou picareta do gênero tem mais crédito do que o sujeito que faz ficção no Brasil hoje em dia.
E merecidamente, diga-se de passagem. O escritor brasileiro, além da voz e das pregas da alma, perdeu a credibilidade. Eu, por exemplo, acredito muito mais nas receitas da Ana Maria Braga do que nos livros do Luis Ruffato e do Joca Terron.
Enfim, isso tudo pra dizer que o frouxo literário brasileiro nada mais faz do que enganar a si mesmo e ao leitor quando empenha sua gratidão àqueles que tripudiam de suas misérias, vaidades e carências. 
Para encerrar. O michê que matou Wilson Bueno apenas revelou o brilho da imundice que nós, os bobos da corte, publicamos por aí. Ele só fez dizer que merda não reluz ouro, e escancarou a inutilidade e o ridículo do ofício, e o pior, para coroar o vexame da classe, afirmou: “eu não queria matar” - como se dissesse  eles já estão mortos: não passam de uma cambada de viados e velhos, fodidos e mal pagos.
Fique em paz, Wilson Bueno.

Pós S: José Saramago deve estar inconformado neste momento, e com razão: descobriu que Deus existe e que Marx era um disfarce do arcanjo Gabriel.

 

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*Considerado uma das grandes relevações da literatura brasileira dos anos 1990, formou-se em Direito, mas jamais exerceu a profissão. É conhecido pelo estilo inovador e pela ousadia, e em muitos casos virulência, com que se insurge contra o status quo e as panelinhas do mundo literário. É autor de Proibidão (Editora Demônio Negro), O herói devolvido, Bangalô e O azul do filho morto (os três pela Editora 34) e Joana a contragosto (Record), entre outros.

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domingo, 20 de junho de 2010

CIRANDA DO NORTE: FOLGUEDOS, SABORES E ENCANTAMENTOS - FESTA JUNINA – PEREIRA DA VIOLA NO SESC ITAQUERA

 

Pereira da Viola
SESC Itaquera

Dia(s) 18/06, 20/06
Sexta, às 14h; Domingo, às 18h30.

Com o show "Incelente Maravia". No repertório: brincadeiras de roda, ritmos religiosos do congado e da Folia de Reis, batuques, samba de roda, calango e forró, além dos ritmos e temas próprios da Música Popular Brasileira e caipira de raiz. Praça de Eventos.

retirado do site do sesc sp em 20/06/2010, do endereço:

http://www.sescsp.org.br/sesc/programa_new/mostra_detalhe.cfm?programacao_id=172902

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sábado, 19 de junho de 2010

Profissão cultura

 

**Leonardo Brant

publicado originalmente em 18 junho 2010 por Leonardo Brant no blog cultura e mercado e retirado no mesmo dia do endereço:

http://www.culturaemercado.com.br/ideias/profissao-cultura/ 


A atividade cultural é composta por uma diversa e abrangente cadeia produtiva, com funções e especificidades próprias. Cada um desses agentes possui um papel distinto, complementar e fundamental na composição de um setor cultural rico e produtivo, que contribua para o desenvolvimento social e econômico do país.

Na área de produção, a cadeia inclui pesquisadores, artistas, criadores, produtores, administradores e técnicos. Em sua maioria, profissionais liberais, que têm sua própria empresa e que circulam com certa liberdade pelo mercado, mas ao mesmo tempo convivem com a insegurança do trabalho eventual.

Já as organizações culturais, passaram, na última década, por um processo de profissionalização surpreendente. Era raro encontramos centros culturais, fundações, organizações culturais públicas, privadas e do terceiro setor com agentes plenamente capacitados para desenvolver suas funções. Por outro lado, era raro encontrar condições favoráveis para este funcionário. Com regimes de trabalho muito informais e remuneração incompatível para o exercício de suas funções, os bons profissionais preferiam arriscar-se no mercado.

Outro campo em pleno desenvolvimento é o departamento de cultura e patrocínio das empresas investidoras. Impulsionadas pelas oportunidades geradas pelas leis de incentivo à cultura, elas criaram estruturas e contrataram profissionais para gerir políticas de cultura e de comunicação empresarial focadas no investimento cultural.

O próprio Poder Público ampliou as oportunidades de trabalho para a área da cultura. É crescente a demanda por profissionais responsáveis pela formulação e gestão de políticas culturais.

Ainda no meio acadêmico e na imprensa encontramos oportunidade de trabalho para esses profissionais, que podem atuar como críticos, curadores e pesquisadores.

Promover a transformação da sociedade por meio da cultura significa encadear esforços de todos esses agentes de forma a permitir a consolidação de um mercado qualificado, capaz de produzir e consumir cultura.

O desenvolvimento social proporcionado pela ação cultural se dá de forma espiralar, ligando todos os elementos e aumentando a base estrutural que garante a consolidação do espírito crítico da sociedade. Este processo ocorre ao mesmo tempo em que se estrutura como um mercado capaz de fornecer insumos necessários, oferecendo base sólida à sociedade e proporcionando um crescimento cíclico em progressão geométrica, com a ampliação de sua base.

* trecho do livro O Poder da Cultura.

 

**Sobre "Leonardo Brant " http://www.brant.com.br

Pesquisador de políticas culturais. Autor do livro "O Poder da Cultura" e diretor do webdocumentário Ctrl-V::VideoControl. mais

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Cineasta Neville d'Almeida inaugura a série "O Cinema e a Cidade", no programa de debates Papo XXI

 

*enviado por e-mail por: Luciano Sá (assessor de imprensa do Centro Cultural Banco do Nordeste)

Cineasta Neville d'Almeida inaugura a série "O Cinema e a Cidade", no programa de debates Papo XXI

 

FORTALEZA, 18.06.2010


Neville D'Almeida1

Diretor de filmes que uniram invenção artística e consagração popular, como "A Dama do Lotação" (1978), "Os Sete Gatinhos" (1980), "Rio Babilônia" (1982), "Matou a Família e Foi ao Cinema" (1991) e "Navalha na Carne" (1997), o cineasta Neville d'Almeida inaugura a série especial "O Cinema e a Cidade", dentro do programa de debates Papo XXI.
Além de cineasta, Neville d'Almeida - nascido em Belo Horizonte (MG), em 1941 - é fotógrafo, roteirista, ator, desenhista, escultor e criador de intervenções espaciais e instalações. Com entrada gratuita, o debate acontece na próxima terça-feira, 22, às 19 horas, no cineteatro do Centro Cultural Banco do Nordeste-Fortaleza (rua Floriano Peixoto, 941 - 2º andar - Centro - fone: (85) 3464.3108). No debate, o cineasta compartilhará sua história de vida, trajetória artística e metodologia de trabalho com o público presente ao CCBNB-Fortaleza.
O objetivo da série "O Cinema e a Cidade" é proporcionar um intercâmbio de reflexões, idéias e ideais sobre o fazer audiovisual. O projeto foi idealizado e será realizado pelo Centro Cultural Banco do Nordeste, em parceria com a Vila das Artes - Escola Pública de Audiovisual, equipamento da Prefeitura de Fortaleza vinculado à Secretaria de Cultura (Secultfor), que desde 2006 fomenta a formação em arte, apoio à produção e incentivo à pesquisa e à difusão cultural.

ENTREVISTAS E INFORMAÇÕES ADICIONAIS:
*        Neville d'Almeida - (21) 2492.1024 / 8393.2020 (falar com Ana Cláudia) - Em Fortaleza, o cineasta ficará hospedado, a partir da noite da segunda-feira, 21, no Adaba Blue Ocean Flat (rua Ildefonso Albano, 222 - Praia de Iracema - fone: (85) 3278.4000).


*        Tibico Brasil (gerente do Ambiente de Gestão da Cultura do BNB) - (85) 3464.3109 / 8733.8309 - tibico@bnb.gov.br


*        Tessi Letícia Barbosa (gerente do CCBNB-Fortaleza) - (85) 3464.3111 / 8635.6031 - tessileticia@bnb.gov.br


*        Luciano Sá (assessor de imprensa do Centro Cultural Banco do Nordeste) - (85) 3464.3196 / 8736.9232 - lucianoms@bnb.gov.br

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FBN convida para o Leitura em Debate 2010: "Novas linguagens: a Literatura Infantil e Juvenil na TV" - 24/junho/2010 - 16h

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FBN convida: Biblioteca Fazendo História - "O Poder do café" - 22/Junho/2010 - 16h

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sexta-feira, 18 de junho de 2010

Caravana Petrobras Cultural percorrerá 11 cidades brasileiras

 

publicado originalmente pelo blog petrobrás em 18 de junho de 2010 / 16:36 e retirado em 18/06/2010 do endereço:

http://www.blogspetrobras.com.br/fatosedados/?p=24952

Entre os dias 22 de junho e 14 de julho, será realizada a Caravana Cultural Petrobras, que percorrerá 12 cidades brasileiras com o objetivo de divulgar o Programa Petrobras Cultural 2010 (PPC). Realizada desde 2004 durante o período de inscrições do PPC, a Caravana busca também capacitar produtores de todas as regiões do país.

Entre as atividades promovidas pela Caravana estão a palestra “Ação da Petrobras na Cultura” e a “Oficina Petrobras Cultural de Formatação de Projetos” – que busca aliar o caráter pedagógico com o incentivador. A palestra é apresentada pela Gerente de Patrocínios da Petrobras, Eliane Costa, que fala sobre a atuação da Companhia na cultura, com enfoque no PPC, apresentando as linhas de atuação do programa e suas áreas de Seleção Pública.

A Caravana Petrobras Cultural é destinada a produtores e pessoas interessadas na Seleção Pública do Programa Petrobras Cultural. Ao longo de suas cinco edições, a Caravana PPC já percorreu 23 cidades, atendendo um público de aproximadamente 9 mil participantes. O evento é gratuito e sujeito à lotação do espaço.

As inscrições para o Programa Petrobras Cultural podem ser feitas pelo site www.petrobras.com.br/ppc .

Veja o cronograma da Caravana Petrobras Cultural:

22 de junho – São Paulo

30 de junho – Brasília

1º de julho – Rio de Janeiro

1º de julho – Porto Alegre

02 de julho – Belo Horizonte

06 de julho – Manaus

08 de julho – Natal

09 de julho – Recife

13 de julho – Vitória

14 de julho – Salvador

Data a definir – Macaé (RJ)

O PPC 2010 está com inscrições abertas desde o dia 10 de junho. O programa tem verba R$ 52,2 milhões destinada à seleção pública de projetos em 16 áreas culturais, dentro das três linhas de atuação do programa: Formação; Preservação e Memória; e Produção e Difusão. Três áreas do programa têm cronograma diferenciado e já tiveram suas seleções concluídas (festivais de música, festivais de cinema e difusão de longa-metragem em salas de cinema). Os recursos para essa áreas somam R$ 9 milhões.

Nesta sexta edição do PCC, os incentivos incluem desde projetos de pesquisa artística até projetos de distribuição de bens culturais. Podem inscrever-se projetos destinados à recuperação e digitalização de acervos, à manutenção de grupos e companhias de artes cênicas, à produção de filmes, a eventos de cultura digital e artes eletrônicas, à gravação de CDs, a turnês de shows/concertos, entre outros.

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