segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Adeus, Belas Artes

Publicado originalmente por Elisa Andrade Buzzo no Digestivo Cultural e retirado em 24/01/2011 do endereço:

http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=3244&titulo=Adeus,_Belas_Artes

foto: Sissy Eiko

Julho de 2002, Sala Carmen Miranda: foi minha primeira vez no Belas Artes. Era ainda o Grupo Alvorada que administrava o cinema. Tinha entrado no curso de jornalismo naquele ano e pagava três reais pela meia-entrada. Estávamos num grupo mais ou menos ruidoso de uma meia dúzia de amigos do tempo do colegial. A sessão transcorreu animada. Ainda não mensurava o sucesso mundial do longa. Depois das despedidas, eu pegaria ônibus em frente ao Araçá. Seriam os primórdios de um namoro. O filme? O fabuloso destino de Amélie Poulain.

Ao relembrar os filmes que já assisti no Belas Artes me dou conta de que são essencialmente europeus (notadamente franceses), asiáticos, nacionais ou latino-americanos. Beijo na boca, não (o divertido musicalPas sur la bouche talvez tenha irritado alguns frequentadores do cinema, já que uma plaquinha na bilheteria avisava que o longa tratava-se de um musical), o engraçado e louco Dois em um (La personne aux deux personnes), o chinês cult 2046: os segredos do amor, os nacionaisVerônica, Os 12 trabalhos, o belo argentino Ninho vazio (El nido vacío)...

Que dizer então de Medos privados em lugares públicos (Coeurs), de Alain Resnais, em cartaz desde julho de 2007? É quase como se o filme ― assim como as fantasias e desventuras amorosas de suas personagens ― tivesse se ligado de tal forma ao cinema que ambos se tornaram sinônimos. Juntos até o fim. Ao sair daquela Paris soturna e melancolicamente risível nada mais se pode esperar do que uma continuação dela nas ruas de São Paulo. Mas tem que ser nas ruas, e não dentro de um shopping iluminado, esse the end nada happy. E um dos últimos que vi?, o cativante O pequeno Nicolau. Sessão vazia, como de costume algumas vezes. Mas não é esse aconchego e discrição que se busca às vezes? O anonimato de uma sala com uma meia dúzia de desconhecidos que compartilhem silenciosamente consigo uma história e, ao mesmo tempo, que não se intrometem em sua vida? O Belas Artes é assim, bom de se frequentar tanto sozinho quanto acompanhado.

Sozinho, o melhor horário era o da tarde, em dias de semana. Nada de filas, nem pipoca amassada nos vãos dos degraus e no carpete. O clima do foyer é de intimidade à meia-luz; se a sessão demorar, vale um pão de queijo. À noite, em dias de semana, ele proporciona um jeito de ir ao cinema meio à moda antiga, na entrada do centro da cidade, ponto de encontro dos apaixonados, dos beijos furtivos e das relações mal resolvidas. Ou no fim de semana, vida contratual, o gozo de enfim sair, fugir, espantar.

Pois é ela, a memória, que volta à tona ao ler a notícia, não sem uma pontada de espanto, do fechamento definitivo do cinema mais charmoso e com a melhor programação de São Paulo. Gostava de olhar os cartazes que davam para a rua, contrastar na metrópole tropical o estiloart nouveau do letreiro. A grande surpresa ao entrar no cinema reformado, o chão preto rebrilhando, as paredes escuras, meio cara de boate.

A localização era ótima: perto do metrô. Não tinha erro. Aliás, agora tem a Estação Paulista bem ao lado. Será ela a causa do dono do imóvel querer alugar para a abertura de uma loja? Aquele quarteirão da Rua da Consolação começa a se valorizar cada vez mais. Azar do cinema. Costumo chorar no cinema, mas por causa de um cinema? Não é possível que o Belas Artes vá fechar. 67 anos aberto. Um marco histórico-cultural da cidade. Como as autoridades e os grandes empresários da maior cidade do país permitem uma coisa dessas? Ou melhor, como deixaram que isso chegasse a esse ponto? Pois não é de hoje que André Sturm luta para manter o cinema aberto. A situação só reflete o que já sabemos: o descaso com a cultura no Brasil é total (e isso porque estamos em São Paulo), e quando vemos um propagandear dela é na verdade pensando no próprio bolso que se está. Tivera eu cem mil reais por mês para a manutenção do cinema. Qual tipo de loja vai abrir lá? De departamento, de eletrodomésticos, popular? Outra de lâmpadas e iluminação? Não é possível. Apenas uma certeza: vou boicotar, seja lá o que for.

Felizmente, em se tratando de cultura, da verdadeira, a lógica do lucro não vale. Aí podemos sair perdendo... e talvez por isso mesmo o Belas Artes deva fechar. Assim, um grande público se prepara para ficar órfão. Onde achar uma programação diversificada se não no bom e velho Belas Artes? Hoje temos ainda o Cinesesc, o Reserva, a Galeria Olido, o Cine Livraria Cultura... o CCSP e a Cinemateca com suas ótimas mostras de sempre. Onde encontrar o cinema de rua, categoria tão rara? O Gemini recém-fechado. Ao menos o Marabá reabriu. Mas não é só isso. O Belas Artes era a casa do cinema vivo e do cinema morto, dos passantes que o acaso tratava de levar à poltrona, dos apaixonados em busca de sossego. Agora, a questão é: onde achá-lo quando ele fechar definitivamente suas portas daqui a uma semana? Com o pedido de tombamento do edifício aceito, não poderão haver reformas: e os moradores de rua vão tomar conta da fachada? E daqui a alguns anos haverá apenas ruínas?

Sala Carmen Miranda, 16h40. Fila na bilheteria. Burburinho. Cinco reais a entrada com a comprovação do holerite. O mural do cinema repleto de matérias sobre o fechamento. O documentário José e Pilar será meu último filme no Belas Artes? Após acompanhar com o coração na mão a vida estafante do Prêmio Nobel de Literatura, ao lado da mulher, Pilar, pergunto-me se, enfim, Saramago descansou, libertou-se das filas intermináveis de autógrafos, da agenda descomunal de escritor consagrado. A poltrona range. Mas, diz ele, na contramão do cansaço e da entrega, se houvesse algo que pediria (ou pediríamos) seria tempo. E vida.

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domingo, 23 de janeiro de 2011

GILBERTO GIL FALA SOBRE A LIBERDADE NA INTERNET

Originalmente publicado por telefonicanawebe retirado em 23/01/2011 do endereço:

http://www.youtube.com/watch?v=HpVAwhPFxFA&feature=player_embedded


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Ana de Hollanda apresenta Ana Paula Santana ao setor

Publicado originalmente por Leonardo Brant no Cultura e Mercado e retirado em 23/01/2011 do endereço:

http://www.culturaemercado.com.br/noticias/politica/ana-de-hollanda-apresenta-ana-paula-santana-ao-setor/

A nova Secretária do Audiovisual, Ana Paula Santana, nomeada ontem (21) por Ana de Hollanda, arrefece a tensão gerada pela indefinição sobre continuidade desta secretaria e suas políticas.  Poucas horas após ter sido anunciada como secretária, a ex-Diretora de Programas e Projetos Audiovisuais do Ministério da Cultura fez sua primeira aparição pública no cargo na abertura da 14a Mostra de Cinema de Tiradentes, nesta sexta-feira, em um Cine-Tenda completamente lotado. Mais de 600 pessoas prestigiaram a abertura do evento enquanto um grande público, impossibilitado de acompanhar a cerimônia devido à lotação da sala, assistiu a tudo do lado de fora, através da projeção ao vivo por telão.

Ana Paula integrou a comitiva da ministra da cultura Ana de Hollanda, que também esteve presente e abriu oficialmente o calendário audiovisual brasileiro. Ana Paula Santana é advogada, especialista em relações internacionais e gestão do entretenimento. Entrou na Secretaria do Audiovisual em 2002, como estagiária. Depois, foi para a coordenação internacional da SAV e para a área de fomento a programas e projetos audiovisuais. Foi chefe de gabinete e, depois, Diretora de Programas e Projetos Audiovisuais, cargo que ocupava até agora.

A abertura começou com Dira Paes, mestre de cerimônia da noite, lançando oficialmente a edição 2011 do Cinema Sem Fronteiras – programa internacional de audiovisual composto pelas mostras de cinema de Tiradentes, Ouro Preto e Belo Horizonte, que se complementam e trazem a Minas Gerais o melhor do cinema brasileiro – com a presença dos prefeitos das três cidades envolvidas.

Na sequência, foram homenageados o ator pernambucano Irandhir Santos e o cineasta carioca Paulo Cezar Saraceni, ambos emocionados, com a presença de familiares e personalidades como os cineastas Júlio Bressane e Zelito Viana. Os homenageados receberam o Troféu Barroco das mãos da ministra. Ana de Hollanda destacou a boa fase da produção nacional atualmente: “O cinema brasileiro não está apenas levando o Brasil para fora, mas conquistando um público enorme aqui dentro”.

Uma das principais responsáveis por grande parte dessa produção, a Petrobras aproveitou o evento para celebrar a marca de 500 longas patrocinados, através de uma performance do estilista Ronaldo Fraga. Logo após o desfile, o público pode acompanhar a pre-estreia de O Gerente, novo filme de Paulo Cezar Saraceni, com Ney Latorraca e Anna Maria Nascimento e Silva.

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sábado, 22 de janeiro de 2011

Revista Devires – Cinema e Humanidades recebe artigos até o dia 24

Publicado originalmente no site da UFMG e retirado em 21/01/2011 do endereço:

http://www.ufmg.br/online/arquivos/017947.shtml 

A revista Devires - Cinema e Humanidades recebe até a próxima segunda-feira, 24 de janeiro, artigos sobre o tema Cinema, estética e política.

Criada por grupo de pesquisadores de áreas como Antropologia, Cinema, Filosofia, Fotografia e Literatura, e publicada pela Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFMG e pela Secretaria Municipal de Cultura, a revista Devires se propõe a criar e difundir o conhecimento produzido na interface entre Cinema e Ciências Humanas.

Os artigos para a próxima edição devem contemplar três grandes questões: como o cinema contemporâneo torna visíveis as vidas ordinárias; como o cinema lida, incorpora, reinventa as imagens de outras mídias; e como, em contato com outros regimes de imagem, o cinema vê suas formas de representação migrarem para uma dimensão propriamente performativa.

Os textos submetidos devem seguir as normas de publicação da revista. Mais informações pelo e-mail revistadevires@gmail.com.

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Lembram? Revista Mucury 5!

Lembram dela?

Agora também está por aqui!

Relembrem, releiam, e quem não viu, que veja!

 

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sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Mandaram agora mas ainda dá tempo: Cara 3 no Kza-Bar

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É daqui a pouco, às 10h na radioweb mucury cultural: a estreia do programa língua de sogra

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Um programa psicodelicamente perturbado, somado à boa música e muita nonsense.
Fala-se mal do que passar pela reta, ao som de quedas de manga da mangueira, diálogos caninos (vulgarmente conhecido por latidos) e cinco apresentadores razoavelmente sóbrios, em graus etílicos, não de discernimento.
Acompanhe o troféu Língua de Sogra de cada programa, e claro, de toda a língua-sogrisse que despejamos no mucury.blogspot.
Direção: The César
Apresentação: Ademar Lemos, Bruno Bento, César Machado, Carlos Alexandrino e Michelle Freitas.

Ouça a chamada:
Na rede toda sexta-feira às 10h.
Reprise quarta 16h.


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