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domingo, 27 de novembro de 2011

Dia de Água Limpa

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No último dia 20 de novembro comemorou-se o Dia Nacional da Consciência Negra fizemos uma expedição à comunidade de Água Limpa no município de Ouro Verde de Minas, reconhecida como reminiscente de quilombos. Anualmente as cinco comunidades quilombolas de Ouro Verde se reúnem em uma grande e aberta festa, onde há muita música e muito que comer.

Vamos falar um pouco mais do que vimos daqui a pouco, vamos ter de contar a história para chegarmos lá...

Bem, estamos discutindo há certo tempo sobre o levantamento e registro das manifestações culturais deste nosso Mucuri, o que não é fácil, pois não só é difícil arrumarmos tempo, já que somos tão poucos, transporte, estas e outras coisas que são pequenas, mas nos limitam muitas vezes.

Entre tantos desencontros finalmente conseguimos deixar uma série de compromissos de lado, combinamos quem disponibilizaria o carro, fechamos a equipe e a hora da saída, já que a programação iniciaria às 13h:00min.

Encontramo-nos todos quase pontualmente, F. G. Júnior, Leonardo Cambuí, Moana Gomide, Michelle O. Freitas e Bruno Bento. Almoçamos e entramos no Wolverine, o carro de Moana. A distância é relativamente pequena, só uns 60 quilômetros nos separavam do destino, mas havia um aviso de superaquecimento no caminho, aquela luzinha vermelha.

Logo achamos, no Cedro, o pessoal da Pastoral da Criança que nos conduziu e introduziu na comunidade, a Jussiana, a Neide e o Rubens, além do Wilmar, o motorista, logo depois começou a aventura...

Poucos quilômetros depois iniciou nossa novela, a temperatura do Wolverine só subia. Começamos a parar, esperar, procurar água e tentar acalmar o motor... fomos assim até a quase Frei Gaspar, quando de tanto pelejarmos, do reservatório de água surge um grande buraco, achamos o problema! E então, como resolve-lo? Domingo à tarde, longe das oficinas, o jeito foi parar para pedir um banheiro emprestado para Michelle, uma água para beber, pois já estávamos com sede, ganhamos um café e a dona da casa, a Teucla, irmã da Karine Ramos, tinha uma caixa de DUREPOX!

Um viva à gambiarra! Depois de emergencialmente resolvermos nosso problema, conseguimos finalmente ir para a comunidade de Água Limpa.

Tínhamos levado algumas câmeras, umas analógicas, as de Bruno e outras digitais, as dos Cambuís, Leonardo e F.G., durante o caminho, e as paradas fizemos umas fotografias, que estão por este texto. Mas logo a limitação do filme utilizado deu lugar à facilidade do mundo digital no que se refere às condições de luminosidade.

O caminho é salpicado de inselbergs, as grandes pedras que são famosas e maravilhosas nestes cantos das minas, e bem no meio destas formações magníficas está nossa comunidade, cravada.

Curvas, pedras, subidas e descidas, riachos e lajedos... chegamos à longa fila de carros de todo o tipo estacionados entre a estrada estreitíssima e as cercas. Descemos e logo nos deparamos, num dia nublado e quase frio, com o aglomerado de pessoas estava a dançar, comer e beber ao som de um batuque.

Em seguida fomos tomados pela curiosidade e pelo som, claro. O batuque puxado pelos representantes de outra comunidade, a de Santa Cruz, estavam no galpão por causa da garoa, mas rapidamente o ritmo ganhou o terreiro em meio ao cheiro de chuva, da mata e o de carne assada.

Formou-se então uma grande roda, as mulheres rodando suas saias compridas num sincrônico movimento quase imemorial, os homens também acompanhavam e todos em volta se não dançavam, observavam atentamente aquele simples, intrigante e lindo espetáculo, ao fundo uma imensa montanha, contrastava com as cores, das nuvens baixíssimas e de todos nós embaixo.

De repente, enquanto observávamos e fazíamos fotos e umas imagens, uns gritos de “debaixo da saia não”... em uma cena engraçadíssima, na qual um de nós (o Bruno) fotografava as dançarinas girando suas saias e os que acompanhavam começaram o coro. Felizmente com a tecnologia do nosso lado, ele mais que depressa mostrou as imagens e o possível mal-entendido fora logo resolvido.

Por providência, chegamos exatamente no ponto máximo do festejo à libertação de séculos de cativeiro, à luta pela opressão ainda vivida neste mundo longe da igualdade.

A imagem do Navio Negreiro produzida por Rugendas não saia de nossa mente, junto de tudo aquilo nos vem a reflexão sobre a luta, a resistência e sofrimento naquelas matas antes repletas de Capitães do Mato, os caçadores de escravos fugidos. É claro que lembrávamos também de Zumbi, morto num dia 20 de novembro, o líder de Palmares, e é neste dia que todos o reverenciamos.

Dentre as diversas observações, estão a generosidade e o acolhimento que de pronto tivemos, o que rapidamente nos possibilitou a imersão naquele episódio festivo de tantos motivos e tantas lutas. As cores também. Todas as cores, as das roupas, do ambiente e das pessoas, um ambiente diverso, onde todos estavam despreocupados com senhores ou capitães, só queriam a fugacidade da alegria do encontro, da música, da comida e dos motivos.

Entretanto, logo após a roda e o batuque, tivemos de ir, e rápido. A chuva presente começou a ameaçar nosso retorno. Fomos aconselhados a voltar, pois a estrada de terra é muito sinuosa e com a chuva que chegara mais brava, era o sinal de que se não nos adiantássemos, ficaríamos por lá, afinal um quilombo é marcado tradicionalmente pelo difícil acesso. Obedecemos a experiência e os sinais do tempo, retornamos comendo cocada e nos deliciando novamente com a paisagem.

Agora, com o carro sob controle, retornamos bem mais rápido e à noite chegamos muito cansados e satisfeitos pela visita e início de um contato que cremos será muito frutuoso recompensador.

Viva a luta pela igualdade de cor e raça!

E viva tolerância!

Viva as Comunidades Quilombolas de Ouro Verde de Minas e do Mucuri! Este texto e estas imagens são uma singela homenagem do Grupo Criativa e da Mucury Cultural nesta data tão importante para o Brasil.

Aproveitamos e agradecemos à Comunidade Quilombola e à equipe da Pastoral da Criança pela recepção e carinho.

Confiram as fotos de Leonardo Cambuí e Bruno Bento:

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domingo, 9 de janeiro de 2011

imagens – mucury cultural

Esta postagem que originou a página "imagens - mucury cultural"  é resultado de muita colaboração!
O envio e a divulgação de fotografias e imagens é fundamental para o fortalecimento da identidade regional e valorização da cultura de nossa região, o Mucury.
Então se você tiver alguma imagem pode nos enviar, se tiver informações sobre ela é melhor ainda!
Aproveitem!



VALORIZANDO A CULTURA E HISTÓRIA REGIONAIS DO MUCURI
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