Mostrando postagens com marcador Panorama Setorial da Cultura Brasileira. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Panorama Setorial da Cultura Brasileira. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Como gestores e investidores percebem o produtor cultural

Retirado do Cultura e Mercado em 19/12/12 do endereço:

http://www.culturaemercado.com.br/analise/como-gestores-e-investidores-percebem-o-produtor-cultural/

Por Renata Allucci

O relacionamento entre decisores do investimento em cultura e produtores culturais é corriqueiro no dia a dia do setor cultural brasileiro e o diálogo entre eles foi apontado pelos entrevistados pelo Panorama Setorial da Cultura Brasileira como ponto fundamental para o desenvolvimento e consolidação da cultura.

Porém, na abordagem da pesquisa percebeu-se que decisores e produtores têm referenciais, valores e crenças muito distintos. O primeiro passo para diminuir esta distância é o entendimento das diferentes perspectivas, suas divergências e concordâncias.

Um ponto comum para os gestores e decisores do investimento em cultura entrevistados, tanto da iniciativa privada quanto do setor público, é a necessidade de profissionalização do produtor cultural. Esses decisores acreditam que não há interesse do produtor em conhecer/considerar suas necessidades; este comportamento do produtor cultural não é visto com bons olhos.

Nas entrevistas com os representantes da iniciativa privada caracterizou-se que a visão sobre o produtor cultural depende do nível de relacionamento profissional estabelecido entre eles. Para que o produtor cultural atenda à demanda das empresas, é preciso um maior grau de profissionalização, investimento em formação e desenvolvimento de habilidades que dizem respeito à gestão de projetos. Sugerem-se fundos especiais de apoio aos pequenos produtores pra que eles possam realmente se tornar grandes depois.

Nas entrevistas com os representantes do poder público, verificou-se que a maior parte das percepções acontece pela distância entre os decisores e gestores do investimento em cultura e os produtores. Os pontos de contato são, em geral, desenvolvidos por editais públicos e outros instrumentos legais, distanciando os atores e criando ruídos de comunicação entre eles. Infere-se que, com isso, qualquer tentativa de trabalho conjunto não consiga desenvolvimento pleno.

Ainda para o poder público, o produtor cultural é peça fundamental no desenvolvimento da cultura no País. É uma pessoa que corre atrás, que busca o melhor para a cultura do País, que conhece o meio cultural, mas que necessita de maior profissionalização.

Profissionalismo – Como ficou evidente, a tônica na percepção do trabalho do produtor cultural pelos entrevistados é seu processo de profissionalização. De forma muito objetiva, os gestores e decisores do investimento em cultura sugerem que há a necessidade de incremento na profissionalização dos produtores culturais. Compreendem que sem formação orientada para gestão, sem maior capacitação não há desenvolvimento no setor. Os conflitos são iniciados prioritariamente por divergência de interesses e resolvidos com diálogo e trabalho conjunto. Mais uma vez, evidenciam-se a importância dos pontos de contato e a atenção aos canais de comunicação para favorecer o relacionamento.

Para a iniciativa privada, o profissionalismo dos produtores culturais é considerado baixo, principalmente no que diz respeito à capacidade de gestão de projetos culturais. Os conflitos baseiam-se nos interesses distintos da empresa (comercial) e do produtor (artístico) e acreditam no diálogo como a principal maneira de resolver estes conflitos. Porém, quando o diálogo não acontece, o projeto tende a não receber financiamento.

O setor público infere que a formação do produtor é crescente, e que este ator está em vias de profissionalizar-se. Porém, ainda é limitada e deficiente sua capacitação e o processo de aprimoramento deveria ser contínuo. Conflitos surgem por problemas nas políticas de incentivo, falta de compreensão dos papéis (de parte a parte) e divergência de interesses. Com menor incidência, o oportunismo dos produtores, ou seja, a tendência a sacrificar os princípios do projeto cultural para conseguir o dinheiro, favorece os conflitos. Estes conflitos são resolvidos com cooperação e trabalho conjunto.

No Panorama Setorial da Cultura Brasileira ficaram evidenciadas algumas dificuldades de relacionamento entre produtores culturais e gestores e decisores do investimento em cultura. Sem a compreensão e o reconhecimento da importância de cada ator por todos os participantes da cadeia produtiva, o desenvolvimento do setor fica comprometido. Tanto produtores têm que compreender o papel e legitimar a importância de patrocinadores e governo bem como estes devem reconhecer a importância e necessidades dos produtores.

Leia Mais ►

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

O Panorama Setorial da Cultura Brasileira

    Retirado do Cultura e Mercado em 19/11/12 do endereço:

    http://www.culturaemercado.com.br/pontos-de-vista/o-panorama-setorial-da-cultura-brasileira/

    Por Gisele Jordão

    Compreender o cenário da Indústria Cultural Brasileira por meio da perspectiva dos atores da indústria da cultura é o objetivo central do Panorama Setorial da Cultura Brasileira.

    Se a cultura e a arte são, necessariamente, centradas no talento humano, em seus contextos e realidades, entender os atores da indústria, seus papéis e perspectivas constitui o cenário na visão de quem faz cultura.

    Para compor o ambiente desta investigação, portanto, é necessário compreender o papel de cada ator e como se relacionam entre si.

    Na perspectiva proposta pelo Panorama Setorial da Cultura Brasileira (PSCB), os atores do setor cultural brasileiro podem ser entendidos por:

    • Agentes – responsáveis pela produção da cultura: artistas, produtores/gestores e fornecedores de serviços;

    • Viabilizadores – concentram dois atores fundamentais: o governo, responsável pelas políticas e financiamento do setor e a iniciativa privada, com contribuições de financiamento e parceria com o governo;

    • Difusores – contemplam todos os responsáveis pela distribuição e divulgação dos bens e serviços culturais. Veículos de imprensa, teatros, bibliotecas, aparelhos culturais, pontos de venda, críticos etc. estão neste grupo;

    • Público – consumidores e beneficiados pelas atividades culturais.

      • Nesta pesquisa, os atores observados foram o governo, a iniciativa privada e os produtores/gestores culturais, privilegiando a relação entre agentes e viabilizadores. Este recorte foi estabelecido para a coleta de dados, no intuito de compreender perfis e universos destes atores e, consequentemente, apresentar evidências de como interagem entre si.

        Desta forma, o PSCB foi construído a partir de três métodos combinados de pesquisa de mercado e olhar editorial:

        • Desk-research, contemplando pesquisas anteriores sobre cultura no Brasil e referências de países estrangeiros, com dados existentes entre 2007 e 2012;

        • Pesquisa qualitativa, com decisores e investidores de cultura públicos e privados de todo o País;

        • Pesquisa quantitativa, com produtores/gestores culturais em todo o Brasil e,

        • Editorial, para deixar a leitura mais prazerosa e o material mais rico, foram preparadas matérias jornalísticas ilustrativas que retratam algumas iniciativas e perspectivas da cultura nacional.

        Cada um destes métodos foi orientado por objetivos específicos, estruturados para responder ao objetivo principal do PSCB.

        Mais detalhes sobre a metodologia você encontra em www.panoramadacultura.com.br.

        *Texto escrito com Renata Allucci

        **A partir do dia 13 de novembro, Cultura e Mercado publicará materiais inéditos com base na pesquisa Panorama Setorial da Cultura Brasileira, em parceria com a 3D3 Comunicação. Clique aqui e saiba mais.

      Leia Mais ►