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quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Resultado do processo eleitoral do CONSEC

Nesta segunda-feira, 12/08, foi publicado no Diário Oficial do Estado de Minas Gerais o resultado das eleições para as cadeiras designadas para a Sociedade Civil do Conselho Estadual de Políticas Culturais-CONSEC (clique aqui para acessar).

Para quem não conhece o CONSEC:

Criado pela Lei Delegada nº 180, de 20 de janeiro de 2011, o Conselho Estadual de Política Cultural (CONSEC) é um órgão colegiado, paritário, de caráter consultivo, propositivo, deliberativo e de assessoramento superior da Secretaria de Estado de Cultura (SEC). Formado por 11 representantes do Poder Público e 11 representantes da sociedade civil organizada, o Consec servirá como uma instância da sociedade civil junto à Secretaria. Sua missão será acompanhar a elaboração e implantação das políticas públicas do Estado para a Cultura.

É um instrumento importantíssimo para a participação e garantia da Sociedade Civil na formulação das políticas públicas de cultura. Foi finalmente criado depois de muita luta, uma grande conquista para o setor. Entretanto, e talvez pelo fato de ser muito novo, ainda precisa ampliar sua representatividade e construir o empoderamento do setor cultural. Estes são alguns dos desafios para o CONSEC e sua nova gestão.

O Conselho é formado por representantes por segmentos: Arte Popular, Folclore e Artesanato; Audiovisual e Novas Mídias; Dança e Circo; Literatura, Livro e Leitura; Museus e Artes Visuais; Música; Produção Cultural e Teatro.

Eis os novos membros do CONSEC para o biênio 2014-2016:

ARTE POPULAR, FOLCLORE E ARTESANATO

Márcia Betânia Oliveira Horta (Diamantina)

Bruno Dias Bento (Teófilo Otoni)

AUDIOVISUAL E NOVAS MIDIAS

Sílvia Batista Godinho (BH)

Carlos Maurílio Ribas de Souza (BH)

DANÇA E CIRCO

Sula Mavrudis (BH) - reconduzida pelo plenário do CONSEC

Alexandre José Molina (Uberlândia)

ENTIDADES DE TRABALHADORES E EMPRESARIAIS

SATED - Magdalena Rodrigues (BH) - reconduzida pelo plenário do CONSEC


LITERATURA, LIVRO E LEITURA

Anibal Henrique de Oliveira Macedo (BH) - reconduzido pelo plenário do CONSEC

José de Alencar Mayrink (BH)

MUSEU E ARTES VISUAIS

Richardson Santos (BH)

MÚSICA

Frederico Furtado (Barbacena)

Tarcísio Manuvéio (Uberlândia)

PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO

Maria Andrada (Formiga) - reconduzida pelo plenário do CONSEC

PRODUÇÃO CULTURAL

Paulo Morais (Três Corações)

Henrique Alberto Correa Torres (BH)

TEATRO
Rubem Silveira Dos Reis (Uberlândia) - reconduzido pelo plenário do CONSEC
Antônio Carlos Ferreira (BH)

Saiba mais sobre o CONSEC.

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quinta-feira, 6 de março de 2014

Itaú Cultural promove Semana de Gestão e Políticas Culturais em Belo Horizonte

Do ODC

Nova edição do projeto voltado para gestores públicos e produtores culturais reúne nomes de peso para analisar e debater o cenário cultural brasileiro e dialogar com a realidade local da cidade mineira

semana-gestao _ logo

O Itaú Cultural, em parceria com o Observatório da Diversidade Cultural – ODC e o Centro de Arte Popular – Cemig, promove a Semana de Gestão e Políticas Culturais em Belo Horizonte. Os encontros acontecem entre os dias 31 de março a 04 de abril, no Auditório do Centro de Arte Popular – Cemig, no Circuito Cultural Praça da Liberdade, e abordam cinco pilares centrais do atual cenário cultural no Brasil: políticas culturais e participação; formação de público da cultura; planejamento e gestão cultural; o criativo e os novos arranjos produtivos na cultura; e cultura, direitos e institucionalidades.

Esta é a vigésima primeira edição desse curso livre, para o qual foram convidados professores e gestores culturais do Ceará, Bahia, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Totalizando dez profissionais, eles ministram aulas expositivas e apresentam experiências de gestão cultural, tanto no setor público quanto no privado.

Entre os convidados estão Albino Rubim, José Marcio Barros, Bernardo da Mata Machado, Isaura Botelho, Ana Paula do Val, Alexandre Barreto e Humberto Cunha. Os nomes foram escolhidos a partir da relação entre os temas propostos pela Semana e a cena cultural em Belo Horizonte. “Todos são especialistas na área e atuam em território nacional. Discutir a cultura em suas diversas etapas, do criativo às políticas culturais, passando pela formação de público, é um importante exercício para desenvolver o setor no país”, comenta Juliano Januzzi, coordenador do Centro de Arte Popular.

Foram disponibilizadas 65 vagas gratuitas e as inscrições estarão abertas de 24 de fevereiro a 07 de março. Os interessados podem fazer sua inscrição pelo site: www.observatoriodadiversidade.org.br/semanadegestao. A Semana é destinada a todos os profissionais que trabalham na área cultural e têm atuação na gestão e na produção, seja pública ou privada. Os interessados devem apresentar uma carta que comprove sua atuação na área cultural.

Semanas de Gestão

Em seis anos, 21 cidades brasileiras já participaram da Semana de Gestão: São Luiz, Porto Velho, Boa Vista, Rio Branco, Salvador, Aracaju, Maceió, João Pessoa, Florianópolis, Curitiba, Porto Alegre, Goiânia, São Paulo (três vezes), Macapá, Recife, Bauru, Ribeirão Preto e Presidente Prudente. Neste período, cerca de 2.300 gestores, produtores e profissionais ligados às áreas culturais participaram dos cursos livres que, no total, somam mais de 800 horas de aulas e palestras sobre a cultura nas Semanas de Gestão.

PROGRAMAÇÃO

Dia 31 de março, segunda-feira – Tema abordado durante o dia: Políticas culturais e participação.

9h
Aula expositiva Políticas Culturais no Brasil: um balanço.

Com Albino Rubim (BA), Secretário Estadual de Cultura da Bahia; professor titular da Universidade Federal da Bahia (UFBA); Docente do Programa Multidisciplinar de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade (PÓS-CULTURA) da UFBA.

14h
Aula expositiva: A cultura e a participação social na atualidade.

Com Bernardo da Mata Machado (MG), historiador e cientista político (UFMG), com especialização em Gestão Cultural (Univ. de Barcelona). É pesquisador da Fundação João Pinheiro (MG). Atualmente, é o Secretário em exercício de Articulação Institucional do Ministério da Cultura.

Dia 1º de abril, terça-feira – Tema abordado durante o dia: Formação de público da cultura.

9h
Aula expositiva: É possível formar públicos no Brasil?

Com Isaura Botelho (SP), Doutora em ação cultural pela ECA/USP e pós-doutorada na França. É gestora cultural e coordenou a pesquisa “O Uso do Tempo Livre e as Práticas Culturais na região metropolitana de São Paulo”no Cebrap.

14h
Aula expositiva: Movimentos e redes culturais e a formação de públicos.

Com Ana Paula do Val (SP), arquiteta e urbanista, artista plástica, especialista em Cultura e Comunicação (Universidade Paris-8, França). Autora e organizadora do livro: Santo Amaro em Rede: Culturas de Convivência – SESC-SP, 2011.

Dia 2 de abril, quarta-feira – Tema abordado durante o dia: Planejamento e Gestão Cultural

9h
Aula expositiva: Planejamento e produção culturais.

Com Luciana Salles (MG), graduada em Comunicação Social e especialista em Planejamento e Gestão Cultural (PUC/MG). É responsável pela Superintendência de Programação Cultural e Ação Educativa do Circuito Cultural Praça da Liberdade.

14h
Aula expositiva: Construção de carreira artística.

Com Alexandre Barreto (Alê Barreto) (RJ), administrador de empresas, gerente de projetos, produtor executivo e produtor cultural. Autor do livro Aprenda a Organizar um Show.  É um dos gestores do Grupo Nós do Morro e criador do blog “Produtor Cultural Independente”.

Dia 3 de abril, quinta-feira – Tema abordado durante o dia: O criativo e os novos arranjos produtivos na cultura.

9h
Aula expositiva: Economia criativa.

Com Juliana Nolasco Ferreira (SP), mestranda em Administração Pública e Governo na Fundação Getúlio Vargas e pesquisadora do Grupo de Ensino e Pesquisa em Inovação (GEPI) da Escola de Direito FGV (FGV-SP).

14h
Aula expositiva: Novos arranjos criativos e produtivos.

Com Israel do Vale,  jornalista, graduado pela Universidade Metodista (SP). Atua profissionalmente há 28 anos no jornalismo cultural. É diretor-executivo da agência Picnic Digital e consultor em conteúdo transmídia.

Dia 4 de abril, sexta-feira – Tema abordado durante o dia: Cultura, direitos e institucionalidades.

9h
Aula expositiva: Direitos culturais em perspectiva

Com Francisco Humberto Cunha Filho (CE), doutor em Direito, professor dos programas de graduação e pós- graduação em Direito da Universidade de Fortaleza (UNIFOR); autor de trabalhos científicos sobre os Direitos Culturais, dentre os quais, os livros: “Direitos Culturais como Direitos Fundamentais”, “Cultura e Democracia na Constituição Federal de 1988” e “Federalismo Cultural e Sistema Nacional de Cultura”.

14h
Aula expositiva: Diversidade cultural e plano de cultura.

Com José Márcio Pinto de Moura Barros (MG), professor dos Programas de Pós Graduação em Comunicação da PUC Minas, Cultura e Sociedade da UFBa e da Faculdade de Políticas Públicas/ UEMG – Universidade do Estado de Minas Gerais; coordenador geral do Observatório da Diversidade Cultural (ODC).

SERVIÇO

Semana de Gestão e Políticas Culturais – Belo Horizonte/MG
De 31 de março a 04 de abril de 2014, das 9h às 18h

Local das atividades: Auditório do Centro de Arte Popular – Cemig no Circuito Cultural Praça da Liberdade – Rua Gonçalves Dias, 1608 – Lourdes, Belo Horizonte – MG (em frente ao Cine Belas Artes).

Inscrição gratuita.
Vagas: 65
Período de inscrição: de 24/02 a 07/03/14, no site: www.observatoriodadiversidade.org.br/semanadegestao
Divulgação do resultado da seleção: 21/03/14, também no site.

Informações:

Tel.: (31) 3222-3231 – Centro de Arte Popular Cemig
info@observatoriodadiversidade.org.br
www.centrodeartepopular.mg.gov.br

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terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

O cliente tem sempre razão

Do Cultura e Mercado

Por Marcelo Gruman

O escritor mineiro Fernando Sabino descreveu magistralmente, na crônica Cem cruzeiros a mais, o périplo de um indivíduo que, tendo recebido certa quantia a mais de um Ministério, queria devolvê-la aos cofres públicos.

Primeiro, depois de esperar pacientemente na fila, viu o guichê ser fechado justamente na sua vez porque estava na hora do cafezinho do funcionário. No dia seguinte, ao conseguir, finalmente, ser atendido, ouviu do funcionário que estava no lugar errado, pois ali era a “pagadoria”, devendo o incauto individuo encaminhar-se à “recebedoria”. Na “recebedoria”, o funcionário informou que apenas o chefe poderia resolver o caso, mas o chefe já havia ido embora, portanto, a resolução do caso foi novamente adiada para o dia seguinte. No terceiro dia, após meia hora de espera, nosso personagem ouviu do chefe da seção que seria necessário redigir um ofício “historiando o fato e devolvendo o dinheiro” e dar entrada na solicitação no setor de protocolo. Eis o desfecho do caso, para desgosto do protagonista e prejuízo ao erário público:

Saindo dali, em vez de ir ao protocolo (…) o honesto cidadão dirigiu-se ao guichê onde recebera o dinheiro, fez da nota de cem cruzeiros uma bolinha, atirou-a lá dentro por4cima do vidro e foi-se embora. 

A crônica de Sabino fala, de forma caricatural, dos empecilhos que a burocracia impõe ao cidadão comum em seu cotidiano, até mesmo quando este cidadão quer fazer um favor ao Estado e, consequentemente, ao funcionário que lhe atendeu, seu representante, a autoridade formalmente nomeada para tratar daquele assunto específico. O desfecho tragicômico de Cem cruzeiros a mais pode ser explicado pela falência do modelo preconizado pela administração pública burocrática no Brasil, alvo de inúmeras críticas por parte de estudiosos, políticos e, talvez a parte mais interessada, a sociedade civil, obrigada a lidar quase que diariamente com as exigências do aparelho estatal. Dentre as principais críticas estão o impacto da prescrição estrita de tarefas sobre a motivação dos empregados; resistência às mudanças; desvirtuamento dos objetivos provocado pela obediência acrítica às normas e corporativismo entre os funcionários, causando destacamento dos interesses dos destinatários/clientes dos serviços da organização. A impessoalidade levada ao pé da letra pode levar a organização a não dar atenção a peculiaridades das necessidades individuais. Será que o funcionário da “pagadoria” não seria capaz de intervir junto à “recebedoria” de forma a acelerar o processo? Esta é a questão: o foco é no processo, não nos resultados.

Por sua vez, a administração pública gerencial, pensada a partir do Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado, sob a orientação do Ministério da Administração Federal e Reforma do Estado – MARE, em 1995, funda-se na ideia de que o controle deve ser exercido sobre os resultados, não mais nos processos, tornando a administração pública mais eficiente e voltada para a cidadania. Há uma mudança na compreensão da expressão “interesse público”, inicialmente identificado com a afirmação do poder do Estado, relegando ao segundo plano os conteúdos das políticas públicas. Na administração pública gerencial, interesse público relaciona-se ao interesse da coletividade e não com o aparato do Estado. Aqui, o cidadão é contribuinte de impostos e cliente dos seus serviços.

É a partir as premissas da administração pública gerencial, sobretudo a tríade planejamento-resultado-avaliação sistemática, que as ações do Ministério da Cultura devem ser pensadas.

O planejamento da Cultura   

Os resultados positivos de determinada política pública só podem ser alcançados a partir de um planejamento estratégico, e este planejamento estratégico só pode ser elaborado a partir de diagnósticos e estudos prospectivos. O programa ou ação governamental devem ser avaliados sistematicamente com vistas à determinação de sua eficiência (menor relação custo/benefício), eficácia (grau em que o programa atinge seus objetivos e metas), efetividade (efeitos positivos no ambiente externo em que interveio), sustentabilidade (capacidade de continuidade dos efeitos benéficos alcançados pelo programa) e relevância de seus objetivos. A avaliação é realizada por meio de indicadores, que quantificam os resultados obtidos na aplicação de critérios previamente selecionados, confirmando ou não o alcance das metas pré-determinadas.

O planejamento implica um plano. Em 2010, foram publicadas as metas do Plano Nacional de Cultura para os dez anos seguintes. Na sua apresentação, a ex-ministra Ana de Hollanda deixou claro qual a visão de longo para a Cultura.

Sustentabilidade e, portanto, planejamento, são algumas palavras-chave da atual gestão do Ministério da Cultura. Significa pensar lá na frente, no futuro, a partir das bases do presente. Foi com esse intuito que colocamos em discussão as metas do Plano Nacional de Cultura (PNC), que hoje apresentamos. São propostas para a próxima década. (…) As metas que nascem agora começaram a ser geradas no Seminário Nacional Cultura para Todos, em 2003, primeiro passo para o envolvimento dos cidadãos na avaliação e direcionamento das políticas culturais. Portanto, se temos 53 metas a nos guiar para a próxima década, é porque um dia abrimos espaço e ouvimos a sociedade na formulação da política pública para a cultura. (grifos meus)

O alcance das metas previstas no Plano Nacional de Cultura depende, paralelamente à infraestrutura tecnológica adequada, de uma cultura organizacional que enfatize a produção, armazenamento e avaliação de informações das ações institucionais. Apenas desta forma é possível elaborar um planejamento estratégico. Valores como eficiência e eficácia devem informar os processos rotineiros de trabalho, e as ações não podem ser interpretadas como um fim em si mesmo, mas um meio a partir do qual a avaliação é feita. Caso contrário, estaremos diante de dados, números sem significado social.

Muito mais cômoda para os gestores seria a organização de suas ações sem olhar para o futuro, apenas para o presente, porque estariam dentro de uma zona de conforto. Contudo, se isto ocorresse, reproduziríamos o estigma do funcionário público que pendura o paletó na cadeira pela manhã e só volta no final do expediente, o estigma da bur(r)ocracia que não arregaça as mangas e não põe a mão na massa, que apenas cumpre as formalidades administrativas necessárias para a elaboração do relatório de atividades a ser entregue no final do ano.

A administração pública federal deve atender às demandas do cidadão, afinal, o cliente sempre tem razão.

Referências bibliográficas

MINISTÉRIO DA CULTURA. Metas do Plano Nacional de Cultura. Brasília: Ministério da Cultura. 2011.

SABINO, Fernando. Cem cruzeiros a mais. In: ANDRADE, Carlos Drummond de & outros. Para gostar de ler: crônicas. São Paulo: Ática. 1979.

Retirado em 04/02/14 daqui.

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segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Coleção Política e Gestão Culturais

Sugerido por José de Oliveira Júnior

Por Cadena Produções

Pioneira no Brasil ao reunir em uma única edição noções básicas sobre os principais temas que dizem respeito à política e à gestão cultural no Brasil contemporâneo, a Coleção Política e Gestão Culturais, elaborada pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, é leitura indispensável à produtores, gestores, agentes culturais, artistas e a todos que desejam o fortalecimento do setor cultural.

Ao todo são 10 cartilhas que contam com uma abordagem introdutória e objetiva e que tratam dos seguintes temas: Política Cultural; Legislações Culturais; Sistemas de Cultura; Planos de Cultura; Conselhos de Cultura; Fomento à Cultura, Participação, Consulta e Controle Social da Política Cultural; Gestão Cultural; Redes e Consórcios; e Territórios e Identidade.

A Coleção Política e Gestão Culturais está disponível para download.

É possível baixar a versão pdf aqui:

Conselhos de Cultura

Fomento à Cultura

Território e Identidade

Gestão Cultural

Legislações Culturais

Participação, Consulta e Controle

Planos de Cultura

Política Cultural

Redes e Consórcios

Sistema Nacional de Cultura

Retirado em 23/12/13 daqui e daqui.

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segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Minas Gerais assina adesão ao Sistema Nacional de Cultura

Nesta segunda-feira, 16, o estado de Minas Gerais assina o termo de adesão ao Sistema Nacional de Cultura-SNC. Já era sem tempo, Minas é o último estado a aderir ao SNC.

A assinatura vai ocorrer no Palácio das Artes, na sala João Ceschiatti, em Belo Horizonte, e contará com a presença de representante do Ministério da Cultura (MinC), Bernardo da Mata Machado e da secretária de Estado de Cultura de Minas Gerais, Eliane Parreiras.

Com isso, 100% dos Estados brasileiros terão aderido ao Sistema Nacional de Cultura (SNC), modelo de administração participativa, criado pelo MinC com o objetivo de tornar a gestão da cultura mais eficaz, planejada e com melhor uso dos recursos públicos. Em todo o país, são 2.068 municípios que já aderiram ao SNC, sendo 211 em Minas Gerais, atualmente no vale do Mucuri, há 6 municípios em processo de adesão.

Para saber mais sobre o SNC, acesse o link www.cultura.gov.br/snc

Com informações do site do MinC.

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sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

O Marco Civil da Internet e a cultura

Do Cultura e Mercado

Por Mônica Herculano

Foto: Paul WalkerDiversos veículos de comunicação têm dado espaço nos últimos meses para explicar os principais pontos do projeto de lei que cria o Marco Civil da Internet e de que maneira ele deve afetar cidadãos e empresas de maneira geral. Cultura e Mercado foi procurar entender qual o impacto das mudanças para a produção cultural brasileira. De que maneira esta lei pode influenciar o fazer artístico e a circulação dos produtos e serviços de quem vive de cultura?

Para o professor da Faculdade de Direito da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro, Carlos Affonso Pereira de Souza, uma das principais características do Marco Civil da Internet é o seu caráter principiológico, ou seja, ele não entra em detalhes sobre diversos temas, deixando que a regulamentação posterior cumpra essa função. “Com isso, ele procura ser uma lei que inspira e serve de parâmetros para leis futuras sobre a internet no Brasil”, explica.

Quando se pensa em produção cultural e direito logo vem à mente a questão dos direitos autorais. Segundo Souza, o Marco Civil da Internet, propositadamente, não aborda essa questão, deixando que os direitos autorais na internet sejam tratados pelo processo de reforma da lei específica, a Lei de Direitos Autorais (Lei 9610/98).

“Mas ainda que não trate diretamente dos direitos autorais, o Marco Civil impacta tanto na produção como na circulação de obras culturais e, nesse sentido, vale prestar atenção sobre as questões relacionadas à proteção da liberdade de expressão, ao mecanismo de remoção de conteúdo, previsto no artigo 20, e ao debate sobre neutralidade da rede”, alerta.

Souza explica que o fortalecimento do chamado “princípio da neutralidade da rede” será fundamental para garantir que a circulação de bens culturais não venha a ser restringida ou discriminada por conta de fatores diversos. “Segundo a neutralidade da rede, os provedores de acesso à internet poderiam discriminar o fluxo de dados que elas trafegam na rede com base em sua origem, destino ou conteúdo. Dito de outra forma, salvo exceções constantes do Marco Civil, um provedor de acesso não poderia privilegiar o tráfego de dados para sites parceiros e degradar voluntariamente o tráfego para sites concorrentes. É verdade que práticas como essa já seriam punidas pelo direito da concorrência, mas o princípio da neutralidade da rede torna essa vedação mais explícita para as atividades dos provedores.”

Tráfego - Existe um debate sobre se seria admitido, por exemplo, que uma operadora de celular ofereça acesso gratuito a determinada rede social. Ou seja, a quantidade de dados trafegadas pelo usuário no acesso à rede social não contaria para o seu volume total de dados contratados por mês. “Essa oferta pode parecer interessante para o consumidor, mas vale debater se uma vez oferecido esse modelo de negócio, não seria mais difícil o usuário experimentar outra rede social, já que o volume de dados trafegados nessa outra rede não contaria com a isenção garantida na parceria entre operadora de celular e a empresa que explora a rede social”, diz o professor da UERJ.

O mesmo raciocínio vale para sites de música ou qualquer outro tipo de plataforma digital que feche acordos com as operadoras para oferecer vantagens aos seus clientes. “Será que a vantagem de acesso ‘gratuito’ compensa o efeito de aprisionamento do consumidor? O Marco Civil, em regra, impediria esses modelos de negócio por infringir o princípio da neutralidade da rede e garantiria assim que conteúdos culturais não tenham a sua circulação restrita pelo desenvolvimento de modelos de negócio que discriminam o conteúdo que o usuário da internet poderia ou não acessar”, explica Souza.

“Por enquanto a circulação e colagem de produtos e conteúdos culturais segue a todo vapor”. lembra o músico Daniel Scandurra, do movimento Marco Civil Já. Com a neutralidade da rede garantida, diz ele, essa movimentação de dados aumentará ainda mais em potência. “Basta citar que, com o Marco Civil, as operadoras provedoras de conexão/acesso não poderão realizar otraffic shaping, e isso tornará mais democrática a circulação de informação nova pela rede, pois a tramitação dos dados não poderá ser hierarquizada por motivos privados. Os pequenos blogs carregarão por lei na mesma velocidade que sites de grandes corporações”, explica.

Para Scandurra, o Marco Civil da Internet é um bom passo para garantir longa vida à internet livre e incentivar as sociedades a se organizarem e criarem novas plataformas e softwaresprototípicos “para a reformulação colaborativa dos meios de comunicação, compartilhar colaborativamente, acelerar a percepção de tabus ultrapassados e das falências do sistema político”.

Ele acredita que se a internet se mantiver livre e se a sociedade puder continuar não só consumindo como também produzindo informação nova, a consciência do fazer artístico tenderá cada vez mais a se disseminar. “Se ser artista é ter consciência do uso dos meios que temos em mãos, o click pode ser considerado um ato cinematográfico”, defende.

Compartilhamento - Enquanto a internet ainda não é gratuita, aberta, rápida e acessível a todos, diz Scandurra, é preciso garantir que ela se mantenha como um ambiente de livre comunicação e criação. “Nesse sentido, as vias legais aparecem como alternativa mais didática nesta conjuntura e o Brasil pode ser um dos primeiros países a ter leis progressistas para o uso da internet”, afirma.

Para ele, um Marco Civil que garanta a neutralidade da rede e a liberdade de expressão estimulará ainda mais a digitalização cultural. “A produção cultural em que a internet é o meio significa a digitalização/codificação/tradução intersemiótica dos atos e pensamentos dos seres humanos. O compartilhamento em rede permite, por exemplo, que a pluralidade de narrativas e folclores que configuram a chamada cultura brasileira seja indexada e disponibilizada para livre transcriação: transcriar as culturas internacionais”, afirma Scandurra, avisando que o próximo foco da luta do movimento será a atualização da LDA.

A advogada Flávia Lefèvre Guimarães também acredita que o princípio da neutralidade das redes, além da inimputabilidade, deve ser garantidos para que a criação e a circulação dos produtos e conteúdos artísticos possam ser beneficiadas com a nova lei. “Se se atribuir às teles, que operam as redes de banda larga, o poder de privilegiar o tráfego dos conteúdos veiculados pelos consumidores que pagarem mais, se abrirá um espaço para a criação de uma casta de consumidores de alta renda e corporativos, em detrimento de pequenos consumidores, que terão de se contentar com uma internet limitada pelo fatiamento da possibilidade de acesso a conteúdos e aplicativos determinados, eliminando o caráter aberto e democrático da internet.”

Ela alerta que, caso prevaleça a redação que responsabiliza provedores que veiculam conteúdos de terceiros nos casos de direitos autorais, independentemente de uma ordem judicial, representará uma preocupação para quem produz e para quem veicula as produções culturais, limitando a possibilidade de compartilhamento e divulgação das obras.

“Além do aspecto das garantias constitucionais, a manutenção do ‘notice and take down‘ tem implicações muito negativas para a produção cultural e artística. Sabemos que os processos de criação humana são dinâmicos e alicerçados sobre conhecimentos prévios; a comunicação é um desdobramento magnífico da necessidade de sociabilidade. Tudo isso explica o sucesso da
internet e das redes sociais, que propiciam o compartilhamento de experiências de forma rápida e abrangente”, afirma.

Liberdade de expressão - Para Carlos Affonso de Souza, o processo de criação artística envolvendo a internet pode ser beneficiado com a aprovação do Marco Civil por pelo menos duas razões: fortalecimento na tutela da liberdade de expressão no direito brasileiro e um mecanismo de remoção de conteúdo que – excetuadas as questões sobre direitos autorais – vise a evitar uma censura prévia sobre a obra divulgada, o que garante maior liberdade para criar. “No que diz respeito à liberdade de expressão, o Marco Civil dispõe sobre esse direito em cinco momentos distintos do seu texto, o que mais do que comprova a importância que a sua defesa assumiu para a elaboração do projeto”, conta.

No artigo 2º, explica Souza, o texto esclarece que a disciplina do uso da internet no Brasil tem como fundamento o respeito à liberdade de expressão. Em seguida, afirma que a disciplina do uso da internet no Brasil terá como um dos seus princípios a “garantia da liberdade de expressão, comunicação e manifestação de pensamento, nos termos da Constituição”. Mais à frente, no artigo 8º, estabelece que “a garantia do direito à privacidade e à liberdade de expressão nas comunicações é condição para o pleno exercício do direito de acesso à Internet”.

“Para além do número de menções sobre liberdade de expressão, o que diretamente garante uma zona de segurança para o processo de criação artística, o Marco Civil ainda reforça essa tutela com o disposto no artigo 20. Segundo o artigo, o provedor apenas poderia ser responsabilizado pelo conteúdo postado por terceiro se o mesmo falhar em cumprir uma ordem judicial. Esse dispositivo garante assim que o provedor não seja obrigado a retirar do ar um conteúdo caso receba uma notificação de uma pessoa que possa eventualmente se sentir lesada em alguns dos seus direitos pelo conteúdo exibido.”

Não raramente a obra artística incomoda, critica, desafia. Por isso, afirma Souza, é importante que o Marco Civil não viabilize instrumentos que fariam com que não apenas a obra fosse removida, mas também responsabilizasse aquele que proporciona a sua exibição, no caso os provedores. “Isso cria incentivos não apenas para a exibição de bens culturais, mas também para a sua produção de forma ampla”, diz.

Souza acredita que o Marco Civil se posiciona favoravelmente a um ambiente no qual conteúdos artísticos podem ser criados e divulgados sem o receio de que a sua simples exibição poderia gerar responsabilizações aos provedores, que podem servir como verdadeiros veículos da expressão na rede. “Se por um lado se questiona os padrões adotados pelos provedores para remover um conteúdo que por acaso esteja contrário aos seus termos de uso, é preciso preservar um espaço para que essas atividades não sejam restringidas em nome de uma suposta responsabilização futura. O efeito de se ter provedores com receio de publicar conteúdos por serem processados é justamente um espaço menor para a produção cultural e sua divulgação.”

Retirado em 13/12/13 daqui.

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terça-feira, 3 de dezembro de 2013

As diretrizes aprovadas na 3ª Conferência Nacional de Cultura

Apesar de tantos desencontros, transtornos e estresses, seguimos em frente na construção de políticas públicas para a cultura de forma democrática e participativa. Na Conferência Nacional de Cultura, a delegação de Minas Gerais composta por 38 delegados além de trabalharmos na aprovação das propostas que definirão políticas para o setor cultural, tivemos momentos importantíssimos, como o relatado por Platinny Paiva, músico e delegado por Minas Gerais:

O alinhamento foi fundamental para a atuação conjunta na plenária final. Além disso, ali se consolidou um entendimento na necessidade de nos aprofundarmos na relação em nossa casa: Minas Gerais.

Dois atos se consolidaram:

  1. Que os delegados e suplentes eleitos na 3ª Conferência Estadual de Cultura sejam efetivados como componentes da Câmara Consultiva Regional, junto ao Conselho Estadual de Cultura. Objetiva-se uma reunião presencial no 1º trimestre de 2014, com vistas à participação efetiva na construção do Plano Estadual de Cultura. Um ofício assinado por todos foi encaminhado aos Conselheiros Estaduais presentes, que apoiaram o pleito;
  2. Que iremos imediatamente construir uma rede que irá atuar em suas microrregiões, com vistas a consolidar os sistemas municipais de cultura em todo nosso Estado e a instalar pelo menos um ponto de cultura em cada cidade.

Entendemos que esse grupo possui legitimidade para dialogar com a Secretaria Estadual, o Ministério da Cultura, prefeituras municipais e entidades. Seus componentes incluem secretários municipais, gestores, artistas, produtores e agentes eleitos democraticamente, representantes de 376 cidades mineiras que realizaram conferências municipais.

Propostas aprovadas

Na Plenária Nacional que definiu 20 diretrizes como prioridade, dos 953 delegados, 804 foram votantes. Entre os destaques dessa votação, estão o pedido de aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 150; a proposta que pede o fortalecimento das cadeias dos setores criativos, com intercâmbios – uma das cinco mais votadas, no eixo 4 das discussões; a proposição que pede a inclusão nos planos orçamentários da União, estados, DF e municípios de programas para desapropriação de imóveis ociosos para que sejam aproveitados como equipamentos culturais.

Dentre as diretrizes também constam a proposta de pelo menos 10% dos recursos do Fundo Social do Pré-Sal para a Cultura; o fortalecimento do Fundo Nacional de Cultura; aprovação da PEC 49/2007 e da PEC 236/2008, que incluem a cultura como direito social dos brasileiros; aprovação de Marco Regulatório das Comunicações no Brasil, do Marco Civil da Internet; ampliação das políticas de editais. Veja as 64 diretrizes e os 20 destaques na home da III CNC (aqui).

Com informações do MinC, daqui.

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sexta-feira, 18 de outubro de 2013

O que muda com a PEC da Música?

Do Cultura e Mercado

Por Mônica Herculano

Foto: CIVICO13 Será promulgada nesta terça-feira (15/10), em sessão solene no Congresso Nacional, a Emenda Constitucional 75/13, originária da proposta que ficou conhecida como PEC da Música. O texto, do deputado Otávio Leite (PSDB-RJ), aprovado pelo Senado no último dia 24 de setembro, inclui CDs e DVDs com obras musicais de autores brasileiros em inciso do artigo 150 da Constituição – o mesmo que isenta de impostos templos, partidos políticos, livros e jornais.

A PEC foi aprovada com grande apoio de artistas e associações de música, com o argumento de que o preço desses produtos será reduzido ao consumidor, o que também seria uma forma de combate à pirataria. Cultura e Mercado foi procurar saber – sem trocadilhos – de produtores, associações e lojas de discos se de fato o CD vai voltar à casa das pessoas, e se deparou com questões que vão além.

“A isenção não se dará na produção do CD/DVD, mas sim na circulação/comercialização dos fonogramas. Estamos falando de isenção de ICMS, ISS e provavelmente também do IOF que incide sobre fonogramas vendidos no exterior pelos serviços digitais – ainda não temos certeza sobre o IOF. A emenda ressalvou a isenção fiscal sobre a fabricação (IPI) apenas para a Zona Franca de Manaus, para preservar os benefícios da Zona Industrial do Amazonas e não prejudicar os empregos na região”, explica a diretora executiva da Associação Brasileira da Música Independente (ABMI), Luciana Pegorer.

Segundo ela, a expectativa maior está na oxigenação que isso pode gerar para o pequeno e médio produtor fonográfico, para o artista independente e para a cadeia produtiva da música de uma forma geral. “Na legislação tributária brasileira, o imposto que é devido pelo lojista quando ele compra um produto para revender é pago na fonte, ou seja, no caso da música, quem paga esse imposto é a gravadora ou o distribuidor. Esse imposto pago antecipadamente é devolvido pelo lojista 30, 60 ou até 90 dias depois. E se porventura a mercadoria for devolvida, o mesmo não acontece com o imposto que já foi pago. Esse mecanismo mata o pequeno que não tem margem para financiar essa operação e impede muitas iniciativas nesse mercado, como por exemplo a implantação de pequenas empresas distribuidoras em todas as regiões do país”, explica.

Luciana afirma que o artista independente ligado a alguma gravadora ou distribuidor sentirá os efeitos de imediato quando for comprar seus discos para revender nos shows. “Os demais agentes desta cadeia passarão a sentir seus efeitos à medida que essa oxigenação na origem for se espalhando e resultando em maior capacidade de investimento por parte de produtores e distribuidores”, afirma.

Na prática - Mauricio Bussab, da distribuidora de independentes Tratore, acredita que a emenda vá causar uma pequena mudança quantitativa, não qualitativa. “Vai sim causar um aumento perceptível nas vendas. Sim, a redução vai ser transferida, especialmente porque as lojas já vivem sob concorrência muito grande umas com as outras, especialmente as que vendem CD por e-commerce e as margens são muito reduzidas”, afirma. E é enfático: “Essa conversa de que as reduções não são repassadas são conversa de quem não entende a lei da oferta e da procura. Se tem como reduzir o preço para vender mais, todo mundo faz isso, é evidente.”

Em nota, o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Discos (ABPD), Paulo Rosa, disse que “os efeitos da aprovação da PEC da Música serão benéficos para o mercado físico e digital de música brasileira e os consumidores em geral, mas ainda carecem de um entendimento formal comum a todo o mercado, tanto pelos próprios produtores fonográficos como pelo comércio varejista, sobre a aplicação prática da medida aprovada”. Segundo ele, os procedimentos serão construídos “através do diálogo entre os atores do mercado físico e digital de música nacional, obedecendo ao que dispõe as normas tributárias brasileiras”.

Jacques Brault, diretor da Fnac Brasil, confirma que a queda de preços de CDs e DVDs deverá ser logo percebida pelo público. “Acreditamos que a aplicação dessa lei vai, sem dúvida, favorecer a difusão da música, além de permitir a produção e a descoberta de novos talentos, pois CDs e DVDs são os melhores meios de difusão e de promoção da cultura musical. Estamos confiantes em um decorrente aumento nas vendas”.

Na Livraria Cultura a música representa hoje 7% dos negócios, contabiliza seu diretor comercial, Rodrigo de Castro. E é um mercado que, segundo ele, cresce ano a ano. “Embora o meu preço não seja o melhor do mercado, hoje no grande varejo a Cultura é a loja que oferece a maior e melhor diversidade. Ao reconhecer isso, o amante da música, que quer ter o formato físico como sua fonte de áudio, sabe que pode recorrer às nossas lojas.”

Castro afirma que tem ouvido das gravadores que o preço vai baixar, mas isso depende do repasse que a própria indústria vai proporcionar ao varejo. “O meu preço é pautado pelo valor que eu pago. Se a indústria repassar literalmente a margem de impostos que está sendo concedida agora, a Livraria Cultura vai repassar ao consumidor na mesma proporção. A ideia é que promovamos mais venda de CDs, mas isso depende da indústria. Ainda não recebemos novas tabelas sobre desconto”, conta.

Além da venda - Breno Kruse é responsável pela Apis3 Play, empresa de assessoria de marketing e comunicação digital na área de entretenimento, e durante muitos anos trabalhou como produtor executivo de artistas como Marcelo Camelo, Mallu Magalhães, Céu, Gabriel o Pensador, Mariana Aydar, Curumin e Filipe Catto. Para ele, dizer quanto essa emenda representa percentualmente no valor de um disco não é tão óbvio, já que existem custos de gravação e marketing diferentes entre si.

“Esses custos não vão diminuir, então se o abatimento for, como estão dizendo por aí, de até 30%, esse desconto é só sobre prensagem e distribuição. Uma porcentagem do preço final que não é desprezível, mas também não é sedutora. Não sei se isso pode se refletir em uma redução muito grande no preço final se não houver diminuição na margem de lucro. Na minha experiência trabalhando com artistas, vejo que é muito difícil eles perceberem valor financeiro na venda de disco”, afirma.

Para Luciana Pegorer, a emenda aprovada possibilita ter novamente o CD e o DVD na composição das receitas de quem trabalha com música, seja gravadora, distribuidora, lojista ou artista independente. “Parece estúpido se falar em CDs e DVDs a essa altura, mas na verdade é míope pensar que a mídia física não existe e não representa uma receita importante para quem produz música nesse país. A internet não é uma realidade para a maioria dos brasileiros.”

Kruse lembra que historicamente o que se vê é a soma das novas tecnologias às antigas. Ao invés da “canibalização”, CD, DVD, vinil e os suportes físicos em geral são cada vez mais traços de um certo tipo de consumidor aficionado do que comportamento médio do mercado. “Hoje a maior parte da renda digital da Sony e Universal vem do VEVO.com. Serviços de streaming como Deezer e Rdio ainda estão engatinhando, mas já fazem parte do mix. E tanto esses últimos como os sistemas sustentados por patrocínio como YouTube têm pouco ou nada a ver com essa emenda”, lembra.

Ele acredita que a curva de evolução da venda, pelo menos no que se refere a unidades vendidas e balanço de físico versus digital, deve se manter mais ou menos como tem sido. A chave está na redução dos custos para os produtores e não só do preço para o consumidor. “Acho que um disco 20% mais barato na loja não vai mudar o mercado. Mas um mercado onde os produtores gastam 10% ou 15% a menos, com um ganho em capilaridade (mais redes de lojas comprando mais títulos), ou mesmo os consumidores que já compram disco começarem a comprar mais (os que não compram vão continuar não comprando), e um ganho em lucratividade, podemos sentir efeitos positivos”, aponta.

Para os músicos, resta saber se a política tributária é o principal aspecto no debate sobre a produção musical no Brasil. Em tempos nos quais artistas unem-se para falar sobre direitos, há questões que talvez merecessem mais estar em uma verdadeira “PEC da Música”: remuneração do trabalho intelectual, formação de público, espaços para divulgação, (não-)dependência de editais, entre tantos outras que permeiam a área e dificilmente chegam ao Congresso.

Retirado do Cultura e Mercado em 18/10/13 do endereço:

http://www.culturaemercado.com.br/destaque/o-que-muda-com-a-pec-da-musica/

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segunda-feira, 16 de setembro de 2013

PEC da Música é aprovada em 1º turno no Senado

Do Cultura e Mercado

Foto: Steve JohnsonA PEC 123/11, que isenta de impostos CDs e DVDs com obras musicais de autores brasileiros, foi aprovada em primeiro turno na última quarta-feira (11/9) pelo Plenário do Senado, com 50 votos favoráveis, 4 contrários e uma abstenção. Se no segundo turno for aprovada sem alterações, com no mínimo 49 votos, a matéria será promulgada sem necessitar voltar para a Câmara, onde já foi aprovada.

A PEC da Música, como ficou conhecida, livra de impostos CDs e DVDsproduzidos no Brasil “contendo obras musicais ou literomusicais de autores brasileiros e/ou obras em geral interpretadas por artistas brasileiros, bem como os suportes materiais ou arquivos digitais que os contenham”.

De acordo com o autor da proposta, deputado Otávio Leite (PSDB-RJ), serão reduzidos a zero as contribuições do Imposto sobre Serviços (ISS) e do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) na produção e venda de CDs, DVDs e clipes musicais. Além disso, ficará zerado o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) – para compras em crédito – nas operações para se adquirir obras musicais.

Segundo Leite, a PEC também facilitará as vendas pela internet. “Os músicos vão poder vender seus discos e músicas pela internet sem ter que pagar qualquer tributo”, disse ao G1.

O objetivo é reduzir o preço dos produtos ao consumidor – a expectativa é que a redução de até 25% no preço de CDs e DVDs – e desestimular a venda de piratas. O benefício, no entanto, não alcança o processo de replicação industrial, que continuará a ser tributado.

A matéria gerou polêmica entre os senadores do Amazonas, que acreditam que a desoneração fiscal da produção ameaça a indústria fonográfica e de vídeo instalada na Zona Franca de Manaus (ZFM). Como a isenção se aplica à produção de CDs e DVDs em todas as regiões do país, os senadores argumentam que a proposta poderia diminuir a diferença de tratamento tributário que hoje favorece o pólo.

Para Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), a proposta aumenta a pirataria. “Essa PEC, aprovada, garantindo a imunidade, sabe o que pode acontecer? Não sou eu quem diz isso, são os técnicos da Receita Federal. Pode ampliar a pirataria, porque a Receita Federal não vai querer fiscalizar um produto que tem imunidade tributária. E, se a Receita Federal do Brasil não fiscalizar um produto de imunidade tributária, CDs virgens chegarão ainda mais no Paraguai, como chegam hoje. E eles são a base para a pirataria”, disse a senadora ao G1.

Na terça-feira (10/9), o senador Eduardo Braga apresentou emenda em Plenário sugerindo que os benefícios previstos também fossem estendidos aos espetáculos musicais e teatrais. Se a emenda fosse aprovada, como queriam os senadores do Amazonas, a proposta teria que voltar para a Câmara dos Deputados. Mas ela foi inicialmente rejeitada pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ).

Leia mais:
Um novo tempo para a música brasileira

*Com informações do site do Senado e do G1

Retirado do Cultura e Mercado em 16/09/13 do endereço:

http://www.culturaemercado.com.br/politica/pec-da-musica-e-aprovada-em-1o-turno-no-senado/

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quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Participação Social

Do MinC

A Secretaria-Geral da Presidência da República informa que foi prorrogado para o dia 6 de setembro o prazo para sugestões aos textos-base de duas consultas públicas: Compromisso Nacional pela Participação Social e Política Nacional de Participação Social, no endereço www.psocial.sg.gov.br/.

Os dois textos normativos são bases para as normas de contribuição coletiva que garantam a participação contínua da sociedade na agenda das políticas públicas. O ambiente de consulta do portal da participação social foi lançado no dia 18 de julho com a publicação dessas duas propostas que visam estabelecer princípios, objetivos e outros detalhamentos para fortalecer a participação social no Executivo federal e, a partir de adesão, nos Executivos estaduais e municipais.

A proposta do Compromisso Nacional pela Participação Social é reflexo dos debates entre os governos federal, dos estados e municípios sobre a necessidade de reconhecer a participação social como estratégia para democratizar decisões sobre políticas públicas. O objetivo é estabelecer diretrizes para a promoção da participação social como método de governo e para o fortalecimento dos mecanismos e instâncias de diálogo entre Estado e sociedade civil, com vistas à consolidação da democracia participativa no país.

O decreto que cria a Política Nacional de Participação Social (PNPS) visa fortalecer os mecanismos e as instâncias de participação social e diálogo entre o governo federal e a sociedade civil, determinando princípios e diretrizes a serem observados pelos órgãos do governo federal. 

Metodologia

A metodologia dos debates proposta pelo ambiente do portal consiste em receber comentários por blocos, nos diferentes artigos e cláusulas das minutas. A interface da ferramenta facilita o processo de publicar, ler e dialogar com os comentários deixados por outros participantes, permitindo um diálogo público e aberto com as sessões do texto e entre os debatedores. Por exemplo, se a pessoa quiser discordar, criticar ou complementar o artigo 4o da proposta da Política Nacional de Participação Social, que trata dos objetivos da Política, ela clica no balãozinho localizado ao lado do título do artigo, visualiza todos os comentários realizados nesse artigo e pode responder e debater com os participantes, podendo acrescentar uma nova colaboração. Todos os debates e contribuições a cada parte das minutas ficarão aparentes e serão sistematizados.

Esse tipo de ferramenta aberta e orientada promove o conteúdo das minutas e o debate em pontos específicos. Todo o texto das minutas e dos comentários aparece nos buscadores na internet (Google, por exemplo) e é facilmente localizável a partir de palavras-chaves na internet. Isso amplia consideravelmente o acesso aos textos.

Acesse a consulta: http://psocial.sg.gov.br/

(Texto: Secretaria-Geral/PR)
(Publicação: Ascom/MinC)

Retirado do site do MinC em 22/08/13 do endereço:

http://www.cultura.gov.br/banner-1/-/asset_publisher/G5fqgiDe7rqz/content/participacao-social/10883?redirect=http%3A%2F%2Fwww.cultura.gov.br%2Fbanner-1%3Fp_p_id%3D101_INSTANCE_G5fqgiDe7rqz%26p_p_lifecycle%3D0%26p_p_state%3Dnormal%26p_p_mode%3Dview%26p_p_col_id%3Dcolumn-1%26p_p_col_count%3D2

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segunda-feira, 12 de agosto de 2013

O crônico e o anacrônico

No texto abaixo, Brant faz uma rápida reflexão sobre um de nossos maiores desafios no setor cultural: Financiamento.

Do Cultura e Mercado

Por Leonardo Brant

Foto: jessdamen O Procultura é o resultado de uma antiga urgência. Em 2002 o setor cultural exigia um sistema de financiamento à cultura mais abrangente e democrático, à altura do desafio de Lula. A resposta veio mais de uma década depois, permeada por muita briga, especulação, lobby, gestão ideológica, demagogia. Mas também por diálogo, debate público e construção coletiva, temos de reconhecer.

O cenário cultural mudou radicalmente durante esse período. Surgiu ocreative commons, o crowdfunding, o investidor anjo, o Brasil entrou de forma definitiva no mercado global de entretenimento, a convenção da Unesco sobre diversidade cultural entrou em vigor, os pontos de cultura pipocaram país afora, o mercado de TV a cabo explodiu, a indústria fonográfica caiu e ressurgiu, aconteceu o fenômeno Netflix, a Broadway aportou definitivamente em terras tupiniquins, a classe C mostrou sua cara e sua vontade de fazer e consumir cultura, o Vale Cultura foi aprovado, inúmeros museus, espaços e circuitos culturais ocupam agora a nossa paisagem.

As mudanças são tantas e tão profundas, que a própria lógica e o funcionamento daquilo que entendemos por produção cultural tem um significado completamente diferente do que pensávamos há uma década. Expressões como economia criativa e empreendedorismo surgiram de maneira definitiva em nosso vocabulário. Novos modelos de negócios impulsionam atividades antes só existentes por força do Estado. E dão sobrevida a uma classe massacrada pela lógica da propriedade e da mais valia.

A própria Lei Rouanet mudou. O mecenato cresceu 4 vezes nesse período, tanto em volume de recursos quanto de proponentes, projetos apresentados e incentivados. Vale a pena perguntar se o projeto de lei intitulado Procultura atende realmente às demandas atuais ou se é um remédio para uma doença antiga, superada.

Não quero dizer com isso que os problemas da cultura estejam definitivamente resolvidos. Pelo contrário, penso que o paciente em questão vem agravando sintomas crônicos, como má distribuição de recursos e exclusão de grande parte da população dos serviços culturais públicos e privados, com os da nova realidade, mais relacionados à falta de estímulo ao empreendedorismo. Talvez seja necessário uma nova geração de antibiótico para lidar com isso tudo.

Gostaria de fazer uma analogia mais positiva da Lei Rouanet, pensá-la como solução para os infinitos e profundos problemas de financiamento à cultura, mas o sentimento é de que estamos com uma doença incurável. A agenda do Procultura é negativa, pois tenta coibir a evolução das células más, enquanto poderia estimular as boas práticas. Preferimos fazer gestão da doença a criar um ambiente de saúde integral. Essa máxima pode muito bem ser aplicada ao setor cultural e suas grandes demandas por um sistema de financiamento mais justo e potente, em busca de um novo modelo de desenvolvimento, criativo e sustentável.

Retirado do Cultura e Mercado em 12/08/13 do endereço:

http://www.culturaemercado.com.br/procultura/o-cronico-e-o-anacronico/

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sexta-feira, 19 de julho de 2013

III Conferência Estadual de Cultura

Da SECMG

A Conferência Estadual de Cultura é um espaço de consulta, participação e controle social da política cultural  do nosso Estado. Em 2013, a Conferência Estadual terá um caráter devolutivo, em que serão apresentadas as ações, programas, projetos e políticas realizadas pelo Governo de Minas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura de Minas, a partir de propostas da sociedade civil apresentadas nas conferências anteriores.

Esse roteiro de debates, construção de propostas e consolidação de planos buscam possibilitar que as ações do estado sejam fundamentadas nas demandas do cidadão, promovendo os meios para a democratização da produção e do acesso aos bens culturais.

Os objetivos da Conferência Estadual de cultura são estimular a adesão ao Sistema Nacional de Cultura; diagnosticar a situação do Sistema Estadual de Cultura; estimular a implantação/consolidação do Sistema Estadual de Cultura; elaborar um Plano de Ações Estratégicas para a Cultura no estado; estimular a elaboração de políticas culturais a partir das dimensões: simbólica, cidadã e econômica da cultura; estimular o planejamento de políticas, projetos e ações estaduais para a cultura com a participação e o controle da sociedade civil; eleger delegados para Conferência Nacional de Cultura.

Abaixo estão documentos e informações para a participação na III Conferência Estadual de Cultura. Confira e participe!

Data: 25, 26 e 27 de Setembro de 2013

Local: Assembléia Legislativa de Minas Gerais
Rua Rodrigues Caldas, 30 – Santo Agostinho
Belo Horizonte/MG

Carta convite para Prefeituras

Orientações gerais para a realização das Conferências Municipais ou Regionais

Formulário

Lista dos Municípios que aderiram aos Sistema Nacional de Cultura (SNC) e realizaram a Conferência

Fale Conosco: 3conferenciaestadual@cultura.mg.gov.br

Retirado do site da SEC em 19/07/13 do endereço:

http://www.cultura.mg.gov.br/component/content/article/205-mais-noticias/1600-iii-conferencia-estadual-de-cultura

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terça-feira, 7 de maio de 2013

Pontos de Cultura

A Secretaria da Cidadania e da Diversidade Cultural do Ministério da Cultura (SCDC/MinC) deu início, na manhã desta segunda-feira (6), ao Encontro de Gestores e Procuradores Estaduais e Municipais das Redes de Pontos de Cultura, em Brasília. A secretária Márcia Rollemberg presidiu a mesa de abertura e mediou o debate entre os cerca de 100 participantes – de 16 estados e 24 municípios do país.

O objetivo geral da reunião é discutir o alinhamento jurídico e a construção de propostas dentro da legislação vigente para a produção de normativas menos burocráticas que forneçam novos instrumentos para o processo de ampliação do Programa Cultura Viva (PCV). A secretária Márcia Rollemberg ainda salientou que "é preciso prevenir a formação de passivos e possibilitar a obtenção de maior efetividade na avaliação dos resultados do Programa".

A secretária de Cultura de Londrina (PR), Solange Batigliana, cumprimentou o MinC pela iniciativa "em proporcionar o debate do assunto com gestores das comunidades e com representantes da área jurídica do governo".

Também conversaram com os participantes da reunião o assessor Especial de Controle Interno do MinC (AECI/MinC), Cleômenes Viana Batista; o Consultor Jurídico do MinC, Cláudio Péret Dias; o Diretor da Cidadania e da Diversidade Cultural do MinC, Pedro Vasconcellos; e a assessora da Secretaria Geral da Presidência da República, Laís Lopes. O encontro dos Gestores e Procuradores Estaduais e Municipais das Redes de Pontos de Cultura terá agenda de reuniões até a tarde desta terça-feira.

Para 2013 a SCDC trabalha como prioridades o fortalecimento do Programa Cultura Viva como política de base comunitária do Sistema Nacional de Cultura (SNC); a qualificação da gestão compartilhada e articulação das redes sociais; e a maior efetividade do Programa com a modernização da gestão institucional.

(Texto: Lara Aliano / Ascom MinC

Fotos: Alan Rones)

Retirado do site do MinC em 07/05/13 do endereço:

http://www.cultura.gov.br/noticias-destaques/-/asset_publisher/OiKX3xlR9iTn/content/pontos-de-cultu-1/10883;jsessionid=6E5837E6D12A32428A1908EDF7C4E724.portal2?redirect=http%3A%2F%2Fwww.cultura.gov.br%2Fnoticias-destaques%3Bjsessionid%3D6E5837E6D12A32428A1908EDF7C4E724.portal2%3Fp_p_id%3D101_INSTANCE_OiKX3xlR9iTn%26p_p_lifecycle%3D0%26p_p_state%3Dnormal%26p_p_mode%3Dview%26p_p_col_id%3D_118_INSTANCE_x9zwCh7U69gP__column-1%26p_p_col_count%3D1

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quinta-feira, 2 de maio de 2013

Uma avaliação da gestão Marta Suplicy

Por Carlos Henrique Machado Freitas

Do Trezentos

“Eu sou que nem gato, me enxotam no quintal eu volto pelo telhado. Esse é o truque. Eles não perceberam. Não é o povo! Não e Não! É preciso não trocar. Não confundir o povo. Povo! Não confundir… Nem com público, nem com massa…é importante. A massa é a massa. O público se enfeita todo e vai para as salas de concerto, com cara de quem está entendendo tudo. É preciso notar a diferença. A massa é horizontal, o público é vertical, mas o povo, pelo menos o povo brasileiro é DIAGONAL. É por isso que eu gosto do povo, e é por isso que a minha música é popular. Popular porque eu cuido muito mais do aspecto DIAGONAL do que horizontal ou vertical ( Villa-Lobos)”.

Passado o período de transição e da mediação aberta entre o colapso que foi o MinC de Ana de Hollanda, com os objetivos de Marta Suplicy, o que podemos classificar é que houve uma substituição da estética da barbárie instituída por Ana pela estética de civilidade atordoada de Marta.

Marta, sob o ponto de vista político, ainda vê se agigantar um conjunto claro de ações de renovação e quebra de paradigma do estatuto neoliberal na cidade de São Paulo por Fernando Haddad, o que contrasta com a sua gestão, porque Marta vem vivendo até então num mundo de fluidez virtual.

Daí o bordão vago diante das realidades emergentes, “Cultura como alimento para a alma”. Isso não quer dizer rigorosamente nada e, desse modo, vai tornando o território da cultura, hoje pacificado, em uma impaciente ansiedade em busca de uma outra ordem que não seja um ministério que paralelamente se equilibra num pacto colonial entre Estado, empresas e partidos.

Não há um ponto de vista mais avançado, menos ainda um ritmo divergente do que é estabelecido pela regulação criada por uma tríade de interesses e pactos. Como não consegue modificar o estatuto colonial e, com isso, não consegue colocar o MinC a serviço da democracia social, a ministra Marta se divide em valorizar diferentes vertentes de um mundo sobre o qual literalmente ela não tem um conhecimento concreto. E com essa artificialidade vai perdendo musculatura política, tornando-se mais aristocrática, buscando não correr riscos que ultrapassem a interpretação estabelecida pelo sistema hegemônico que não deixa intervalos para a produção de outros objetivos que não os que já estão petrificados em seu estatuto.

Marta tentou de forma seletiva, sobre o modelo construído por essa hegemonia, particularizar o progresso técnico para a produção material e econômica de quem fundamentalmente estava fora do tratado que são as manifestações de matrizes africanas no Brasil.

Certamente a ministra imaginou que, por intermédio das técnicas, afirmaria uma cidadania que sequer chegou perto da porta estreita que o sistema hegemônico desenvolveu. Porém, a ministra deve ter percebido nesse campo que a ausência de progresso se deu, muito mais porque ela reduziu a própria noção desse universo que se realiza a serviço da cultura brasileira como a principal força motora de nossas manifestações.

Recursos criativos não faltam ao universo da cultura negra no Brasil, mas é justamente a partir do uso pragmático dos equipamentos como leis, editais dessa modernização institucional, que são assegurados aos filhos escolhidos da classe dominante, branca e indiscutivelmente primitiva, do ponto de cultural, os privilégios históricos que definem a própria operação institucional do Estado.

Então o MinC de Marta Suplicy também entrou em colapso, até porque a ministra, assim como o presidente da Funarte, Antônio Grassi, o único das vinculadas que não foi substituído, enxerga a cultura brasileira pelo buraco do guichê e os brasileiros não como cidadãos, mas como público consumidor de arte.

Seria muito mais fácil Marta seguir algo natural, dar um choque de soberania nacional com uma política concreta de valorização dos Pontos de Cultura revelando os movimentos da sociedade que podem ser os únicos protagonistas a subverter o antigo jogo de evolução territorial imposto pelas novas lógicas do tratado colonial entre Estado, empresas e partidos. A ministra ainda não entendeu que o ator mais poderoso para o qual ela deveria reservar os melhores pedaços do território, é o povo brasileiro que se expressa através do programa Cultura Viva.

O credo financeiro visto pelas lentes do sistema econômico é examinado como ideologia do pensamento único que hoje domina o Ministério da Cultura, enquanto aqui fora esse discurso vai perdendo a força.

Marta cedeu para o esquema grosseiro a partir de uma classificação arbitrária dos tecnocratas do MinC que, influenciados pela cultura de massa, buscam homogeneizar e impor sobre a cultura popular uma planilha extraída do reino do mercado. Este mercado que é a expansão paralela das formas de globalização econômica, financeira, técnica e cultural que, diante das manifestações da sociedade jamais encontrará eco.

A subjetividade do discurso de Marta “a gente não quer só comida…” mostra que todas as formas exóticas que incluem novas técnicas como editais, leis, prêmios, têm origem na própria cultura de massa e jamais poderão ser instrumentos da cultura popular que, por sua vez, tem sua própria forma de expressão que associa espontaneidade com ingenuidade, sempre com um discurso universal que acaba empiricamente alimentando uma política de solidariedade.

Na verdade a questão da escassez de inspiração da ministra aparece justamente porque ela quer dispor de meios materiais para tentar fazer com que a cultura popular participe plenamente do universo da cultura moderna de massas. Certamente a ministra não conhece os símbolos e códigos da cultura popular que estão inseridos na imensa maioria do povo brasileiro. Daí o vazio de ideias de cidadania cultural que a ministra tem apresentado diante da mídia.

Tenho certeza de que nessa guerra Marta não tem culpa, mas poderia exercer um papel determinante na busca por uma qualidade interpretativa dos interesses do povo brasileiro, saindo da valorização da forma e investindo na valorização do conteúdo, o que lhe permitiria pensar nos Pontos de Cultura como o verdadeiro universalismo que perdura, mesmo diante de um jogo desigual, como a principal identidade cultural do povo brasileiro. Como disse o gênio Villa Lobos… “O povo, pelo menos o povo brasileiro é DIAGONAL”.

Retirado do Trezentos em 02/05/13 do endereço:

http://www.trezentos.blog.br/?p=7903&cpage=1#comment-11623

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quarta-feira, 17 de abril de 2013

Lei Estadual de Cultura em Minas em 2012: ano novo, velhos padrões

Nos últimos meses, a Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais tem sido pauta de discussões de setor cultural em Minas, por conta da proposta de mudanças feita pela Secretaria de Cultura do Estado, tema esse já abordado aqui no blog.

Em paralelo a esse assunto, analisaremos agora o comportamento das empresas investidoras no mecanismo em 2012, assim como fizemos para os anos anteriores. É importante ressaltar que os dados analisados pela Nexo se referem aos depósitos realizados no último ano, e compreendem os patrocínios realizados via o Edital 2011 da Lei e valores residuais do Edital 2010 (empresas que deram entrada nos últimos meses do ano e programaram depósitos que iam além de 2011).

Em 2012, foram investidos pouco mais de R$ 63 milhões na Lei Estadual, considerando apenas o valor do ICMS – valor esse que chega a quase R$ 79 milhões, quando se adiciona os 20% da contrapartida obrigatória com recursos próprios das empresas. Quando comparado com 2011, houve um aumento de cerca de 7% no total investido.

Se nos últimos anos a Vivo e a Usiminas se destacaram como os principais patrocinadores de projetos pelo mecanismo, representando juntas 34% dos recursos em 2010 e 2011, em 2012 o ranking de investidores na Lei Estadual teve um novo líder: a AMBEV, que investiu mais de R$ 13 milhões com isenção de ICMS (considerando também os recursos de sua subsidiária CRBS S/A). Com a contrapartida, esse valor ultrapassa os R$ 16 milhões. Esse número representou 21% de todo o montante aportado na Lei. A empresa tem foco em projetos de eventos, geralmente associando com suas marcas de cerveja, e artistas musicais.

Por sua vez, a Vivo apresentou uma queda importante em seu investimento: passou de R$ 9,5 mi em 2011 para R$ 4,8 mi no último ano, isto é, a metade dos recursos. Coincidência ou não, no fim de 2012 circulou a notícia da saída da equipe que coordenava a ação cultural da Vivo em Minas, então sob a liderança de Marcos Barreto, e ainda não se sabe o futuro da atuação da empresa utilizando os recursos de ICMS no Estado. A Usiminas e a Oi mantiveram o destaque na lista dos principais investidores, mas ambas apresentaram queda de aproximadamente 24% nos recursos aportados.

Abaixo, apresentamos a lista dos 10 maiores grupos investidores na Lei Estadual de Cultura de Minas Gerais, que juntos somam 66% dos recursos aportados – uma concentração levemente menor do que em 2011, quando o Top 10 representou 71%.

Como destaque adicional a ser dado, além da lista acima dos 10 maiores, é a entrada da Petrobras, tida como a maior pagadora de ICMS em Minas Gerais, entre o rol de investidores na Lei Estadual. Até então, a empresa não utilizava recursos do mecanismo. Em 2012, a Petrobras iniciou esse tipo de investimento com um montante de R$ 1.270.000,00, priorizando projetos já apoiados anteriormente via Lei Rouanet – Grupo Galpão, Fórum Internacional de Dança (FID) e Festival Mundial de Circo. Analisamos a entrada da Petrobras no mecanismo como uma alternativa para a redução acentuada de investimentos via Lei Rouanet, que caiu progressivamente de mais de R$ 150 milhões em 2008 para R$ 80 milhões em 2012.

Um novo dado a ser analisado, que não estava disponível nas bases de dados que usamos em anos anteriores, é a distribuição geográfica dos recursos. Como era de se esperar, Belo Horizonte é o município que concentra a maior parte dos recursos captados: 64%. A cidade é seguida à longa distância por Uberlândia, Ipatinga, Nova Lima e Poços de Caldas – mantendo a mesma lógica da aprovação dos projetos e as mesmas hipóteses para explicar esse cenário apresentadas pela Nexo aqui.

Importante mencionar o baixo volume de recursos captados por projetos de algumas das mais relevantes cidades para o Estado de Minas Gerais, conforme mostra a tabela a seguir. Nenhum projeto das cidades de Governador Valadares, Uberaba e Ribeirão das Neves captou recurso via Lei Estadual. Contagem, Juiz de Fora e Montes Claros, embora não tenham tido igual cenário, também estiveram bem abaixo de sua importância.

Embora a análise acima não evidencie projetos que tenham sido elaborados por empreendedores de uma cidade para execução em outra (como alguns com proponente de Belo Horizonte que claramente acontecerão no interior), é preocupante a inexistência de projetos captados por produtores desses relevantes municípios. Considerando que são importantes pólos do Estado e inferindo que há produção cultural nessas cidades, é preciso encontrar formas de mobilizar o empresariado local para viabilizar a captação de recursos, sendo inclusive necessário o apoio do poder público desses locais nessa função.

Conforme pode se ver, o desafio da captação de recursos permanece, assim como os padrões do mecanismo: recursos concentrados em poucas e grandes empresas, que priorizam projetos de Belo Horizonte ou das cidades onde têm atividades econômicas.

E a Nexo continuará produzindo conteúdos sobre a utilização desse e de outros mecanismos de investimento social, com o intuito de contribuir para a mobilização de recursos para a área social com o fornecimento de informações e análises especializadas.

Retirado do blog da Nexo em 17/04/13 do endereço:

http://nexo.is/lei-estadual-minas-2012

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segunda-feira, 15 de abril de 2013

A nova Lei de Inventivo à Cultura de Minas Gerais?

Lei_Estadual_de_Incentivo_a_Cultura

Por Bruno Bento

É, a pergunta é retórica. Como prometi no artigo da semana passada, agora vamos falar com um pouco mais de calma.

No dia 11, quinta passada, recebi um e-mail, aqueles enviados para o mailing, da deputada Luzia Ferreira dizendo que o projeto de lei (PL) que altera a Lei Estadual de Incentivo à Cultura tinha sido aprovado em primeiro turno.

Recapitulando, estava em votação um PL que alterava o Fundo Estadual de Cultura-FEC, nele foram anexados 2 outros que alteram a Lei de Incentivo à Cultura de Minas Gerais-LEIC.

São eles: PL 1.631/2011 que alteraria a Lei nº 15.975-FEC , apresentado por Arlen Santiago(PTB);  PL 3.626/2012, apresentado pelo Governador, o 3.660/2012 (incluindo Gastronomia e Arquitetura), apresentado por Luiz Henrique (PSDB), ambos alterando a LEI Nº 17.615 – LEIC.

Pois é, por pressão de parte significativa do setor cultural mineiro – digo isso em volume de pessoas e não no que se refere à quantia de recursos que movimenta –, a Assembleia Legislativa Mineira-ALMG, resolveu fazer uma Audiência Pública que ocorreu no dia 20/03 (clique aqui para saber mais) o resultado real foi a mobilização do setor, pois alteração substancial que beneficiasse realmente o setor, nada. Desta audiência surgiu o Substitutivo Nº2, que apresentava as alterações: a inclusão da arquitetura e da gastronomia entre as áreas passíveis de serem beneficiadas pela Lei de Incentivo à Cultura; a redução pela metade dos percentuais de contrapartida para projetos culturais que beneficiem o interior; e a alteração do prazo de vigência dos novos patamares de contrapartida, de dez para seis anos que, após três anos de vigência, o Executivo, em parceria com a ALMG, os municípios e o movimento cultural de Minas Gerais, promova um amplo debate sobre o incentivo fiscal ao investimento privado em cultura no Estado.

Prossigamos, o projeto, já aprovado em 1º turno pelo Plenário não foi com o texto do Substitutivo Nº2, produzido após as discussões da Audiência Pública, foi outro, o Nº3.

Em relação à alteração do FEC:

“Além disso, opinou pela rejeição do Substitutivo nº 1, da CCJ,e argumentou que o Fundo Estadual de Cultura foi objeto de recente atualização por meio da Lei nº 19.088, de 2010, precedida de extensa discussão, o que, diversamente, não se constata no tocante às modificações pretendidas”.[i]

A Como justificativa, extraí o seguinte trecho do site da ALMG:

“No que se refere ao Substitutivo nº 2, da Comissão de Cultura, entendemos que ele merece acolhida naquilo que incorporou as sugestões trazidas pelo projeto de autoria do Governador do Estado, bem como naquilo em que, integrando a proposta constante do Projeto de Lei nº 3.660/2012 anexado, incluiu "arquitetura" e "gastronomia" entre as áreas culturais passíveis de serem beneficiadas. Merece acolhida, ainda, a redução da vigência dos novos patamares de contrapartida de dez para seis anos, especialmente se considerada em conjunto com a medida de o Poder Executivo, em articulação com esta Casa, Municípios e sociedade civil, avaliar o resultado das alterações promovidas pela lei, após três anos de sua vigência.

Consideramos também, na mesma linha de raciocínio, que o projeto de autoria do Governador, anexado à proposição em exame, igualmente apresenta aprimoramentos importantes à legislação tributária. Por esse motivo, entendemos oportuna a incorporação de suas propostas ao projeto principal, por meio do Substitutivo nº 3, que apresentamos, especialmente no que se refere à alteração dos percentuais relativos aos recursos que serão destinados a projeto cultural no Estado. Ainda sobre esse tema, ressaltamos que não incorporamos a sugestão feita pela Comissão de Cultura de reduzir à metade a contrapartida no caso de projetos de empreendedores domiciliados no interior do Estado e que beneficiem o público e os profissionais da área de cultura do interior”.[ii]

Ou seja, a Audiência Pública, as discussões propostas e realizadas lá em e em outros locais, foram solenemente ignoradas com as justificativas acima, foi aprovada, no final das contas a quase proposta original que tanto foi criticada por quem não está incluído em seus beneficiários: quase todo mundo, principalmente o interior. O que muda é que em três anos será discutida e valerá por seis no total, não mais dez.

Espiem aí o texto aprovado que seguiu para o 2º turno das Comissões e retornará incólume ao Plenário para ser votado em benefício de grandes empresas, artistas, produtores e captadores de Minas:

SUBSTITUTIVO Nº 3

Altera a Lei nº 17.615, de 4 de julho de 2008, que dispõe sobre a concessão de incentivo fiscal com o objetivo de estimular a realização de projetos culturais no Estado.

A Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais decreta:

Art. 1º – O inciso VI do art. 8º da Lei nº 17.615, de 4 de julho de 2008, passa a vigorar com a seguinte redação:

“Art. 8º – (...)

VI – preservação e restauração do patrimônio material, inclusive o arquitetônico, o paisagístico e o arqueológico, e do patrimônio imaterial, inclusive folclore, artesanato e gastronomia;”.

Art. 2º – O art. 7º da Lei nº 17.615, de 2008, passa a vigorar com a seguinte redação:

“Art. 7º – A partir do exercício de 2013 e até 31 de dezembro de 2019, o valor dos recursos deduzidos na forma do art. 3º, bem como dos recursos repassados na forma do inc. II do § 1º do art. 5º, será, no máximo, de:

I – 99% (noventa e nove por cento) do total de recursos destinados ao projeto pelo incentivador para as empresas a que se refere o inciso I do § 1º do art. 3º desta lei;

II – 97% (noventa e sete por cento) do total de recursos destinados ao projeto pelo incentivador para as empresas a que se refere o inciso II do § 1º do art. 3º desta lei; e

III – 95% (noventa e cinco por cento) do total de recursos destinados ao projeto pelo incentivador para as empresas a que se refere o inciso III do § 1º do art. 3º desta lei.

Parágrafo único. O incentivador deverá integralizar o restante dos recursos a que se referem os incisos I a III do “caput” a título de contrapartida, nos termos de regulamento.”.

Art. 3º – As alterações promovidas pelo art. 2º desta lei não se aplicam aos projetos culturais cuja declaração de incentivo, nos termos de regulamento, tenha sido protocolizada na Secretaria de Estado de Fazenda até o dia anterior ao da publicação desta lei.

Art. 4º – O Poder Executivo, em articulação com a Assembleia Legislativa, os Municípios e a sociedade civil, avaliará o resultado das alterações promovidas por esta lei ao final do terceiro ano de sua vigência.

Art. 5º – Esta lei entra em vigor na data de sua publicação.

Sala das Comissões, 4 de abril de 2013.

Lafayette de Andrada, Presidente - Zé Maia, relator - Ulysses Gomes - Antonio Lerin - Rômulo Viegas - Cabo Júlio”.[iii]

Conclusão

Não chorarei pitangas por aqui. Para aqueles que não acompanharam desde o início, abaixo estão links para que se entenda todo o processo. Entretanto, é novamente demonstrado o total desrespeito ao setor cultural e à população mineira, que terá novamente seu tributo utilizado por empresas para fazerem marketing, alguns ainda defenderam dizendo que é marketing cultural, que seja! Mas é com grana pública, isso é chamado de gozar com o pau dos outros, em linguagem chula, mas direta.

Mais uma vez o estado de Minas Gerais dá de ombros à participação setorial e popular, valem as vozes dos que sempre ganham.

As grandes empresas é que mais lucrarão com isso e é enganosa a justificativa de que vai melhorar a arrecadação para os projetos aprovados, uma vez que há dois anos não dá para quem quer o recurso disponibilizado para a captação, e significa dizer ainda que um bocado de dinheiro vai sumir do setor cultural, uma vez que boa parte das contrapartidas não serão mais investidas (clique aqui e aqui para ver os detalhes).

Sabem qual é a piada? É que as leis de incentivo à cultura nasceram para mostrarem como era um bom negócio para as empresas investirem em cultura.

Sabem qual é a lição? É um excelente negócio investir na Lei de Incentivo de MG, pois você faz propaganda com dinheiro do povo e gasta só um tiquim.

Ah, boa parte deste comentário peçonhento vai também para a Lei Federal de Incentivo à Cultura, principalmente quando dá isenção total para o empresário.

E veem mais surpresas por aí.

Para saber mais sobre este angu de caroço:

LEIC: Alterações são aprovadas em primeiro turno na ALMG

PL 1.631/11: Tudo como dantes no quartel d' Abrantes

MG: Mudar a Lei de Incentivo para manter tudo como está

Audiência Pública sobre Fundo Estadual de Cultura e Lei Estadual de Incentivo à Cultura

Comissão propõe alterações na Lei de Incentivo à Cultura PL 1.631/11

Proposta de nova lei será votada por deputados

Cultura em MG - Desinformação, sofismos e Audiência Pública

Oportunidades de aperfeiçoamento na Lei Estadual de Cultura / MG

90% aprovados, mas só 17% a captar. O resultado da Lei Estadual de Cultura em números

Assembleia Legislativa ainda não votou alteração na Lei Estadual de Incentivo à Cultura

Estímulo para o financiamento

[i] Disponível em:                                                                                                                                                                                  http://consulta.almg.gov.br/atividade_parlamentar/tramitacao_projetos/documento.html?a=2011&n=1631&t=PL&doc=0. Grifos meus.

[ii] Idem. Grifos meus.

[iii] Ibidem. Grifos meus.

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quinta-feira, 11 de abril de 2013

LEIC: Alterações são aprovadas em primeiro turno na ALMG

E-mail enviado pela Deputada Luzia Ferreira.

O Plenário aprovou, na tarde desta quarta-feira (10), o PL 1.631/2011, na forma do Substitutivo nº 3, que prevê as alterações na Lei Estadual de Incentivo à Cultura (LEIC), propostas pelo Governador Antonio Anastasia, no PL 3.626/2012.

A proposta aprovada, em primeiro turno, visa diminuir a contrapartida das empresas que tenham interesse em patrocinar projetos culturais para 1%, 3% e 5%, respectivamente para pequenas, médias e grandes empresas.

“Através da redução da contrapartida que, hoje, é de 20%, teremos a diversificação e descentralização dos investimentos culturais no estado já que, com a crise financeira dos últimos anos, os investimentos em cultura foram reduzidos e os produtores culturais prejudicados. Com o empenho do movimento cultural e com o comprometimento da Comissão de Cultura, conseguimos a rápida tramitação do projeto, que na próxima semana já deve ser aprovado em segundo turno”, afirma a vice-presidente da Comissão de Cultura da ALMG, deputada estadual Luzia Ferreira (PPS).

O substitutivo aprovado propõe, também, que as mudanças propostas pelo governador devam vigorar por seis anos. Além disso, a Lei deverá ser avaliada pelo Poder Executivo, Poder Legislativo e pela sociedade civil no terceiro ano de vigência.

A norma segue, amanhã (11), para apreciação da Comissão de Fiscalização Financeira e Orçamentária (FFO) e deve ser votada em 2º turno no Plenário na próxima semana.

Prometemos as considerações depois, agora temos de ganhar trecho e visitar um grotão de onde nascemos o Mucuri.

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