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quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Adiamento do Festival da Cultura Quilombola

O Festival da Cultura Quilombola será adiado em função das chuvas, que caem como há muito não se via por toda a região.

O festival acontecerá entre os dias 24 e 28 de junho de 2014. Nesta data comemora-se o aniversário de nascimento de João Preto, ou Pai João, o patriarca dos Pereira. Por isso, esta data carrega grande simbolismo para a comunidade de São Julião e todos os que lutam pela justiça e paz neste Mucuri.

João Preto dedicou sua vida a lavrar terra, cultura e religiosidade populares e à luta por uma vida melhor, justa e pacífica na sua comunidade. Esta luta hoje é continuada e ampliada para a questão quilombola pela a Associação Quilombola Vaz Pereira, composta pelos Vaz, Pereira e Paraguai.

Em breve mais informações.

Viva João Preto!

Viva a cultura popular!

Viva São Julião!

Viva a Cultura Quilombola!

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quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Oficina do MinC em Teófilo Otoni

100_6178Nesta terça-feira (22/10) a representante da Representação Regional de Minas Gerais do Ministério da Cultura-MinC, Cláudia Houara esteve em Teófilo Otoni para apresentar a realização da Oficina Edital Concurso Cultural 2014, referente à programação cultural oficial do Ministério da Cultura nas cidades-sede da Copa do Mundo de 2014.

O encontro que aconteceu na Casa de Cultura, contou com participação agentes, produtores, artistas e gestores do poder público e sociedade civil, entre estes estavam representados segmento da música, artesanato e artes visuais.

Além do Edital sobre a programação da Copa, a assessora do MinC apresentou o Sistema Nacional de Cultura, o Vale-Cultura e a proposta do CEU das Artes. A discussão destes temas em Teófilo Otoni e por conseguinte, no Vale do Mucuri são de fundamental importância no desenvolvimento do setor cultural.

A mobilização do setor e de seus diversos segmentos ainda é o grande desafio do poder público e da sociedade civil, questão não só local, é um dos grandes temas para a formulação e implementação de políticas públicas no Brasil.

O Sistema Nacional de Cultura, criado em 2010 e aprovado em 2012 como emenda constitucional, tem como objetivos: a gestão articulada e compartilhada entre Estado e Sociedade; a integração dos três níveis de Governo para uma atuação pactuada, planejada e complementar; a democratização dos processos decisórios intra e inter governos; e a garantia da participação da sociedade de forma permanente e institucionalizada.

Os municípios do Mucuri que aderiram ao SNC e estão em processo de implantação dos sistemas municipais são Catuji, Malacacheta, Novo Oriente de Minas, Crisólita e Machacalis, Teófilo Otoni já criou seu sistema municipal.

Na última sexta-feira o MinC lançou um portal no qual é bastante simplificado o processo de adesão ao SNS, clique aqui e confira.

Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, Teófilo Otoni possui 20.922 trabalhadores celetistas distribuídos em quase 6 mil estabelecimentos, destes, têm direito ao Vale-Cultura, cerca de 20238 trabalhadores que recebem até 10 salários mínimos, o que poderia gerar cerca de R$1.011.900,00 mensais, uma vez que o benefício é de R$50,00. Na ocasião, Rose Medeiros, diretora da Casa de Cultura afirmou iniciar um trabalho de mobilização com o empresariado da cidade.

Finalmente, as últimas informações sobre o CEU das Artes em Teófilo Otoni são que o MinC aprovou a troca do terreno, agora o empreendimento será construído no bairro Viriato, próximo às casas do programa Minha Casa Minha Vida que estão em fase final de construção. A previsão para o início das obras é o ano que vem e os trabalhos de mobilização comunitária terão início o quanto antes.

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segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Estados gastam mais com cultura que governo federal e municípios

Da Sala de Imprensa do IBGE

Nas pesquisas estruturais econômicas de 2010 e considerando apenas o setor cultural, os serviços concentraram 51,8% do número de empresas, 58,2% do pessoal ocupado, 63,2% dos custos totais e 63,8% da receita líquida. As empresas e outras organizações de até quatro pessoas ocupadas que constituíam o universo do Cadastro de Central de Empresas são as que respondem pelo maior percentual dos ocupados em atividades culturais (25,7% em 2010). Os gastos governamentais com a cultura subiram de R$ 4,4 bilhões em 2007 para R$ 7,3 bilhões em 2010. Excluindo as despesas com telefonia, as famílias gastaram em 2009 uma média de 5,0% do total do orçamento mensal (R$ 106,32) em produtos e serviços relacionados à cultura. Entre os trabalhadores do setor cultural, prevalece um nível de instrução mais alto que o observado entre os ocupados no mercado de trabalho em geral.

Estas são algumas das informações que constam no estudo Sistema de Informações e Indicadores Culturais 2007-2010, realizado em parceria com o Ministério da Cultura com o objetivo de organizar e sistematizar informações para a construção de indicadores relacionados ao setor cultural brasileiro. Esta terceira edição (os resultados não são comparáveis com os estudos anteriores) utiliza dados do Cadastro Central de Empresas (CEMPRE), da Pesquisa Industrial Anual-Empresa (PIA Empresa), da Pesquisa Anual de Comércio (PAC), da Pesquisa Anual de Serviços (PAS) e dos gastos públicos com a cultura para a análise de 2007 a 2010, além da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2008-2009 e da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2007 a 2012. A publicação completa está disponível no linkwww.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/indic_culturais/2010/

Cadastro Central de Empresas: empresas de até quatro pessoas ocupadas concentram mais ocupados no setor cultural

Em 2010, aproximadamente 400 mil empresas e outras organizações (órgãos da administração pública e entidades sem fins lucrativos) atuaram nas atividades culturais, ocupando 2,1 milhões de pessoas, sendo 73,5% (1,5 milhão) assalariadas, segundo o Cadastro Central de Empresas (CEMPRE), que dispõe de informações cadastrais e econômicas de todas as empresas e outras organizações formais (com CNPJ) no país.

Quando se consideram todas as atividades, as empresas de menor porte (até quatro pessoas ocupadas) são as que têm menor participação no total de ocupados (12,7% em 2010). Entretanto, quando se consideram apenas as empresas do setor cultural, as de menor porte são as que apresentam a maior proporção de ocupados (25,7%). Em relação aos salários, a média para o setor cultural em 2010 (4,2 salários mínimos mensais) está acima da média geral (3,2).

No que diz respeito à atividade econômica, os serviços foram o setor de maior destaque nas atividades culturais em 2010, apresentando mais da metade da participação no número de empresas (55,5%), pessoal ocupado (58,2%), assalariados (59,0%) e salários pagos (71,6%). A indústria foi o setor com as menores participações nestas mesmas variáveis (4,8%, 12,5%, 15,3% e 14,4%, respectivamente), mas apresentou o maior tamanho médio em termos de pessoal ocupado (14 pessoas por empresa). Os serviços de informação e comunicação foram os que apresentaram melhores performances em termos de ocupação (36,1% dos ocupados e 39,5% dos assalariados) e de salário médio (6,2 salários mínimos mensais).

Pesquisas estruturais econômicas: serviços são destaque entre atividades culturais

Em 2010, as pesquisas estruturais econômicas do IBGE abrangeram 239 mil empresas ativas relacionadas ao setor cultural (9,1% do total geral), que ocuparam 1,7 milhão de pessoas (6,3% do total geral), correspondendo, em média, a sete pessoas ocupadas por empresa. As pesquisas estruturais econômicas utilizadas no estudo reúnem uma amostra de empresas formais de três segmentos econômicos: indústria de transformação (Pesquisa Industrial Anual-Empresa - PIA Empresa), comércio (Pesquisa Anual de Comércio - PAC) e serviços não-financeiros (Pesquisa Anual de Serviços - PAS). As atividades culturais obtiveram cerca de R$ 374,8 bilhões de receita líquida (8,3% do total geral), despenderam R$ 329,1 bilhões de custos totais (8,4% do total geral) e geraram um valor adicionado bruto de R$ 152,9 bilhões (11,4% do total geral).

O principal destaque das pesquisas estruturais nas atividades culturais foi o segmento dos serviços, que em 2010 concentrava 51,8% do número de empresas, 58,2% do pessoal ocupado, 63,2% dos custos totais e 63,8% da receita líquida.

Em 2010, a participação das atividades culturais foi de 9,1% no número total de empresas, 6,3% no pessoal ocupado total, 8,4% nos custos totais e 8,3% na receita líquida. Não houve alterações significativas nesse quadro ao longo da série considerada (2007 a 2010).

O salário médio pago nos segmentos ligados à cultura (3,9 salários mínimos em 2007 e 3,7 salários mínimos em 2010) foi superior à média salarial do conjunto das atividades da indústria, do comércio e dos serviços (2,7 salários mínimos, em 2007, e 2,5 salários mínimos, em 2010). Dentre os segmentos analisados, as atividades culturais industriais apresentaram média salarial de 4,2 salários mínimos em 2007 e 4,0 em 2010. As atividades culturais do comércio, em todos os anos considerados, registraram, em média, 2,0 salários mínimos. Os serviços culturais pagaram as maiores médias salariais, 4,7 salários mínimos, em 2007, e 4,6 em 2010.

Entre 2007 e 2010, as atividades culturais apresentaram um aumento do custo do trabalho (relação entre o gasto com pessoal e a receita líquida). Esse indicador que, ao longo da série, nas atividades culturais sempre se mostrou superior ao do conjunto das atividades da indústria, do comércio e dos serviços, passou de 14,1% para 16,3%.

Houve queda de participação da receita líquida das atividades culturais em relação à receita líquida do total geral, de 8,9%, em 2007, para 8,3%, em 2010. Os custos totais das atividades culturais também apresentaram participação decrescente em relação aos custos totais do conjunto da indústria, do comércio e dos serviços, passando de 9,1%, em 2007 para 8,4%, em 2010. O mesmo ocorreu em relação ao valor adicionado bruto(valor que a atividade acrescenta aos bens e serviços consumidos no seu processo produtivo), cuja participação das atividades culturais caiu de 12,4%, em 2007, para 11,4%, em 2010.

Gastos da administração pública: 0,3% das despesas públicas são destinadas à cultura

Dados extraídos do Sistema Integrado de Administração Financeira (SIAFI), das Finanças do Brasil (FINBRA) e da Execução Orçamentária dos Estados possibilitaram investigar os gastos governamentais com a cultura nas esferas federal, estadual e municipal, que totalizam 0,3% do total das despesas consolidadas da administração pública em cada ano do período analisado (2007 a 2010). Esses valores foram de R$ 4,4 bilhões em 2007 e R$ 7,3 bilhões em 2010.

O governo federal ampliou seu volume de gastos no setor cultural de R$ 824,4 milhões em 2007 para R$ 1,5 bilhão em 2010. É a esfera governamental menos representativa (18,7% em 2007 e 20,5% em 2010), mas cabe ressaltar que os dados coletados são referentes apenas às despesas orçamentárias (Orçamento Fiscal e da Seguridade Social), não sendo incluídos os dados referentes aos incentivos fiscais concedidos a empresas que investem em projetos culturais (Lei Rouanet).

Dentre as três esferas, os governos estaduais apresentaram ganhos mais destacados na participação dos gastos públicos com cultura, totalizando R$ 1,4 bilhão (32,3%) em 2007 e R$ 2,5 bilhões (34,9%) em 2010. As unidades da federação com gastos mais representativos em 2007 aumentaram consideravelmente tais despesas em 2010: São Paulo (aumentou de R$ 470,6 milhões para R$ 992,9 milhões), Rio de Janeiro (de R$ 77,5 milhões para R$ 163,6 milhões) e Distrito Federal (de R$ 65,9 milhões para R$ 152,7 milhões).

A participação dos municípios caiu de 49,0% em 2007 (R$ 2,2 bilhões) para 44,5% em 2010 (R$ 3,2 bilhões), mas eles continuam sendo os principais entes governamentais no que diz respeito ao total de gastos públicos com cultura. A maior importância dos municípios pode ser explicada pela proximidade desta instância com a população e suas respectivas demandas culturais, por parte de gestores, produtores e consumidores de bens e serviços culturais.

Gastos das famílias: despesa média com cultura, excluindo telefonia, é de R$ 106,32

Segundo a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2008-2009, as famílias gastaram no período, em média, 8,6% do seu orçamento mensal (equivalentes a R$ 184,57) em produtos e serviços relacionados à cultura, incluídos os gastos com telefonia, abaixo apenas dos três principais grupos de despesa: habitação (30,8%), alimentação (19,8%) e transporte (19,6%). Excluindo as despesas com telefonia, os gastos representaram 5,0% do total de despesas (R$ 106,32). A POF 2008-2009 é domiciliar e mensura o consumo, gastos e rendimentos das famílias.

Do ponto de vista do consumo das famílias, destacam-se os três grupamentos com maior peso: telefonia (R$ 78,26, ou 42,4% da despesa com cultura), aquisição de eletrodomésticos (R$ 28,89, ou 15,7%) e atividades de cultura, lazer e festas (R$ 26,00, ou 14,1%). A telefonia possui grande peso, independentemente do recorte considerado. Quando não se leva em conta este grupamento, a aquisição de eletrodomésticos representa 27,0% da despesa com cultura, enquanto as atividades de cultura, lazer e festas equivale a 24,5%.

As despesas das famílias brasileiras com cultura são menores quanto menor a faixa de rendimento. Incluindo telefonia, as famílias da maior faixa (mais de R$ 6.225,00) gastam em cultura uma média de R$ 707,33 (9,7% da despesa), enquanto aquelas da menor classe (R$ 830,00) gastam R$ 41,78 (6,0%), um valor 17 vezes menor.

Quando o nível de instrução da pessoa de referência na família é menor, o gasto com produtos e serviços relacionados à cultura também é mais reduzido. Incluindo telefonia, famílias cuja pessoa de referência tem nível superior completo gastam em média R$ 563,38 (ou 7,0% da despesa total) com cultura, cerca de seis vezes o valor gasto pelas famílias nas quais a pessoa de referência é sem instrução ou tem fundamental incompleto (R$ 96,78, ou 5,8%). Também é menor o valor gasto com cultura para as famílias cuja pessoa de referência se declarou da cor preta (R$ 125,66, ou 6,6%) ou parda (R$ 130,11, ou 6,6%), se comparadas com as famílias nas quais a pessoa de referência se declarou branca (R$ 237,81 ou 6,7%). A despesa média foi de R$ 193,09 (6,5%) nas famílias em que a pessoa de referência era homem e de R$ 165,52 (7,1%) quando essa pessoa era mulher. As famílias unipessoais gastam em média R$ 125,89 (6,0%) com produtos e serviços relacionados à cultura, enquanto as famílias compostas por casais com filhos gastam R$ 209,68 (7,0%).

População ocupada na cultura: nível de instrução no setor é mais elevado do que no total dos trabalhadores

Entre os trabalhadores do setor cultural, prevalece um nível de instrução mais alto que o observado entre os ocupados no mercado de trabalho em geral. Em 2007, no mercado de trabalho em geral, 9,5% dos trabalhadores (8,6 milhões) possuíam nível superior completo; no setor cultural, 12,9% dos trabalhadores (586 mil) tinham nível superior completo. Em 2012, a diferença entre o nível de instrução dos trabalhadores do setor cultural e dos trabalhadores em geral se acentuou: enquanto 14,0% dos trabalhadores em geral (12,3 milhões) possuíam nível superior completo, no setor cultural esse percentual alcançou 20,8% (759 mil trabalhadores). Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), que permite traçar um perfil das pessoas ocupadas em atividades culturais, incluindo os trabalhadores com e sem carteira de trabalho assinada, aqueles que trabalham por conta própria e os empregadores.

O número de trabalhadores vinculados ao setor cultural alcançou 3,7 milhões em 2012, o equivalente a 3,9% do total de ocupados no Brasil. A região Sudeste apresentou a maior proporção de ocupados nas atividades relacionadas à cultura em todo o período (4,5% em 2012). São Paulo foi a unidade da federação com a maior participação de trabalhadores em atividades culturais na população ocupada: 5,1%, o equivalente a 1,1 milhão de pessoas.

De 2007 para 2012, a participação dos trabalhadores com carteira de trabalho assinada na população ocupada total cresceu no Brasil. Tal movimento foi acompanhado pelo setor cultural, tendo se evidenciado, também, a redução da participação dos trabalhadores sem carteira assinada e dos trabalhadores por conta própria, tanto na população ocupada total quanto na população ocupada na cultura. Em 2007, cerca de 29,7 milhões das pessoas de 10 anos ou mais de idade, ocupadas na semana de referência, possuíam carteira de trabalho assinada (33,1% do total de ocupados), enquanto, entre os ocupados em atividades culturais, 1,4 milhão de pessoas ocupadas possuíam carteira assinada (34,4% do total de ocupados na cultura). Em 2012, o número de trabalhadores com carteira de trabalho assinada atingiu 37,2 milhões (39,3% do total de ocupados em todas as atividades); nas atividades relacionadas à cultura, esse número, em 2012, atingiu 1,5 milhão (39,8% do total de ocupados).

A maior participação de trabalhadores com carteira assinada no setor cultural influenciou a elevação do percentual de contribuintes para a Previdência, de 46,3% em 2007 (1,9 milhão de pessoas) para 55,8% em 2012 (2,0 milhões de trabalhadores).

O rendimento médio real mensal dos ocupados em atividades culturais foi estimado em R$ 1.258 em 2007 e em R$ 1.553 em 2012, valores superiores aos rendimentos da população ocupada no total das atividades produtivas (respectivamente, R$ 1.213 e R$ 1.460). São Paulo e Rio de Janeiro foram as unidades da federação analisadas onde a população ocupada em atividades culturais recebia o maior vencimento (R$ 2.093 e R$ 1.996, respectivamente), mais que o dobro do salário médio recebido pela população ocupada na cultura no Ceará (R$ 952), unidade com o menor valor estimado para o salário médio mensal.

Manteve-se a maior participação do sexo masculino no conjunto de pessoas ocupadas no setor cultural (51,5% em 2007 e 53,0% em 2012). Somente a região Centro-Oeste registrou elevação da participação feminina na população ocupada em atividades culturais, de 46,3% em 2007 para 48,9% em 2012.

Os trabalhadores de cor branca, em 2007, representavam mais da metade dos ocupados brasileiros de uma forma geral (50,1% contra 49,0% dos trabalhadores pretos ou pardos). Nas atividades relacionadas à cultura, esse percentual era maior (58,0% eram brancos e 40,8%, pretos ou pardos). Em 2009, os trabalhadores de cor preta ou parda ultrapassaram os trabalhadores de cor branca na população ocupada total, movimento que se manteve em 2011 e alcançou a diferença mais significativa em 2012 (51,9% contra 47,2% para os trabalhadores brancos). Entretanto, nas ocupações relacionadas à cultura, os trabalhadores brancos foram maioria em todo o período analisado. Em 2012, essa população representou 57,5%, enquanto os pretos ou pardos, alcançaram 41,3%.

A população de 16 a 24 anos de idade ocupada na cultura é proporcionalmente maior que a população ocupada nos demais setores da economia, embora essa proporção venha se reduzindo nos dois casos. Em 2007, essa parcela representava 24,4% do total de ocupados em atividades culturais, enquanto, na população ocupada total, esse valor atingia 19,1%. Em 2012, a população de 16 a 24 anos de idade era 21,7% do total de ocupados na cultura e 16,9% do total de ocupados em todas as atividades produtivas.

 

Acesse:

O  áudio da coletiva;

A apresentação;

A publicação.


Retirado do site do IBGE em 21/10/13 do endereço:

http://saladeimprensa.ibge.gov.br/noticias?view=noticia&id=1&busca=1&idnoticia=2494

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segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Governador e Secretária de Cultura anunciam investimentos em Minas Gerais

Da SEC-MG

 MG 7754

O governador Antonio Anastasia  e a secretária de Estado de Cultura, Eliane Parreiras, anunciaram nesta quarta feira (11), no Palácio da Liberdade, investimentos de cerca de R$ 417 milhões em obras e ações para a área de cultura. Trata-se do maior conjunto de obras e projetos de valorização do patrimônio cultural da história de Minas Gerais. São 64 intervenções divididas em 11 projetos, totalizando R$ 417,185 milhões.

Estão previstas, entre outras ações, a construção de salas de concerto, arenas multiuso, reforma e restauração de museus, igrejas e esculturas religiosas, modernização do Palácio das Artes, capacitação profissional, requalificação de espaços públicos, implantação da Escola de Design da Uemg (Prédio Ipsemg na Praça da Liberdade), compra de instrumentos, equipamentos e mobiliário, implantação de museografia (Rota Lund) e do Prédio Verde Cena (Centro de Ensaios Abertos).

Em valores específicos, os projetos com maiores volumes de recursos são sala de Concertos e sede da Filarmônica (R$ 143 milhões), sede da Rede Minas e Rádio Inconfidência (R$ 72 milhões),Circuito Cultural Praça da Liberdade(R$ 94,8 milhões), museus (R$ 24 milhões),Fundação Clovis Salgado (R$ 17,7 milhões) e Rota Lund (R$ 17,5 milhões).

Os recursos para a realização desses investimentos são do Tesouro Estadual, recursos próprios das instituições, além de empréstimos junto ao Banco do Brasil e BNDES. Os projetos, obras e intervenções estão sendo executados em diversas frentes: Deop-MG, Secretaria de Estado de Cultura, Iepha, FCS, Codemig e convênio com municípios.

 

Concessão do Clara Nunes

Durante o anúncio dos investimentos, o Governo de Minase o Serviço Social do Comércio de Minas Gerais (Sesc) assinaram contrato de concessão por 30 anos do Teatro Clara Nunes, com interveniência da Secretaria de Estado da Cultura. O espaço terá que ser destinado exclusivamente às atividades culturais, artísticas, educacionais e de lazer. Estão previstas três etapas para a entrega do imóvel: o segundo pavimento será cedido tão logo o contrato seja publicado. O andar térreo, em até quatro meses, a contar da data de publicação e o primeiro pavimento, em até três anos, podendo este prazo ser prorrogado por igual período. O Sesc será responsável pela realização das obras e manutenção do espaço.

A revitalização do teatro é uma antiga reivindicação do setor cultural mineiro. Fechado ao público desde 2009, por determinação do Ministério Público, para que fosse adaptado às regras de acessibilidade e segurança, o Teatro Clara Nunes seguirá agora o mesmo exemplo de outras revitalizações em espaços culturais na área central, como Teatro Arena do Bradesco-Minas Tênis, o próprio Sesc Palladium e o antigo Cine Brasil, na Praça Sete.

Inaugurado no início da década de 1960, com o nome original de Cine Teatro Imprensa Oficial, em 1993, após reformas, passou a se chamar Teatro Clara Nunes. Com capacidade para 400 pessoas, tem formato italiano e foi ponto de encontro de intelectuais e artistas.

Retirado do site da SEC-MG em 16/09/13 do endereço:

http://www.cultura.mg.gov.br/sobre/banco-de-noticias/story/1586-governador-anastasia-e-secretaria-de-cultura-eliane-parreiras-anunciam-investimentos

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quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Cultura e educação, duas áreas indissociáveis

D’O Cafezinho

Por Ana de Hollanda, ex-ministra da Cultura

Um assunto que invariavelmente vem à baila por diversos motivos é a relação intrínseca entre cultura e educação. Em muitas situações não é possível realmente, nem aconselhável, que se aparte uma da outra, pois a falta de limites precisos enfatiza o quanto uma matéria necessita da outra para melhor desenvolver seu potencial. Quando o tema é política pública, uma separação institucional pode ser benéfica, desde que os respectivos programas não abandonem a convicção de que a outra área deve permear a concepção dos seus. A educação fornece as ferramentas necessárias para que o jovem aprimore sua capacidade de assimilar, compreender, participar, usufruir e poder vir a criar novas obras artísticas e culturais. A cultura oferece matéria prima à educação e, entre outras contribuições, é estimulante ao estudante que adquire autoconfiança para, a partir de suas reflexões, questionar e se manifestar critica e criativamente sobre o tema apresentado.

Por muito tempo, e não raro ainda hoje, dentro das políticas públicas, Cultura e Educação pertenceram à mesma instituição. Mas a separação, quando se deu, justificou-se pela criação e ampliação de programas específicos e a necessidade de se dar atenção especial a cada setor. Esse desmembramento, por um aspecto, foi desafogo para a pressão interna, ao permitir orçamentos próprios que pudessem ser planejados com a visão objetiva de suas necessidades. Entretanto, não garantiu a ausência de cortes ou maiores orçamentos, mas sim, freqüentemente, a sua redução. O maior prejuízo se deu, a meu ver, na mudança conceitual de seus programas.

Não tenho dúvidas de que a partir do momento em que as escolas convencionais de ensino fundamental e médio reduziram a presença de matérias de perfil cultural em sua grade e priorizaram a instrução tradicional, uma visão globalizante de sociedade e civilização, que o aluno poderia desenvolver, foi prejudicada. Essa dimensão também seria benéfica ao melhor entendimento de outras disciplinas como no caso de literatura, línguas, história e geografia.

Tal interdisciplinaridade, com certeza, tornaria o aprendizado mais atrativo ao aluno. Acrescentam-se a isso inúmeros estudos que comprovam a eficácia colateral do aprendizado de música como, por exemplo, na compreensão da matemática. Nesse sentido, é importante lembrar que em 2008 esta disciplina teve sua inclusão no currículo escolar aprovada por lei, porém, até hoje não regulamentada.

Se formos observar o que se passa pelo âmbito da cultura – e falo isso me referindo a uma prática geral em todos os âmbitos institucionais – a situação é mais frágil. O chamado “primo pobre da educação” não necessita de orçamento astronômico, mas sim de compreensão e respeito à sua vocação dentro das políticas de Estado. Isso, na prática, significa dar a devida atenção a cada área, com uma visão que contemple suas especificidades. Ocorre, no entanto, que comumente Cultura é vista como uma pasta destinada a cuidar de entretenimento popular. Nesse sentido, a tendência se reduz à incorporação dos valores de mercado, acolhendo a demanda de mega eventos que, em uma manobra marqueteira, utiliza-os em favor de agenda positiva ao governo local. Outro vício é a pratica do velho clientelismo ao cooptar artistas consagrados para, em troca de favores, apoiarem a política oficial.

No entanto, segundo nossa Carta Magna, cabe ao Estado garantir tanto a educação quanto a liberdade de expressão da atividade intelectual e artística. Para isso, políticas culturais e educativas voltadas para as artes, para a literatura, para bibliotecas, para museus, para patrimônio cultural e todas as formas de manifestações tradicionais e populares são indispensáveis aos jovens.

Termino o artigo bastante confortada pela pronta adesão e sucesso do programa “Mais Cultura nas Escolas” oferecido a escolas públicas de todo país. Uma frutífera parceria entre os ministérios da Cultura e da Educação, resultado do acordo de cooperação técnica assinado pelo então ministro Fernando Haddad e por mim, em dezembro de 2011, apresenta seus primeiros resultados a serem colocados em prática no próximo ano.

A partir das formulações previstas no Plano Nacional de Cultura, direcionadas à Educação, um grupo de trabalho interministerial desenvolveu, para as instituições de ensino básico, programas de ações que englobam artes cênicas e visuais, museus, bibliotecas, literatura, música, cinema e outras práticas. Pode parecer ainda um passo tímido, mas sem dúvida, foi uma iniciativa desafiadora da gestão da Presidenta Dilma, que contou com apoio direto da própria.

Retirado d’O Cafezinho em 28/09/13 do endereço:

http://www.ocafezinho.com/2013/08/26/cultura-e-educacao-duas-areas-indissociaveis/#sthash.2C3f7A6P.dpuf

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segunda-feira, 19 de agosto de 2013

V Colóquio Celso Furtado sobre Cultura e Desenvolvimento

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SERVIÇO

Evento: V Colóquio Celso Furtado sobre Cultura e Desenvolvimento

Data: 21 de Agosto

Local: Faculdade de Ciências Econômicas (FACE)-UFMG, Auditório 3

Preço: Gratuito

Horário: 9h às 17h30

Endereço: Av. Presidente Antônio Carlos, 6627 – Pampulha, Belo Horizonte/MG

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segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Economia criativa: um belo projeto que não saiu do papel

A ex-ministra da Cultura Ana de Hollanda, fala de seu projeto de economia criativa, fazendo certo mea culpa assume algumas falhas e faz uma reflexão sobre a economia criativa no Brasil. Ela tem uma coluna quinzenal n’O Cafezinho.

D’O Cafezinho

Por Ana de Hollanda

Ao assumir o Ministério da Cultura senti o peso da responsabilidade de lidar com um patrimônio em grande parte intangível e, por isso mesmo, de dificílima mensuração. Minha estreita relação com o mundo da criação artística e produção cultural no Brasil não me permitia ignorar consideráveis impasses que dificultam as condições de criação, produção, circulação, difusão e acesso aos bens culturais. O país é vastíssimo não só em dimensão territorial como em diversidade cultural. É fundamental não apenas que se respeite as especificidades regionais ou de estilo, como se fomente e estimule toda cadeia produtiva para que o acesso a esses bens se torne realidade aqui e no exterior. Por sinal, lembro que em inúmeros levantamentos internacionais acerca da imagem positiva do nosso país, prontamente se destacam a cultura e a criatividade do seu povo.

Paralelamente, desde o final dos anos noventa do século passado venho acompanhando notícias vindas do Reino Unido e estudos da UNCTAD (Conferência das Nações Unidas o Comércio e o Desenvolvimento) sobre economia criativa. O novo conceito de economia voltado para a dimensão intangível da criação sublinha o valor agregado à indústria, como, por exemplo, no caso do design, da moda ou da arquitetura. Abarca também vários segmentos desde o artesanato, passando pelas artes, chegando às indústrias culturais e compreende toda a teia que envolve criação, produção, distribuição, circulação, difusão e consumo. Esses levantamentos na economia mundial do século XXI apontaram que os setores criativos são os que mais crescem com sustentabilidade e inclusão. Paradoxalmente, apesar da nossa tão aclamada criatividade e do Brasil ocupar, atualmente, a 6ª posição na economia mundial, ocupamos, timidamente, o 36º lugar em relação aos países exportadores de bens criativos.

É nítido que, informalmente, a produção cultural e suas extensões diretas e indiretas movimentam valores bem superiores ao que é contabilizado oficialmente. Geram um número desconhecido de postos de trabalho temporários, também não computados, principalmente em grandes eventos populares. Não há dúvida de que essa informalidade e as conseqüentes inseguranças social e financeira são altamente prejudiciais não apenas à economia, mas aos profissionais desses setores.

Tais fatores me fizeram ver o quão premente se fazia a busca de meios que estimulassem a sustentabilidade econômica do setor cultural, independente dos eventuais apoios a projetos através de editais públicos e leis de mecenato. Foi esta a razão fundamental para que se criasse a Secretaria da Economia Criativa (SEC), logo no início da minha gestão no Ministério da Cultura. A competente equipe comandada pela secretária Claudia Leitão se debruçou sobre a matéria e desenvolveu o plano da SEC para o período 2011-2014, assim como o arrojado Plano Brasil Criativo. O Plano foi apresentado à Presidenta Dilma que se mostrou interessada e imediatamente incumbiu a Casa Civil de coordenar os trabalhos junto aos onze ministérios envolvidos, para depois chegar às empresas públicas e privadas.

Registro que enquanto se multiplicavam as discussões para a adequação do Plano, a SEC quase nada avançou em relação à responsabilidade que lhe cabia na gestão do projeto dentro do Ministério da Cultura. Me penitencio por não ter percebido a tempo que estava sendo descumprido o primeiro passo: o fundamental mapeamento de toda cadeia produtiva da cultura que, após ampla pesquisa, seria disponibilizado na página oficial do MinC. Previa-se essa ferramenta para que os interessados buscassem informações sobre a produção cultural na sua diversidade, os meios de produção e distribuição e como ter acesso a elas. A criação artística, independente de ingerência governamental, teria condições de impulsionar um dinâmico mercado onde não haveria falta de oferta ou procura. No entanto, antecipou-se etapas seguintes como a criação do projeto Criativa Birôs, voltado para eventuais empreendedores culturais, a ser desenvolvido em parcerias alternadas, mas que, embora bastante anunciados, na realidade ainda não foram implantados. Uma infinidade de seminários passaram a ocupar a agenda da SEC. Porém, além de exposições teóricas e discussões acadêmicas, pouco se avançou em termos de gestão prática do setor. Em meados do ano passado preveni a Secretária ao cobrar, entre outras providências, uma aproximação com os verdadeiros profissionais da cultura, vinculados a outras secretarias ou autarquias do MinC. O objetivo era de que conhecesse melhor o modo prático de funcionamento, necessidades e a forma como cada área busca seu sustento. Não obstante os esforços desenvolvidos, reconheço, com frustração, que praticamente nada se avançou nesses dois anos e meio, vista a ausência de qualquer resultado beneficiando diretamente o setor cultural. Assim, o que, a meu ver, seria o plano inovador da gestão da Presidenta Dilma para a Cultura lamentavelmente pode estar fadado a ser arquivado como um belo projeto teórico que nunca saiu do papel.

PS: o texto acima já estava escrito quando tomei conhecimento, pela imprensa, da substituição da Secretária Claudia Leitão. Faço votos de que o novo secretário avance, com sucesso, nas políticas voltadas para a economia criativa.

Retirado d’O Cafezinho em 12/08/13 do endereço:

http://www.ocafezinho.com/2013/08/10/economia-criativa-um-belo-projeto-que-nao-saiu-do-papel/#sthash.KNmCOgko.dpuf

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O crônico e o anacrônico

No texto abaixo, Brant faz uma rápida reflexão sobre um de nossos maiores desafios no setor cultural: Financiamento.

Do Cultura e Mercado

Por Leonardo Brant

Foto: jessdamen O Procultura é o resultado de uma antiga urgência. Em 2002 o setor cultural exigia um sistema de financiamento à cultura mais abrangente e democrático, à altura do desafio de Lula. A resposta veio mais de uma década depois, permeada por muita briga, especulação, lobby, gestão ideológica, demagogia. Mas também por diálogo, debate público e construção coletiva, temos de reconhecer.

O cenário cultural mudou radicalmente durante esse período. Surgiu ocreative commons, o crowdfunding, o investidor anjo, o Brasil entrou de forma definitiva no mercado global de entretenimento, a convenção da Unesco sobre diversidade cultural entrou em vigor, os pontos de cultura pipocaram país afora, o mercado de TV a cabo explodiu, a indústria fonográfica caiu e ressurgiu, aconteceu o fenômeno Netflix, a Broadway aportou definitivamente em terras tupiniquins, a classe C mostrou sua cara e sua vontade de fazer e consumir cultura, o Vale Cultura foi aprovado, inúmeros museus, espaços e circuitos culturais ocupam agora a nossa paisagem.

As mudanças são tantas e tão profundas, que a própria lógica e o funcionamento daquilo que entendemos por produção cultural tem um significado completamente diferente do que pensávamos há uma década. Expressões como economia criativa e empreendedorismo surgiram de maneira definitiva em nosso vocabulário. Novos modelos de negócios impulsionam atividades antes só existentes por força do Estado. E dão sobrevida a uma classe massacrada pela lógica da propriedade e da mais valia.

A própria Lei Rouanet mudou. O mecenato cresceu 4 vezes nesse período, tanto em volume de recursos quanto de proponentes, projetos apresentados e incentivados. Vale a pena perguntar se o projeto de lei intitulado Procultura atende realmente às demandas atuais ou se é um remédio para uma doença antiga, superada.

Não quero dizer com isso que os problemas da cultura estejam definitivamente resolvidos. Pelo contrário, penso que o paciente em questão vem agravando sintomas crônicos, como má distribuição de recursos e exclusão de grande parte da população dos serviços culturais públicos e privados, com os da nova realidade, mais relacionados à falta de estímulo ao empreendedorismo. Talvez seja necessário uma nova geração de antibiótico para lidar com isso tudo.

Gostaria de fazer uma analogia mais positiva da Lei Rouanet, pensá-la como solução para os infinitos e profundos problemas de financiamento à cultura, mas o sentimento é de que estamos com uma doença incurável. A agenda do Procultura é negativa, pois tenta coibir a evolução das células más, enquanto poderia estimular as boas práticas. Preferimos fazer gestão da doença a criar um ambiente de saúde integral. Essa máxima pode muito bem ser aplicada ao setor cultural e suas grandes demandas por um sistema de financiamento mais justo e potente, em busca de um novo modelo de desenvolvimento, criativo e sustentável.

Retirado do Cultura e Mercado em 12/08/13 do endereço:

http://www.culturaemercado.com.br/procultura/o-cronico-e-o-anacronico/

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segunda-feira, 10 de junho de 2013

Mercado Criativo–A cultura do Norte de Minas, Vales do Jequitinhonha e Mucuri em BH

Venha viver o Sertão Mineiro em Belo Horizonte durante um dia inteiro de programação com música, teatro, feira de artes e moda, culinária típica, exposições, intervenções, literatura de cordel e muito mais!

PROGRAMAÇÃO

Shows: Wilson Dias (Norte de Minas) + Dea Trancoso (Vale do Jequitinhonha) + Carlos Farias (Vale do Mucuri)

Exposição: Literatura de Cordel com participação de Gonçalo Ferreira da Silva (Presidente da Academia Brasileira de Literatura de Cordel).

Teatro: Cia. dos Aflitos interpreta o cordel "A Chegada da Prostituta do Céu".

Feira de Artes e Moda

Intervenções Artísticas

Culinária Típica do Norte de Minas

E mais:

Lançamento do Edital de Seleção de Artistas para a Virada Cultural do Norte de Minas e dos Vales do Jequitinhonha e do Mucuri

Inauguração do Espaço Areté Educar e Sala do Movimento Nacional de Direitos Humanos/ Minas (MNDH/Minas)

Realização: Mercado das Borboletas

Parceria: MNDH, Midhia, Arete Educar e Insituto IDH

Apoio: Incubadora Artes e Negócios Sustentáveis

ENTRADA GRATUITA

Informações:

(31) 3245-7411

(31) 9472-0034

eventos@areteeducar.org.br

Acesse: www.mercadodasboboletas.com.br e www.areteeducar.org.br

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quinta-feira, 23 de maio de 2013

Diversidade e integração nos mercados culturais da América Latina

Do Cultura e Mercado

Por Raul Perez

Foto: Carlos Martinez“Num mundo com grandes massas demográficas, enormes concentrações de capital, avanços tecnológicos permanentes e uma potencia militar mundial, a única alternativa que temos é a integração”, afirma Daniel Gonzalez, antropólogo formado pela Universidad de Buenos Aires e pesquisador dos mercados e políticas culturais da região latinoamericana.

Segundo ele, na última década, o Mercosul permitiu um crescimento impressionante dos intercâmbios – antes focados em grandes empresas transnacionais e agora voltado a empreendimentos de médio e pequeno porte -, mas ainda é frágil.

A solução, na opinião de Gonzaléz, passa pela criação de mercados internos que correspondam às necessidades dos povos, cenário no qual a diversidade tem papel fundamental. “Ela é a melhor barreira para criar mercados próprios. Sem identidade comum e convencimento num destino compartilhado, os acordos comerciais podem fracassar facilmente”, defende.

Nesta entrevista, ele contextualiza o distânciamento entre os países da região e indica como o Brasil, “mesmo sendo hoje a quinta economia mundial”, não pode constituir mercados internos suficientemente potentes, sem fortalecer o relacionamento com as nações vizinhas.

Raul Perez - Como os países da América Latina se distanciaram culturalmente?
Daniel González - A diversidade cultural do continente americano tem sua origem no mesmo processo de ocupação humana, muito antes do ano 10.000 AC. Nessa época os grupos que adentraram a América do Norte pelo Estreito de Bering não eram homogêneos, nem genética nem culturalmente, e, de forma muito rápida, se espalharam pelo imenso território e iniciaram processos de adaptação e inovação divergentes. Então, estamos falando de um verdadeiro processo civilizatório milenar que tem a diversidade como elemento substancial. Os grandes estados e impérios de origem americana, como os maias e aztecas, Tiawanaku e Tawantinsuyu (inkas) tinham um centro étnico que envolvia, de maneiras diferentes , distintos grupos étnicos com variadas fontes culturais,  produtivas, religiosas, etc. A partir da chegada dos europeus, aparentemente se inicia uma etapa de certa homogeneização, mas na verdade o que acontece é o ingresso de mais elementos heterogêneos, que inclui também a chegada forçada de diferentes populações africanas.

Um momento muito importante, definidor, no processo histórico é a constituição dos Estado-Nação no continente. Hoje, nossos países, com seus Estados e sociedades, estão tentando superar as distâncias culturais criadas há duzentos anos. A proposta política, ideológica e também econômica e militar dos responsáveis pela independência dos países latino-americanos de fala espanhola foi de unidade continental, que não incluía ao Brasil. Essa proposta não foi completada, mas persiste dois séculos depois, agora com a imprescindível participação brasileira.

Raul Perez - Atualmente, quais são os maiores desafios que impedem o intercâmbio entre as nações?
Daniel González - Na América do Sul coexistem diversas matrizes culturais que no curso vamos tentar identificar, desde as originárias americanas como a andina ou tupi, o barroco, a modernidade em clave sul-americana. A forma Estado – Nação criou imaginários que nos impedem de aproximar muitos fenômenos culturais de uma perspectiva mais acertada. Ou seja, nossas nações participam de processos culturais muito potentes que nem sempre os Estados podem assumir. Principalmente, a ideia de que a América é um território onde a utopia está sempre presente.

Mas, deveríamos falar não de utopia, sim de utopias, no plural. “A modernidade nos trópicos” (ou seu equivalente nos outros países) é a utopia dos criadores positivistas da maioria das instituições latino-americanas. Apareceu com força nas últimas décadas do século XIX. Mas, muito pouco tempo depois, surgiu na América uma geração de críticos, que aceitando a modernidade chamavam a atenção dos fenômenos populares e dos processos continentais. Na América que fala espanhol voltou à ideia da unidade continental. No Brasil foi surgindo mais lentamente; esses autores, com escassas exceções como o cubano Martí, são nomes desconhecidos.

Hoje, os Estados estão envolvidos em avançar em projetos de integração regional (Mercosul, Unasul). O turismo e internet facilitam certas aproximações, muito importantes sem dúvida. Mas, a integração regional deve permitir novas atividades, novos empreendimentos com novos parceiros. A integração e seus negócios são bem diferentes da clássica imposição norte-americana, ou da atual tentativa alemã na Europa. A diversidade e as utopias podem ser consideradas valores que geram bem-estar e progresso nos processos de integração.

Raul Perez - O Brasil, sendo o país mais populoso da região e um dos poucos com idioma diferente, parece não ter projetos para inverter essa falta de integração. Isso realmente acontece?
Daniel González - Na América do Sul floresceu a semente da fragmentação medieval da Península Ibérica. Esta realidade que hoje tentamos modificar mostra a força e permanência dos processos históricos. O Brasil, como os países de língua espanhola, já tem uma história de mais de um século de tentativas de superação ativa. Mais de cem anos atrás, o Barão do Rio Branco, o grande formulador da política exterior brasileira ainda vigente, propôs uma aliança militar com Argentina e Chile, conhecido como ABC (pelas iniciais dos países). Hoje parece pouco, e uma questão muito afastada dos temas culturais, mas foi muito importante porque o chamado Cone Sul começou a pensar nos países vizinhos como aliados e que qualquer agressão, pelo mesmo, devia ser externa à região. O passo da desconfiança à paz é primeiro uma mudança cultural.

Infelizmente, esta iniciativa ficou nessa aliança, que depois não foi renovada e voltou à desconfiança com os governos militares até os anos 80, com a retomada dos governos democráticos. Os acordos para estabelecer controles mútuos em energia nuclear entre Brasil e Argentina e a firma do Tratado de Assunção que cria o Mercosul, foi possível pelo envolvimento ativo do dirigentes brasileiros. Neste século XXI, assistimos a um salto qualitativo fenomenal. Ainda não somos plenamente conscientes das oportunidades geradas. Um novo desafio é a criação de empreendimentos com sócios de dois ou mais países, que necessariamente tem que contar com a participação brasileira. Eu acho que um limite muito importante que temos em todos os países é o relativo desconhecimento mútuo. Agora existe, mas ainda é superficial. No plano dos negócios, fazê-los num marco de integração é muito diferente do que sem ele.

Raul Perez - Até que ponto as atuais políticas de intercâmbio entre países latino-americanos são eficientes? Podemos falar de uma integração baseada no mercado?
Daniel González - Nos últimos dez anos o Mercosul permitiu um crescimento impressionante dos intercâmbios. Numa primeira etapa estavam focalizados em empresas transnacionais que integravam sua produção, como as automotrizes. Depois, em investimentos financeiros. Hoje é importante para empresas medianas e até pequenas. Mas, ainda é relativamente frágil. Num mundo com grandes massas demográficas, grandíssimas concentrações de capital, avanços tecnológicos permanentes, é uma potência militar mundial, a única, sem opções, alternativa que temos é a integração.

Precisamos criar mercados internos que respondam às necessidades de nossos povos. A diversidade já não pode ser entendida como um empecilho para o bem-estar (o desenvolvimento, o progresso). Ela é a melhor barreira para criar mercados próprios. Sem identidade comum e convencimento num destino compartilhado os acordos comerciais podem fracassar facilmente. Jean Monnet, um dos ideólogos e gestores principais da unidade europeia iniciada no aço e no carvão, afirmou: “se tivesse de voltar ao princípio, começaria pela cultura”. O Brasil, mesmo sendo hoje a quinta economia mundial e tendo um papel muito importante, não pode constituir mercados internos suficientemente potentes em rubros que exigem alto valor agregado. Precisa da outra metade da América do Sul. E o mesmo, mas em condições ainda mais graves e urgentes, acontece com o resto países da América do Sul.

O mercado aparece para muitos como um monstro que devemos evitar. Mas é iniludível. Hoje temos muitos desafios. Eu gostaria ressaltar três: a necessidade de nos conhecer com maior profundidade, a criação de mercados integrados baseados nas matrizes culturais próprias de nossa diversidade, a invenção de um novo modelo de integração que responda a nossa historia e a nossos sonhos comuns. Estou convencido que só assim podemos na América do Sul ter uma posição ativa no mundo. As crises do hemisfério norte algum dia vai passar. Nesse dia, realmente vamos poder avaliar se aproveitamos as imensas possibilidades do presente.

Retirado do Cultura e Mercado em 23/05/13 do endereço:

http://www.culturaemercado.com.br/entrevistas/diversidade-e-integracao-nos-mercados-culturais-da-america-latina/

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terça-feira, 30 de abril de 2013

Pontos

Por José Miguel Wisnik

Do Cultura e Mercado

Foto: Nasa Goddard Photo and VideoSe não me engano em fevereiro, há cerca de dois meses, travou-se uma polêmica sobre o “vazio cultural” brasileiro, lançada por um número da revista “Carta capital” que discutia o assunto. Por algum motivo circunstancial (acho que eu estava em viagem) só me dei conta da discussão posteriormente, através de seus ecos. Não tenho condições de recuperá-la agora, mas o meu “vazio cultural” particular de hoje, em que a coluna gira em falso à procura de seu ponto de apoio, me impele de volta à questão. Considerar o tema como “ultrapassado” seria prender-se a uma lógica imediatista. A redução, aliás, de toda cultura a pautas, ganchos jornalísticos e mercadológicos, efemérides e fenômenos virais, é uma das partes do problema.

Vou tentar expor a minha posição, mesmo sabendo que o assunto não cabe aqui. Acho o Brasil um país de grande vitalidade cultural. Essa vitalidade está na diversidade das práticas, no modo como elas se permeiam, nas soluções incomuns que resultam disso, em muitos níveis. Confesso que é difícil descrevê-la, porque ela se apresenta de maneira não usual, múltipla e heterogênea, extraindo a sua força exatamente disso. Ao mesmo tempo, essa vitalidade contracena com o baixo letramento médio brasileiro, que compromete sob muitos aspectos a sua organicidade e a sua capacidade de articulação. Apesar desse baixo letramento, no entanto, fomos capazes de reconhecer uma literatura na qual conviviam, a certo momento, Drummond, Rosa, Bandeira, Clarice, João Cabral e a poesia concreta, junto com teatro, música e cinema incandescentes. Isso não teria acontecido se não houvesse por sua vez uma atividade crítica de peso reconhecível, um campo crítico mapeado e exposto ao debate, um conjunto de publicações acompanhando a vida contemporânea.

As instituições da chamada alta cultura, ou das instituições letradas, sofreram abalos e deslocamentos em todo o mundo, nas últimas décadas, sob a pressão dos meios de massa articulados com a onipresença da publicidade e com uma considerável corrosão da escola tradicional frente a essas novas realidades. Mesmo assim, a literatura, os escritores, a crítica, tiveram ainda um papel determinante no acompanhamento de todas as transformações que se deram na Rússia ao longo do século XX, por exemplo, ou na Argentina ou em Portugal. O lugar do escritor, garantido por um certo lastro letrado, não se evaporou completamente no processo. Certamente não se pode dizer o mesmo do século XXI, mesmo lá.

No Brasil, a tendência a deslocar as pautas culturais do campo das ideias para o das vendagens, comportamento, moda e polêmica de superfície lavou o lastro frágil da vida literária acumulada, e acuou a atividade crítica num papel incômodo, impertinente e estigmatizado, substituído pela atividade dos agentes e assessores de imprensa, dos releases, das entrevistas e notas em colunas sociais, pela participação em eventos, num ambiente de coquetelização da cultura (estou lembrando de um artigo contundente de Flora Sussekind, “A crítica como papel de bala”, publicado no Prosa em 2010, algumas balas do qual sobram para mim, se não estou enganado).

É certamente a essa perda de articulação e a esse rebaixamento do papel crítico na esfera pública que Vladimir Safatle se referia, ao intervir no debate caucionando o mote do “vazio cultural”. Vazio cultural, nesse caso, significa a falta de um senso totalizante e de um tensionamento da linguagem que comprometa as produções com algo mais do que sua inserção num mercado ou o seu reconhecimento por um grupo de participantes consumidores. É exatamente o contrário do que pensa Hermano Vianna, para quem a cultura vive da força empenhada nela por seus agentes, que dão a cada cena cultural um sentido total auto-bastante. Onde para um há o vazio para outro sobra excedente. Os pressupostos são tão opostos que não dão lugar a uma conversa possível nem ao entendimento da impossibilidade disso.

Para mim este é o ponto. Não falta acontecimento cultural no Brasil, das mais complexas aventuras intelectuais às mais saudavelmente elementares manifestações do apetite de viver. Faltam, quando faltam, e como faltam, nexos compreensivos capazes de dar conta dessa complexidade, em meio à entropia de um mercado voraz e de um debate reduzido muitas vezes ao quiproquó, à faccionalização dos discursos e à simplificação jornalística.

Em muitos sentidos, “vazio cultural” é um estado do mundo, hoje. Em cada caso, a questão é saber onde estão os “pontos luminosos”, e o Brasil é um vazio cheio deles.

*Publicado originalmente no jornal O Globo do dia 20 de abril

Retirado do Cultura e Mercado em 30/04/13 do endereço:

http://www.culturaemercado.com.br/pontos-de-vista/pontos/

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sexta-feira, 19 de abril de 2013

Notícias da Cultura em Teófilo Otoni

100_5160Na tarde de ontem (19/04), respondendo ao convite da Casa de Cultura de Teófilo Otoni, estivemos presentes diversos representantes do setor cultural da cidade, tais como o segmento da música, teatro e circo, gestão, pesquisa e produção cultural.

A diretora da Casa, Rose Medeiros, conversou com os presentes sobre o os principais assuntos do setor neste momento, a implementação do Sistema Municipal de Cultura-SMCTO e a instalação da II Conferência Municipal de Cultura.

Rose apresentou, em linhas gerais, a proposta e o funcionamento do SMCTO. A primeira ação, iniciada em 8 de abril, o lançamento do Sistema Municipal de Informações e Indicadores Culturais, é condição para agentes, produtores, gestores, artistas e entidades culturais do município, participarem na Conferência e das ações e editais da Casa de Cultura a partir deste ano.

Discutimos também sobre a dificuldade de alguns segmentos em articularem-se em entidades o que representa dificuldade de representação dos diversos segmentos do setor na construção do Conselho Municipal de Políticas Culturais.

No que se refere à II Conferência Municipal de Cultura, está agendada para os dias 11 e 12 de junho e será convocada logo da publicação de decreto, prevista para os próximos dias. Esta conferência é condição para a representação do município nas demais e a convocação da 3ª Conferência Nacional de Cultura já saiu, clique aqui para acessar.

A comissão responsável pela Conferencia é:

I – COORDENAÇÃO GERAL

Iracema das Graças Ferreira – Secretária Municipal de Educação e Cultura

II – DEMAIS COORDENADORES

Rosilda Gonçalves Medeiros – Diretora de Divisão de Cultura;

Bruno Dias Bento – Diretor Geral da Associação Mucury Cultural

Carlos Henrique Barreto Machado – Presidente do Conselho de Patrimônio Histórico e Cultural;

Sérgio Marinho Medeiros – Diretor da Botocuda Produções Culturais;

Munira Molaib – Diretora do Conservatório de Música de Teófilo Otoni;

André Luiz Dias – Diretor da INCENA CIA de Teatro;

Vanessa Juliana da Silva - Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri;

Rose ainda tratou de assuntos relacionados a programas e projetos de que é responsável, como o CEU das Artes e a Usina da Cultura. O primeiro está em fase de negociação com o Ministério da Cultura-MinC para mudança de local, já a Usina ainda encontra-se sem definições por parte do ministério.

100_5164Bruno Bento, diretor-geral da Associação Mucury Cultural, retomou a discussão que gerou a elaboração do Abaixo-assinado pela implementação do Sistema Municipal de Cultura e Instalação da II Conferência Municipal de Cultura de Teófilo Otoni criado no início do mês. E ficou decidido, a partir da consulta e votação dos presentes que, em função de que duas das três exigências já estão sendo cumpridas, o instrumento acima não tem mais função de prosseguir. A questão não contemplada era a convocação de uma Audiência Pública para a discussão sobre a importância da implementação do SMCTO e da II Conferência Municipal de Cultura.

A partir disso, foi realizada a entrega simbólica do Abaixo-assinado à diretor da Casa de Cultura de Teófilo Otoni, será enviado um e-mail para todos aqueles que assinaram. Mais uma vez a articulação e a mobilização tem resultados positivos.

Novamente hipotecamos o apoio da Associação Mucury Cultural à implementação e funcionamento do SMCTO e nossa participação efetiva na II Conferência Municipal de Cultura de Teófilo Otoni.

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terça-feira, 26 de março de 2013

Rap - Percurso e Cicatriz

Por Phyl D. Martins · Belo Horizonte, MG

“Mesmo sendo soldados da paz, temos que estar preparados pra guerra" Hudson

O homem tem sorriso fácil, lábia boa e o corpo marcado por estouros de revólver. Foram três calibres diferentes usados em regiões diversas de seu corpo. Os passos dele são um pouco desalinhados e falta-lhe um dos olhos, fenda sutilmente disfarçada por um olho de vidro. Hudson tem o rap da paz e o da guerra na ponta da língua e tem lastro o suficiente para tocar a segunda maior favela do Brasil com seu testemunho.

Todo o Aglomerado da Serra conhece Hudson Iceband, um dos criadores da Rádio Favela, fomentador da cultura Hip Hop, que, quando jovem, foi um criminoso destinado às celas e à morte. Sua figura era temida por crianças e suas ações causavam pavor ao redor. A mudança veio, e não construiu um herói ou o estereótipo pronto do bandido convertido ao bem, mas um repertório orgânico da evolução racional - um cartão de visitas popular reafirmado por sua trajetória.

Dentro de seu carro, pelas ruelas do morro, a passagem dele gera um impacto mínimo nos passantes, que o olham e lhe abrem um sorriso, talvez sincero, talvez diplomático. Desde 1997 ele desenvolve o projeto “Hip Hop - Educação Para Vida”, mediando conflitos entre alunos das escolas públicas por meio de atividades criativas. Os objetivo são impedir que crianças e adolescentes ingressem no mundo do crime e fazer valer a cultura da favela, considerada marginal.

O convite dele é ele mesmo, apresentando uma história mais comum do que se possa imaginar, guardadas as devidas proporções, e algumas alternativas de expressão artística. Ontem (23/03), por exemplo, seu projeto ocupou o Centro Cultural Vila Marçola, onde o rapper se apresentou para uma gurizada eufórica e faminta por rap. Lá, proporcionou também a primeira apresentação do grupo Garottas Bad, composto por jovens moradoras do Aglomerado e participantes do projeto de Iceband. Teffy Angel (Stéphannye, 17 anos) é uma das vocalistas do grupo e se sentia “suave” por mostrar para o público suas pŕ;;;;oprias composições.

Além de fomentar “a troca das armas por microfones”, o projeto, vencedor do prêmio Bom Exemplo 2012, evidencia a estética crua da comunidade, com todas as suas possíveis distor

ções do padrão social estabelecido pelo senso comum. O quadro era o seguinte: Indi (Indiara, 17 anos), integrante do Garottas, no alto de seu estilo, encarava seu primeiro show. Com uma mão agarrava o microfone, com o ombro mantinha uma fralda de pano e com o outro braço nanava seu filho, o pequeno David, de 8 meses.

Talento não é o ponto central, e sim a participação efetiva da comunidade, num esfoço coletivo de agentes culturais e mobilizadores sociais, que se empenham diariamente em deixar claro aos moradores as possibilidades de não serem tatuados pelas marcas da violência, bem como se agitam nas provocações à efervescência cultural.

Matheus M-Hesh (10, irmão de Teffy Angel) foi um dos que se apresentaram pela primeira vez. Ele performou “Rolex”, um trabalho autoral inspirado no cantor americano Jay Z. Hugo Iceband, logo no princípio desta narrativa, já havia notado que, para que seu convite fosse aceito, teria que conduzir a situação a partir de um viés sagaz: o da realização de desejo. Até mesmo de quem, por conta da pouca idade, pode não saber realmente o que desejar.

Confira as fotos - http://bit.ly/X2KFzq

Retirado do Overblog em 26/03/13 do endereço:

http://www.overmundo.com.br/overblog/rap-percurso-e-cicatriz

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sexta-feira, 15 de março de 2013

Cultura em MG - Desinformação, sofismos e Audiência Pública

Por Bruno Bento
Às vezes temos de reconhecer que julgamos mal. Todavia, algumas destas vezes somos o fazemos a partir de informações distorcidas deliberadamente ou mesmo algumas inverdades. Uma boa arma nestes tempos de rede. Porém pode durar pouco. É isso que vem acontecendo no setor cultural em Minas Gerais.
No início de fevereiro escrevi um artigo sobre um Projeto de Lei, o PL 3.626/2012 que pretende alterar a Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais-LEIC. Neste artigo, a partir das informações do Sindicato dos Produtores de Artes Cênicas-SINPARC e da própria Secretaria do Estado de Cultura, concluí que era razoável a proposta, mesmo sendo crítico à proposta.
Recebo, logo após a publicação do texto, uma ligação do gabinete do Deputado Estadual André Quintão (PT), era a Darklane Rodrigues, assessora parlamentar, que queria saber mais detalhes sobre esta proposta, o que nós aqui do Mucuri estávamos pensado, conversamos um bocado e uma surpresa, outro projeto, anterior, que tratava da alteração do Fundo Estadual de Cultura - FEC, o PL 1.631/2011, de autoria do Deputado Estadual Arlen Santiago (PTB).
Conto o milagre, mas não o santo. Aconteceu que os projetos foram anexados e passaram a tramitar sob o número do mais antigo, do FEC. Isso não foi somente o acaso ou o erro de alguém que misturou alho com bugalho. Os projetos têm o setor cultural como objeto mas tratam de coisas absolutamente diferente. A coisa toda foi uma disputa na enorme base aliada do governo. Uma queda-de-braço com o objetivo de agraciar uns pouquíssimos, claro.
Para quem ainda não sabe, originalmente alteraria a Lei nº 15.975 de 2006 que cria o FEC. São as principais alterações propostas: a inclusão do dispositivo da LEIC que beneficia os inscritos na dívida ativa do estado até outubro de 2007 que poderá quitar a respectiva dívida depositando diretamente no fundo; incluindo pessoas físicas como beneficiárias do fundo (até agora só pessoas jurídicas podem acessá-lo); e muda estabelece as funções programática e de financiamento para o fundo e retira os recursos reembolsáveis do fundo. Entretanto, só reparte o bolo em fatias ainda menores. Ou seja, os parcos recursos ainda seriam ou serão divididos entre as pessoas jurídicas e as físicas, lembrando que é o próprio poder público estadual e municipal que se utiliza de boa parte destes recursos, e ainda quer mais.
Como escrevi anteriormente, propõe basicamente a alteração, durante 10 anos, nos percentuais de contrapartida, para 1%, 3% e 5% para as pequenas, médias e grandes empresas respectivamente. O projeto relâmpago surgiu em meados de setembro passado (2012) e em novembro já tinha passado e sido aprovado em todas as comissões e seria aprovado em tempo recorde se não fosse a birrinha de alguns. O projeto também mexe com a questão da dívida ativa, na qual devedores a partir de 12 meses já poderiam quitá-las com descontos através do patrocínio a projetos contemplados pela lei. Não há ampliação de recursos ou ainda ou quaisquer garantias de que esta alteração será benéfica, há indícios contrários. Muitos.
E onde está o coelho? Não está. Continuo a história.
Uns dias depois em Belo Horizonte estive a convite de Guilardo Veloso na reunião de preparação para um encontro a ser realizado pelo Fórum da Música de Minas Gerais onde encontrei com o pesquisador e consultor José Oliveira Júnior que iria conduzir a palestra sobre a alteração da LEIC no dia seguinte. Conversamos todos durante umas horas e todos estavam impressionados como estas propostas estavam ao largo do debate com o setor. Para nosso desespero, fomos informados pelo José Júnior de outras propostas que iriam e foram protocoladas na qual a Polícia Militar-PMMG também poderia usar os recursos do FEC para manutenção de suas bandas e para seus arquivos históricos. Havia outro PL para a LEIC, o 3660/2012 que inclui Gastronomia e Arquitetura como passíveis de financiamento.
No dia seguinte, nos reunimos novamente, já com representantes do segmento da música de todo o estado, artistas, produtores, pesquisadores e consultores. Ficaram todos surpresos em saber que toda a movimentação acerca da LEIC trazia o FEC no bojo, por causa da disputa lá da ALMG.
O resultado foi que com mais informações as opiniões, como a minha, mudaram. O José Júnior apresentou algumas sugestões, como (clique acessar a apresentação feita na ocasião):
· Cadastro único de empreendedores;
· Editais específicos:
· Por setor;
· Por região do estado;
· Por perfil de empreendedor;
· Critérios de equalização para garantia de investimento em cidades com pouco interesse comercial das empresas;
· Fortalecimento do FEC;
Tá. Só para fechar a questão da LEIC, o José Júnior ainda nos mostrou a tendência de a SEC-MG imputar ao mercado a escolha sobre quais projetos devem ser financiados:
· 1.888 projetos inscritos (no edital de 2012);
· 1.696 aprovados (89,83%) para captação, totalizando R$ 411.932.376,00;
· Serão cerca de R$ 55 milhões disponíveis (13,35%).
A Nexo que estava presente também, alguns dias depois apresentou alguns números em artigo que discute as propostas de alteração da lei de incentivo e faz algumas sugestões muito interessantes.
Observamos uma grande concentração do investimento em poucas e grandes empresas. Em 2011, seis empresas (Vivo, Usiminas, Oi, Ambev, ArcelorMittal e V&M) foram responsáveis por 51,22% do investimento realizado. O grupo de grandes investidores, responsável por 73% do investimento é formado por apenas 15 empresas, entre elas, as 6 citadas acima. Utilizamos como base o ano de 2011, mas tal padrão se repete nos anos anteriores.[i]
Dentre as propostas da Nexo está:[ii]
Tudo bem. Em resumo, a falta de uma política pública mineira para a cultura está criando uma série de questões além da imaginação. Sofismas para alterações, e tudo o jogo de desinformação e inverdades (como já disse) estão no meio desta história. Uma delas é que as empresas já não fazem as contrapartidas e outras pedem devolução, as grandonas estão fazendo isso. Então, já que ninguém segue mesmo, vamos dar mais dinheiro público. Simples não?
Sou obrigado agora a reconsiderar o artigo que cito no início, uma vez que é completamente nociva a proposta de alteração da LEIC, pois dados apresentados pela Nexo e o pesquisador do Observatório da Diversidade e consultor José Júnior.
Pois é, para acabar com este artigo que pelejo em reescrever, já que o meu pc já deu pau, a ALMG, por requerimento dos Arlen Santiago (PTB), Elismar Prado (PT) e Luzia Ferreira (PPS), convoca à uma Audiência Pública que tem por finalidade:
Debater o Projeto de Lei nº 1.631/2011, de autoria do Deputado Arlen Santiago, que altera dispositivos da Lei nº 15.975, de 12 de janeiro de 2006, que cria o Fundo Estadual de Cultura - FEC - e dá outras providências.[iii]
E eis a lista de convidados:
· Eliane Parreiras, Secretária de Estado de Cultura;
· Gilmar Machado, Prefeito Municipal de Uberlândia e Presidente da Associação dos Municípios do Vale do Paranaíba;
· Lúcio dos Santos Oliveira, Diretor da Artbhz Produções;
· Rômulo Duque de Azevedo, Presidente do Sindicato dos Produtores de Artes Cênicas de Minas Gerais;
· Guilardo Veloso de Andrade Filho, Diretor Executivo do Instituto Sociocultural do Jequitinhonha - Valemais;
· Magdalena Rodrigues da Silva, Presidente do Sindicato dos ArtistasTécnicos em Espetáculos e Diversões do Estado de Minas Gerais;
· Carluty Ferreira, Diretor-Presidente do Movimento Teatros de Grupos;
· Andreia de Azevedo Anhaia, Presidente do Dança Minas;
· Helder Quiroga, Secretário Executivo do Fórum Mineiro do Audiovisual;
· Rubem dos Reis, Representante da Associação de Produtores Culturais de Uberlândia e Região;
· Makely Ka, Representante do Setor Musical do Conselho Estadual de Política Cultural de Minas Gerais;
· Leonado Lessa, Integrante do Movimento Nova Cena - Grupo Teatro Invertido.[iv]
Sabe qual é a graça ainda depois de tudo isso?
Como agora sou um sujeito importante (muitos risos), recebi um e-mail da deputada Luzia Ferreira, vice-presidente da Comissão de Cultura da ALMG convidando para a tal audiência, mas tendo por pauta a LEIC.
Ou seja, terá gente de novo surpresa na Audiência, pois chegará para uma pauta e topará com outra. Eita vida esta que é besta pra danar, hein?
Será que nossos deputados podem resolver legislar de forma séria e não consultem só “suas bases”? Assim é difícil.
Será que o setor cultural pode deixar de ser tão ingênuo? Pois sem combinar com os russos e trabalhando cada um para o seu interesse, TODO MUNDO PERDE. Para não falar outra coisa.
Ah, estou enviando um e-mail para sugerir a alteração da pauta. E como não tenho grana para ir, ficarei aqui na cornetagem e na torcida para que o resultado da participação setorial da cultura seja positivo para nós e que o debate possa fazer estas propostas avançarem.
Verdadeiramente que Krenhouh Jissa Kiju nos acuda!
[ii] Idem.
[iii] Retirado daqui:
[iv] Idem.
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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

O abacaxi da cultura

Indicado por Sávio Leite e retirado do Estadão em 14/02/13 do endereço:

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,o-abacaxi-da-cultura,995433,0.htm

Para antropólogo, governo tem dificuldade em implantar uma política cultural, mas a anticultural é corriqueira

Por Ivan Marsiglia, de O Estado de S. Paulo

Com a sua peculiar estridência, a assim chamada "nova classe média" ocupa, além de aeroportos e manchetes de economia, o centro da cena cultural brasileira. É o carnaval do Ai se eu te Pego, do tchererê-tche-tchê, da Beyoncé paraense Gaby Amarantos, da redenção do funk carioca e também da tragédia da Gurizada Fandangueira. Nessa explosão de sentidos figurados e literais, que marcas deixarão impressas na cultura nacional os cerca de 40 milhões de "ex-pobres" - na jocosa definição de MC Papo - que ascenderam ao mercado na última década?

Na opinião do antropólogo Hermano Vianna, antes de mais nada vale a pena remeter para a discussão da cultura a crítica feita pelo ex-presidente FHC ao termo nova classe média. "Há de tudo nela: pastores de igrejas evangélicas, DJs de tecnobrega, militantes de coletivos periféricos, donos de lan houses", diz o irmão mais velho do guitarrista Herbert Vianna, dos Paralamas, e um dos mais importantes pesquisadores musicais do País. "O rótulo impreciso tenta dar conta de uma grande transformação da sociedade brasileira ainda não analisada devidamente."

Aos que denunciam um suposto empobrecimento geral das manifestações artísticas no País, o doutor em antropologia social pelo Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) - que também é consultor do programa Esquenta!, de Regina Casé, na Globo -, lança mão de uma metáfora, a do disco voador: trata-se de um olhar que sobrevoa o País sem conexão com o mundo de baixo que agora penetra a fuselagem da nave, incomodando seus finos tripulantes. E reedita, em tom de provocação, a enfática defesa que faz há anos da música mais popular dos morros cariocas. "Encontro no funk muitos elementos que o tornam superior a uma sub-MPB que tentam me empurrar como música de qualidade."

Na última década, o Brasil vive a ascensão de uma nova classe média e a chamada inclusão pelo consumo. De que forma essa transformação se expressa no âmbito da cultura?

Em seu artigo de domingo passado no Estado, Fernando Henrique Cardoso escreveu que "a dissolução do conceito de classes em 'categorias de renda' chamadas classes A, B, C, D, ou nesta 'nova classe média', dificilmente se sustenta teoricamente". Falou mais como sociólogo do que como ex-presidente ou político da oposição. Eu, como antropólogo, orientando de Gilberto Velho - por sua vez orientando de Ruth Cardoso, corajosa o suficiente para, durante a ditadura militar, aceitar que Gilberto fizesse tese sobre o consumo de drogas entre jovens da velha classe média -, posso afirmar que tal dissolução também não se sustenta culturalmente. Quando dizemos "nova classe média" estamos pensando num grupo extremamente heterogêneo em termos de estilos de vida e visões de mundo. Há de tudo nela: pastores de igrejas evangélicas, DJs de tecnobrega, militantes de coletivos periféricos, donos de lan houses, etc. O rótulo impreciso tenta dar conta de uma grande transformação da sociedade brasileira, ainda não analisada devidamente.

Em que termos falta analisá-la?

Ela não é apenas uma transformação econômica. Aconteceu ao mesmo tempo em que outras mudanças profundas se processavam. Na cultura, as consequências da revolução digital foram imediatas. O modelo de negócios da "indústria cultural", que funciona na base do broadcast, poucos-para-muitos, ainda não conseguiu se adaptar ao mundo das redes, muitos-para-muitos. Por exemplo, o mundo das gravadoras de discos, que comandava o mercado mundial de música popular, praticamente desmoronou. Milhares de pequenos estúdios surgiram em todas as periferias. Seus produtos são distribuídos via internet e fazem sucesso sem precisar de rádio, imprensa, TV. Em 2006, quando escrevi o texto para lançamento do programa Central da Periferia, na Globo, deixei claro: somos a mídia de massa correndo atrás da música mais popular nas ruas brasileiras que nunca esteve na TV antes. Descrevi a grande mídia como um disco voador, sobrevoando o País, sem conexão com o mundo "de baixo". De lá para cá, nada mudou tanto assim: apenas o barulho de fora (Ai se eu te Pego), amplificado por milhões de alto-falantes de som automotivo ou de celulares ligados em redes sociais, já penetra a fuselagem da nave, incomodando seus finos tripulantes.

O sr. quer dizer que há um incômodo com a democratização da cultura?

O melhor texto sobre isso é o do Otávio Velho dizendo que não há mais grotões no Brasil. Ele criticava a opinião de que os votos que elegeram Lula vinham de grotões ignorantes e sem conexão com a realidade contemporânea. Quem não viaja pelo interior não deve se dar conta disso. Quando piso em qualquer biboca, longe das capitais, logo encontro grupos articuladíssimos, tocando projetos sociais e culturais muitas vezes com repercussão internacional. E há também uma politização geral nesse interior que não é só de esquerda, e quase sempre não tem lugar definido no espectro ideológico tradicional. Ela é alternativa à vida político-partidária, parte do "disco voador", e produziu importantes organizações como a Cufa (Central Única de Favelas) e o AfroReggae. O pop periférico e a politização cultural periférica - que não mantêm relações harmoniosas entre si - são as principais novidades culturais brasileiras das duas últimas décadas.

E as políticas de cultura do País, estão dando o melhor a essa população ou apenas reforçando estereótipos?

Políticas de cultura não devem "dar" nada para a população. Isso se parece com promessa velha de político acostumado ao ar condicionado no disco voador: "Vou levar cultura para as favelas". A imagem tradicional era a favela como vazio cultural que devia ser iluminada com arte de fora. Os próprios favelados já deram a resposta: "Qual é, mané, o que não falta aqui é cultura". As políticas de cultura, então, precisam trabalhar junto com o que já acontece em cada lugar, possibilitando uma melhor circulação de informações e contribuindo para ampliações de horizontes de maneiras de fazer arte, que foram criadas muitas vezes aos trancos e barrancos (ou dentro de barracos). Outro dia vi um censo cultural realizado com jovens de áreas "ex-pobres" - expressão inventada pelo MC Papo, rei do reggaeton mineiro - do Rio revelando uma maioria absoluta que nunca tinha ido a um show musical. Conheço bem as áreas onde a pesquisa foi aplicada e sei que essa rapaziada frequenta baile funk com muitas apresentações ao vivo. Aquilo não é considerado show musical? Por quem, o pesquisador ou o pesquisado? Show musical é o quê? Só o que acontece no Citibank Hall?

O sr. foi um defensor dos CEUs e dos Telecentros da então prefeita Marta Suplicy. O que achou do Vale Cultura, apresentado pela agora ministra?

O Vale Cultura não foi inventado pelo ministério Marta. Tem longa história de formulação e debate, anterior até à data de 2009, quando foi para o Congresso. Na época, o então ministro Juca Ferreira já precisou atacar a opinião de que o dinheiro "não deveria ser usado em baile funk". Juca seguiu o pensamento de Gilberto Gil, que numa de suas melhores frases como ministro disse: "Cultura ruim também é cultura". É isso, não tenho o que acrescentar porque sei que Gil e Juca sabem que funk não é cultura ruim. Gil até já cantou, em declaração de amor para o Rio, "quero ser teu funk".

Então o sr. concorda com a resposta da ministra aos críticos do Vale Cultura: 'Se quiser comprar revista de quinta categoria, pode' e 'compra porcaria quem quiser'?

É engraçado: quando a política deixa o mercado decidir como o incentivo vai ser usado, é acusada de sustentar cultura de mercado com dinheiro público. Quando quer corrigir "distorções do mercado", como o fato de a região Sudeste acabar com a maior porcentagem do dinheiro da Lei Rouanet, é acusada de dirigismo cultural. Parece que todos preferem o imobilismo - que o ministério não proponha política nenhuma. Não morro de amores pelo Vale Cultura, mas encaro sua implementação como uma experiência. Por que, de antemão, achar que ele vai ser usado só em porcaria? Essa é a imagem que temos do tal "povo", coitadinho, que precisa de nossa orientação para saber o que é bom. E se for assim, por que esses críticos não partem para a porta das fábricas para ensinar ao povo o que é bom, com serviço de van grátis direto para a Sala São Paulo?

A ida de Juca Ferreira, um baiano, para a Secretaria de Cultura paulistana de Fernando Haddad, lhe agradou?

Confesso que fiquei surpreso. Estamos acostumados a pensar a política estadual ou municipal de forma paroquial, como se só os locais pudessem lidar com realidades locais. Então foi surpresa boa: uma pessoa de fora pode descobrir maneiras novas para resolver velhos problemas já naturalizados pelos nativos. Mesmo quando entende as coisas de forma errada. Lembro a descoberta do tropicalismo pelos críticos estrangeiros nos anos 1990: eles falaram muita besteira, não captavam as sutilezas do nosso contexto, terrivelmente complexo para gringos. Mas aquilo me fez entender nosso passado musical com novos olhos, e tudo ficou ainda mais interessante. Espero que o mesmo aconteça com o diálogo entre o baiano Juca e os paulistanos, que sempre souberam acolher bem os baianos, a ponto de ninguém poder dizer com certeza se o tropicalismo é baiano ou paulistano. Mandei até uma sugestão, de que uma das primeiras ações do novo secretário deveria ser um encontro com a grande comunidade do samba paulistano.

E como vai a cultura em sua cidade, o Rio?

No Rio acontecem outras surpresas: uma pessoa de fora, o gaúcho Beltrame, impulsionou o projeto das UPPs. Por anos fui defender o funk e a possibilidade de realização dos bailes na Secretaria de Segurança - já que a Secretaria de Cultura nunca se pronunciava. Hoje, há uma nova era de projetos culturais. Bom sinal para a cidade, que agora, pós-tragédia em Santa Maria, terra do Beltrame, percebe como as coisas estavam descontroladas. Havia a tal da Resolução 013 que era sempre usada por policiais quando queriam fechar um baile. Tudo podia ser motivo: falta de saídas de emergência, banheiros, isolamento acústico, etc. Agora sabemos que mesmo os espaços culturais da prefeitura ou do Estado funcionavam contrariando regras de segurança. Por que só os bailes eram fechados?

E o carnaval? Nessa semana de exaltação e júbilo país afora, temos o que comemorar?

Este carnaval é do sertanejo, do arrocha, do funk paulistano. Ela é Top, do paulistano MC Bola, é a música mais tocada no rádio em Salvador, com versão bem local. Essa é a brincadeira musical preferida atualmente: os sucessos ganham versões em todos os ritmos do momento. E os estilos se misturam. Quem diria que o sertanejo iria virar música de balada? Quem diria que Campo Grande, Mato Grosso do Sul, iria se transformar na capital do pop brasileiro? Eu não entendia muito bem o mundo do sertanejo. Até que fui numa festa de fundo de quintal, bem familiar, em Campo Grande. Uma dupla tocava canções que eu nunca ouvira antes e todo mundo fazia coro, com emoção tão explosiva quanto no momento mais animado do bumbódromo de Parintins. Foi minha rendição: gosto de pop fake, mas também não resisto diante da autenticidade. Naquele momento, gostei por motivos antropológicos, o que me encantava era o amor que aquelas pessoas sentiam por aquela música. Estava claro que algo grande iria acontecer dali. Hoje gosto também por motivos musicais. Mas há outro aspecto interessante nessa brincadeira, que é bem mais que música. Ninguém, nem mesmo o fã mais "inculto", acha que Ai se eu te Pego é um clássico de Tom Jobim. Aquilo é outra coisa: um mote para festa, para animação coletiva. Começou com uma cantoria de meninas paraibanas viajando para a Disney, virou refrão para animar turistas em Porto Seguro e depois forró em Feira de Santana. Michel Teló transformou o resultado em canção pop, que já foi apropriada em vídeos em todo o planeta, como Gangnam Style. O que importa aí é o processo, a diversão agora, o riso solto, e não a obra-prima para ser venerada como fuga de Bach. É preciso julgar as duas coisas com critérios diferentes.

O sr. parece otimista, mas há alguns dias o sambista Zeca Pagodinho criticou o carnaval no Rio, disse que 'tudo foi roubado' e não se vê mais nem enfeites nas ruas de periferia. Sambas-enredo falam de países distantes e cavalos manga-larga por exigência de patrocinadores. E até o elogiado renascimento dos bloquinhos de rua, em contraponto ao megashow mercantilizado do sambódromo, já é promovido por marcas de cerveja. A massificação põe em risco a riqueza da festa?

O carnaval é uma festa moderna, que cresceu mesmo a partir do final do século 19. O primeiro desfile de escola de samba aconteceu em 1929, e o patrocínio dos jornais foi importante para sua popularização e "oficialização". Antes era algo menor no calendário cultural do Rio. A grande festa da cidade era o Divino, que ocupava o Campo de Santana durante várias semanas. Desapareceu. Nem por isso o Rio deixou de ser o Rio. Tudo muda. E muitas novidades importantes têm origem em desrespeito a tradições. O baiano Hilário queria botar seu terno de Reis nas ruas cariocas. Notando que o 6 de janeiro não era dia de folia no Rio, resolveu sair no carnaval. Deu nos ranchos, nas escolas de samba e assim por diante. Se fosse fiel às regras tradicionais, a cultura da cidade hoje seria bem diferente. Eu adorava o carnaval no Centro do Rio no início dos anos 80. Cacique de Ramos e Bafo da Onça desfilavam gigantescos, empolgadíssimos. Aquilo foi minguando, melancolicamente. Houve ano que não escutei nenhum som de blocos na rua. Hoje há cada dia mais blocos, cada vez maiores. A garotada carioca, de todas as classes, voltou a ter no carnaval sua melhor festa. Você não gosta de blocos comerciais? Não se preocupe, há muitos outros que fogem do comércio. Neste ano vai ter até bloco que só canta marchinhas baseadas em tragédias gregas.

Há quem veja, no entanto, um empobrecimento nas manifestações artísticas de hoje, especialmente se lembrarmos do samba de raiz de Cartola e Pixinguinha, por exemplo. Não há em seu discurso uma certa correção política que impede a crítica?

Cito mais uma vez Gil: raiz para mim só de mandioca. Samba é música moderna, criada no início do século 20, inclusive com a invenção de instrumentos novos, como o surdo, criado a partir de tonéis industriais. Tudo muda, o tempo todo. Ficou mais pobre? A partir de que critério? Sei que o relativismo está fora de moda. Nem ligo: sou relativista incorrigível, cada vez mais radical. Constantemente me pego fazendo coro para Hêmon brigando com seu pai Creonte, em Antígona: "Guarda-te, pois, de te apegares a um só modo de pensar, crendo que o que dizes, e por seres tu que o dizes, exclui qualquer outra possibilidade de ver e sentir as coisas". Não tem quem me convença que há um fundamento estético único a partir do qual podemos decretar o empobrecimento ou o enriquecimento das criações humanas. Mas digamos que há: então encontro no funk muitos elementos que o tornam superior a uma sub-MPB que tentam me empurrar como música de qualidade. O tamborzão do funk salvou a música brasileira na virada do século 20 para o 21. É vanguarda mesmo, concretismo eletrônico afro-brasileiro. Mas para quem acha que hip hop não é música, ou que Stockhausen não é música, o que estou falando é delírio. Um consolo é saber que a produção da gravadora Motown um dia foi considerada por todos os críticos como lixo comercial sem futuro.

A que servem iniciativas suas como o programa Esquenta!, com Regina Casé?

Antes de qualquer outra coisa queremos fazer uma boa festa. Nas gravações do programa, os momentos que mais nos agradam são quando a plateia assume o controle e viramos espectadores da farra coletiva. Como em qualquer outra festa boa, para isso acontecer é preciso reunir gente que pensa diferente e não tenha preconceito diante das diferenças. Reunião só com gente que pensa igual não tem graça.

O Brasil deveria apostar num programa de inclusão social pela cultura?

Detesto a palavra inclusão por motivos que já comentei nas respostas anteriores: parece que a salvação do excluído - que não tem nada, é um vazio a ser preenchido por bom conteúdo - está na sua captura por um mundo que não é dele, não sua transformação em Outro. Partindo dessa premissa, a política cultural já seria de grande valor se não atrapalhasse o que já existe. O governo tem enorme dificuldade para criar e implantar política cultural. Mas política anticultural é corriqueira. Como a proibição dos bailes funk quando a música estava nascendo, empurrando-a para dentro de morros controlados pelo tráfico armado. O "funk proibidão" foi produto dessa ação anticultural do poder público.

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