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quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Secretaria de Estado de Cultura realiza 6º Encontro Estadual de Museus de Minas Gerais

Da SEC

Abertura do 6º Encontro Estadual de Museus de Minas Gerais acontece no dia 04 de novembro, na Sala Juvenal Dias

A Secretaria de Estado de Cultura (SEC), por meio da Superintendência de Museus e Artes Visuais (SUMAV), realiza nos dias 04 e 05 de novembro, o 6° Encontro Estadual de Museus de Minas Gerais. Com o tema “Programa de Exposições: planejamento, gestão, pesquisa e comunicação”, a edição do encontro de 2013, que acontece na Sala Juvenal Dias do Palácio das Artes, pretende apresentar diretrizes para um trabalho eficiente de organização de projetos de exposições.

A escolha deste tema pela Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais vem ao encontro da Lei 11.904 de janeiro de 2009, que instituiu o Estatuto de Museus e que estabelece a obrigatoriedade da elaboração do “Plano Museológico”, em todos os museus brasileiros, tema que foi abordado no 5º Encontro Estadual de Museus, realizado em 2012.

Entre os programas que compõem o plano museológico de um museu destaca-se o de exposições. Segundo a Superintendente de Museus e Artes Visuais da SEC, Márcia Renó, “as exposições são instrumentos-chave para permitir o acesso público aos acervos dos museus, à cultura e ao conhecimento. Representam mais do que o simples processo de mostrar obras e objetos. É a partir das exposições, que os museus se comunicam com seu público, sendo assim, suas etapas de concepção, tais como curadoria, expografia e programa educativo, necessitam de um cuidadoso planejamento”. A ficha de inscrição está disponível  e deve encaminhada para o e-mailencontrodemuseus@cultura.mg.gov.br até o dia 31 de outubro.

Sobre o Encontro Estadual de Museus de Minas Gerais

Minas Gerais conta hoje com mais de 320 museus e, a exemplo de outros estados brasileiros, vem trabalhando sistematicamente pela consolidação do seu Sistema Estadual de Museus. A principal iniciativa nesse intuito é a realização dos Encontros de Museus de Minas Gerais.

O 1º Encontro, realizado em 2005, teve como principal proposta a criação do Sistema Estadual de Museus de Minas Gerais. No 2° e 3º Encontros, realizado em 2008 e 2009 respectivamente, as discussões foram orientadas pela análise da minuta do Projeto de Lei de criação do Sistema Estadual de Museus de Minas Gerais e a criação de uma comissão responsável pela redação final do projeto de lei e seus encaminhamentos oficiais.

No 4º Encontro, realizado em 2011, que teve como tema “Museus: desafios contemporâneos” foram discutidos os desafios contemporâneos dos museus e sua função na atualidade, com foco nos desafios do atendimento ao público, das exposições e pesquisas.

Nos últimos anos, especialmente a partir de 2004, com a criação do Sistema Brasileiro de Museus (SMB), nota-se uma crescente articulação pela organização, desenvolvimento e valorização das instituições museológicas brasileiras. Duas ações políticas do governo federal no campo museológico vieram confirmar e fortalecer a importância cultural da grande e diversificada rede de museus espalhada por todo o território nacional: a criação do Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM), e a instituição da lei que define o Estatuto de Museus.

Ficha de inscrição

Retirado do site da SEC em 31/10/13 do endereço:

http://www.cultura.mg.gov.br/component/gmg/story/1672-secretaria-de-estado-de-cultura-realiza-6-encontro-estadual-de-museus-de-minas-gerais

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segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Governador e Secretária de Cultura anunciam investimentos em Minas Gerais

Da SEC-MG

 MG 7754

O governador Antonio Anastasia  e a secretária de Estado de Cultura, Eliane Parreiras, anunciaram nesta quarta feira (11), no Palácio da Liberdade, investimentos de cerca de R$ 417 milhões em obras e ações para a área de cultura. Trata-se do maior conjunto de obras e projetos de valorização do patrimônio cultural da história de Minas Gerais. São 64 intervenções divididas em 11 projetos, totalizando R$ 417,185 milhões.

Estão previstas, entre outras ações, a construção de salas de concerto, arenas multiuso, reforma e restauração de museus, igrejas e esculturas religiosas, modernização do Palácio das Artes, capacitação profissional, requalificação de espaços públicos, implantação da Escola de Design da Uemg (Prédio Ipsemg na Praça da Liberdade), compra de instrumentos, equipamentos e mobiliário, implantação de museografia (Rota Lund) e do Prédio Verde Cena (Centro de Ensaios Abertos).

Em valores específicos, os projetos com maiores volumes de recursos são sala de Concertos e sede da Filarmônica (R$ 143 milhões), sede da Rede Minas e Rádio Inconfidência (R$ 72 milhões),Circuito Cultural Praça da Liberdade(R$ 94,8 milhões), museus (R$ 24 milhões),Fundação Clovis Salgado (R$ 17,7 milhões) e Rota Lund (R$ 17,5 milhões).

Os recursos para a realização desses investimentos são do Tesouro Estadual, recursos próprios das instituições, além de empréstimos junto ao Banco do Brasil e BNDES. Os projetos, obras e intervenções estão sendo executados em diversas frentes: Deop-MG, Secretaria de Estado de Cultura, Iepha, FCS, Codemig e convênio com municípios.

 

Concessão do Clara Nunes

Durante o anúncio dos investimentos, o Governo de Minase o Serviço Social do Comércio de Minas Gerais (Sesc) assinaram contrato de concessão por 30 anos do Teatro Clara Nunes, com interveniência da Secretaria de Estado da Cultura. O espaço terá que ser destinado exclusivamente às atividades culturais, artísticas, educacionais e de lazer. Estão previstas três etapas para a entrega do imóvel: o segundo pavimento será cedido tão logo o contrato seja publicado. O andar térreo, em até quatro meses, a contar da data de publicação e o primeiro pavimento, em até três anos, podendo este prazo ser prorrogado por igual período. O Sesc será responsável pela realização das obras e manutenção do espaço.

A revitalização do teatro é uma antiga reivindicação do setor cultural mineiro. Fechado ao público desde 2009, por determinação do Ministério Público, para que fosse adaptado às regras de acessibilidade e segurança, o Teatro Clara Nunes seguirá agora o mesmo exemplo de outras revitalizações em espaços culturais na área central, como Teatro Arena do Bradesco-Minas Tênis, o próprio Sesc Palladium e o antigo Cine Brasil, na Praça Sete.

Inaugurado no início da década de 1960, com o nome original de Cine Teatro Imprensa Oficial, em 1993, após reformas, passou a se chamar Teatro Clara Nunes. Com capacidade para 400 pessoas, tem formato italiano e foi ponto de encontro de intelectuais e artistas.

Retirado do site da SEC-MG em 16/09/13 do endereço:

http://www.cultura.mg.gov.br/sobre/banco-de-noticias/story/1586-governador-anastasia-e-secretaria-de-cultura-eliane-parreiras-anunciam-investimentos

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quinta-feira, 2 de maio de 2013

O âmbito da cultura no planejamento urbano

Por Bernardo Vianna

Do Blog Acesso

Em mais de um de seus livros, Ítalo Calvino toma como foco a cidade. Interessa ao escritor italiano o espaço urbano enquanto produto cultural. Em Cidades invisíveis ou em Marcovaldo – Ou as estações na cidade, Calvino descreve, antes da estrutura das torres e das vias públicas, os significados que as permeiam. As cidades tomam forma segundo a percepção e os desejos das personagens. O tema também inspirou Guy Debord a construir o conceito de “psicogeografia”. A partir de tal ideia, o pensador francês inspirou artistas e intelectuais a percorrer as cidades, no bojo dos movimentos de vanguarda europeus das décadas de 1950 e 1960, observando como o desenho de ruas e prédios se relaciona com as emoções e com o comportamento das pessoas.

O âmbito da cultura passou a fazer parte das políticas públicas sobre o uso e o desenvolvimento do espaço urbano, em São Paulo, desde a definição do Plano Diretor Estratégico de 2002. A lei que define, entre outras, diretrizes de ocupação do solo, infraestrutura e mobilidade, trouxe, como inovação, item dedicado à cultura. O documento prevê a elaboração de normas para a preservação de bens culturais e referências urbanas, a preservação da identidade dos bairros e a sensibilização da opinião pública sobre a importância e a necessidade de preservação do patrimônio histórico e cultural.

No último sábado, teve início, com algum atraso, o debate público para a revisão do Plano Diretor Estratégico, o que, a princípio, estava previsto para ocorrer em 2012. De acordo com Nabil Bonduki, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, vereador de São Paulo e relator da Lei do Plano Diretor Estratégico, a cultura, desde 2002, passou a fazer parte, com bastante ênfase, da discussão sobre o uso do espaço urbano. “Por conta disso, eu diria que a expectativa, agora, é que esse assunto ganhe ainda mais importância. Há uma mobilização grande do segmento cultural na discussão do plano diretor e existe também um interesse da própria Secretaria de Cultura nesse sentido”, afirmou o urbanista.

A prefeitura de São Paulo divulgou, em 15 de abril, agenda de encontros para a revisão participativa do Plano Diretor Estratégico, eventos abertos ao público, que pode apresentar propostas e contribuições. Em uma segunda etapa, serão realizadas oficinas públicas nas 31 subprefeituras para ouvir propostas dos moradores locais e será aberto, também, um canal digital para a participação. Audiências públicas, em uma terceira fase do processo, debaterão as propostas apresentadas e será discutida a minuta do projeto de lei. O projeto será, então, encaminhado à Câmara dos Vereadores, que iniciará processo de consulta pública.

Cultura nos espaços públicos

A utilização do espaço público para a cultura é uma discussão que permeará todo o processo. A questão, para Bonduki, é de grande importância e deve ser uma das diretrizes do Plano Diretor. “As atividades culturais têm, certamente, um papel importante no repovoamento do espaço público. Se predominar a perspectiva dos grandes condomínios, das áreas que perdem sua capacidade de serem espaços vivos, teremos a desertificação do espaço, o que é muito ruim e tem impactos importantes, por exemplo, sobre a questão da segurança. Ruas desertas são inseguras, acabam sendo espaços violentos – não só da violência criminal como também da violência dos automóveis em alta velocidade, da falta de comunicação entre as pessoas. A valorização do espaço público é muito importante e a cultura pode ter um papel fundamental nisso”, expôs o especialista.

A valorização dos espaços culturais com saída para a rua, em oposição aos espaços localizados em áreas privadas, como shopping centers fechados, cujo acesso se dá por automóveis particulares, é, na opinião do urbanista, algo urgente. “Hoje, praticamente todos os cinemas de rua fecharam. Os teatros, principalmente na região do Centro expandido, têm dificuldade para manterem-se. Vimos, por exemplo, vários teatros serem fechados na Praça Roosevelt. Na Rua Augusta, muitas casas noturnas e lugares de atividades culturais também estão sendo fechados e sofrendo o processo da especulação imobiliária. Esse é um assunto importante: criar um mecanismo de proteção dos espaços culturais de rua para que eles possam dinamizar o próprio espaço público, a calçada. Se você tem apenas estacionamentos no térreo dos edifícios, apenas paredões e muros, você mata a rua e assim mata, também, a cidade”, disse Bonduki.

Assim como a cultura oxigena os espaços públicos urbanos, de tais espaços dependem a memória e a identidade da cidade. Um instrumento de que já se dispõe são as Zonas Especiais de Proteção Cultural – ZEPEC, áreas destinadas à preservação, recuperação e manutenção do patrimônio histórico e artístico. Outra modalidade que, na opinião de Bonduki, deveria ser incluída, é a proteção de espaços que, se não são particularmente interessantes do ponto de vista arquitetônico, o são a partir da perspectiva da manutenção de determinados usos e práticas culturais. “São locais com os quais a população se identifica. Pode ser um cinema, um teatro ou mesmo um restaurante ou um bar que, se não é interessante arquitetonicamente, transformou-se em ambiente de interesse do ponto de vista da memória da cidade. Claro que não é fácil encontrar instrumentos para garantir essa preservação, mas nós não podemos desconsiderar essa dimensão”, explicou.

Retirado do Blog Acesso em 02/05/13 do endereço:

http://www.blogacesso.com.br/?p=6120

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quarta-feira, 17 de abril de 2013

Posse do Conselho Municipal do Patrimônio Cultural de Teófilo Otoni – COMPACTO

No dia 15 de abril, o Prefeito Getúlio Neiva deu posse, aos membros do Conselho Municipal do Patrimônio Cultural de Teófilo Otoni – COMPACTO.  Criado conforme disposto na Lei 2.565/1985, pelo Decreto N° 4.215/2001, é órgão consultivo, deliberativo, normatizador e fiscalizador destinado a orientar a formulação da política municipal de proteção ao patrimônio cultural e as ações de proteção previstas no Sistema Municipal de Proteção e Preservação do Patrimônio Cultural – SIMPACTO.

Segundo o “prefeito Getúlio Neiva o CMC surge numa hora oportuna e vem para apoiar ações que visam restaurar, proteger e divulgar o patrimônio cultural e artístico da cidade”.

É bom lembrarmos que este conselho  foi criado em 1985 e iniciou seu funcionamento no início da década passada, e agora é recomposto, uma vez da mudança da gestão municipal, e nos últimos anos fez um trabalho de inventariamento e tombamento de alguns imóveis em Teófilo Otoni, principalmente de imóveis públicos municipais, sendo um conselho atuante e que garante boa pontuação na avaliação da Secretaria do Estado de Cultura que, com as demais ações da Divisão Municipal de Cultura, chamada de Casa de Cultura de Teófilo Otoni, garante recursos repassados pelo ICMS Cultural.

O Conselho é composto de 14 membros e ficou assim constituído:

I – Membros Titulares

Presidente – Carlos Henrique Barreto Machado;

Vice- Presidente – Márcio Aschtin;

Secretária – Lúcia Dantés de Paula Amorin;

Suplentes: Giovani Cota Fonseca, Munira Molaib e Sérgio Paulo Marinho Medeiros.

II – Membros Suplentes: Irving Otoni Pereira, Marcelo Amorim de Paula, Sílvia do Socorro Antunes Tomich, Igor Sorel Tavares, Fany Moreira, Dalva Newmann Keim e Manoelito Antônio de Jesus Filho.

 

Com informações da Assessoria de Comunicação da Prefeitura Municipal de Teófilo Otoni.

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quarta-feira, 3 de abril de 2013

Após passar seis anos fechado, Museu do Trem será reaberto no Rio de Janeiro

Por Paulo Virgilio - Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro - Fechado desde 2007, o Museu do Trem, no bairro do Engenho de Dentro, na zona norte da capital fluminense, será reaberto ao público amanhã (2). Guardião das maiores referências da memória ferroviária brasileira, o museu teve seu prédio e seu acervo tombados em 2011 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

A área onde está situado o Museu do Trem abrigou por décadas as oficinas da Rede Ferroviária Federal (RFFSA), que chegaram a ser as maiores da América Latina e influíram até na formação do bairro do Engenho de Dentro. A maior parte do terreno, no entanto, é hoje ocupada pelo Estádio Olímpico João Havelange, o Engenhão, construído para os Jogos Pan-Americanos de 2007.

O museu e sua coleção pertenciam à RFFSA, mas com a extinção da estatal, há seis anos, o acervo foi absorvido pelo Iphan. Segundo o órgão, os mais de mil itens passaram, ao longo desse período, por um criterioso inventário.

O historiador Bartolomeu d'El-Rei Pinto, que desde julho do ano passado responsável pelo museu, disse que a reabertura dele vinha sendo reivindicada há tempos por associações de antigos funcionários da RFFSA e por vários interesssados na memória do transporte ferroviário. “É o único museu dedicado ao trem no estado do Rio de Janeiro, e o único espaço cultural do bairro. As pessoas passavam por aqui e batiam na porta para ver o museu, mesmo sabendo que ele estava fechado”, declarou.

O grande destaque da coleção é a locomotiva Baroneza, fabricada na Inglaterra, movida a vapor e a primeira a trafegar na Estrada de Ferro de Petrópolis, ferrovia pioneira do país, implantada pelo Barão de Mauá. Outros itens importantes são um vagão usado pelo ex-presidente Getúlio Vargas e outro usado pelo o rei Alberto, da Bélgica, quando esteve em visita oficial ao Brasil, em 1922. Utensílios, mobiliário dos trens e equipamentos ferroviários também estão expostos no museu.

De acordo com o historiador, para reabrir o espaço foi preciso apenas uma revisão na parte elétrica e no sistema de iluminação. “O acervo vinha sendo mantido limpo e arrumado”, disse. No entanto, por falta de funcionários, o museu não poderá abrir, pelo menos por enquanto, nos fins de semana.

A visitação pública será de segunda a sexta-feira, das 10h às 15h, com entrada franca. As escolas poderão agendar visitas guiadas pelo telefone (21) 2233-7483, também disponível para informações em geral. O Museu do Trem fica na Rua Arquias Cordeiro, 1.046, no Engenho de Dentro, zona norte do Rio.

Edição: Aécio Amado

Retirado da Agência Brasil em 03/04/13 do endereço:

http://agenciabrasil.ebc.com.br/agenciabrasil/noticia/2013-04-01/apos-passar-seis-anos-fechado-museu-do-trem-sera-reaberto-no-rio-de-janeiro 

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quarta-feira, 20 de março de 2013

Patrimônio Cultural Afrodescendente

Retirado com site do MinC em 20/03/13 do endereço:

http://www.cultura.gov.br/site/2013/03/19/patrimonio-cultural-afrodescendente/

Novo edital do IPHAN apoiará projetos voltados à cultura afrodescendente

Savaguarda do patrimonio relacionada a musica, canto e danca de comunidades afrodescendentes - Crédito: Nubia SelenO Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan/MinC) está lançando edital para seleção de projetos voltados ao apoio de manifestações e práticas culturais da população afrodescendente. A seleção é destinada a empresas públicas ou privadas sem fins lucrativos, desde que não estejam vinculadas à estrutura funcional do MinC.

O edital restringe-se a projetos que solicitem apoio nos limites de R$ 250 mil a R$ 300 mil, excluído o valor da contrapartida. O prazo para o envio dos projetos ao Departamento de Patrimônio Imaterial do Iphan vai até dia 26 de maio. A atual seleção faz parte do projeto da Unesco “Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial Relacionado à Música, Canto e Dança de Comunidades Afrodescendentes na América Latina”, proposto pelo Centro Regional para a Salvaguarda do Patrimônio Imaterial da América Latina (Crespial). Os projetos devem ter prazo de execução de dois anos e apresentarem experiências pilotos de salvaguardas do patrimônio cultural imaterial afrodescendente em suas abrangências nacionais.

O tema desta seleção é ‘Música, Canto e Dança de Comunidades Afrodescendentes’. Os projetos poderão trabalhar as três formas de expressões culturais conjuntamente ou deter-se em apenas uma delas. O importante é que contemplem ações que envolvam algum destes elementos da cultura afrodescendente no Brasil.

Os projetos apresentados precisam ter um coordenador técnico que tenha formação mínima de mestre em Ciências Sociais (Sociologia, História, Antropologia) e contar com um Termo de Consentimento Prévio das comunidades envolvidas na realização do trabalho.

Veja aqui o edital

Mais informações e documentação anexa

(Fonte: Iphan/MinC)

(Texto: Ascom/MinC)

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segunda-feira, 3 de setembro de 2012

6ª Primavera dos Museus

Retirado do site do MinC em 03/09/12 do endereço:

http://www.cultura.gov.br/site/2012/08/31/6%C2%AA-primavera-dos-museus-2/

Ibram/MinC divulga guia de programação de eventos que movimenta instituições de todo o País

O público já pode ter acesso aos mais de 2.400 eventos que serão realizados em cerca de 800 museus espalhados por 364 municípios brasileiros. O Instituto Brasileiro de Museus (Ibram/MinC) divulgou o guia da programação da 6ª Primavera dos Museus que acontece entre os dias 24 e 30 de setembro e terá como tema A Função Social dos Museus.

Entre os destaques da programação, o Museu Imperial, em Petrópolis (RJ), com a Contação de Histórias voltado para deficientes auditivos e visuais no dia 25, das 14h30 às 16h30. O Sarau de premiação Mulheres Guerreiras 2012, no Museu da Favela, no Rio de Janeiro, em 28 de setembro, também é uma das atrações da programação. Além da visita temática ao acervo que revela as origens de algumas palavras, no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, no dia 28 de setembro.

Para ter acesso a todo o guia, clique aqui.

Além de atingir todos os estados brasileiros e mais o Distrito Federal, a edição desse ano conta pela primeira vez com uma participação estrangeira: o Museo Etnolóxico, de Ribadavia, na região da Galícia (Espanha) que promove ação educativa entre os dias 25 a 28 de setembro, das 10h às 20h.

Outra novidade da sexta edição é a parceria do Ibram com o Metrô do Rio de Janeiro. A partir do dia 1º de setembro quem for a um museu carioca com o cartão MetrôRio válido e carregado, terá 50% de desconto na entrada com mais um acompanhante. A partir do dia 23 de setembro, portanto, na semana do evento, a entrada será gratuita para o portador do cartão e mais um acompanhante. Além disso, o MetrôRio também vai indicar a visitação de 13 museus gratuitos próximos a estações.

Primavera dos Museus

Coordenada pelo Ibram, a Primavera dos Museus tem por objetivo chamar a atenção de museus e sociedade para o debate em torno de assuntos atuais por meio de atividades, como exposições, seminários, oficinas e palestras, etc.

O tema deste ano homenageia os 40 anos da Declaração da Mesa Redonda de Santiago do Chile, realizada em 1972. A partir da assinatura da declaração, os museus passaram a ser entendidos como instituições a serviço da sociedade com importante papel na formação da consciência das comunidades.

(Texto: Marcos Agostinho, Ascom/MinC)
(Fonte: Site do Ibram/MinC)

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sexta-feira, 8 de junho de 2012

Tapetes de Corpus Christi em Teófilo Otoni

clip_image003Na festa católica de Corpus Christi em Teófilo Otoni se manteve talvez uma das únicas tradições da religiosidade popular, a confecção dos tapetes com serragem, sementes, sal e areia e outros materiais.

Estes tapetes cobrem ruas para a procissão, e dezenas de fiéis passam a madrugada do dia 07 trabalhando na preparação dos desenhos no qual representam o imaginário religioso.

O resultado é um lindo e colorido caminho para que os fiéis logo pela manhã venerem a Eucaristia.

Confiram algumas fotos*:

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*(Fotos: Carlos Alberto Lares/Site da Rádio Teófilo Otoni)

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segunda-feira, 7 de maio de 2012

Cine Palácio, Ministério Público e Patrimônio

Na semana passada os principais meios de comunicação locais, regionais e nacionais noticiaram com estardalhaço a situação do antigo Cine Palácio: a fachada interditada e descaracterizada.

Depois de mais de um ano o Ministério Público-MP se apercebeu que o letreiro em neon tinha sido retirado. E já tínhamos avisado ao Vice-Presidente do Conselho Municipal do Patrimônio Cultural de Teófilo Otoni-CMPCTO logo na semana do ocorrido, que o tal letreiro fora retirado sem alarde e sem nenhuma justificativa.

De todo modo, foi muito bom ver pela televisão a indignação do MP, da Prefeitura Municipal de Teófilo Otoni e o CMPCTO. E agora? A prefeitura vai intervir? Como?

Lembremos que o tombamento da Praça Tiradentes e seu entorno. Ele só existiu por causa da tentativa desesperada, dos gestores da divisão de cultura da PMTO à época, para conseguirem tombar o antigo Palácio. Mas a própria PMTO iniciou uma reforma na referida praça que nunca acabou e causou inúmeros transtornos à população, como por exemplo, os tapumes que cobriram a praça por quase 1 (um) ano. Não terminou nem terminará nesta gestão.

Lembremos também de que há um painel belíssimo que resume nossa cultura e história no interior do antigo cinema que já está em situação deplorável. E quem entrou lá na Feira Internacional de Pedras Preciosas em 2009? Não vamos comentar, pois o interior não é tombado.

Lembremos ainda da árvore que caiu há quase um mês por cima da Poxixá - locomotiva símbolo da Estrada de Ferro Bahia e Minas. A árvore foi retirada, mas as providências ainda estão no nível burocrático. Não nos esqueçamos, há muito mais tempo, ela é uma das latrinas públicas, além de ser patrimônio de nossa cracolândia. Depredada e malfeitamente reformada ao invés de restaurada. Fica lá, como uma lápide violada em jardim público.

Onde está o MP? A Poxixá é muito mais simbólica que o símbolo do domínio da cultura estadunidense, tudo bem que era ela inglêsa, mas significa muito mais à formação de nossa região, nossa cultura, nosso imaginário.

Podemos ainda falar de dezenas de casarões que foram ao chão. Vamos a alguns:

    • O que deu lugar à nova e enorme loja do Magazine Luiza, a descaracterização do que abrigava a antiga sede do Laboratório Pasteur, a derrubada da antiga Magda Cozinhas, outro ao lado que era da família “Marx”, todos na Rua Epaminondas Otoni;
    • O da antiga sede do Partido dos Trabalhadores-PT e o de uma vidraçaria, ambos na Avenida Visconde do Rio Branco;
    • Outro no início da Rua Doutor João Antônio;
    • O dos Ribeiro e outros na Rua Doutor Manoel Esteves;
    • Ah, e o Hotel Central? A descaracterização da Villa Geysa, e outros mais na via principal, a Avenida Getúlio Vargas.

Neste pequeno e rápido apanhado já contabilizamos pelo menos 10.

Bem, chutar cachorro morto é fácil. O Palácio está fechado, a empresa ainda persiste, mas alguém já foi perguntar ao seu gerente se precisa de apoio para a conservação de todo o seu patrimônio particular? Pois bem, existem ainda por algum tempo, Películas, Roteiros e Fotografias de um dos pioneiros da cinematografia na nossa região, o Sr. Mauro. Vão fazer o quê?

Por que não há uma união de esforços para a desapropriação de espaços destinados à cultura que não são plenamente utilizados? Como o Teatro Vitória, por exemplo? A utilidade pública é patente!

Temos de nos desdobrar para conseguirmos trabalhar, os custos são muito altos, aluguel, divulgação, e tudo o mais que envolve a produção e a circulação cultural. Quem são os grandes parceiros?

Temos alguns, é verdade, não sejamos levianos. Mas o poder público e outras instituições que têm em seus estatutos a missão de fomentar a cultura agem muito aquém da necessidade, o que nos obriga a pular, para “não virarmos comida de cobra”. Temos de contar com o setor privado e a boa intenção de alguns empresários e de nosso público, claro.

Entretanto não paramos não. Estamos trabalhando bastante e investindo nosso sangue, nosso suor, nosso pouco dinheiro e algum dos apoiadores para atingirmos nosso objetivo: produzir e circular cultura.

E quando falamos “não paramos”, o fazemos não somente em nome da Mucury Cultural não, mas em nome de todo o setor cultural da cidade e região!

Há muito que ser feito para a preservação do patrimônio material e imaterial, e o principal: uma política clara para o fomento, preservação e circulação cultural. Aguardamos há tempos a votação e aprovação do Sistema Municipal de Cultura, pois sem ele, de que adianta olhar os prédios e fachadas que restam de pé sem a FRUIÇÃO da cultura nestes bens culturais?

A resposta é que não adianta muito, se conseguimos preservar o passado sem perspectiva para a fruição da cultura no nosso futuro no curto, médio e longo prazos.

E a grande responsabilidade é da nossa falta de articulação enquanto gestores, produtores e executores de cultura em nossa cidade. Sem nos articularmos, não há muito o que fazer, só uns textos como este e mais um bocado de protestos no Facebook, e de que nos adiantam? Somente desanuviam nossa raiva efêmera.

Ah, e quanto ao Cine Palácio, clique no link e vejam a tal matéria:

http://intertvonline.globo.com/mg/noticias.php?id=17747

Querem ais imagens históricas da cidade? Cliquem no link:

http://www.mucurycultural.org/p/imagens-mucury-cultural.html#.T6fXsutYuYs

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sexta-feira, 20 de abril de 2012

Na Trilha Guerreira dos Borun: os Mocuriñ

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Há poucos dias tivemos a oportunidade de conhecer a indigenista Geralda Soares. Ela representa o esforço pela valorização e resgate da cultura e história indígenas de toda a porção Leste de Minas Gerais, região que engloba os vales do Rio Doce, Jequitinhonha, Mucuri e São Mateus.

É esta região qual diversas etnias indígenas se refugiaram até o século XIX dos “portugueses”, dos Kraí (os loucos), dos brancos.

Estas etnias foram chamadas de Botocudos, em alusão às tampas de barris de bebida alcóolica.

Tínhamos aí uma questão delicadíssima, a Alteridade. Os brancos, que se pensavam os homens de verdade contra os botocudos, os selvagens, as tampas de barris... Por outro lado tínhamos os Borun, nome que os índios se chamavam, significando “homens verdadeiros” em contraposição aos Kraí, os de cabeça doida.

Não poderia haver outra coisa: guerra, massacre, sangue.

A história no Mucuri também é assim, com suas ressalvas, com suas exceções. Sempre poucas.

E no fim das contas temos a história dos vencedores: os brancos, os Kraí.

Os indígenas que não morreram, tentaram a todo custo mimetizarem-se. Muitos conseguiram, muitos desapareceram.

O trabalho da nossa amiga Geralda Soares é não somente o de contar a história dos que “perderam” a guerra, as também de buscar aqueles que abandonaram o ser índio para sua própria sobrevivência. Este é o caso dos Mocuriñ.

Passaram décadas como não índios, mas no início do século XXI, retomaram sua condição e história indígenas e estão, com muito trabalho, revisitando sua ancestralidade, buscando e interpretando sua existência, pesquisando e retomando suas tradições.

No dia 15 de abril, fomos com ela para conhece-los. Estávamos ansiosos. A expedição até a comunidade indígena dos Mocuriñ contou com a presença de Ademar Lemos, Leonardo Cambuí, Bruno Bento e claro, Geralda Soares.

Não saímos tão cedo quanto imaginávamos, mas chegamos a tempo do almoço que Dona Castorina tinha-nos preparado: frango caipira, arroz, feijão e macarrão. Estava delicioso.

Aos poucos foram chegando, uns sozinhos, outros em grupos, em núcleos familiares, e cada um com seu cachorro e um papagaio. Logo tínhamos mais de 10 pessoas discutindo sua história, as notícias dos familiares, daqueles que não puderam reunir-se, dos que ainda moram em outros lugares e de suas inquietações como comunidade e como indígenas. Assistimos ao vídeo de um casamento recente Maxakali. Foi discutida a participação em eventos nos quais a condição indígena é o principal tema, e as mulheres presentes solicitando mais participação.

Das mais de dez pessoas que dissemos, haviam 4 gerações, avós, filhos, netos e bisnetos. Os últimos já nasceram índios, Mocuriñ!

Um assunto nos chamou bastante atenção, a construção do Kieme, a casa coletiva onde as reuniões, encontros, discussões e festas ocorrem, é o ponto nevrálgico da aldeia, da comunidade. Esperamos estar lá para vermos e registrarmos este momento importantíssimo na retomada de no reapoderamento do ser índio dos Mocuriñ.

As fotografias retratam este nosso encontro e os momentos das discussões, e são nosso presente, aos indígenas deste nosso Mucuri, do Leste, Jequitinhonha e São Mateus, e são nosso presente aos Mocuriñ, à nossa nova mas grande amiga, Gêra, e a todos os Dias do Índio, todos os dias!

Para um pouco sobre a história dos Mocuriñ, trazemos um trecho extraído do livro Na Trilha Guerreira dos Borun, de Geralda Soares[1]:

O Povo Mocuriñ é formado pelos descendentes do Capitão Pohok, condutor de longa migração de vários povos, saindo da proximidade dos colonos europeus no Vale do Mucuri e se estabelecendo no vale do Itambacuri.

Pohok torna-se aliado dos Frades Capuchinhos na fundação do Aldeamento de Itambacuri em 1873. E avô de Domingos Ramos Pohok ou Pacó, primeiro professor indígena bilíngue de Minas Gerais.

Os Mocuriñ vivem hoje na Comunidade dos Xavier, no Município de Campanário, no Vale do Mucuri.

Domingos Ramos Pacó, sua filha Noemia Xavier e o indígena Chico Bugre são os antepassados mais próximos dos atuais Mocuriñ.

Ao todo são aproximadamente 100 pessoas que vivem na área rural e urbana desta região. Algumas famílias migraram para São Paulo e Belo Horizonte.

Domingos Ramos Pacó escreve a História de Itambacuri que é arquivada no APM (Arquivo Público Mineiro) em Belo Horizonte por Frei Olavo Timmers, OFM.

Em 1986 este documento e publicado pelo economista Eduardo Ribeiro no livro "Lembranças da Terra do Jequitinhonha e Mucuri", e em 2006 uma equipe de pesquisadores do CEDEFES e do Conselho dos Povos Indígenas de Minas Gerais e do GTME faz os primeiros contatos com a comunidade dos Xavier, iniciando aí seus contatos com entidades ligadas a Causa Indígena, com os demais indígenas e com a FUNAI.

Passam então a participar das atividades organizadas pelos indígenas e apoiadores.

Em 2006 são oficialmente apresentados na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. O povo Mocuriñ luta pelo seu reconhecimento pelos órgãos oficiais, pelo direito a um atendimento diferenciado na educação e saúde e pela ampliação da área de 19 alqueires em que vivem.

O reconhecimento do Povo Mocuriñ como mais um povo indígena de Minas e o resgate de uma divida histórica do Vale do Mucuri, de Itambacuri e da Sociedade para com aqueles que sobreviveram ao longo processo de exclusão e discriminação dos indígenas nesta região.

[1] SOARES, Geralda Chaves. NA TRILHA GUERREIRA DOS BORUN. Belo Horizonte: Núcleo de Publicação do Centro Universitário Metodista Izabela Hendrix., 2010. P. 209-211.

Confira as fotos:

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segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Pará restaura obra de Antonio Giuseppe Landi

Retirado do Luis Nassif Online em 09/01/2012 do endereço:

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/para-restaura-obra-de-antonio-giuseppe-landi

Do Cumunità Italiana

Amazônia à bolonhesa

Por Cintia Salomão Castro  

ImageReinauguração da Casa Rosada homenageia a obra do arquiteto de Bolonha que mudou para sempre a paisagem da capital do Grão-Pará e foi o primeiro a romper com o barroco em solo brasileiro

Quando veio para o Brasil contratado a mando do rei de Portugal, que acabara de assinar o Tratado de Madrid com a Espanha e queria estabelecer os limites de fronteira no território do império, provavelmente, o bolonhês Antonio Giuseppe Landi não imaginava o quão mudaria a paisagem da capital do Pará. O arquiteto da Academia Clementina, uma das mais prestigiadas escolas de arte do século XVIII, era aluno do famoso mestre Fernando de Bibiena (1659–1739). Sua obra reunia elementos que o aproximavam de um estilo que começava a ser esboçado e surgiria com força nas décadas seguintes nas cidades europeias — o neoclassicismo. Por isso, Landi é o autor das primeiras manifestações de rompimento, no Brasil, com o então onipresente estilo barroco.

p>Para homenagear o artista italiano e sua obra, acaba de ser inaugurada a Sala Bolonha, situada na Casa Rosada, uma construção do século XVIII cuja decoração erudita é atribuída a Landi. A restauração conta com pinturas e decoração do professor Pietro Lenzini, da Academia de Belas Artes de Bolonha, auxiliado por Giorgio Drioli.

A abertura do espaço fez parte do Momento Itália-Brasil e contou com a presença do embaixador Gherardo La Francesca, no dia 8 de dezembro. O arquiteto Pietro Lenzinni chama atenção para o fato de Landi, aluno de Bibiena, ter aprendido a padronizar muito bem a pintura ligada ao teatro, criando um espaço virtual por meio da dilatação do espaço real, o que é tipicamente bolonhês. “Na decoração na Casa Rosada procuramos misturar itens prospectivos com elementos vegetais da floresta amazônica. O espaço será decorado completamente, do teto às paredes, para criar essa virtualidade total e um espaço muito sugestivo”, explicou Lenzini em um vídeo publicado no YouTube, gravado durante a execução dos trabalhos no local, em setembro.

Erudição fez a diferença

O autor do projeto de decoração da Sala Bolonha e pró-reitor de Relações Internacionais da Universidade Federal do Pará, Flávio Sidrim Nassar, explica que a grande diferença entre Landi e os artistas do mesmo período que atuavam nas cidades brasileiras era sua formação erudita. — Landi fez uma arte única na história do Brasil, por conta de sua formação erudita, ao contrário daqueles que trabalhavam naquela época, como Aleijadinho. Em Belém, Landi projeta o quartel, o Hospital (Real), o Palácio dos Governadores, a Catedral, as casas senhoriais, as igrejas de conventos, os engenhos. Ele era o “Niemeyer” da nova capital do estado do Grão-Pará — explica, ao lembrar que o italiano chegou ao Brasil logo após a capital da região ter sido transferida da cidade de São Luís para Belém, em 1753.

Ecos de Bolonha em LisboaAntes de chegar ao Norte brasileiro, o bolonhês passou dois anos em Lisboa, onde já havia italianos em atividade, como Filippo Terzi, construtor da igreja de São Vicente de Fora, e até mesmo o filho do mestre de Landi, Francesco Bibiena. Giovanni Carlo Galli Bibiena projetou a Ópera do Tejo, mas o faustoso teatro da corte foi destruído sete meses após a inauguração durante o devastador terremoto que atingiu a capital portuguesa em 1755. O chefe da missão que trouxe Landi ao Brasil como cartógrafo e naturalista era Francisco Xavier de Mendonça, irmão do Conde de Oeiras, o futuro Marquês de Pombal, que desenvolveu uma ampla reforma nos domínios lusitanos. 

Os portugueses pediram ao italiano que voltasse à Europa, mas o italiano, sempre adiando o retorno, acaba ficando no Brasil, onde casa-se por três vezes, tem duas filhas e falece em 1791.Por conta dessa ponte entre a coroa portuguesa, Bolonha e Belém, podemos identificar os mesmos traços artísticos da Academia Clementina em Lisboa e em monumentos da capital do Pará, como a igreja de São João Batista.— A primeira Academia de arte papal é a de São Lucas, em Roma, na qual vem a nascer o Barroco, com todos os seus “excessos”.

A Clementina parte em busca de um estilo próprio, começa a “limpar” aqueles excessos e adota um perfil neoclassizante, o estilo precursor do neoclassicismo — explica o arquiteto Nassar, coordenador do Fórum Landi, criado durante o Seminário Internacional Landi e o século XVIII na Amazônia, que reuniu especialistas brasileiros e estrangeiros em Belém, em 2003. O grupo é formado por pesquisadores, professores e alunos interessados na História da Amazônia no século XVIII, e conta com a parceria da Universidade de Florença e Bolonha, além da Fundação Ricardo Espírito Santo em Lisboa. A realização de estudos que visam a recuperação, revitalização e conservação integrada do legado arquitetônico e artístico de Landi está entre os objetivos do Fórum. 

O acadêmico Landi traçou inovação nos mais de 10 monumentos de sua autoria em Belém, a exemplo da Catedral Metropolitana, da Capela de São João Batista, da Igreja de Santana (sua última obra) e da igreja de Nossa Senhora do Carmo.  O que fazia era completamente novo em comparação ao barroco que predominava no Brasil. Apesar disso, seu trabalho não chegou a influenciar a arquitetura nas outras regiões brasileiras por conta do isolamento que sofriam na época da colônia, explica o Flavio Nassar.— Essa manifestação ficou restrita ao Pará. Naquela época, não havia um sistema de comunicação entre as cidades. A Amazônia sequer fazia parte do Brasil, mas estava inserida no estado do Grão-Pará, com uma administração independente do estado do Brasil, cuja capital era Salvador e, posteriormente, Rio de Janeiro. Belém era uma ilha. Somente no interior do estado se faz notar sua influência.

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sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Patrimônio Imaterial

Retirado do site do MINC em 25/11/2011 do endereço:

http://www.cultura.gov.br/site/2011/11/23/patrimonio-imaterial-8/

Ritual indígena dos Enaewne Nawe de Mato Grosso foi reconhecido no dia 23 pela Unesco

O Comitê Intergovernamental para Salvaguarda do Patrimônio Imaterial, reunido em Bali, na Indonésia, aprovou nesta quarta-feira, 23 de novembro, a indicação de inclusão do Ritual Yaokwa, do Povo Indígena Enawene Nawe, do noroeste do Mato Grosso, na Lista de Patrimônio Cultural Imaterial em Necessidade de Salvaguarda Urgente. O pedido para que a manifestação cultural, já protegida no Brasil desde novembro de 2010, passasse a ter também a atenção da Unesco partiu do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Iphan. A indicação contou com a anuência da comunidade Enawene Nawe e com o apoio da OPAN – Operação Amazônia Nativa e do projeto Vídeo nas Aldeias.

A ministra da Cultura, Ana de Hollanda, comemorou a votação positiva e ressaltou que a inclusão de mais um bem brasileiro na lista da Unesco “reforça a política do Ministério da Cultura, por meio do Iphan, de permanente renovação da gestão do patrimônio, ampliando a proteção sobre a diversidade cultural, perpetuando bens e costumes de todos os cantos do país”. Para o presidente do Iphan, Luiz Fernando de Almeida, essa é mais uma conquista que “valoriza a diversidade do patrimônio cultural brasileiro, mas, acima de tudo, garante a proteção de um ritual sagrado que expressa e dramatiza todo o percurso histórico feito pelos Enawene Nawe”. Ele explica ainda que o Ritual Yaokwa é uma “manifestação da memória coletiva e histórica, e a expressão de uma estética da existência, que se produz a partir do uso e manejo dos recursos presentes em seu território de ocupação histórica”.

Esta sessão do Comitê Intergovernamental para Salvaguarda do Patrimônio Imaterial ainda avaliará as candidaturas brasileiras à Lista de Boas Práticas de Salvaguarda, como a Série Cultural Popular Viola Corrêa, a Sala do Artista Popular, a Chamada Pública do Edital do Programa Nacional do Patrimônio Imaterial, o Museu Vivo do Fandango e a Documentação da Língua Poruborá: contribuição para a salvaguarda do patrimônio linguístico.

Este ano, também serão avaliadas pela Unesco 84 candidaturas de todo o mundo para a inscrição na Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. Atualmente, a lista possui 213 bens inscritos, de 68 países, dentre eles, os bens brasileiros Expressões Orais e Gráficas dos Wajãpi e o Samba de Roda do Recôncavo Baiano. O iphan, em parceria com as comunidades e instituições envolvidas, enviou três candidaturas à Lista Representativa: o Frevo de Pernambuco, o Círio de Nossa Senhora de Nazaré, de Belém do Pará, e a Cachoeira de Iauaretê – Lugar Sagrado dos povos indígenas dos Rios Uapés e Papuri, no Amazonas, que já fazem parte dos 23 Bens Registrados como Patrimônio Cultural Brasileiro. No entanto, em função do grande volume de candidaturas recebidas pela Unesco, essas só serão avaliadas em 2012.

Ritual Yaokwa do povo Enawene Nawe

O Ritual Yaokwa é a mais longa e importante celebração realizada por esse povo indígena, atualmente uma população em torno de 540 indivíduos que vive em uma única aldeia, na terra Enawene Nawe, uma área de 742 mil hectares, homologada e registrada, localizada numa região de transição entre o cerrado e a floresta Amazônica, no estado do Mato Grosso. Com duração de sete meses, este ritual define o início do calendário ecológico-ritual Enawene que abrange as estações seca e chuvosa de um ciclo anual marcado pela realização de mais três rituais: Lerohi, Salomã e Kateokõ. Parte fundamental do Yaokwa ocorre quando os homens saem para a pesca de barragem, construídas com sofisticadas armações que se configuram em elaboradas obras de engenharia, dispostas de uma margem à outra do rio. Este é o ponto alto do ritual que começa em janeiro, com a coleta das matérias-primas para a construção das barragens e com a colheita da mandioca. Desde o primeiro contato com a “civilização branca”, em 28 de julho de 1974, os Enawene Nawe têm se tornado cada vez mais desconfiados diante das ameaças que os cercam, como madeireiros e garimpeiros, mas principalmente os impactos ambientais causados pela construção de pequenas centrais hidroelétricas que, embora se localizem fora da terra indígena, vêm sendo construídas em locais próximos às cabeceiras dos rios, que são utilizados durante o ritual.

O Patrimônio Cultural Brasileiro

A Constituição Federal de 1988, nos artigos 215 e 216, estabeleceu que o patrimônio cultural brasileiro é composto de bens de natureza material e imaterial, incluídos aí os modos de criar, fazer e viver dos grupos formadores da sociedade brasileira. Os bens culturais de natureza imaterial dizem respeito às práticas e domínios da vida social que se manifestam em saberes, ofícios e modos de fazer; celebrações; formas de expressão cênicas, plásticas, musicais ou lúdicas e nos lugares, tais como mercados, feiras e santuários, que abrigam práticas culturais coletivas. O Iphan é responsável pela proteção desses bens. Atualmente, o Brasil possui 23 bens registrados como Patrimônio Cultural Brasileiro:

Confira aqui a Lista de bens brasileiros registrados.

(Texto: Adélia Soares, Ascom/Iphan/MinC)
(Foto: Divulgação/Iphan)

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quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Encontro de Educação e Patrimônio Cultural: estratégias para o desenvolvimento de cidades

Retirado do Sentidos Urbanos em 19/10/2011 do endereço:

http://programasentidosurbanos.blogspot.com/2011/10/encontro-de-educacao-e-patrimonio.html

As possíveis relações entre Educação e Patrimônio Cultural têm apresentado resultados possíveis de serem identificados em importantes experiências por todo o Brasil. Com campo de atuação cada vez mais abrangente e potente, a intersecção de tais áreas tem se transformado em instrumento que possibilita o desenvolvimento de cidades em seus variados segmentos.

É com essa idéia que nos dias 3 e 4 de novembro, o Departamento de Educação Patrimonial da Secretaria do Patrimônio Histórico da UFRGS promoverá o Encontro de Educação e Patrimônio Histórico: estratégias para o desenvolvimento de cidades na Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação.

Com objetivo de contribuir para ampliar o debate entre representantes de órgãos públicos, pesquisadores, profissionais e estudantes acerca da valorização do patrimônio cultural como eixo de transformação e desenvolvimento das cidades, o evento será composto por conferências e debates entorno das políticas públicas, ações das comunidades e pesquisas acadêmicas na área. As inscrições estão abertas e o evento conta com o apoio dos Institutos do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e do Grupo de Estudos em Memória, Museus e Patrimônio – GEMMUS, da UFRGS. Para inscrições e mais informações entrar em contato pelo email educacaopatrimonial@sph.ufrgs.br ou pelo telefone 51-33084217.

Confira a programação.

Departamento de Educação Patrimonial

Secretaria do Patrimônio Histórico e Cultural da UFRGS

http://www.predioshistoricos.ufrgs.br/

Fone 51 33083018/33084216 – Fax 51 33163400

Antigo Prédio da Química – Rua Eng°. Luiz Englert, s/n°, sala 22

Onde: Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da UFRGS (Rua Ramiro Barcelos, 2705) – Porto alegre – RS

Quando: 3 e 4 de novembro

Horário: das 9h às 18h

Inscrições: até dia 1º de novembro

Informações: educacaopatrimonial@sph.ufrgs.br ou 51-33084317 –www.predioshistoricos.ufrgs.br

Noticia original em:

http://www.defender.org.br/porto-alegrers-encontro-de-educacao-e-patrimonio-cultural-estrategias-para-o-desenvolvimento/

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segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Sinhozinho - Em Busca do Profeta

Retirado do Overmundo em 17/10/2011 do endereço:

http://www.overmundo.com.br/overblog/sinhozinho-em-busca-do-profeta

Alexandre Barroso

Profeta mudo sinhozinho gerou inúmeras lendas no município de Bonito/MS

Revista Poranduba · Campo Grande, MS

Assista nossa videorreportagem aqui.


Em meados da década de 40, a cidade de Bonito/MS era o teatro de dois fantásticos personagens que se arraigaram na cultura local. De um lado, o banditismo do bando de Silvino Jacques marcava uma época de terra sem lei; quase um western pantaneiro. Ao mesmo tempo, o profeta mudo Sinhozinho reunia devotos e pregava a palavra, realizando milagres e gerando lendas e histórias que permanecem até hoje no imaginário da cidade.

E foi numa busca por essas histórias que a repórter Laryssa Caetano garimpou seus depoimentos. Difícil mesmo foi separar real do fantástico, quando mito e memória se tornam uma coisa só. Sabemos que o Sinhozinho existiu, e que deixou presenças físicas na cidade. As cruzes espalhadas por Bonito, a Capela - até hoje zelada com carinho - e a memória daqueles que em sua juventude rezaram de joelhos em frente a figura religiosa deixam isso claro. No entanto, ele também deixou marcas imateriais na vida do povo daquele local, que repassa até hoje as histórias de “ouvi dizer”.

Dizem, por exemplo, que o profeta era a reencarnação de São João Batista. A vida regrada, os carneirinhos que o acompanhavam e a alimentação minimalista - água, peixe e mel (e a mandioca, para dar um tom brasileiro) - realmente lembram o personagem bíblico. Diferente do santo, porém, o Sinhozinho não batizava ninguém. Era mudo, e só se comunicava por senhas (gestos). Mais do que isso, deixava a mostra apenas um braço; o outro vivia escondido. O povo conta que era todo atrofiado. Ainda assim, arrebanhava multidões para as pregações silenciosas, curando doentes e incentivando os fiéis a plantar e colher. Um diálogo direto com o movimento messiânico, com representantes como Padre Cícero, Beato João Maria ou Antônio Conselheiro.

Tal como os nomes citados acima, o Sinhozinho também teria chamado a atenção - negativa - do Estado, que teve que tomar suas providências. Dizem que a perseguição ao profeta foi incentivada por farmacêuticos, que viam seu negócio às moscas graças aos milagres realizados. Outros afirmam que a ação da prefeitura era inevitável, já que as pessoas estavam fora de sua razão e já nem trabalhavam mais, apenas rezavam dia e noite. Seja qual for a versão correta, certamente uma força capaz de reunir tantos seguidores fiéis ao seu redor não era nada interessante para governante algum.

Antes de morrer - ou desaparecer, como pregam alguns - o Sinhozinho realizou a sua maior façanha. O profeta teria prendido, numa gruta da cidade, uma gigantesca serpente. Para selar o monstro, plantou na frente do local uma santa cruz, e espalhou diversas outras pelas casas da cidade. A cobra um dia irá se soltar, mas o povo conta que onde a cruz do Sinhozinho estiver presente, a besta não poderá infligir nenhum mal.

Hoje, quase 70 anos depois, a maioria das cruzes já desapareceu. Foram se perdendo com o tempo, ou depredadas por novos moradores que iam chegando. A própria santa cruz em frente ao morro da cobra foi uma das mais avariadas. Mesmo com a partida do Sinhozinho, a fama de milagreiro permanece na cidade, e muita gente buscava uma lasca da cruz para preparar um chá ou remédio para curar as dores do corpo, até o ponto do objeto quase não se manter mais em pé. Se quando isso finalmente acontecer a serpente realmente irá sair para aniquilar a cidade não há como saber. O fato é que quando cair a última cruz do Sinhozinho, terá morrido para sempre um pedaço da história do município de Bonito.

Publicado na Revista Poranduba

Texto e edição: Andriolli Costa

Captação: Laryssa Caetano

Arte: Alexandre Barroso

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terça-feira, 27 de setembro de 2011

5° SEMINÁRIO PATRIMÔNIO CULTURAL: CONSERVAÇÃO E RESTAURAÇÃO NO SÉCULO XXI

Retirado em 27/09/2011 do Sentidos Urbanos no edereço:

http://programasentidosurbanos.blogspot.com/2011/09/5-seminario-patrimonio-cultural.html

De 26 a 30 de setembro a cidade de Ouro Preto sedia o 5° Seminário Patrimônio Cultural: conservação e restauração no século XXI – Edição comemorativa 300 anos das Vilas de Minas. Promovido pela Fundação de Arte de Ouro Preto | FAOP, entidade vinculada à Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais, o Seminário se firma, em seu quinto ano consecutivo, como um dos mais importantes fóruns de discussões sobre a preservação e a restauração de bens culturais no país.

O Seminário tem como foco este ano os Suportes de Papel e Pintura Decorativa e de Cavalete e está estruturado em três aspectos teórico-conceituais: o PENSAR: Preservação de Bens Culturais - Referenciais Teóricos; o ENSINAR: Formação de Profissionais – Papel e Pintura de Cavalete; o FAZER:Experiências - Ações de Conservação e Restauração.

Em cinco dias de evento a programação traz Palestras, Mesas redondas, Mini-curso e Estudos de caso com reflexões sobreas teorias e critérios da conservação e restauração, práticas, experimentos e vivências que permeiam o tema, além de discussões sobre a formação e o campo de trabalho do profissional.

Realizado desde 2007, o Seminário irá comemorar os 300 anos das Vilas de Minas e homenageará a cidade de Ouro Preto e a sua história, reunindo os mais renomados pesquisadores, além de estudantes, professores e profissionais de vários estados do Brasil, promovendo um intercâmbio técnico e intelectual.

Juntamente com a programação do Seminário, a Galeria Nello Nuno | FAOP abrirá a exposição "Veias de Ouro Preto" de Leonardo Lopes. O artista faz um recorte atemporal do cotidiano. A exposição valoriza a ocupação humana – seus hábitos e rotinas no passado e no presente – e tem a arquitetura como cenário estático para ofícios e expressões cotidianas. A entrada é gratuita.

As inscrições para o Seminário podem ser feitas pelo site da Fundação de Arte de Ouro Preto | FAOP – www.faop.mg.gov.br

Fonte: Assessoria FAOP

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sexta-feira, 29 de julho de 2011

Praça Germânica recebe tombamento provisório

Notícia redirada do Jornal Hoje em Dia em 29/07/2011 do endereço:

http://www.hojeemdia.com.br/minas/praca-germanica-recebe-tombamento-provisorio-1.316951#.TjHlbi1E9D8.facebook

O espaço, um dos principais cartões-postais de Teófilo Otoni, foi construído na década de 1920

Daniel Antunes - Do Hoje em Dia - 28/07/2011 - 15:11

A Praça Germânica, um dos principais cartões-postais e tradicional ponto de eventos culturais de Teófilo Otoni, no Vale do Mucuri, como a Cantata de Natal, deverá ser incluída na lista dos bens tombados pelo município. O Conselho Municipal do Patrimônio Público assinou decreto determinando, em caráter provisório, o tombamento do espaço, criado ainda na década de 1920 em homenagem aos primeiros colonos alemães que chegaram à região e ajudaram a erguer o município.

Um dossiê com informações históricas sobre a praça está sendo apurado por uma empresa contratada pela prefeitura. A partir do documento será possível determinar a área que será definitivamente preservada e os projetos e ações de proteção e conservação do espaço.

O estudo deve ser finalizado em até dois meses. “O tombamento provisório tem os mesmos efeitos do definitivo. A única diferença é a etapa dos levantamentos do patrimônio histórico e paisagístico que devem ser feitos”, informa Alexandre Marques, chefe da sessão de Patrimônio Histórico de Teófilo Otoni.

O tombamento vai garantir a preservação das estátuas que representam uma família de alemães que chegou na cidade em 1856, uma homenagem a esses colonos. “A partir de agora, quaisquer intervenções físicas na Praça devem ter autorização prévia do Conselho Municipal do Patrimônio Cultural”, ressalta.

Um decreto assinado no fim de 2010, pela prefeita Maria José Haueisen Freire (PT), tombou o casarão onde funciona a sede da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), parte do complexo paisagístico histórico da Praça Germânica. Os janelões e toda a estrutura e fachada do imponente prédio seguem as linhas de construções da década de 1920.

Conta a história que o então prefeito Adolfo Sá convocou a população para fazer doações que seriam destinadas à construção de uma escola para alunos do antigo ginásio. O Colégio Mineiro, como foi chamado, funcionou até a Segunda Guerra Mundial, quando o prédio serviu de depósito para o Exército Brasileiro. Anos depois, voltou a funcionar como unidade de ensino e recebeu as instalações da Faculdade de Direito de Teófilo Otoni. Na década de 1990, já fechado, foi restaurado pela Cemig.

Outro monumento histórico da cidade tombado no ano passado é o Pantheon Theophilo Benedicto Ottoni, construído na Praça Tiradentes. Lá estão guardadas as cinzas do fundador da cidade, cujo material foram transladados do Rio de Janeiro em 1960, por determinação do presidente Juscelino Kubitschek.

“Quando essas cinzas chegaram à cidade, uma missa foi celebrada na Catedral Imaculada Conceição. A princípio os restos mortais estavam num mausoléu”, contou Alexandre Marques.

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sexta-feira, 27 de maio de 2011

Museu, memória e patrimônio

Publicado originalmente por Almandrade no Cultura e Mercado e retirado em 27/0502011 do endereço:

http://www.culturaemercado.com.br/pontos-de-vista/museu-memoria-e-patrimonio/

Originário do ato de colecionar e preservar, os museus chegaram ao século XXI como instituições indispensáveis à vida e à memória das comunidades, pelo menos em teoria. Inseridos na vida das cidades e amparados por políticas públicas de cultura, muito bem argumentadas no papel, mas sem atrativos para atrair o grande público que prefere o espetáculo dos shoppings ou o paraíso dos templos evangélicos, que oferecem muito mais em troca de um pequeno dízimo: a memória do futuro, a esperança de vida eterna.

Precisamos do bom humor para falar de museu, como no personagem do romance “O Nome da Rosa”. Hoje em dia, no Brasil, em particular na Bahia, falar de museu, e nunca se falou tanto, corre-se o risco de cair no discurso da reserva de mercado. Museus para que e para quem? Fala-se em democratização e facilidade de acesso, mas campanhas publicitárias são dirigidas para a divulgação de atividades reservadas aos profissionais da área em detrimento de programas educativos para formação de público. Como patrimônio público, qualquer cidadão tem direito de entrar no museu e ver o que tem dentro dele. Mas é preciso despertar o desejo de ver, de conhecer, de mergulhar na memória nele depositada.

Precisa-se que alguma coisa seja previamente dada para provocar o olhar, o pensar e produzir conhecimento. Poucos são seduzidos pelo desconhecido, nem se produz conhecimento sem olhar o passado. “Não se inventa idéias sem retificar o passado”, (Bacherlard). Museu e Memória, um tema para se pensar a reafirmação e a transformação da cultura e da arte.  É um direito da comunidade, conhecer e refletir sobre o passado, o presente e o futuro, e decidir sobre a memória que deseja preservar.

Perdemos as referências do absoluto, e estamos às voltas com a pluralidade. A memória como a realidade é construída em função de interesses, paixões e desejos, e o que resulta, não é absoluto ou universal. Cada um vê o que está no museu como lhe convém, da mesma forma que coisas, objetos e linguagens chegaram ao museu por interesses e critérios que não são absolutos nem indiscutíveis. Mas nem por isso deixam de ser um patrimônio à espera do olhar clínico e crítico.

Os museus se modernizaram conceitualmente, ressaltando sua importância para a sociedade e o direito à memória. Os de arte, a partir da década de 1960, foram ideologicamente questionados pelas vanguardas artísticas, como o Minimalismo, a Arte Conceitual e a arte contemporânea, mas sua estrutura não foi abalada, ao contrário; foi reforçada. A autenticidade das experiências artísticas depende da legitimação do museu.

Falar de museu de arte no Brasil é difícil não lembrar Mário Pedrosa. Vejam a atualidade de seu pensamento, no texto “Arte Experimental e Museus”, publicado em 1960: “Diferente do antigo museu, do museu tradicional que guarda, em suas salas as obras primas do passado, o de hoje é, sobretudo, uma casa de experiências. É um para laboratório. É dentro dele que se pode compreender o que se chama de arte experimental, de invenção.” Esse lugar de experiências é também ocupado por um acervo, é um lugar privilegiado do pensamento, da crítica e do lazer criativo para uma apropriação consciente do patrimônio.

Um museu não é uma instituição de eventos culturais, o que nele é exposto não deve ser uma experiência isolada de uma política pública de cultura, sem a responsabilidade de um conselho curador, formado por especialistas da área. O gestor deve ser uma espécie de maestro que rege uma orquestra de intelectuais, críticos e técnicos especializados, para desenvolver enunciados para ser praticados e estabelecer relações mais estreitas com a comunidade.

Dentro de uma cidade existem várias cidades, habitam várias culturas e várias linguagens artísticas, algumas até contraditórias. O museu, em particular o de arte, no seu acervo e na sua programação, deve refletir essa pluralidade, porque ele não é o lugar da exclusão, e sim; do confronto, do diálogo com diferentes manifestações, compatível com a sua função e sua especificidade. Ele guarda uma história, e sem o conhecimento da história, a experiência vira entretenimento.

Almandrade

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quarta-feira, 18 de maio de 2011

Iphan vai participar do Festival de Inverno de Ouro Preto

Publicado originalmente no Sentidos Urbanos e retirado em 18/05/2011 do endereço:

http://programasentidosurbanos.blogspot.com/2011/05/iphan-vai-participar-do-festival-de.html

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Iphan vai participar este ano do Festival de Inverno de Ouro Preto – Fórum das Artes, junto com a Curadoria de Patrimônio Cultural, da Casa do Patrimônio de Ouro Preto, uma parceria com a Universidade Federal de Ouro Preto – UFOP. Avaliando a atuação do Iphan no campo da Educação Patrimonial, com a rede Casas do Patrimônio, a Curadoria selecionou oficinas, instalações e exposições que contemplem essa diversidade de olhares e ofereça ao público a possibilidade de vivenciar e refletir sobre as questões a respeito do patrimônio cultural brasileiro em todos os seus aspectos: materiais, imateriais, naturais e educativos.

Integrando o Festival de Inverno, o II Encontro Nacional de Educação Patrimonial: estratégias para a construção e implementação de uma política nacional, será realizado 17 a 21 de julho. O evento vai reunir técnicos do Iphan, representantes da Rede Casas do Patrimônio e outros agentes comprometidos em alicerçar uma política nacional que oriente programas, projetos e ações no campo da Educação Patrimonial em âmbito nacional.

A Coordenação de Educação Patrimonial do Departamento de Articulação e Fomento – DAF – Iphan vai selecionar um técnico de cada superintendência regional, além de membros e colaboradores das Casas do Patrimônio, para formar o grupo de participantes do encontro. Também serão abertas 150 vagas para o público externo, sendo selecionados 50 pôsteres para exposição durante o evento.

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terça-feira, 3 de maio de 2011

Xica da Silva

Publicado originalmente no site do Ministério da Cultura e retirado em 03/05/2011 do endereço:

http://www.cultura.gov.br/site/2011/05/02/xica-da-silva-4/

Restauração da obra será lançada nesta terça-feira, em São Paulo

“Xica da Silva”, filme de Cacá Diegues que conta a história de uma escrava que tornou-se a primeira dama negra de nossa história, está totalmente restaurado. O lançamento será nesta terça-feira, 3 de maio, na Cinemateca Brasileira, em São Paulo e contará com presença da secretária do Audiovisual do Ministério da Cultura, Ana Paula Santana. O longa, de 1976, fez parte do Programa de Restauro da Cinemateca Brasileira, do MinC.

Segundo a diretora da Cinemateca e coordenadora técnica do Programa, Patrícia de Filippi, devido ao sucesso do filme, muitas cópias foram feitas. “Naquela época, infelizmente não existia o hábito de se fazer materiais intermediários para reproduzir obras sem sacrificar o negativo original. Com a confecção de muitas cópias diretamente a partir do negativo, esse material estava muito riscado, apresentando rasgos e mutilações em alguns trechos”.

O filme foi restaurado inteiramente usando tecnologia digital 2k (que significa 2 mil pixels por linha horizontal de cada fotograma), sem compressão. Ao digitalizar o filme em película em 2k, cada fotograma passa a equivaler a uma imagem de aproximadamente 12 MB. Para se ter uma ideia da quantidade de informação gerada, um filme de 117 minutos de duração, como Xica da Silva, contém mais de 160 mil fotogramas (o que equivale a aproximadamente 2 TB).

Programa de Restauro

O programa promove, graças ao patrocínio da Petrobras e por meio de convocação pública, a restauração de filmes produzidos nas bitolas de 35mm ou 16mm, em preto e branco ou em cores. Nesta segunda edição foram contemplados 12 proponentes, com um total de 15 títulos (oito curtas e sete longas-metragens), tendo o trabalho de restauração começado em seguida à divulgação dos resultados, em junho de 2010. Xica da Silva, projeto convidado pela Cinemateca a participar do Programa, é o primeiro resultado deste trabalho.

Quando todas as restaurações forem concluídas, será lançada uma caixa de DVDs, e o público poderá consulta-los no Centro de Documentação e Pesquisa da Cinemateca Brasileira. Além disso, o filme poderá ser visto em digital ou 35mm, sob demanda, respeitados os direitos autorais e as condições técnicas de projeção, procedimento padrão da Cinemateca Brasileira.

Depoimentos

“Xica da Silva foi um de meus filmes que mais me deu alegria. Primeiro, durante as filmagens, pela química entre equipe e elenco que tornou o trabalho de quase cinco meses, em Diamantina (MG), um prazer inesquecível. Depois, no lançamento do filme, pelo enorme sucesso que ele fez no Brasil e, em seguida, no exterior. Foi o primeiro filme da distribuidora da Embrafilme a obter uma bilheteria consagradora, que garantiu a boa partida da empresa na área da distribuição.

Mas o mais importante é que este foi o filme que marcou a “abertura democrática” no âmbito do cinema brasileiro. Em 1976, ano de seu lançamento, o presidente Geisel já tinha anunciado o projeto de uma abertura democrática “lenta, segura e gradual”, e o país começava a sair da longa noite escura da ditadura militar. Um “Xica da Silva” alegre e otimista, um filme que “dava a volta por cima”, ajudava o cinema brasileiro a liderar esse novo clima cultural no país.

Acho que aquela foi a primeira vez em que um filme brasileiro tinha, encabeçando seu elenco, uma atriz negra – e, até aquele momento, desconhecida. Lembro-me, inclusive, que um importante exibidor da época se negava a exibir o filme em seus cinemas porque, segundo ele, filme com negros não era comercial. O produtor Jarbas Barbosa insistiu com o grande lançamento que sonhara e acabou provando ao exibidor que ele estava errado. Só num cinema lançador, o Roxy – então, uma só sala com cerca de dois mil assentos –, “Xica”  ficou em cartaz por 11 semanas. Para esse sucesso, muito contribuiu a luz brilhante e mágica de Zezé Motta, sem a qual o filme não existiria, assim como seu personagem principal não seria lembrado como até hoje o é.

A restauração desse filme, exatamente 35 anos depois de seu lançamento, é um presente que recebo como uma homenagem a todos que nele trabalharam, sobretudo a Jarbas Barbosa, que não está mais entre nós. Um país que preza sua cultura e seu passado tem que ter uma memória viva do que seus artistas fizeram de mais relevante. A restauração de “Xica da Silva”, realizada pela Cinemateca Brasileira, com a supervisão técnica de Carlos Magalhães, Patricia di Fillippi e do fotógrafo Lauro Escorel, só pode honrar o serviço prestado ao Brasil pelo Ministério da Cultura e pela Petrobras, os patronos dela”.

Cacá Diegues, cineasta, diretor de “Xica da Silva”.

Protagonizar o filme, na época, foi um grande desafio. Eu tinha pouca experiência em cinema, foi o meu terceiro filme. Um pouco antes, atuei em “Vai trabalhar, vagabundo”, de Hugo Carvana, mas não era um papel tão importante como o de protagonista de “Xica da Silva”. O personagem era muito complexo, pois além de ser um tema polêmico para a época – uma negra passar de escrava para rainha –, era uma protagonista negra, fato novo para o momento, e, nessa época, já havia certa preocupação com os papéis destinados aos negros. Em relação ao restauro da obra, é importante que o Ministério da Cultura cuide da preservação do cinema brasileiro, que já é reconhecido no mundo inteiro, e isso nos anima para produzir cada vez mais, e com mais qualidade”.

Zezé Motta, atriz, protagonista de “Xica da Silva”.

O restauro de “Xica da Silva” significa o reconhecimento, pelo Estado, da importância da preservação audiovisual.

Creio que a maior inovação audiovisual é a percepção, tanto do Estado quanto do setor, que a preservação da memória nacional deve ser concebida ainda no desenho de produção do filme. Isso valoriza a ação estratégica do Estado.

As novas gerações agora poderão conhecer e reconhecer o trabalho de Cacá Diegues e toda a sua contribuição ao cinema nacional.

Ana Paula Santana, secretária do Audiovisual do Ministério da Cultura (SAv/MinC).

“Xica da Silva” foi lançado num momento em que eu dirigia a distribuidora da Embrafilme, logo depois do lançamento de “Dona Flor e seus Dois Maridos”, e a referência era um desafio. O milagre de “Xica” é a relação com o público de um filme, ao mesmo tempo, espetacular e autoral.

Não conheço ninguém que não goste de “Xica”. Na época de seu lançamento, Cacá viu o filme em Madureira, no Rio, e teve a sensação de ver uma festa bárbara. Ao mesmo tempo, foi um sucesso de crítica. Isso é raro, não há tantos exemplos no cinema do Brasil.

É um filme de intervenção comportamental libertária na relação de Cacá com o universo africano (que gerou a trilogia “Ganga Zumba”, “Xica da Silva” e “Quilombo”), que resultou numa mistura de deboche com lirismo, um filme de época com o tom contemporâneo, e que ainda despertou o interesse da rede de exibição, rompendo com o estereótipo de rejeição do exibidor brasileiro para com a produção nacional.

Um filme que está vivo até hoje, por vários motivos. É um milagre bárbaro, que também provocou o lançamento de um slogan que, à época, era atrevido: “Mercado é Cultura”.

Veja aqui um trecho da restauração:

Gustavo Dahl, diretor do CTAv/MinC .

Solicitação de inscrição via e-mail: xicadasilva@cinemateca.org.br

Leia também a matéria em inglês e espanhol.

(Texto: Narla Aguiar e Débora Palmeira, Ascom/SAv)
(Edição de imagem: Marina Ofugi, Ascom/MinC)
(Fotos: Acervo Cacá Diegues e Divulgação Cinemateca)

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terça-feira, 16 de março de 2010

Relatório da Expedição dos Rios Mucury e Todos os Santos

Este texto é um dos primeiros acerca do que viria a ser a civilização mucuryana fundada por ottoni em 1847, mas que teve o engenheiro da estrada do parahybuna Victor Renault como o responsável por mapear e percorrer o rio Mucuri, ainda bastante desconhecido no dezenove.

Há infinitas dúvidas e controvérsias, uma vez que foi este engenheiro francês que produziu uma carta do "regime das águas" do rio mucuri, dizendo-o navegável, Theophilo Benedicto Ottoni creu e no final das contas teve de construir a primeira estrada de rodagem do brasil, a estrada de santa clara, porque o rio não era inteiramente navegável...

Ah, e o texto é repleto do estranhamento dele europeu e civilizado com o famigerado "botocudo", o Borun.

Texto imperdível que foi disponibilizado no site da Wikisource, a biblioteca livre:

http://pt.wikisource.org/wiki/Relat%C3%B3rio_da_Expedi%C3%A7%C3%A3o_dos_Rios_Mucury_e_Todos_os_Santos

Ir para: navegação, pesquisa

Relatório da Expedição dos Rios Mucury e Todos os Santos, feitos por ordem do Ex.mo Governo de Minas Geraes pelo engenheiro Pedro Victo Renault, tendente a procuprar um ponto para degrego
por Pedro Victo Renault

Ex.mo Snr. Antonio da Costa Pinto. - Mandado pelo Ex.mo Governo de Minas Geraes a explorar as mattas comprehendidas pelos rios Mucury e Todos os Santos, onde o mesmo Governo tenciona estabelecer uma colonia de degredados e vagabundos, sahi aos 22 de janeiro de 1836 da Imperial cidade de Ouro Preto dirigindo-me a Sabará, onde tinha os meus instrumentos; esperei neste lugar o Snr. Amedée Lavaissière, por quem devia eu ser coadjuvado n'essa commissão.

Chegado este, sahimos de Sabará, indo por Minas Novas e passando pela Villa de Diamantina, e sem querer entrar em superfluas minudencias sobre uma estrada de ha muito conhecida, chegámos á Villa de Minas Novas aos 18 de Março do mesmo anno, um mez depois da nossa sahida de Sabará.

Remetti no mesmo dia ao Presidente da Camara da dita Villa o officio do Ex.mo Governo, em que mandava que a mesma Camara coadjuvasse com todos os meios ao seu alcance a uma empreza de que devia resultar tão innumeros resultados a esta Comarca e á Provincia, em geral; mas direi a V. Ex.ia com muita magua, é tão lastimavel a posição dos Minanovenses e portanto de sua Camara, que não existia no cofre dinheiro sufficiente para pagar alguns - proprios - que a Comarca tinha precisão de mandar.

A villa de Minas Novas, situada a 17º 37' e 3 de latitude e a 40º 20' de longitude, foi outrora a metropole do commercio d'esta Provincia com a da Bahia, para onde transportava annualmente um sem numero de fardos de algodão, exportação esta que não só bastava para as necessidades publicas da Provincia, que infelizmente como as outras do Imperio, não usava senão de fabricas ultramarinas, como permittia tambem a muitas pessoas ajuntar consideraveis fortunas, que ainda existem em algumas mãos.

Porém o systema arruinado de agricultura, usado em umas terras tão favorecidas sobre diversos pontos, tem cançado as mesmas de tal sorte que hoje não produzem senão carrascos, debaixo dos quaes raros animaes, que por acaso resistiram a tão desastrosa peste, procuram algum alimento, que com difficuldade encontram; e o que é mais ainda a perda, por muitos annos, em Minas Novas, das sementes que produzem o algodão.

Algumas minas exploradas, tambem, no mesmo tempo, accrescentariam ainda a felicidade dessa Comarca, porém, trabalhadas a talho aberto, entupiram-se e ficou de menos aos Minanovenses a esperança de verem-se levantar o seu paiz, por minas de ouro, que na verdade são todas de quartzo, o que augmenta ainda a inconstancia que geralmente caracterisa esse genero de riqueza.

Encontrei, finalmente, pedras preciosas a saber: crysolithas, aguas marinhas (do numero das quaes foi a tão afamada pedra de 16 libras que foi offerecida á Sua Magestade Dom João VI pelo seu descobridor) que serviam para augmentar um futuro não remoto á felicidade de Minas Novas.

Mas os botocudos Jiporocas, que com muito custo se haviam afugentado, e não se vendo sem pouca magua despojados de suas terras, fizeram um ultimo esforço e continuaram independentes a percorrer as suas vastissimas possessões.

A sua presença e as suas atrocidades horrorisam de tal maneira a alguns emprehendedores que essas riquezas poderiam procurar, que nenhum d'elles se atreve a ir sacrificar a sua existencia.

Presentemente os Minanovenses vivem sobre si mesmos e do que conseguiram ajunctar em tempos mais felizes.

Foi este o estado de pobreza em que achei Minas Novas, não lhe ficando para remedio á sua decadencia senão uma communicação mais immediata com o littoral do Oceano e ainda a cultura de fertilissimas mattas; portanto ocioso seria pintar a V.Ex.ia o enthusiasmo com que os Minanovenses me receberam, fazendo mil votos afim de que eu desenvolvesse n'essa empreza toda a coragem, constancia e patriotismo que me poderia sugerir a minha patria adoptiva.

Apezar da penuria que já expuz a V.Ex.ia, muitos fazendeiros, vendo que por meio d'essa empreza podiam se livrar dos indios, fizeram uma subscripção que subiu a 117$000, quantia esta destinada á abertura de uma estrada, diminuindo assim a despeza do governo.

Dirigi-me tambem ao Tenente-Coronel Francisco Innocencio de Miranda Ribeiro, encarregado pelo Ex.mo Governo, não só para dirigir a Commissão com os seus conselhos, mas tambem auxilia-la com dinheiro, tendo-se mandado uma lettra de 1:000$000 que para esse fim foi destinada.

Esse digno e honrado militar prestou-se com todo o patriotismo e desvelo de que é dotado e de que já tem dado exhuberantes provas, tendo, o mesmo Snr., dado todas as providencias necessarias afim de que nada faltasse durante aquella viagem.

Estavamos promptos a principiar a nossa deligencia, não esperando senão a chegada dos soldados das divisões que por 2 vezes foram expedidos do Quartel Geral, precedidas de dez praças cada uma.

Tendo eu recebido, conforme determinação do Ex.mo Governo, a quantia de 200$000 destinada á compra de brindes para os Botocudos, encarreguei o Cidadão José Antonio Coelho de mos comprar.

Chegados os soldados das divisões, sahimos, de Minas Novas a 25 de Abril, com grande receio dos habitantes de que pagassemos o dizimo ás mattas do Rio Mucury.

Seguindo sempre a direcção léste indo para a Fazenda da Conceição, da qual, é possuidor o Snr. Antonio José Coelho, fazendeiro rico, de cento e tantos captivos, que sendo morador das encostas das mattas, tem soffrido immensos prejuizos causados pelos Botocudos - Nak-nanuks, que de vez em quando lhe fazem visitas sempre hostis e perigosas, matando-lhe o gado e destroçando as suas plantações.

É na esperança de se vêr livre de semelhantes visinhos que esse Fazendeiro fez os maiores sacrificios, e ultimamente prometteu fazer (pelo Ex.mo Governo) uma estrada transitavel para os animaes - cargueiros - até o Rio Mucury.

Chegados n'esta Fazenda da Conceição aos 28 do mesmo mez de Abril, esperavamos contemplar d'esde então aquellas tão antigas e magestosas florestas; foi-nos, porém, necessario ainda pôr um termo á nossa impaciencia, porque tendo o Cidadão Antonio José Coelho aberto um espaço de caminho, seguindo os antigos vestigios de Bento Lourenço, que ahi penetrou no anno de 1816, que foi impedida pela apparição de fumaça que se presumia ser dos Botocudos Jiporocas (cujo nome só basta para horrorisar não somente aos habitantes civilizados, como tambem aos seus proprios visinhos - os Nak-nanuks) voltou e tomou outra direcção, abrindo uma estrada tendente a procurar as cabeceiras do mesmo rio na distancia de 12 leguas.

Depois de feita esta, pudemos emfim preencher os nossos desejos fazendo a nossa entrada por esse caminho aos 9 de Maio, acompanhados: pelo Capitão Antonio Gomes Leal, seu filho, um interprete e soldados das divisões, seguindo a direcção de léste-sudéste, sem ter tido nada de extraordinario a notar n'esta travessia, a não ser mattas ordinarias pertencentes ao Rio Setuval.

Chegados a esse ponto, onde acabava a estrada, fizemos um quartel, distante ½ legua das cabeceiras do Mucury, afim de podermos verificar si os arredores preenchiam as vistas do Governo, e por isso subi a uma alta pedra de formação granitica, podendo alcançar até uma distancia assaz consideravel para me convencer de que não podia ser este o logar adoptado; resolvemos, então, a acompanhar o curso do rio Mucury até encontrar a travessia da antiga estrada de Bento Lourenço.

N'este ponto achei reunidos para mais de 300 Botocudos (entre homens, mulheres e creanças), da nação Nak-nanuks que, sendo mansos muitos delles tinham sido chamados pelo seu capitão - que hoje se entrega ao trabalho e vive muito amigo dos brazileiros, achando-se ao serviço na casa de Antonio Gomes Leal; e outros, - bravos - ainda, acompanhavam estes ultimos afim de partilharem dos brindes que eu fazia aos Botocudos mansos.

Os Nak-nanuks, cuja etymologia na sua linguagem quer dizer - habitantes da serra, (por ser com effeito verdade, visto como habitam as serranias que devidem as aguas dos rios Mucury e Gequitinhonha) fazem parte da grande e numerosa nação dos Botocudos, que chegados áquellas paragens ha 50 annos, mais ou menos, das partes (deve se suppôr do Norte) em numero immenso (apezar de todos os esforços que fiz para saber dos mais velhos de onde vieram e que marcha haviam seguido, nunca me souberam dizer) parece-me terem vindo da Asia, pelo estreito de Bhering quando o mar ainda não havia creado a passagem descoberta pelo celebre navegante que lhe traz o nome.

Atacavam, em diversos pontos e debaixo de differentes nomes, os antigos habitantes das mattas regadas pelos rios Doce, São Matheus, Mucury e Gequitinhonha; obrigaram, depois de ataques sanguinolentos, a nação dos indios, tambem dividida em grupos de differentes nomes, a se entregar á civilisação, resistindo, apenas, a este ataque geral os indios puris-, que ficaram nas suas possessões.

A sua linguagem, muito aspirada, tem uma semelhança extraordinaria com a chineza, como se poderá facilmente reconhecer por um vocabulario que tirei; o seu semblante é bem parecido com os dos chinezes, seus cabellos pretos, lisos e duros; têm pouca ou mesmo nenhuma barba (supponho que a arrancam).

Elles julgam homens corajoso aquelles que têm muita barba e crescida, por isso só os seus capitães deixam crescer a barba (no queixo) para tornar patente o seu grande animo.

São de estatura alta, constituição forte e genio extraordinariamente vingativo e independente.

Este caracter moral da maneira por que são creados, pois tendo eu visto um filho que por ter sido castigado por seu pae (sem duvida por tel-o merecido) batera em seu proprio pae auxiliado por sua mãe, que lhe ensinou por esta conducta que nunca se devia deixar impune qualquer offensa.

As idéas religiosas são poucas ou nenhumas; apenas elles suppoêm a existencia de um - ente supremo - que chamam em sua linguagem - Krenhouh Jissa Kijú - (Chefe Grande), mas não lhe rendem culto absolutamente algum; pelo contrario quando troveja, suppondo (pelo seu caracter já descripto) que não se pode aplacar a ira senão pelo medo, lançam flechas ao ar, com muitos gritos e dizendo: - Krenhouh Jissa Kijú jak jemes (que o chefe grande está bravo) e que precisam amansa-lo ou o atemorisar.

São nomades, isto é, nunca residem no mesmo logar, e arrancham aonde com mais facilidade podem encontrar caça; são antropophagos e gostam principalmente de negros, que chamam - Ankorá - (macaco do chão), porém nunca deixam de passar a carne ao calor do fogo; comem algumas raizes, e entre ellas a - caratinga -; tambem comem cipós, que contêm fecula assaz abudante e agradavel.

Quanto ao mais ignoram inteiramente o uso de plantas medicinais e somente os vi usar um - remedio - que consiste em encher de cynza ou terra qualquer ferida que tenham, por mais profunda que seja.

São muito achacados a dôr de olhos.

Vivem em constantes combates com os seus visinhos; e as suas flechas são hervadas com o - ucurú -; vivem até muita adiantada idade e um d'elles me pareceu ter para cima de cento e cincoenta annos!.

Abrimos uma picada, por entre brejos e pantanos, em uma distancia de dez legoas, onde encontramos vestigios do caminho seguido por Bento Lourenço; o nosso mantimento ia carregado nas costas dos soldados, porém tendo nós encontrado outros Botocudos (da mesma tribu dos Naknanuks) mais bravos ainda e aos quaes nos foi necessario distribuir viveres para grangear a sua amizade, fomos obrigados a nos estabelecer nas margens do rio Mucury e ahi fazer um - quartel -, pois o mantimento que tinhamos calculado poder durar dous mezes, já estava quasi acabado.

A picada que haviamos seguido era intransitavel para os animais cargueiros e distava doze leguas da Fazenda mais proxima.

Resolvemos dar promptos remedios aos nossos males, abrindo, do ponto em que nos achavamos, uma estrada que fosse encontrar a que Antonio José Coelho havia abandonado por causa dos Jiporokas.

Portanto aos soldados que dirigiamos, demos para esse fim todo mantimento que nos ficava, afim de que abriviassem um trabalho tão necessario; mas fomos illudidos, não indo nós mesmos assistir o trabalho (para que não augmentasse o gasto do pouco mantimento que havia, e assaz necessario aos trabalhadores): assim, sem mantimento algum, em um lugar distante 22 leguas da primeira Fazenda, cercados de Botocudos (que muito embora tivessem relações comnosco, não deixavam de mostrar caracter hostil bastantemente accentuado), vivendo, como elles, de cipós e cocos de brejauba, sem apparecer caça alguma, afugentada ou destruida por tão extraordinario numero de pessôas, entregues a uma cruel fome, que conta, no meio de suas victimas, um velho soldado das divisões: luctando todos os dias com o desejo de desempenhar a importante commissão de que fomos incumbidos e pensando na deshonra que nos acompanharia por uma vergonhosa retirada, e ainda os sentimentos de humanidade, que me suggeria ao vêr os males de meus companheiros, desconfiado, ainda, de que os soldados que mandára abrir a estrada, haviam succumbido ás flechas dos Jiporokas, que já tinham feito recuar Antonio José Coelho, resolvi a me sacrificar ou soccorrer os meus companheiros; e 15 dias depois da sua partida, puz-me em marcha, acompanhado pelo capitão Antonio Gomes Leal, seu filho e mais dous soldados, tendo deixado o Snr. Amedèe Lavaissière com seis soldados, duas ordenanças e alguns botocudos mansos que ja se achavam ao nosso serviço.

Promettemos-lhe breve socorro; e no 5.º dia depois de tão penosa viagem, privados do sustento necessario, tivemos a felicidade de encontrar um dos filhos do Capitão Antonio Gomes Leal que vinham socorrer os soldados que eu havia mandado.

Pedi-lhes que fossem com brevidade prestar soccorros ao quartel de Mucury, e eu, seguindo a minha viagem, acompanhado por dous soldados, tratei de abreviar a conclusão da estrada.

No dia seguinte ao da minha chegada a Fazenda da Conceição, voltando para o quartel do Mucury, com as ferramentas necessarias e os soldados da divisão, que se achavam na referida Fazenda, abri cinco leguas de estrada, n'esta parte, em quanto que o Capitão Antonio Gomes Leal abriu em outro ponto, igual distancia até nos encontrarmos, tendo eu feito pontes em todos os ribeirões, indo chegar justamente á margem do Mucury, onde estava estabelecido o Quartel, communicando-se com a outra margem do rio por meio de uma ponte que fiz construir sobre elle.

Foi na occasião em que eu estava abrindo esta estrada que tive occasiãode fazer experiencia de uma fructa que tem toda a semelhança com a - noz moscada - da India, e que eu suppunha, por essa razão, ter identicas propriedades; e sentindo-me com uma febre bastante forte, cansado, soffrendo um inverso rigoroso, fiz d'ella bebida que me foi tão favoravel e proveitosa que fiquei immediatamente alliviado do encommodo.

Algumas d'essas fructas se acham commigo, que poderei mostrar si assim o determinar V.Ex.ia.

Tambem n'esta mesma occasião, experimentei uma canella que não é bôa como a da India, mas que cultivada será em tudo igual a ella.

As diversas quinas conhecidas no Brazil, existem ahi em abundancia, e devo principalmente notar uma de casca fina, vermelha e que compete em tudo com a do Perú, devendo-se observar que o effeito febrifugo d'aquella é devido á chinconina em quanto que o effeito desta é devido á quinina.

O sassafraz, por ser muito conhecido no Brazil o seu effeito, e existir em tamanha abundancia n'aquelles sertões, não merece senão uma simples referencia.

A congonha - encontra-se tambem, a cada passo, de differentes qualidades e todas bôas.

Até ao ponto em que estava feita a estrada, abandonada por Antonio José Coelho, as terras ainda são vertentes do Jequitinhonha, porém deste ponto para deante começam as vertentes do Mucury, e mudam-se completamente as mattas, que desde logo tomam outro aspecto.

Á vista destas mattas tão vastas, gigantescas, bellas e ricas regadas por tão abudantes rios; á vista desses magestosos arvoredos, cujas frondosas copas impediam a penetração do Sol até as humildes plantas que rastejavam no chão; á vista d'esses enormes cipós que se estendiam de uma a outra arvore e assim pareciam liga-las para resistirem á impetuosidade dos ventos; á vista d'esses outros mais finos que humildemente se serviram dos troncos das arvores como amparo á sua ephemera duração; á vista de tudo isso, a minha imaginação me representou o emblema da sociedade, prescrevendo-me as regras que a devem reger.

Emquanto estava fazendo a ponte, no Mucury, para passar os animaes cargueiros, o Sr. Amedée Lavaissiére, continuava a estrada que se dirigia a Todos-os-Santos, e ahi chegamos todos aos 2 de agosto, (terça-feira) seis dias depois de sahir do rio Mucury, onde havia deixado a ordenança Fagundes com alguns outros soldados das divisões que deviam me aguardar n'esse ponto.

A estrada que vae até Todos-os-Santos (chamado na linguagem dos Botocudos Tenta-hó) dista 20 leguas do rio Mucury.

Esse rio já foi visitado pelo Coronel Bento Lourenço e algumas bandeiras que alli tinhão chegado e voltaram impedidos pelos Botucudos que lhes mataram tres ou quatro companheiros.

Esse logar tinha adquirido fama das mais extraordinarias riquezas possiveis, a saber: diamantes, esmeraldas, aguas marinhas, e crysolithas, que disputavam ao afamado rio a honra e o previlegio de serem arrastadas, no seo leito, pelas suas aguas correntes, que se iam junctar ás do Mucury de que é tributario.

Mas estudando a constituição geologica do logar e todos os indicios que me pudessem denunciar a presença de tão appreciaveis mineraes tive o desengano dessas supostas riquezas, e reconheci que as aguas d'aquelles rios não carregam senão os despojos das ricas florestas que regam.

Em quanto eu me occupava n'estas difficeis investigações que foram sem proveito. o sr. Amedée Lavaissiére foi visitar a serra chamada das Ametistas por suppo-la composta de pedras do mesmo nome e que se achava a 2 leguas de distancia do Quartel de Todos-os-Santos, não podendo eu, pelas amostras que me trouxe o mesmo sr., provar a supposta existencia de ametista n'aquella formação de accumuladas materias mineraes.

Aos 7 de Agosto chegou o soldado Innocencio, sendo portador de um officio de V.Ex.ia communicando-me os desejos que tinha de ver explorado o rio Mucury até á sua foz, ou embocadura no Oceano Atlantico.

Depois de sua volta da serra das Ametistas, dispoz-se o sr. Amedée ir á Fazenda da Conceição providenciar alguma cousa necessaria para a viagem, ficando a meu cargo toda a triangulação do logar destinado ao degredo e exploração (por terra) do rio Todos-os-Santos.

Portanto aos 8 do mesmo mez de Agosto, o sr. Amedée partiu com destino á fazenda da Conceição, e logo no dia seguinte comecei a exploração do rio Todos-os-Santos, que corre com enorme differença de nivel, atravessando grandes rochedos, que produzem n'elle immensas cachoeiras; as aguas que correm em seu leito são em pequena quantidade, tornando a sua navegação custosa.

Na distancia de doze leguas até a sua barra, correm vinte quatro corregos dos quaes sómente cinco d'elles conservam a agua no tempo da secca; não obstante esta falta no tempo da secca, podem industriosos colonos se utilizar de suas ricas mattas.

Durante essas digressões não encontrei os Jiporocas apezar dos esforços que fiz para chama-los á cathequização, si bem que tivesse encontrado frescos vestigios que testemuhavam a sua incontestavel presença.

Todas essas explorações estavam sendo feitas com a bussola na mão tomando todas as voltas do caminho pelas diversas direcções que tomava a agulha magnetica, e regulando com o relogio a distancia percorrida.

Este methodo, que não é de exactidão mathematica, não merece o nome de topographico, mas sim o de reconhecimento de terreno; outro meio é porém, impraticavel até hoje n'essas matas tão sombrias.

Os dous pontos necessarios do mappa são exactamente conhecidos, sendo cada um delles determinado pela sua Latitude e Longitude.

Emquanto eu explorava o rio Todos-os-Santos os soldados das divisões estavam empenhados na construcção das canoas que nos deviam conduzir até o Oceano, e logo depois do meu regresso fui medir o logar destinado ao dicto degredo, e que se acha distante 4 leguas do rio Todos-os-Santos, nas serranias que dividem as aguas do Mucury e Todos-os-Santos, tendo subido ao cume da serra afim de poder fazer a medição.

A natureza já havia destinado este logar para semelhante empresa.

Grande numero de serranias quasi inaccessiveis ao homem cerca este reducto em uma distancia de duas legoas sobre meia de largura; dous ribeirões que nunca seccam, e mattas fertilissimas o cobrem, não existindo senão duas entradas e uma bocaina por onde passa o ribeirão.

Assim com certas obras que poderão ficar em 25:000$000, ahi poderão ser guardados e seguros os criminosos que forem remettidos, sem jamais poderem conservar esperança de se evadirem; e se tal acontecesse teriam uma matta de 40 legoas a atravessar até chegar á primeira Fazenda, e não lhes deixando armas de qualidade alguma como tambem mantimento á sua disposição, parece muito custoso poderem se evadir.

A colonia ahi estabellecida, estará limitada de uma parte pelo rio Mucury, da outra pelo rio Todos-os-Santos, fazendo um triangulo isoceles de 20 leguas de um lado, 12 de base e 10 de altura, appresentando por tanto uma area de 120 leguas.

Os criminosos principaes ficariam circumscriptos a uma area fechada trabalhando a terra durante o dia, e sendo recolhidos a noite.

E em logar dessa ociosidade que se entregam os criminosos recolhidos nas cadeias publicas, ver-se-hiam obrigados a trabalhar, e talvez que lhes voltasse o amôr ao trabalho e por essa obrigada applicação (esquecendo os vicios acoimados em seus corações) tornassem a ser uteis á sociedade e a si mesmos.

Para esse fim deveria ser formado um quartel de divisão composto de 80 praças, repartidas em diversos destacamentos, conforme exigirem as circuntancias.

Acho aqui occasião para falar no gonum que alguns chamam azogue vegetal ou tambem Anna Pinta, e que se acha em grande abundancia n'essas paragens.

O seu effeito em muitas enfermidades é assaz conhecido pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro.

Merece maior attenção (por não ser conhecida) uma fructa cujo oleo extrahido tem a propriedade de combater as mais pertinazes empigens.

Algumas dessas fructas acham-se em meu poder, e farei a este respeito o que determinar V.Exc.ia.

Encontrei tambem outra fructa que sendo cultivada poderá ficar uma das melhores que temos e que os Botocudos chamam de Kapamja.

A ipecacuanha (poaia) impede pela sua abundancia o progresso de muitas outras plantas que nascem nesses logares.

Havendo finalmente terminado a medição do degredo voltei para o quartel de Todos-os-Santos onde achei tudo prompto para a viagem, esperando apenas para me embarcar pela presença do sr. Amedée; e receando ao mesmo tempo embarcar só com os soldados, e descer o rio ainda intransitavel, por não ser ainda navegado, esperei 6 dias, vivendo no meio da matta, unicamente com dez soldados, quatro botocudos mansos, um - lingua - e o meu camarada.

A estação pluviosa que já estava adeantada, e que ia tornar impossivel a navageção do Mucury; o grande empenho e desejo que eu tinha de levar a effeito a empresa começada, resolveram-me a embarcar aos 13 de Septembro com 7 soldados, 4 Botocudos, um - língua - e o camarada tendo enviado os outros para se ajuntarem aos que se achavam no quartel do Mucury, onde de ante mão tinha dado providencias para que no meu regresso encontrasse os mantimentos necessarios.

A este respeito officiei a V.Ex.ia aos 10 de Septembro, relatando igualmente o que havia até então occorrido.

Esperei neste logar o sr. Amedée, e tinham já decorridos 36 dias sem delle ter noticia alguma.

A ordenança Lourenço achando-se doente não me poude acompanhar e voltou para a Fazenda da Conceição.

Embarcando-me finalmente aos 13 de Septembro de 1836, encontrei trez dias depois (16) a barra do rio Todos os Santos no Mucury.

O rio Mucury até encontrar o rio Preto, que desagua n'elle, na parte norte, é largo e magestoso; para baixo do rio Preto encontra-se o primeiro cordão de serranias, sobre as quaes elle faz grande numero de entaipadas e travessões, que apezar da muita correnteza não offerecem nem dificuldades, nem perigos aos navegantes, podendo asseverar a V.Ex.ia, que sómente tres vezes tivemos de conduzir as cargas na distancia de 40 a 50 passos apenas.

No 7.º dia de viagem, logo para baixo do Rio Preto, tive o primeiro encontro com os botocudos selvagens (da nação dos Jiporocas) em numero de 25 arcos; pouco mais ou menos 80 pessôas.

Não pressentiram elles a nossa chegada por causa das muitas precauções que tomei, ordenando sempre que não dessem tiros, nem gritassem, pois não desejava encontral-os com tão pouca gente (da minha parte), e tão minguados socorros; e graças a essas precauções, escapamos milagrosamente de diversos ataques a que talvez não resistissemos com facilidade.

Impedidos, pela violencia com que desciamos, de nos lançarem flechas, avisaram com gritos estrondosos, aos seus companheiros que iamos rio-ábaixo.

Mandei então parar as canôas no meio do rio, e por meio do - lingua - que comigo levava, e depois de ahi pemanecermos até á noite resolveram chegar a falla.

Reparti entre elles algumas ferramentas, que para esse fim levava, e pelo que pude colligir, elles nunca tinham conhecio pessôa alguma civilizada, não vendo nas suas possessões cousa alguma por que pudesse descobrir indicis do uso de ferramentas, como tambem lhes eram desconhecidos os mais usuaes vivees usados pelos habitantes da Provincia.

Passei a noite no meio d'elles, e já adormecendo, quando sahirão todos com as flechas mettidas nos arcos, cercando-nos e tomando a sahida das canôas.

Dei immediatamente ordem aos soldados para que tivessem promptas as armas, caso fosse necessario usar d'ellas.

Conhecedor de seus instinctos, sabendo que não nos faziam mal sinão por trahição, tinha certeza de que nada nos faziam si vissem qualquer pessôa accordada.

Suponho que o projeto d'elles, apezar de apparente amizade que nos testemunhavam, era o de nos tirar a vida, apoderando-se do que existia nas canôas.

Embarquei-me no dia seguinte bem cedo e já com a noticia de que outra tribu que achava rio-abaixo.

No 8.º dia de nossa viagem, tivemos a infelicidade de ver-se submergir a canôa que levava o mantimento, vivendo nós, até chegarmos ao Oceano, de pouca farinha, que se havia salvo, sem nos podermos utilizar da caça que apparecia para não dar a conhecer aos selvagens a nossa presença por aquellas paragens.

Todos os objectos conduzidos na canôa, tanto pertencentes ao Governo como aos soldados, perderam-se.

Tres dias depois tive um segundo ataque de outra tribu que se achava logo ábaixo da ultima cachoeira: esses nos haviam pressentido, e por isso, fazendo emboscada, já nos esperavam na entrada de um boqueirão, onde o rio muito diminuto rm largura, permittia-lhes esconderem-se atraz das pedras que ahi se achavam.

Chegados á entrada do boqueirão, que não nos permittia mais voltar (caso entrassemos), e já arriscados pelos vestigios que appareciam, e avistando uma fumaça na parte Norte do rio, mandei embicar a canôa na parte contraria, e ainda não tinhamos desembarcado, quando um numero consideravel de flechas lançadas de distancia muito proxima nos mostrou o eminente perigo, mas protegidos pelos troncos das arvores, aonde nos abaixavamos, mandei-lhe dirigir a palavra, convencendo-lhes de que não era nosso intento fazer-lhe mal algum e que pelo contrario lhes traziamos instrumentos mais faceis e mais violentos dos que usavam.

Nada aplacava a ira que lhes causou a nossa presença.

Cada flecha era novo trabalho para mim que já não podia conter os soldados que anhelavam responder com tiros.

Perdidos seriam para sempre, os nossos trabalhos, e para sempre fechadas essas mattas ao elemento civilisador, si dessem algum tiro, porque instigados pelo caracter moral de que já fiz mensão, principiaram uma guerrilha interminavel, como si vê ainda nos botocudos do rio Doce que quasi sempre atacam os passageiros si bem que entregues á civilização.

Vendo assim, que nem as promessas, nem outros meios faziam demover-lhes a ira, usei de uma estrategema que satisfez cabal os meos intentos.

Tendo eu sabido pela tribu que deixei atraz que existia uma rixa entre esses botocudos e os indios de beira-mar, (chamados na sua linguagem: Makão Kugi - indio pequeno), approveitei-me dessa noticia e disse-lhes que havendo sabido nos paizes longinquos d'essa rixa e os prejuizos que lhes causavam esses inimigos, vinha para auxilia-los.

Immediatamente longe de nos hostilizar, fazendo-nos gestos de alegria e satisfacção, pediram-me que não tardassemos em vinga-los.

Reparti entre elles o restante da ferramenta que trazia, e ficando muito satisfeitos, prometteram-me não atacar mais a pessôas que por alli passassem.

Depois de tão innumeros trabalhos, cheguei aos 29 de Septembro á barra do rio Mucury, onde desagua no Oceano Atlantico, tendo-o explorado e tomado todas as suas voltas por meio da busula e regulada a celeridade da canôa por uma ampulheta que fiz, e uma corda a qual tinha amarrado um peso para servir de ponto fixo: esta corda era dividida em metros e conforme a celeridade da canôa se desenvolvia mais ou menos durante o tempo em que vasava a sobredita ampulheta.

O rio Mucury corre para Léste-Sudéste e serve de limite natural ás provincias brazileiras do Espirito Santo e Bahia (pelo Norte).

A trinta leguas rio-ácima existe outro limite natural entre a Provincia de Minas (ao Oeste) e Bahia (a Léste); é uma cordilheira que corre de Norte a Sul, e na qual tem nascimento muitos rios.

D'esta cordilheira em diante o rio corre com muita mansidão, e é chamado pelos naturaes - Rio de Areia -.

A barra do Mucury é uma das melhores na costa Sul do Brazil, pois tem canaes de 8,14 ou 18 palmos d'agua (maré baixa), com fundo de lama e agua doce para as embarcações.

No pontal feito pelo rio e o mar existe uma pequena villa, composta de quarenta fogos habitada por pescadores, cujo aspecto e existencia é o mais miseravel possivel (chama-se villa de S. José do Porto Alegre).

Está situada a 18º e 30' de lattidude e 41º 37' e 30 de longitude, e habitada pelos antigos indios - Mukuinis - que vieram nestas costas procurar um refugio contra ataques dos botocudos - Jiporokas.

As margens do rio são ferteis em madeiras de lei, a saber: jacarandá, cabiuna, cinhatico, balsamo, ipê, jiquitibá, aroeira e brauna.

Não tem ramo algum de febres malignas, nem sezões, vantagem que bastaria para torna-lo preferivel aos rio Doce e Gequitinhonha, cujos habitantes são diariamente assolados por innumeras epidemias.

Além de todas essas vantagens, offerece uma navegação (que principia da barra do rio das Americanas, que desagua nelle na parte do Norte) menos perigosa e mais rapida.

O unico obstaculo que se offerece, pois, a pôr uma communicação por agua entre esta tão desgraçada Comarca de Minas Novas, é o numero de Bugres que infesta as margens do Mucury, obstaculo este muito facil de se solver, confiando-se a um homem de zelo, prudencia e capacidade reconhecida a cathequisação dos selvagens habitantes d'essas mattas; e estou certo de que no espaço de dous annos, contará o Governo d'esta Provincia mais este elemento de prosperidade em seu seio.

Por esta obra de philanthropia e de dever, estarão francas aos emprehendedores as riquezas existentes no rio das Americanas.

Tendo eu perdido a esperança de voltar pelo mesmo caminho (rio ácima) por causa de uma grande enchente, e não querendo esperar para não perder algum tempo que me não pertencia, resolvi-me a costear o mar (por terra), dirigindo-me para Norte, procurando a estrada que acompanha as margens do Gequitinhonha e seguindo-a até Porto Seguro, distante 40 legôas da Villa de São José de Porto Alegre.

Rompendo a picada chamada das boiadas, achei-me, no fim de 5 dias de viagem, na estrada do Gequitinhonha, até á barra do Arassuahy (seu continente) e chegado ao Calhão dirigi-me para a Fazenda da Conceição, onde cheguei aos 14 de Novembro depois de haver percorrido 150 legôas desde Porto Alegre até a Fazenda da Coelho, como se poderá vêr no mappa que tenho a honra de appresentar a V.Ex.ia.

Durante esta viagem gastei com 15 pessôas a quantia de 110$000.

A navegação do Gequitinhonha, que tambem tive a occasião de explorar, é a peior, posivel, e não o permitte alimentar esperança de se verem facilitados em seu seio os meios de communicação, sem contar ainda no numero das difficuldades as sezões que assolam annualmente os habitantes, que contam no meio das victimas, uma decima parte de suas povoações.

No dia seguinte ao da minha chegada na Fazenda da Conceição tratei de fazer o Relatorio que vos appresento.

Chegando á Villa de Minas Novas aos 3 de Janeiro do corrente anno, onde me occupei em finalizar as contas relativas á expedição, puz-me em marcha para essa Capital, passando pelas Villas de Diamantina e do Principe.

Chequei finalmente a esta Capital aos 21 de Fevereiro, onde tenho tratado dos ultimos retoques na prestação de contas da incumbencia que me coube.

O Governo poderá tirar da miseria e penuria a que está entregue a Comarca de Minas Novas, que por meio da navegação por mim indicada, e cujos serviços poderão ficar em 20:000$000, abrirá communicação immediata com o Oceano, podendo-se ir de Minas Novas a Porto Alegre em 13 dias (com canôas carregadas) e d'ahi por mar até a Bahia em 2 dias.

Deve, porém, ser preferida a navegação para o Rio de Janeiro, apezar da inconstancia dos ventos que sopram de Léste Nordeste, podendo-se fazer esta viagem, de Porto Alegre, em 3 dias.

Entregando á V.Ex.cia este meu trabalho, reclamo, de um lado, a indulgencia por algumas faltas imprevistas, e alguns erros, que si os tive, foram dictados pelo amor e grande interesse que tomei por esta tão grande, ardua e melindrosa tarefa, e vangloriando-me si por esses limitados serviços, puder pagar o tributo do reconhecimento á tão conhecida hospitalidade desta rica e bella Provincia.

Deus guarde á V.Ex.cia.

Ao Ill.mo Ex.mo Snr. Antonio da Costa Pinto, Muito Digno Presidente d'esta Provincia.

Do encarregado da expedição, - Victor Renault.

Ouro Preto, em 2 de Abril de 1837.

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