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quinta-feira, 19 de novembro de 2015

2º Mucuriarte, em Poté

SAVE-THE-DATE_mucuriarteEste ano teremos o 2º Mucuriarte – Festival de Cultura do Vale do Mucuri, e será em Poté
O Festival é o resultado de um esforço coletivo de agentes, produtores, entidades culturais e artistas da região materializado na fundação do Instituo Válido Mucuri no ano de 2013, nesta edição, conta com a parceria da Associação Mucury Cultural, que juntos têm por missão atuar na valorização das culturas e identidades do Vale do Mucuri. Contamos ainda com a parceria da Prefeitura Municipal de Poté, Lapa Ação Cultural e patrocínio do Governo de Minas Gerais por meio da Secretaria de Estado de Cultura e do Instituto de Desenvolvimento do Norte e Nordeste de Minas-IDENE.
O 2º Mucuriarte é a continuidade da parceira e articulação com os diversos segmentos e agentes culturais da região e do estado, dando visibilidade à cultura regional do Vale do Mucuri, possibilitando fruição cultural à população por meio de uma programação democrática e diversa com apresentações musicais e teatrais, feira de artesanato, festival da canção, noite literária, oficinas, debates e encontro de grupos de cultura popular.
Nesta edição será retomado o Fórum Regional de Cultura do Vale do Mucuri um importante espaço de debate e reflexão sobre a dinâmica cultural da região, seus potenciais, limites e demandas, que teve como resultado de sua primeira edição a criação Festival Mucuriarte. Na segunda edição, o fórum contará com rodas de conversa e grupos de trabalho que apresentarão e debaterão propostas para o desenvolvimento setorial da cultura na região.
O município de Poté se originou a partir do território indígena às margens do rio homônimo em 1837, emancipando-se de Teófilo Otoni em 1938. O vale do Mucuri, em sua conformação atual, tem origem na ocupação não índia iniciada com o objetivo de ligar Minas ao mar, por meio das Cias de Comércio e Navegação do Mucuri e de Estrada de Ferro Bahia e Minas. Aos Borun e Maxakali, juntaram-se negros, imigrantes provenientes do Vale do Jequitinhonha e da região Nordeste do Brasil, europeus, asiáticos e de outras regiões, contribuindo para a construção desta região marcada pela diversidade cultural manifesta na música, culinária, artesanato, religiosidade e cultura populares através das Folias, Batuques e Contradanças.
  • Estão abertas as inscrições para as oficinas do 2º Mucuriarte, até esta segunda-feira, 14/12! Para os detalhes e inscrições, clique neste link: https://goo.gl/eDY7kZ. As Inscrições para as Oficinas se encerram no dia 10 de dezembro, ou quando acabarem as vagas.

 

A programação:

Obs.: Café da Manhã, Almoço e Jantar serão oferecidos somente aos inscritos nas oficinas não residentes em Poté
Dia 15 – Terça-Feira:
  • 07:00 – Café da Manhã
  • 08:00 – Abertura e funcionamento da Secretaria do Mucuriarte/Credenciamento
    • A secretaria do Mucuriarte funcionará no prédio da Secretaria Municipal de Educação e Cultura, na Praça Frei Gaspar, nº 358.
  • 12:00 – Almoço
  • 14:00 – Início das Oficinas
  • 18:00 – Grupo de Teatro Jovens Cênicos – “Escuta aqui seu Ladrão” – Teatro Municipal – Público 14 anos
  • 20:00 – Jantar
  • 21:00 – Barraca Mucuriarte
  • 21:00 – Encontro de Violeiros e Sanfoneiros de Poté
Dia 16 – Quarta-Feira:
  • 07:00 – Café da Manhã
  • 08:00 – Oficinas
  • 12:00 – Almoço
  • 14:00 –  Abertura da Feira de Artesanato
  • 17:00 – Grupo de Teatro Expressão Poteni – “O Casamento do Palhaço” – Teatro Municipal – Público Infanto-Juvenil
  • 19:00 – Jantar
  • 20:00 – Noite Literária
  • 22:00 – Vinícius Medina
  • 23:00 – Maurício Tizumba e o Tambor Mineiro
  • 24:00 – Barraca Mucuriarte
Dia 17 – Quinta-Feira:
  • 07:00 – Café da Manhã
  • 08:00 – Oficinas
  • 12:00 – Almoço
  • 14:00 – Abertura do 2º Fórum Regional de Cultura
    • Roda de Conversa: O Instituto Válido Mucuri
  • 17:00 – Grupo Teatral Dramédia - Escola de Machos – Teatro Municipal – Público 16 anos
  • 18:00 - Insólito Cia de Teatro – Alígero – Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Poté – Público 14 anos
  • 19:00 – Jantar
  • 20:00 – Primeira Eliminatória do Festival de Música
  • 21:30 – Sérgio Moreira
  • 22:30 – Bilora
  • 24:00 – Barraca Mucuriarte
Dia 18 – Sexta-Feira:
  • 07:00 – Café da Manhã
  • 08:00 – Oficinas
  • 12:00 – Almoço
  • 15:00 –2º Fórum Regional de Cultura
    • Tema: A Cultura no Mucuri – uma reflexão sobre o setor cultural na região
  • 17:00 – Ícaros do Vale Cia de Teatro - “A Filha que bateu na mãe, Sexta-Feira da Paixão e virou cachorra” – Academia de Saúde, próximo ao Estádio Municipal –  Público Livre
  • 18:00 – Grupo In-Cena de Teatro – “Uma História sem Pé nem Cabeça” – Teatro Municipal – Público Infantil
  • 19:00 – Jantar
  • 20:00 – Segunda Eliminatória do Festival de Música
  • 21:30 – Lima Júnior
  • 22:30 – Pereira da Viola
  • 24:00 – Barraca Mucuriarte
Dia 19 – Sábado:
  • 07:00 – Café da Manhã
  • 09:00 – Assembleia Geral do Instituto Válido Mucuri
  • 11:00 – Mostra de Oficinas
  • 12:00 – Almoço
  • 14:00 – Cortejo de Grupos de Cultura Popular
  • 17:00 – Grupo Teatro Arte Vida – “PARATIBUM” – Academia de Saúde, próximo ao Estádio Municipal –  Público Infantil
  • 18:00 - Grupo de Teatro Formosa Arte – “Grito do Maxakali” – Anfiteatro – Academia de Saúde, próximo ao Estádio Municipal – Público Livre
  • 19:00 – Jantar
  • 20:00 – Final do Festival de Música
  • 21:30 – Zé da Guiomar
  • 23:00 – Tau Brasil
  • 24:00 – Barraca Mucuriarte
Serviço
  • Evento: 2º Mucuriarte
  • Agenda: de 15 a 19 de dezembro de 2015, em Poté, Vale do Mucuri/MG
  • Acesso: gratuito, sem restrições de faixa etária
  • Informações para o público: (33) 3525-1328, (33) 98886-4097, facebook.com/associacaomucurycultural, facebook.com/validomucuri
  • Realização: Instituto Válido Mucuri, Associação Mucury Cultural, Lapa Ação Cultural
    e Prefeitura de Poté
  • Patrocínio: Governo de Minas por meio da Secretaria de Estado de Cultura e do Instituto de Desenvolvimento do Norte e Nordeste de Minas-IDENE
  • Informações para imprensa: (33) 98886-4097, contato@mucurycultural.org 
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domingo, 20 de setembro de 2015

As Culturas Populares em Debate no Vale do Mucuri

 

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Celebrar as tradições ancestrais dos povos do Vale do Mucuri é o objetivo da primeira edição do “Encontro Mineiro de Cultura Popular”, um evento inédito que pretende valorizar, difundir e articular ações de preservação da rica memória das comunidades tradicionais de toda a região. De 25 a 27 de setembro, Teófilo Otoni receberá feira de artesanato, shows, debates e um grande cortejo com os principais grupos de cultura popular do leste e do nordeste de Minas Gerais.

As culturas populares são as formas pelas quais as comunidades se relacionam com seu ambiente, e suas expressões se dão por meio de inúmeras manifestações, como a música, o artesanato, a religiosidade, a cultura alimentar e a forma como se vestem, seus sotaques e casos. As culturas populares são como as comunidades espontaneamente digerem a realidade, criando sua própria visão de mundo.

Entretanto, essas culturas ainda são quase invisíveis, seja pela ausência de políticas públicas que deem conta de suas identidades e complexidades, seja pelo desprezo dos grandes meios de comunicação. Mesmo assim, são as culturas populares que inundam o mundo com seus repertórios, cores e sabores.

O Encontro Mineiro de Cultura Popular, cumprindo os objetivos do Plano Setorial das Cultura Populares, pretende debater e celebrar a diversidade cultural de que é composto o Vale do Mucuri.

O ambiente atual é bastante propício para o debate sobre as identidades que formam o Mucuri, a contribuição da diversidade das comunidades e povos que constroem essa região. A participação das comunidades tradicionais, principalmente as quilombolas e indígenas são importantes para o sucesso deste encontro e dos seus desdobramentos, maior intercâmbio entre as comunidades, maior visibilidade e a inclusão da pauta das culturas populares na agenda política local e regional, fundamentais para o reconhecimento, fortalecimento e promoção das identidades.

O Encontro foi viabilizado por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais, será realizado pela Associação Mucury Cultural, Lapa Ação Cultural, Prefeitura Municipal de Teófilo Otoni, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, com o patrocínio da Petrobras e apoio do IDENE, Cimos-Mucuri/MPMG e UFVJM.

 

Programação

O Encontro acontecerá entre os dias 25 e 27 de setembro de 2015 e trará debates, cortejo de grupos da cultura popular (ternos de folia, grupos de batuques e bois), feira de artesanato e shows – tudo isso com entrada franca.  

A programação tem início com a abertura da feira de artesanato com destaque para a produção da cerâmica, artesanato em tecido e a arte indígena. Artesãos de cidades dos vales do Mucuri, Jequitinhonha e Rio Doce irão expor seus trabalhos na Praça Germânica, no centro de Teófilo Otoni. No mesmo espaço, as duas primeiras noites serão dedicadas a shows com grandes nomes da música do Mucuri como Pereria da Viola e Bilora, além dos cantores e compositores Abraão Xingú e Mestre Dema.

No sábado, dia 26, manhã e tarde serão dedicados aos debates no Campus Mucuri da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri. As Culturas Populares e Tradicionais serão discutidas nas mesas “Identidades no Vale do Mucuri” e “Rumos e Resistências”, com a presença de representantes das comunidades quilombolas e povos indígenas, pesquisadores, agentes culturais e representantes do Ministério da Cultura, Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais e Prefeitura Municipal de Teófilo Otoni.

Dia 27, domingo, o evento segue com um cortejo na Praça Tiradentes durante a manhã. Ao todo serão cerca de 10 grupos de cultura popular, entre eles Batuque Pai João Preto (São Julião/Teófilo Otoni), Grupo de Batuques do Córrego do Norte (Santa Helena de Minas), Terno de Reis de Fronteira dos Vales, Folia de Reis Maria do Bode (Almenara), Grupo Folclórico os Coquis (Rubim), Os meninos e o Boi (Rubim) e Grupo de Batuque dos Quilombolas de Ouro Verde Minas (Ouro Verde de Minas), representando diversas cidades da região e também algumas do Vale do Jequitinhonha – cuja influência nas tradições de origem negra foram fundamentais para a identidade das comunidades do Mucuri.

 

Serviço

- Evento: Encontro Mineiro de Cultura Popular
- Agenda: de 25 a 27 de setembro de 2015, em Teófilo Otoni, Vale do Mucuri/MG
- Acesso: gratuito, sem restrições de faixa etária
- Informações para o público: (33) 3529-3061 e culturapopular.mucurycultural.org

- Realização: Associação Mucury Cultural, Lapa Ação Cultural
e Prefeitura de Teófilo Otoni
- Patrocínio: Petrobras e Governo de Minas
- Apoio: Cimos-Mucuri/MPMG e UFVJM
- Incentivo: Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais

- Informações para a imprensa: (33) 8886-4097 e imprensa@lapacultural.com.br

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segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Seminário Tecendo a Rede Jequitinhonha Cultural

Entre os dias 21 e 23 de fevereiro próximos acontecerá em Araçuaí o Seminário Tecendo a Rede Jequitinhonha Cultural.

Iniciativa do Valemais – Instituto Sociocultural do Jequitinhonha e pretende:

Articular uma rede cultural no Vale do Jequitinhonha que possa discutir seu movimento cultural, seus eventos, diretrizes, financiamento e outras atividades que englobem o fazer cultural e as diversas políticas públicas nas esferas: municipal, estadual e federal.

Participarão entidades, poder público e agentes culturais da região, numa excelente oportunidade de diálogo e troca em um movimento que ocorre há quase 40 anos e sente a necessidade de reinventar-se:

A Rede Jequitinhonha Cultural já existe desde 1978, ano em que foi lançado o Jornal Geraes. O que estamos propondo é atualizá-la aos novos tempos.

A proposta de articulação em rede é bastante pertinente, na medida em que sua atuação em forma cooperativada é mais consistente e democrática, ela – a rede – não necessita de uma estrutura institucional e burocrática próprias, além de uma baixa hierarquização, democratizando e dando novo corpo a um dos principais movimentos populares e culturais de Minas Gerais e do Brasil.

SERVIÇO

Evento: Seminário Tecendo a Rede Jequitinhonha Cultural

Data: 21 a 23 de fevereiro de 2014

Local: Centro Cultural Luz da Lua

Endereço: Rua dom Serafim, 426, Bairro Esplanada – Araçuaí

Inscrições: clique aqui.

Mais informações: redejequitinhonhacultural@gmail.com | facebook.com/redejequitinhonhacultural
31 3423-1940 | 31 9208-9537 | 33 3731-4432

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quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Produção audiovisual indígena–entrevista com Vincent Carelli

Do Blog Acesso

Por Bernardo Vianna

O trabalho do Vídeo nas Aldeias teve início em 1986, a princípio como uma experiência de apropriação, pelos indígenas, da construção de sua própria imagem por meio da linguagem audiovisual. Seu idealizador, o antropólogo Vincent Carelli, conta que, ao longo desses 27 anos, o projeto tomou várias direções, “formação de cineastas indígenas, produção de autores indígenas, programas na TV. O Vídeo nas Aldeias tenta se encaixar para ver qual a contribuição que pode dar em determinado momento do país”.

Hoje, o momento ao qual o projeto precisa se adaptar envolve a precarização de políticas públicas voltadas à diversidade cultural, como o Cultura Viva, que impulsionou inúmeras ações culturais durante a última década. Outro elemento desse cenário são as mídias e redes sociais, das quais muitos indígenas já fazem uso desde que tais tecnologias começaram a se popularizar no Brasil.

Além de comercializar os vídeos em seu catálogo, o Vídeo nas Aldeias disponibiliza, na internet, séries e materiais pedagógicos voltados ao ensino fundamental. Confira o livro-vídeo Cineastas Indígenas para Jovens e Crianças e o Guia para professores e alunos do Kit “Cineastas Indígenas: Um outro olhar”. Os vídeos também podem ser acessados nos canais do projeto no YouTube e no Vimeo.

Acesso – Você poderia sintetizar para o leitor como surgiu e qual a proposta do Vídeo nas Aldeias?

Vincent Carelli – Há mais de 40 anos trabalho com índios. Em 1986, resolvi fazer esse projeto mais como uma experiência de apropriação da imagem pelos índios, da imagem deles. De lá para cá, passados 27 anos, o projeto tomou várias formas, primeiro uma coisa mais interna, depois a formação de cineastas indígenas, a produção de autores indígenas, os programas na TV; o Vídeo nas Aldeias tenta se encaixar para ver qual a contribuição que pode dar em determinado momento do país. Fizemos uma série para a TV Escola [a série Índios no Brasil] que durante uma década foi exibida nas TVs públicas. Hoje, a gente investe muito em fazer a produção indígena chegar às escolas. Há essa nova lei que torna obrigatório abordar a temática das culturas indígenas e afrodescendentes de maneira transversal, o que abriu uma possibilidade para a gente dialogar com o público estudantil. Em 2013, fizemos uma série de filmes infantis com guias didáticos para o ensino fundamental, com recursos da Unesco. Estamos agora fazendo um filme sobre a tragédia do povo Guarani Kaiowá no Mato Grosso do Sul e vamos iniciar, este ano, um processo de formação de cineastas entre os Guarani Kaiowá. Temos trabalhado não só a apropriação da própria imagem pelos índios como a produção de uma nova imagem e o diálogo com a sociedade nacional. Existe uma ignorância sobre a questão indígena muito grande, um fosso de invisibilidade nacional.

Acesso – O discurso sobre os povos indígenas, quando por eles construído, serve como contraponto à imagem estereotipada vigente?

V. C. – É um contraponto no sentido de que o olhar é diferenciado, não é um olhar exotizante, é um olhar intimista. Até pela própria linha de ensino que a gente adota, o cinema direto, que é um cinema observacional, na contramão do clipe televisivo. A produção indígena, o olhar indígena, desconstrói esse estranhamento. Os índios, quando falam deles mesmo, falam, muitas vezes com muito humor, do seu cotidiano, da sua vida, de tudo o que nos aproxima deles, a humanidade. É um contraponto sim, a produção indígena revela, transporta você para a intimidade de um mundo que poderia parecer estranho, mas não, o que transparece é humanidade. Isso é uma coisa que marca, que atrai, que ganha o público de uma maneira geral.

Acesso – E qual o impacto das novas tecnologias digitais e das mídias e redes sociais sobre o trabalho do Vídeo nas Aldeias?

V. C. – Você está falando de várias coisas ao mesmo tempo. Quanto à questão tecnológica, saímos do analógico e fomos para o digital. Claro que facilitou muito, até na finalização. Antigamente, no analógico, uma ilha de edição custava 250 mil dólares. De repente, passou a custar quatro mil, fora a agilidade que isso permitiu. Mas há também uma armadilha nesse processo. Acabou a fita e isso quer dizer que os índios têm que ter acesso a toda uma parafernália nova. Ninguém trabalha mais sem computador, sem internet. Aquele gravadorzinho K7 que eles tanto gostavam para gravar e ficar ouvindo já não existe mais. Eles agora têm um gravador digital, mas não têm um computador para baixar, enfim, existem algumas dificuldades.

Quanto à circulação da informação nas redes sociais, realmente eles aderiram muito rapidamente. Eu confesso que passei batido pelo Orkut, mas os indígenas caíram de boca logo quando essa rede apareceu. O perfil do Vídeo nas Aldeias tem quatro mil e tantos amigos no Facebook e, entre eles, provavelmente 40% são jovens e adolescentes indígenas. Você vê que há uma necessidade de abertura para o mundo, de criar laços de amizade, laços de aliança. Já sobre a questão Guarani Kaiowá, eu não costumo buscar informação no jornal, os índios têm um blog, uma página, e postam diariamente o que acontece em toda a região. Eles têm uma articulação para a circulação de informação, as redes sociais viraram, realmente, um novo espaço de circulação de informação livre. Tem do melhor e do pior, mas você pode criar a sua rede de informação e por aí se cria uma nova perspectiva. O genocídio Guarani Kaiowá acontece há pelo menos três décadas, mas ele conseguiu chegar ao público brasileiro, de fato, agora nessa nova era.

Acesso – Qual sua avaliação das políticas públicas para o fomento do audiovisual indígena?

V. C. – A gente teve um programa na TV que foi de suma importância, que mostrava a necessidade de um espaço indígena na TV pública. Mas houve um retrocesso tão grande na política cultural brasileira... O Vídeo nas Aldeias, por exemplo, ganhou um grande impulso na era Gil [período em que Gilberto Gil foi ministro da Cultura], com o Cultura Viva, para financiar oficinas, equipar comunidades indígenas. Todo esse investimento na diversidade, em dar voz a quem nuca teve voz, tudo isso acabou, foi desmantelado, burocratizado.

Acesso – No ano passado foi encaminhada, à Secretaria do Audiovisual, a Carta de Diamantina, demandando uma política específica para o audiovisual indígena.Qual foi a resposta?

V. C. – Nem sequer responderam. A gente pediu uma audiência para conversar, trocar ideias juntos, mas enfim. Hoje em dia, a área em que o Vídeo nas Aldeias tem um know-how, em que produz coisas interessantes, é na formação. Mas não tem mais, no Brasil, verba para formação. E formação gera produção. Estamos, inclusive, fechando uma parceria com o Mídia Ninja para equipar os índios do Mato Grosso do Sul. A gente vai fazer uma divulgação em streaming ao vivo da audiência pública marcada para fevereiro, dos depoimentos, das atrocidades que foram cometidas. Eu acho que está mais fácil trabalhar por esses canais do que voltar a ter um programa na TV Brasil.

Retirado daqui em 22/01/2014.

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terça-feira, 3 de dezembro de 2013

SEC divulga resultado do primeiro edital Indígena 2013

Das 10 propostas aprovadas, 3 são do Vale do Mucuri.

Esperamos que este não seja o único edital e que possa ser ampliado o fomento à cultura dos Povos Indígenas mineiros.

Da SEC

A Secretaria de Estado de Cultura, por meio da Superintendência de Ação Cultural, publica hoje (28-11) no Diário Oficial do Estado, ‘Minas Gerais’, o resultado do edital de Prêmio para aquisição de Cabanas de Ritos para Comunidades Indígenas Aldeadas, que está inserido no Programa de Apoio à Cultura Popular.

As comunidades contempladas vão receber premiação em dinheiro que deverá ser utilizado para aquisição de Cabana de Ritos e/ou equipamentos para sua estruturação, como forma de contribuir para a preservação dos Ritos das Comunidades Indígenas Aldeadas. Serão distribuídos, ao todo, 11 prêmios no valor de R$15.000,00 (quinze mil reais) cada.

Resultado do edital

Retirado do site da SEC-MG em 03/12/13, daqui.

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quinta-feira, 14 de novembro de 2013

SEC divulga primeiro Edital Indígena 2013

Da SEC-MG

A Secretaria de Estado de Cultura, por meio da Superintendência de Ação Cultural, publica hoje (13-11) no Diário Oficial do Estado, ‘Minas Gerais’, o edital de Prêmio para aquisição de Cabanas de Ritos para Comunidades Indígenas Aldeadas, que está inserido no Programa de Apoio à Cultura Popular.

O prazo para a inscrição de propostas é de 14 a 22 de novembro.

É considerada Comunidade Indígena Aldeada aquela que tenha ascendência pré-colombiana que se auto-reconhece como indígena e também reconhecida pelo coletivo, e que vivem em suas respectivas áreas tradicionais ou reservas.

O apoio dado a essas comunidades será através de premiação em dinheiro que deverá ser utilizada na aquisição de Cabana de Ritos e/ou equipamentos para sua estruturação, como forma de contribuir para a preservação dos Ritos das Comunidades Indígenas Aldeadas. Serão distribuídos, ao todo, 11 prêmios no valor de R$15.000,00 (quinze mil reais) cada.

Arquivos para download:

Edital indígena 2013
Folha de Protocolo
Formulário Padrão

Retirado do site da SEC-Mg em 14/11/13 do endereço:

http://www.cultura.mg.gov.br/component/gmg/story/1700-sec-divulga-primeiro-edital-indigena-2013

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quinta-feira, 25 de abril de 2013

Cultura indígena do século 19

O interesse do governo austríaco em trazer para o Brasil uma exposição cujo acervo é fruto de uma missão científica que veio ao país com a arquiduquesa Leopoldina, em 1817, foi tema de reunião entre representantes do Ibram e do governo da Áustria com a ministra Marta Suplicy, na tarde desta terça-feira (23).

A exposição "Além do Brasil" é o resultado da expedição que ficou em terras brasileiras durante 18 anos e pesquisou diversos aspectos da vida dos indígenas brasileiros. A mostra conta com roupas, artesanato, armas e documentos que representam a vida dos índios no Brasil à época. Em Viena, no Museu do Mundo (o Welt Museum Wien), as peças ficaram expostas por seis meses, de julho de 2012 até janeiro de 2013. Agora, eles discutem a vinda da exposição para o Brasil.

Segundo a ministra Marta Suplicy, o MinC tem todo interesse em trazer a mostra para o Brasil. "O acervo é de grande importância para a história brasileira e teremos um grande prazer em poder expor essas ricas informações aos brasileiros, mostrar suas origens". 

As negociações entre o Ibram e o governo austríaco estão em andamento e a intenção é trazer a exposição ao Brasil até 2015. A circulação está prevista para as cidades de Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo e Belém. A delegação austríaca falou também sobre a intenção de levar para o Museu do Mundo uma mostra permanente com o acervo que o país detém sobre o Brasil, assunto que também está sendo discutido com o Ibram. 

Estiveram na reunião a embaixadora da Áustria, Mariane Feldmann, o diretor do Museu de Etnologia de Viena, Steven Engelsman, a curadora da Coleção Amazônica do Museu de Etnologia, Cláudia Augustat, e o ministro-conselheiro da Embaixada da Áustria no Brasil, Karl Ehrlich. A equipe do Ibram foi representada por Ângelo Oswaldo de Araújo, a diretora interina Eneida Braga e pelo diretor do Departamento de Museus do IBRAM, Cícero Almeida.

Parcerias com o Ibram

O Museu do Mundo tem interesse na metodologia de desenvolvimento dos Pontos de Memória, bem como na promoção de intercâmbio com comunidades que se relacionem com o acervo etnográfico do museu. Já estão previstas visitas da delegação austríaca a Pontos de Memória no Rio de Janeiro e em Belém. 

Além disso, o Welt Museum e o Ibram têm interesse em firmar uma parceria de longo prazo. O intercâmbio prevê a cooperação na área de pesquisa e capacitação no campo da museologia e etnologia, recuperação de acervos, educação e acessibilidade de museus, e intercâmbio profissional de técnicos e especialistas de museus.

História da expedição austríaca no Brasil

Até o início do século 19, o Brasil não era plenamente conhecido pelos europeus e por boa parte do mundo. Após o casamento da arquiduquesa Leopoldina com D. Pedro, o príncipe herdeiro Português, em 1817, a Áustria enviou uma expedição científica ao Brasil para estudar o país, as pessoas, a flora e fauna. O zoólogo Johann Natterer juntou-se à expedição e viajou pelo país durante quase duas décadas.

A missão foi uma das mais importantes já realizadas neste país. Natterer dedicou-se à coleta e preparação de material biológico e etnográfico em enorme extensão do território brasileiro. Posteriormente, o material seria utilizado em estudos nas mais diferentes áreas científicas e culturais.

(Texto: Rosiene Assunção / Ascom MinC)

Retirado do site do MinC em 25/04/13 do endereço:
http://www.cultura.gov.br/banner-1/-/asset_publisher/G5fqgiDe7rqz/content/cultura-indigena-do-seculo-19/10883;jsessionid=1EB201F9F0A1B508F2864979CBA22D11.portal2?redirect=http%3A%2F%2Fwww.cultura.gov.br%2Fbanner-1%3Bjsessionid%3D1EB201F9F0A1B508F2864979CBA22D11.portal2%3Fp_p_id%3D101_INSTANCE_G5fqgiDe7rqz%26p_p_lifecycle%3D0%26p_p_state%3Dnormal%26p_p_mode%3Dview%26p_p_col_id%3Dcolumn-1%26p_p_col_count%3D2

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terça-feira, 2 de abril de 2013

Planos Setoriais de Culturas Indígenas e Culturas Populares

A Secretaria da Cidadania e da Diversidade Cultural lançou, durante a abertura da reunião do Conselho Nacional de Política Cultural-CNPC, entre os dias 06 e 07 de março, os planos Setoriais para Culturas Indígenas e Culturas Populares. Os planos integram o Plano Nacional de Cultura-PNC e trazem as diretrizes específicas que orientarão a elaboração e implementação de políticas públicas de cultura para os dois segmentos.

Segundo a secretária da Cidadania e da Diversidade Cultural do Ministério da Cultura, Márcia Rollemberg: “O Plano Setorial para as Culturas Indígenas tem como missão instaurar e estruturar uma política pública para os próximos 10 anos, tomando como objeto as culturas indígenas no Brasil”.

Culturas Indígenas

A secretária ainda destacou que “para sua implantação, o plano conta com o protagonismo dos povos indígenas no desenvolvimento de suas ações”.

O Plano tem como objetivo desenvolver três Macroprogramas de ações: Memória, Identidade e Fortalecimento das Culturas Indígenas; Cultura, Sustentabilidade e Economia Criativa; Gestão e Participação Social.

Estes Macroprogramas encontram-se alinhados às três dimensões da cultura com as quais o Ministério da Cultura opera: simbólica, econômica e cidadã.

Culturas Populares

O Plano Setorial para as Culturas Populares tem como objetivo valorizar as culturas populares brasileiras, como elemento essencial para a diversidade cultural do país.O Plano é ainda resultado dos compromissos pactuados com o setor das Culturas Populares em diversos momentos de diálogo, tais como os dois Seminários Nacionais de Políticas Públicas para as Culturas Populares, em 2005 e 2006, e na I e II Conferências Nacionais de Cultura, realizadas respectivamente em 2005 e 2010. “O Plano objetiva também reconhecer a especificidade do setor e seu conteúdo reflete a visão de futuro que temos hoje para a cultura em nosso país”, disse Márcia Rollemberg.

Segundo ela, o Plano prevê o mapeamento das manifestações do segmento de Cultura Popular em todo o país. “Os processos de transmissão de saberes são outro ponto importante deste Plano. O fomento a estas ações deve garantir a proteção e a promoção desses saberes”,explicou. De acordo com a secretária, o Plano prevê, ainda, ações transversais que possibilitem um desenvolvimento em conjunto com as políticas de educação, saúde, comunicação, turismo e meio ambiente.

Fontes:

Redação SCDC - Secretaria da Cidadania e da Diversidade Cultural

ODC – Observatório da Diversidade Cultural

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quarta-feira, 6 de março de 2013

Expedição no Rio Negro

Retirado do site do MinC em 06/03/13 do endereço:

http://www.cultura.gov.br/site/2013/03/01/expedicao-no-rio-negro/

Iphan/MinC integra comitiva que mapeará lugares sagrados

Uma expedição formada por 18 indígenas brasileiros da família linguística Tukano (Tukano, Tuyuca, Pira-Tapuia, Bará, Desana, Tariano e Makuno) está percorrendo o curso do Rio Negro, entre as cidades de Manaus e São Gabriel da Cachoeira, na região amazônica, com objetivo de refazer parte da rota ancestral de lugares sagrados e míticos destes povos.

 

A expedição faz parte de um programa binacional (Brasil-Colômbia) de cartografia e documentação cultural dos lugares considerados sagrados pelos povos da famílias linguísticas Tukano (cerca de 30 mil indivíduos vivendo nas bacias transfronteiriças dos rios Uaupés e Apapóris), Arawak e Maku.

O grupo partiu de Manaus no dia 19 de fevereiro de 2013 e deve concluir o percurso em 11 de abril. Uma equipe do projeto Vídeo nas Aldeias participa da expedição e está fazendo gravações. A expectativa é a realização de um vídeo-documentário sobre a viagem que servirá de subsídio – juntamente com os demais materiais colhidos- ao desenvolvimento do programa binacional de cartografia e documentação dos lugares sagrados.

Acompanham o trajeto documentaristas, pesquisadores e técnicos do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan/MinC), da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), do Instituto Socioambiental (ISA) e do Ministério da Cultura da Colômbia, instituições que estão apoiando o projeto. Contam com a parceria, também, da Fundação Rainforest da Noruega.

O Ministério da Cultura do Brasil está apoiando o projeto por meio de um convênio firmado entre o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan/MinC) e o Instituto SocioAmbiental (ISA). A antropóloga Ana Gita, coordenadora-geral de Identificação e Registro da Departamento do Patrimônio Imaterial do Iphan, integra a equipe da expedição no Rio Negro.

A lenda da Rota Mítica

Criados pelo Avô do Universo e vivendo inicialmente em forma de peixe – wai mahsã (gente-peixe) -, estes primeiros ancestrais chegaram aos rios da Bacia do Uaupés e Apapóris depois de uma longa viagem subaquática a bordo de uma Cobra-Canoa, a Anaconda Ancestral, chamada pelos Pira-Tapuia de Pamulin Yuhkusoa (Canoa de Transformação).

Acompanhe a expedição

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(Fonte: Iphan/MinC e Instituto SocioAmbiental)
(Texto: Ascom/MinC)
(Fotos: Wild Itaborahy e Vincent Carelli, Instituto SocioAmbiental)

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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Organizações convocam para II Cúpula Continental de Comunicação Indígena

Retirado do site do Observatório da Diversidade Cultural em 25/02/13 do endereço:

http://observatoriodadiversidade.org.br/site/organizacoes-convocam-para-ii-cupula-continental-de-comunicacao-indigena/

Defendendo o direito a exercer uma comunicação autônoma, que respeite e preserve a pluralidade cultural e linguística dos povos, é que organizações indígenas da América Latina se preparam para a II Cúpula Continental de Comunicação Indígena dos povos indígenas de Abya Yala. O evento ocorrerá na comunidade Tlahuitoltepec, Mixes, no estado de Oaxaca, México, de 7 a 13 de outubro deste ano.

De acordo com a convocatória, o objetivo do evento é contribuir para o fortalecimento dos processos de comunicação dos povos indígenas de Abya Yala, “no marco de diálogo, intercâmbio, reflexão e propostas”, além de criar e fortalecer políticas públicas para este setor diante de organismos nacionais e internacionais, e desafiar a comunicação hegemônica que serve aos interesses políticos e de grandes empresas.

As organizações responsáveis pela Cúpula destacam que a construção de sociedades plurais e inclusivas só será possível com a transformação dos meios de comunicação e com a valorização e o reconhecimento cultural dos povos indígenas. Por isso, a ideia, segundo a convocatória, é avançar na construção e implementação de um plano de formação integral em comunicação indígena (Escola Itinerante).

O evento deve abordar temas que enfoquem os princípios da comunicação indígena; a comunicação na defesa dos territórios e bens comuns dos povos indígenas; políticas públicas em comunicação indígena; entre outros.

De acordo com dados da Minga Informativa dos Movimentos Sociais, apenas a Bolívia e a Argentina já destinaram uma porcentagem de suas leis de comunicação para os povos indígenas. Os demais países do continente Abya Yala ainda não apresentam regulamentação específica, que permita aos povos indígenas exercer seu direito à comunicação.

Inscrições de participantes

Comunicadores indígenas, representantes de organizações indígenas ou especialistas neste campo interessados em contribuir com as mesas de trabalho da Cúpula têm até o dia 20 de agosto para enviar propostas com base nos temas do evento. Os trabalhos devem ser enviados para o sitewww.comunicacionesabyayala.org. Além das mesas, também haverá sessões plenárias, laboratórios prático que promoverá troca de experiências, seminários-oficinas e exposições culturais.

Os/as interessados/as em participar da Cúpula devem se inscrever até o dia 20 de setembro, também pelo site, enviando uma carta de apresentação de suas organizações ou comunidades.

A Cúpula é uma iniciativa de diversas organizações indígenas como o Congresso Nacional de Comunicação Indígena (CNCI – México), Conselho Regional Indígena de Cauca, Colômbia (CRIC), Coordenadora Andina de Organizações Indígenas (CAOI), Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador (CONAIE), entre outras.

Para mais informações: www.comunicacionesabyayala.org

FONTE: ADITAL – http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&img=S&cod=73560

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terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Cantoria das Águas – o avanço do setor cultural do Vale do Mucuri

Por Bruno Bento.

clip_image002Enquanto convalesço de uma segunda dengue, tento descrever brevemente a alegria e trabalho que participamos nos dias 18 e 19 deste janeiro em Águas Formosas, uma das cidades mais importantes, bonitas, poéticas e cantadas do Vale do Mucuri, onde foi realizado o I FÓRUM REGIONAL DE CULTURA DO VALE DO MUCURI.

Este encontro teve como objetivos a mobilização, a articulação do setor cultural regional, bem como discussões de temas como identidade cultural e necessidade de institucionalização de uma movimentação que andava meio dispersa nos vários municípios da região, além de uma proposta mais abrangente, uma vez que não podemos falar em cultura sem pensarmos em inclusão, cidadania e sustentabilidade.

Em linhas gerais os resultados foram a criação de um Fórum Permanente de Cultura do Mucuri e o Válido Mucuri – Instituto de Cultura, Cidadania e Sustentabilidade Ambiental e o início de um trabalho-processo de reflexão, mobilização, articulação, profissionalização, produção e fruição cultural.

O evento contou com presença dos grandes nomes da cultura popular do Mucuri e das Minas, tais como: Bilora, Pereira da Viola, Gonzaga Medeiros, Tau Brasil, Carlos Farias, eles e todos nós, lotamos o auditório o Centro de Cultura Professor Maurício Marcondes Coelho. Éramos artistas, produtores, agentes culturais e políticos representantes de diversas cidades da região, da AMUC – Associação dos Municípios da Microrregião do Vale Do Mucuri –, e do Vale do Jequitinhonha, como FECAJE e VALEMAIS - Instituto Sociocultural do Jequitinhonha, além ilustre da presença de Raimundo Luiz Vieira Dutra, vereador de Padre Paraíso e grande articulador cultural do Jequitinhonha.

Durante a abertura do evento, os discursos foram uníssonos no apoio às ações que seriam propostas pelo fórum e pela futura entidade, salientamos- o do prefeito de Águas Formosas, Carlinhos e do Presidente da AMUC e prefeito de Ataléia, Geraldo Amador (que podem ser conferidos no link a seguir).

Tive a honra de conduzir um bate papo sobre identidade cultural, partimos do livro “O que faz o brasil, Brasil” de Roberto DaMatta, e fizemos algumas reflexões sobre nossa identidade mucuriana: o que faz o mucuri, Mucuri? Foi a pergunta que fizemos. Ao final do primeiro dia e desta conversa podemos dizer, a grosso modo, que somos nós quem fazemos o Mucuri:

Foi, é e será o homem, portanto a cultura que transformou uma porção de território em espaço social e culturalmente construído, de mesma maneira o fizemos com a palavra, com o lugar dos Borun. Entretanto para sabermos como se deu este processo e quais suas características e resultados ainda precisamos ir fundo nos grotões deste nosso Mucuri.

(Para conferir o vídeo de transmissão do primeiro dia do Fórum, clique aqui.)

Já no segundo dia, iniciamos com a participação emocionante de Pereira da Viola numa discussão sobre a importância do encontro e da criação da entidade e de um fórum permanente e que fossem mais abrangentes em sua atuação. Em sequência foi apresentado o modelo de estatuto.

Após o almoço foi aberta a Assembleia Geral que criou o Válido Mucuri – e elegeu a primeira diretoria e respectivos conselhos de Administração e Fiscal.

(Para conferir o vídeo de transmissão do segundo dia do Fórum: 1ª parte, 2ª parte 1, 2ª parte 2, 2ª parte 3)

E em clima de confraternização que marcou todo o encontro, a diretoria e componentes dos conselhos e do Fórum Permanente de Cultura do Mucuri foram empossados, todos com o comprometimento de atuar fortemente na articulação e mobilização para o desenvolvimento setorial da cultura no Mucuri.

Também já foram escolhidos os municípios para sediarem as duas primeiras edições do Festival Cultural (ainda sem nome definido) do Vale do Mucuri, sendo a primeira edição no ano de 2013 em Águas Formosas e em 2014 em Machacalis.

(Para conferir o vídeo de transmissão do encerramento do Fórum, clique aqui.)

O dia foi fechado com uma bela chuva versejada por Gonzaga Medeiros como sendo o sinal dos novos tempos para a cultura regional e popular do Mucuri, e eles junto aos grandes artistas nos brindaram com um show maravilhoso, o corolário de um final de semana histórico para todos nós e o nosso Vale.

Finalmente, podemos concluir que após décadas de idas e vindas, inicia-se outro ­oriente para o desenvolvimento do setor cultural no Mucuri, e sua identidade. Por conseguinte, sabemos por nossos irmãos mais próximos do Jequitinhonha que o caminho passa pela valorização da cultura popular, por isso avançaremos pelos grotões, também que articulação e mobilização são processos que não podem ser interrompidos sob pena de termos de começar tudo outra vez, e que em tempos hipermodernos temos de promover e também valorizar a diversidade de nossas expressões artístico-culturais e todos os seus meios de produção e fruição.

Há muito trabalho a ser feito, muita experiência a ser compilada e partilhada, muita conversa, suor e sangue para prosseguirmos!

Que Krenhuh Jissa Kiju nos ajude!

Ps.: em breve virão as fotos do evento.

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quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Lançamento "Livro Vivo"

Retirado do site da Associação Filmes de Quintal em 30/09/12 do endereço:

http://www.filmesdequintal.org.br/?&noticia=44

Ter o livro, nosso Livro Vivo, porque os antigos, quando surgiu doença, se preocuparam em se transformar em ervas para socorrer o seu povo. Como o primeiro pajé, que descobriu como se transformar em ervas dos grupos Dua, Banu, Inani e Inu, para socorrer os Huni kuin, assim eu também me preocupei em deixar esta mensagem de conhecimento para o meu povo, meus filhos e netos, para toda a comunidade e para os que vão ver esse documento da identidade e do conhecimento do nosso povo antepassado.

(Pajé Agostinho Ika Muru. Una Hiwea, O Livro Vivo)

Acontece, no dia 09 de setembro, na aldeia São Joaquim Centro de Memória, rio Jordão/AC, a festa em homenagem ao Pajé Agostinho Ika Muru, com o lançamento de suas obras: Una Hiwea, o Livro Vivo e do vídeo Shuku Shukuwe, a vida é para sempre.

O livro e o filme são resultado do projeto Livro Vivo: Medicina tradicional Huni Kuin, idealizado pelo Pajé Agostinho e realizado em parceria com a Associação Filmes de Quintal, Núcleo de Pesquisa Literaterras/UFMG e comunidade Huni Kuin do Rio Jordão. O projeto teve o apoio do IPHAN, Ministério da Cultura e Ministério da Educação.

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quinta-feira, 21 de junho de 2012

Dirigentes e indígenas debatem o plano setorial

Retirado do Cultura e Sustentabilidade na Rio+20 em 21/06/12 do endereço:

http://www.cultura.gov.br/riomais20/blog/2012/06/20/dirigentes-e-indigenas-debates-o-plano-setorial/

Rio de Janeiro – O Seminário de Culturas Indígenas que começou ontem(20) e segue até hoje (21), no Galpão da Cidadania, reuniu representantes de cerca de 20 nações indígenas entre as instaladas nos acampamentos Kari-Oca e Terra Livre.

Hoje o seminário apresentou e debateu o Plano Setorial para as Culturas Indígenas, que é parte do Plano Nacional de Cultura, sancionado em 2010. Para amanhã está reservado o lançamento da 4ª edição do Prêmio de Culturas Indígenas e dos Pontos de Cultura Indígena iniciados pelo MinC em 2012.

À mesa de abertura estavam a índia e pedagoga, Dora Pankararu, membro do Conselho Nacional de Política Cultural (CNPC), órgão ligado ao Ministério da Cultura (MinC), que representa a sociedade civil na formulação das políticas públicas de cultura, e o índio Kretã Kaingang, do colegiado setorial para culturas indígenas.

Completaram a mesa o secretário-executivo da Cultura, Vitor Ortiz, a secretária da Cidadania e da Diversidade Cultural do MinC, Marcia Rollemberg, e o diretor do Museu do Índio (Funai), José Carlos Levinho.

A discussão tratou dos avanços conquistados pelos povos indígenas, das dificuldades que ainda vivem e dos desafios que têm pela frente.

Conquista inédita

Considerado fato inédito pelas lideranças indígenas, o plano setorial para o segmento foi apresentado no final da manhã. “Somente agora, partindo de 2010, a cultura indígena consegue ter um plano setorial específico e fazer valer os marcos legais”, explicou Dora Pankararu.

“O desafio, agora, é o cumprimento das propostas do nosso plano setorial”, disse a conselheira do CNPC. O representante indígena, no conselho, é indicado pelo colegiado setorial indígena, criado em 2010.

Kretã Kaingang também comemorou a conquista e apontou os próximos passos. “O plano foi muito importante. Nossa primeira parte foi construir o plano, o próximo colegiado já vai trabalhar com orçamentos e metas. Somos muitos [há cerca de 180 nações indígenas no Brasil] e o plano tem que contemplar toda a diversidade e indígena”.

A plateia repleta de lideranças indígenas foi outro fator destacado por Kretã, que representa povos indígenas do sul do país. “É importante ter um mundo de lideranças no seminário, de várias partes do Brasil”.

Presidente da Associação que representa os Nukuni, do Acre, Xiti Nukini, mostrou-se grato por participar do seminário e da Rio+20, mas deixou uma reivindicação. “É um encontro mundial e o MinC está de portas abertas para nós, mas nossa dificuldade é de chegar nesses eventos, precisamos de mais atenção”.

Márcia Rollemberg ressaltou a importância do plano setorial e reforçou o papel dos Pontos de Cultura Indígenas como ‘articuladores’ entre as comunidades indígenas e os demais setores. “É um passo decisivo como política pública inclusiva”, disse. “Os pontos de cultura têm uma importância estratégica no processo de comunicação”.

Rodada de debates

O secretário de Políticas Culturais, Sérgio Mamberti, acompanhou a discussão na plateia. À tarde, o seminário desfez a formação convencional e prosseguiu com uma roda de debates em que o Secretário de Articulação Institucional do MinC, Roberto Peixe, falou sobre o plano, explicou como funciona, e ouviu os questionamentos e dúvidas de parte das diversas lideranças indígenas.

Mas quem falou mesmo foram os índios. “Agora é nossa vez de falar”, disse uma liderança. Uma das reivindicações foi quanto ao mecanismo de inscrição para votação de representantes que vão compor o novo colegiado setorial indígena. Os índios pedem prorrogação do prazo para inscrição e um sistema mais simples.

A ministra da Cultura, Ana de Hollanda, compareceu especialmente para deixar sua mensagem aos povos indígenas. “A presença da cultura indígena é muito forte nas nossas tradições, na nossa língua. Tenho todo o respeito pelos povos indígenas, é uma relação de brasileira que respeita a sua ancestralidade. Há muito o que fazer, mas não se faz da noite para o dia, estamos resgatando uma dívida de 500 anos”.

Confira a galeria de imagens.

(Texto: Ascom/MinC)
(Fotos: Caru Ribeiro e Luciana Avellar)

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quarta-feira, 20 de junho de 2012

Seminário Culturas Indígenas acontece hoje

Retirado do site do MinC em 20/06/12 do endereço:

http://www.cultura.gov.br/site/2012/06/19/seminario-culturas-indigenas-acontece-amanha/

Representantes do MinC estiveram em acampamentos indígenas divulgando o evento

Rio de Janeiro – Representantes do Ministério da Cultura (MinC) estiveram no acampamento Kari-Oca para convidar grupos indígenas para o Seminário sobre Culturas Indígenas, que ocorre hoje (20) e quinta-feira (21), das 9h30 às 17h30, no Galpão da Cidadania, espaço da Cultura na Rio+20.

O coordenador geral de Cultura e Cidadania da Secretaria da Cidadania e da Diversidade Cultural (SCDC), Pedro Domingues, explicou que “desde agosto de 2011 o MinC iniciou articulação com entidades indígenas para apoiar a realização da Kari-Oca e do acampamento Terra Livre; uma negociação conjunta do governo nesse período”.

Ele disse, também, que “o Ministério trabalha para que as representações indígenas estejam em diálogo com o órgão. O colegiado de Culturas Indígenas participa da elaboração de projetos e programas sobre a valorização, o resgate e, principalmente, a divulgação das culturas indígenas no Brasil”.

Sobre o Plano Nacional de Culturas Indígenas, a consultora do MinC, Luciane Ouriques, explicou que o plano é uma política pública voltada para o fortalecimento, a manutenção e atualização das culturas indígenas. “Foi construído durante cinco anos em discussão com tribos de diferentes regiões do país”.

O historiador Maurício Fonseca discorreu sobre o prêmio Culturas Indígenas, criado a partir de uma proposta construída com os índios e o Ministério.

Cristine Taquá, membro da aldeia ribeirão Silveira, do litoral norte de São Paulo, disse que os índios estão finalizando a Carta do Kari-Oca, que delimita as prioridades indígenas. “O documento será enviado para a ONU. Ainda há muito o que se fazer”.

A porta-voz do MinC junto aos indígenas, Graciliana Wakanã, explicou que a inscrição para a renovação do Conselho Nacional de Cultura acontece até o dia 24 de junho. “Gostaria de convidar a todos os presentes, o representante das aldeias para, unidos, termos mais representação no conselho”.

A Aldeia Kari-Oca é o mesmo espaço que abrigou os povos indígenas da América Latina durante a Rio 92.

A mesma ação foi desenvolvida ontem (19) no acampamento Terra Livre, outro espaço destinado ao abrigo dos índios. No próximo dia 21 haverá o lançamento do prêmio de Culturas indígenas no Galpão da Cidadania.

Veja, abaixo, imagens do acampamento Kari-Oca.

(Texto: Ascom/MinC)

(Fotos: Luciana Avellar)

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sexta-feira, 20 de abril de 2012

Na Trilha Guerreira dos Borun: os Mocuriñ

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Há poucos dias tivemos a oportunidade de conhecer a indigenista Geralda Soares. Ela representa o esforço pela valorização e resgate da cultura e história indígenas de toda a porção Leste de Minas Gerais, região que engloba os vales do Rio Doce, Jequitinhonha, Mucuri e São Mateus.

É esta região qual diversas etnias indígenas se refugiaram até o século XIX dos “portugueses”, dos Kraí (os loucos), dos brancos.

Estas etnias foram chamadas de Botocudos, em alusão às tampas de barris de bebida alcóolica.

Tínhamos aí uma questão delicadíssima, a Alteridade. Os brancos, que se pensavam os homens de verdade contra os botocudos, os selvagens, as tampas de barris... Por outro lado tínhamos os Borun, nome que os índios se chamavam, significando “homens verdadeiros” em contraposição aos Kraí, os de cabeça doida.

Não poderia haver outra coisa: guerra, massacre, sangue.

A história no Mucuri também é assim, com suas ressalvas, com suas exceções. Sempre poucas.

E no fim das contas temos a história dos vencedores: os brancos, os Kraí.

Os indígenas que não morreram, tentaram a todo custo mimetizarem-se. Muitos conseguiram, muitos desapareceram.

O trabalho da nossa amiga Geralda Soares é não somente o de contar a história dos que “perderam” a guerra, as também de buscar aqueles que abandonaram o ser índio para sua própria sobrevivência. Este é o caso dos Mocuriñ.

Passaram décadas como não índios, mas no início do século XXI, retomaram sua condição e história indígenas e estão, com muito trabalho, revisitando sua ancestralidade, buscando e interpretando sua existência, pesquisando e retomando suas tradições.

No dia 15 de abril, fomos com ela para conhece-los. Estávamos ansiosos. A expedição até a comunidade indígena dos Mocuriñ contou com a presença de Ademar Lemos, Leonardo Cambuí, Bruno Bento e claro, Geralda Soares.

Não saímos tão cedo quanto imaginávamos, mas chegamos a tempo do almoço que Dona Castorina tinha-nos preparado: frango caipira, arroz, feijão e macarrão. Estava delicioso.

Aos poucos foram chegando, uns sozinhos, outros em grupos, em núcleos familiares, e cada um com seu cachorro e um papagaio. Logo tínhamos mais de 10 pessoas discutindo sua história, as notícias dos familiares, daqueles que não puderam reunir-se, dos que ainda moram em outros lugares e de suas inquietações como comunidade e como indígenas. Assistimos ao vídeo de um casamento recente Maxakali. Foi discutida a participação em eventos nos quais a condição indígena é o principal tema, e as mulheres presentes solicitando mais participação.

Das mais de dez pessoas que dissemos, haviam 4 gerações, avós, filhos, netos e bisnetos. Os últimos já nasceram índios, Mocuriñ!

Um assunto nos chamou bastante atenção, a construção do Kieme, a casa coletiva onde as reuniões, encontros, discussões e festas ocorrem, é o ponto nevrálgico da aldeia, da comunidade. Esperamos estar lá para vermos e registrarmos este momento importantíssimo na retomada de no reapoderamento do ser índio dos Mocuriñ.

As fotografias retratam este nosso encontro e os momentos das discussões, e são nosso presente, aos indígenas deste nosso Mucuri, do Leste, Jequitinhonha e São Mateus, e são nosso presente aos Mocuriñ, à nossa nova mas grande amiga, Gêra, e a todos os Dias do Índio, todos os dias!

Para um pouco sobre a história dos Mocuriñ, trazemos um trecho extraído do livro Na Trilha Guerreira dos Borun, de Geralda Soares[1]:

O Povo Mocuriñ é formado pelos descendentes do Capitão Pohok, condutor de longa migração de vários povos, saindo da proximidade dos colonos europeus no Vale do Mucuri e se estabelecendo no vale do Itambacuri.

Pohok torna-se aliado dos Frades Capuchinhos na fundação do Aldeamento de Itambacuri em 1873. E avô de Domingos Ramos Pohok ou Pacó, primeiro professor indígena bilíngue de Minas Gerais.

Os Mocuriñ vivem hoje na Comunidade dos Xavier, no Município de Campanário, no Vale do Mucuri.

Domingos Ramos Pacó, sua filha Noemia Xavier e o indígena Chico Bugre são os antepassados mais próximos dos atuais Mocuriñ.

Ao todo são aproximadamente 100 pessoas que vivem na área rural e urbana desta região. Algumas famílias migraram para São Paulo e Belo Horizonte.

Domingos Ramos Pacó escreve a História de Itambacuri que é arquivada no APM (Arquivo Público Mineiro) em Belo Horizonte por Frei Olavo Timmers, OFM.

Em 1986 este documento e publicado pelo economista Eduardo Ribeiro no livro "Lembranças da Terra do Jequitinhonha e Mucuri", e em 2006 uma equipe de pesquisadores do CEDEFES e do Conselho dos Povos Indígenas de Minas Gerais e do GTME faz os primeiros contatos com a comunidade dos Xavier, iniciando aí seus contatos com entidades ligadas a Causa Indígena, com os demais indígenas e com a FUNAI.

Passam então a participar das atividades organizadas pelos indígenas e apoiadores.

Em 2006 são oficialmente apresentados na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. O povo Mocuriñ luta pelo seu reconhecimento pelos órgãos oficiais, pelo direito a um atendimento diferenciado na educação e saúde e pela ampliação da área de 19 alqueires em que vivem.

O reconhecimento do Povo Mocuriñ como mais um povo indígena de Minas e o resgate de uma divida histórica do Vale do Mucuri, de Itambacuri e da Sociedade para com aqueles que sobreviveram ao longo processo de exclusão e discriminação dos indígenas nesta região.

[1] SOARES, Geralda Chaves. NA TRILHA GUERREIRA DOS BORUN. Belo Horizonte: Núcleo de Publicação do Centro Universitário Metodista Izabela Hendrix., 2010. P. 209-211.

Confira as fotos:

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quinta-feira, 12 de abril de 2012

Na Trilha Guerreira dos Borun

Gera 01Hoje, dia 12 de abril ao meio dia, será aberta a Exposição Na Trilha Guerreira dos Borun, uma mostra da saga de nossos ancerstrais indígenas, suas lutas e das comunidades indígenas remanescentes no leste e nordeste de Minas Gerais.

E no dia 17 será lançado o livro Na Trilha Guerreira dos Borun, resultado de uma vida inteira de dedicação à causa indigenista da pesquisadora Geralda Chaves Soares.

Assim como a exposição, o livro traz consigo o esforço de resgate, retomada e valorização da história indígena, e na medida do possível sob a perspectiva de quem “perdeu” a história, ao menos em sua versão oficial. são fotografias, ilustrações, relatos e discussões levantadas acerca da chegada da população não-índia nestes nossos “sertões”.

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