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domingo, 20 de setembro de 2015

As Culturas Populares em Debate no Vale do Mucuri

 

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Celebrar as tradições ancestrais dos povos do Vale do Mucuri é o objetivo da primeira edição do “Encontro Mineiro de Cultura Popular”, um evento inédito que pretende valorizar, difundir e articular ações de preservação da rica memória das comunidades tradicionais de toda a região. De 25 a 27 de setembro, Teófilo Otoni receberá feira de artesanato, shows, debates e um grande cortejo com os principais grupos de cultura popular do leste e do nordeste de Minas Gerais.

As culturas populares são as formas pelas quais as comunidades se relacionam com seu ambiente, e suas expressões se dão por meio de inúmeras manifestações, como a música, o artesanato, a religiosidade, a cultura alimentar e a forma como se vestem, seus sotaques e casos. As culturas populares são como as comunidades espontaneamente digerem a realidade, criando sua própria visão de mundo.

Entretanto, essas culturas ainda são quase invisíveis, seja pela ausência de políticas públicas que deem conta de suas identidades e complexidades, seja pelo desprezo dos grandes meios de comunicação. Mesmo assim, são as culturas populares que inundam o mundo com seus repertórios, cores e sabores.

O Encontro Mineiro de Cultura Popular, cumprindo os objetivos do Plano Setorial das Cultura Populares, pretende debater e celebrar a diversidade cultural de que é composto o Vale do Mucuri.

O ambiente atual é bastante propício para o debate sobre as identidades que formam o Mucuri, a contribuição da diversidade das comunidades e povos que constroem essa região. A participação das comunidades tradicionais, principalmente as quilombolas e indígenas são importantes para o sucesso deste encontro e dos seus desdobramentos, maior intercâmbio entre as comunidades, maior visibilidade e a inclusão da pauta das culturas populares na agenda política local e regional, fundamentais para o reconhecimento, fortalecimento e promoção das identidades.

O Encontro foi viabilizado por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais, será realizado pela Associação Mucury Cultural, Lapa Ação Cultural, Prefeitura Municipal de Teófilo Otoni, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, com o patrocínio da Petrobras e apoio do IDENE, Cimos-Mucuri/MPMG e UFVJM.

 

Programação

O Encontro acontecerá entre os dias 25 e 27 de setembro de 2015 e trará debates, cortejo de grupos da cultura popular (ternos de folia, grupos de batuques e bois), feira de artesanato e shows – tudo isso com entrada franca.  

A programação tem início com a abertura da feira de artesanato com destaque para a produção da cerâmica, artesanato em tecido e a arte indígena. Artesãos de cidades dos vales do Mucuri, Jequitinhonha e Rio Doce irão expor seus trabalhos na Praça Germânica, no centro de Teófilo Otoni. No mesmo espaço, as duas primeiras noites serão dedicadas a shows com grandes nomes da música do Mucuri como Pereria da Viola e Bilora, além dos cantores e compositores Abraão Xingú e Mestre Dema.

No sábado, dia 26, manhã e tarde serão dedicados aos debates no Campus Mucuri da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri. As Culturas Populares e Tradicionais serão discutidas nas mesas “Identidades no Vale do Mucuri” e “Rumos e Resistências”, com a presença de representantes das comunidades quilombolas e povos indígenas, pesquisadores, agentes culturais e representantes do Ministério da Cultura, Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais e Prefeitura Municipal de Teófilo Otoni.

Dia 27, domingo, o evento segue com um cortejo na Praça Tiradentes durante a manhã. Ao todo serão cerca de 10 grupos de cultura popular, entre eles Batuque Pai João Preto (São Julião/Teófilo Otoni), Grupo de Batuques do Córrego do Norte (Santa Helena de Minas), Terno de Reis de Fronteira dos Vales, Folia de Reis Maria do Bode (Almenara), Grupo Folclórico os Coquis (Rubim), Os meninos e o Boi (Rubim) e Grupo de Batuque dos Quilombolas de Ouro Verde Minas (Ouro Verde de Minas), representando diversas cidades da região e também algumas do Vale do Jequitinhonha – cuja influência nas tradições de origem negra foram fundamentais para a identidade das comunidades do Mucuri.

 

Serviço

- Evento: Encontro Mineiro de Cultura Popular
- Agenda: de 25 a 27 de setembro de 2015, em Teófilo Otoni, Vale do Mucuri/MG
- Acesso: gratuito, sem restrições de faixa etária
- Informações para o público: (33) 3529-3061 e culturapopular.mucurycultural.org

- Realização: Associação Mucury Cultural, Lapa Ação Cultural
e Prefeitura de Teófilo Otoni
- Patrocínio: Petrobras e Governo de Minas
- Apoio: Cimos-Mucuri/MPMG e UFVJM
- Incentivo: Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais

- Informações para a imprensa: (33) 8886-4097 e imprensa@lapacultural.com.br

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quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Fórum de Políticas Culturais de Minas Gerais debate novas possibilidades do Programa Cultura Viva

Enviado pela Representação MG do MinC

O Fórum de Políticas Culturais de Minas Gerais convida para reunião no próximo dia25 de fevereiro de 2014 (terça-feira), às14h, na Funarte MG (Rua Januária, 68 - Belo Horizonte/MG), que contará com a presença do diretor da Cidadania e da Diversidade Cultural da Secretaria da Cidadania e da Diversidade Cultural do Ministério da Cultura, Pedro Vasconcelos. O diretor irá ministrar palestra com o tema Programa Cultura Viva - Novas possibilidades de parcerias a partir da Portaria 118 , de 30 de dezembro de 2013.

A Portaria 118 implementou mudanças no Programa Cultura Viva, dentre elas o reconhecimento, como Pontos de Cultura, de grupos e coletivos sem personalidade jurídica, que desenvolvam atividades culturais em suas comunidades. Além disso, a Portaria ampliou as formas de fomento aos projetos culturais, incluindo o lançamento de editais de Prêmios de Reconhecimentos e concessão de Bolsas de Apoio de iniciativas dos governos federal, estadual e municipal/distrital, dentre vários outros pontos que serão apresentados e debatidos na reunião.

Contamos com a sua presença!

Para confirmar presença, gentileza preencher o formulário disponível  aqui.

SERVIÇO

Evento: Debate Programa Cultura Viva - Novas possibilidades de parcerias a partir da Portaria 118 , de 30 de dezembro de 2013

Data: 25 de fevereiro de 2014

Local: Funarte MG

Endereço: Rua Januária, 68 - Belo Horizonte/MG

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quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Produção audiovisual indígena–entrevista com Vincent Carelli

Do Blog Acesso

Por Bernardo Vianna

O trabalho do Vídeo nas Aldeias teve início em 1986, a princípio como uma experiência de apropriação, pelos indígenas, da construção de sua própria imagem por meio da linguagem audiovisual. Seu idealizador, o antropólogo Vincent Carelli, conta que, ao longo desses 27 anos, o projeto tomou várias direções, “formação de cineastas indígenas, produção de autores indígenas, programas na TV. O Vídeo nas Aldeias tenta se encaixar para ver qual a contribuição que pode dar em determinado momento do país”.

Hoje, o momento ao qual o projeto precisa se adaptar envolve a precarização de políticas públicas voltadas à diversidade cultural, como o Cultura Viva, que impulsionou inúmeras ações culturais durante a última década. Outro elemento desse cenário são as mídias e redes sociais, das quais muitos indígenas já fazem uso desde que tais tecnologias começaram a se popularizar no Brasil.

Além de comercializar os vídeos em seu catálogo, o Vídeo nas Aldeias disponibiliza, na internet, séries e materiais pedagógicos voltados ao ensino fundamental. Confira o livro-vídeo Cineastas Indígenas para Jovens e Crianças e o Guia para professores e alunos do Kit “Cineastas Indígenas: Um outro olhar”. Os vídeos também podem ser acessados nos canais do projeto no YouTube e no Vimeo.

Acesso – Você poderia sintetizar para o leitor como surgiu e qual a proposta do Vídeo nas Aldeias?

Vincent Carelli – Há mais de 40 anos trabalho com índios. Em 1986, resolvi fazer esse projeto mais como uma experiência de apropriação da imagem pelos índios, da imagem deles. De lá para cá, passados 27 anos, o projeto tomou várias formas, primeiro uma coisa mais interna, depois a formação de cineastas indígenas, a produção de autores indígenas, os programas na TV; o Vídeo nas Aldeias tenta se encaixar para ver qual a contribuição que pode dar em determinado momento do país. Fizemos uma série para a TV Escola [a série Índios no Brasil] que durante uma década foi exibida nas TVs públicas. Hoje, a gente investe muito em fazer a produção indígena chegar às escolas. Há essa nova lei que torna obrigatório abordar a temática das culturas indígenas e afrodescendentes de maneira transversal, o que abriu uma possibilidade para a gente dialogar com o público estudantil. Em 2013, fizemos uma série de filmes infantis com guias didáticos para o ensino fundamental, com recursos da Unesco. Estamos agora fazendo um filme sobre a tragédia do povo Guarani Kaiowá no Mato Grosso do Sul e vamos iniciar, este ano, um processo de formação de cineastas entre os Guarani Kaiowá. Temos trabalhado não só a apropriação da própria imagem pelos índios como a produção de uma nova imagem e o diálogo com a sociedade nacional. Existe uma ignorância sobre a questão indígena muito grande, um fosso de invisibilidade nacional.

Acesso – O discurso sobre os povos indígenas, quando por eles construído, serve como contraponto à imagem estereotipada vigente?

V. C. – É um contraponto no sentido de que o olhar é diferenciado, não é um olhar exotizante, é um olhar intimista. Até pela própria linha de ensino que a gente adota, o cinema direto, que é um cinema observacional, na contramão do clipe televisivo. A produção indígena, o olhar indígena, desconstrói esse estranhamento. Os índios, quando falam deles mesmo, falam, muitas vezes com muito humor, do seu cotidiano, da sua vida, de tudo o que nos aproxima deles, a humanidade. É um contraponto sim, a produção indígena revela, transporta você para a intimidade de um mundo que poderia parecer estranho, mas não, o que transparece é humanidade. Isso é uma coisa que marca, que atrai, que ganha o público de uma maneira geral.

Acesso – E qual o impacto das novas tecnologias digitais e das mídias e redes sociais sobre o trabalho do Vídeo nas Aldeias?

V. C. – Você está falando de várias coisas ao mesmo tempo. Quanto à questão tecnológica, saímos do analógico e fomos para o digital. Claro que facilitou muito, até na finalização. Antigamente, no analógico, uma ilha de edição custava 250 mil dólares. De repente, passou a custar quatro mil, fora a agilidade que isso permitiu. Mas há também uma armadilha nesse processo. Acabou a fita e isso quer dizer que os índios têm que ter acesso a toda uma parafernália nova. Ninguém trabalha mais sem computador, sem internet. Aquele gravadorzinho K7 que eles tanto gostavam para gravar e ficar ouvindo já não existe mais. Eles agora têm um gravador digital, mas não têm um computador para baixar, enfim, existem algumas dificuldades.

Quanto à circulação da informação nas redes sociais, realmente eles aderiram muito rapidamente. Eu confesso que passei batido pelo Orkut, mas os indígenas caíram de boca logo quando essa rede apareceu. O perfil do Vídeo nas Aldeias tem quatro mil e tantos amigos no Facebook e, entre eles, provavelmente 40% são jovens e adolescentes indígenas. Você vê que há uma necessidade de abertura para o mundo, de criar laços de amizade, laços de aliança. Já sobre a questão Guarani Kaiowá, eu não costumo buscar informação no jornal, os índios têm um blog, uma página, e postam diariamente o que acontece em toda a região. Eles têm uma articulação para a circulação de informação, as redes sociais viraram, realmente, um novo espaço de circulação de informação livre. Tem do melhor e do pior, mas você pode criar a sua rede de informação e por aí se cria uma nova perspectiva. O genocídio Guarani Kaiowá acontece há pelo menos três décadas, mas ele conseguiu chegar ao público brasileiro, de fato, agora nessa nova era.

Acesso – Qual sua avaliação das políticas públicas para o fomento do audiovisual indígena?

V. C. – A gente teve um programa na TV que foi de suma importância, que mostrava a necessidade de um espaço indígena na TV pública. Mas houve um retrocesso tão grande na política cultural brasileira... O Vídeo nas Aldeias, por exemplo, ganhou um grande impulso na era Gil [período em que Gilberto Gil foi ministro da Cultura], com o Cultura Viva, para financiar oficinas, equipar comunidades indígenas. Todo esse investimento na diversidade, em dar voz a quem nuca teve voz, tudo isso acabou, foi desmantelado, burocratizado.

Acesso – No ano passado foi encaminhada, à Secretaria do Audiovisual, a Carta de Diamantina, demandando uma política específica para o audiovisual indígena.Qual foi a resposta?

V. C. – Nem sequer responderam. A gente pediu uma audiência para conversar, trocar ideias juntos, mas enfim. Hoje em dia, a área em que o Vídeo nas Aldeias tem um know-how, em que produz coisas interessantes, é na formação. Mas não tem mais, no Brasil, verba para formação. E formação gera produção. Estamos, inclusive, fechando uma parceria com o Mídia Ninja para equipar os índios do Mato Grosso do Sul. A gente vai fazer uma divulgação em streaming ao vivo da audiência pública marcada para fevereiro, dos depoimentos, das atrocidades que foram cometidas. Eu acho que está mais fácil trabalhar por esses canais do que voltar a ter um programa na TV Brasil.

Retirado daqui em 22/01/2014.

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segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Os donos da cultura

Comecemos oficialmente 2014 com algumas reflexões, já que estamos em um ano eleitoral, nada como discutirmos um bocadinho sobre a política cultural. Iniciemos com o panorama nacional:

Do Observatótio da Imprensa

Por Paulo Vasconcellos *

Reproduzido do suplemento “Eu & Fim de Semana” do Valor Econômico, 27/12/2013; intertítulos do OI

No ano em que brasileiros protestaram nas ruas e condenados pelo mensalão foram para a prisão, a cultura do país gritou. Cantores do primeiro time da MPB elevaram a voz para defender seus interesses; artistas plásticos, galeristas e colecionadores criticaram supostas intervenções estatais no mercado e um coro diverso voltou a questionar as engrenagens da Lei Rouanet, principal mecanismo de financiamento à cultura. Ficam para 2014 possíveis regulamentações sobre questões que embaralham o privado e o público.

O debate sobre a Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) dos artigos 20 e 21 do Código Civil no Supremo Tribunal Federal (STF), que pede o fim da autorização prévia para as biografias, estigmatizou meia dúzia de medalhões da MPB como inimigos da liberdade de expressão. De um lado, contrários à autorização prévia, estão nomes como Fernando Morais (autor de “Olga”); Ruy Castro (“Carmen – Uma Biografia”) e Lira Neto (“Getúlio – Uma Biografia”). Do outro, estão cantores como Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Roberto Carlos, que, em 2007, proibiu, por meio de ação na Justiça, a circulação do livro “Roberto Carlos em Detalhes”, de Paulo Cesar de Araújo.

Inicialmente unidos no grupo Procure Saber, Roberto Carlos e os músicos tomaram rumos diferentes após divergências públicas sobre o tema. Procurada pelo Valor, a porta-voz do grupo, a produtora Paula Lavigne, preferiu não se pronunciar. O processo vai entrar na pauta de julgamentos do STF no primeiro semestre de 2014.

Pelo mundo, são vários os exemplos de legislações mais liberais em relação a biografias não autorizadas. “Nem na França, que protege a privacidade das pessoas, existe o mecanismo de consentimento prévio”, afirma Gustavo Binenbojm, advogado da Associação Nacional dos Editores de Livros (Anel), que entrou com a ação direta de inconstitucionalidade no Supremo. A cantora Carla Bruni-Sarkozy, mulher do ex-presidente francês Nicolas Sarkozy, teve que engolir em seco recentemente o lançamento de uma biografia sobre ela. Nos EUA, onde as biografias representam um segmento importante do mercado editorial e movimentam por ano US$ 15 bilhões, poucos artistas ainda tentam barrar obras que expõem suas vidas.

Em “Oprah”, escrito em 2010 por Kitty Kelley, a célebre autora de biografias não autorizadas diz que a apresentadora Oprah Winfrey, uma das personalidades mais influentes dos EUA, teve romances secretos com mulheres e se prostituiu na adolescência. Frank Sinatra (1915-1998) acionou advogados, esperneou contra a invasão de privacidade, mas após um ano retirou a ação em que pedia a proibição de “His Way”, lançada por Kitty em 1986. O protesto do cantor só ajudou a alavancar as vendas do livro, que ficou 22 semanas na lista de mais vendidos.

Algumas das informações mais reveladoras sobre personalidades da história são conhecidas por meio de biografias não oficiais. Se dependesse de autorização, talvez o inglês Ian Kershaw não tivesse revelado nos dois volumes (1998 e 2000) da biografia de Adolf Hitler (1889-1945) que o ditador alemão tinha controle direto dos crimes perpetrados por seu regime, nem o americano Joseph Lelyveld poderia ter publicado em “Mahatma Gandhi e Sua Luta com a Índia” (2011) que o herói indiano nem sempre foi um pacifista anticolonialista.

Direito autoral

No Brasil, a necessidade de autorização dos biografados também tem impactos no cinema. “Outro Sertão” (2013), documentário de Adriana Jacobsen e Soraia Vilela sobre Guimarães Rosa (1908-1967), só é exibido fora dos circuitos comerciais porque a família do escritor não autorizou a obra. Um dos vetos mais famosos por parte de familiares é relativo a “Di Glauber” (1977), curta-metragem de Glauber Rocha (1939- 1981) sobre Di Cavalcanti (1897- 1976), que traz imagens do velório e funeral do pintor.

O diretor Antônio Carlos da Fontoura nem cogitou fazer “Somos Tão Jovens” (2013) sem a permissão da família de Renato Russo (1960-1996) e de todos os músicos retratados no longa-metragem. “Biografias literárias tomam muito tempo, mas têm menor custo. Um filme custa R$ 6 milhões, R$ 7 milhões, R$ 8 milhões. Seria uma loucura não poder estrear depois.”

No mercado editorial, a lei tem provocado pelo menos três efeitos nocivos. O primeiro é o efeito silenciador: 25 livros já foram recolhidos pelas editoras por decisão judicial. O segundo efeito é uma distorção, em que a autorização, quando concedida, é condicional. O biografado ou os familiares sempre querem ver antes o que foi escrito e costumam fazer alterações na obra. Por fim há o efeito balcão de negócios em que as autorizações dependem de pagamento da licença.

A lei dá margens para diferentes interpretações. O artigo 20 do Código Civil brasileiro estabelece que “a divulgação de escritos, a transmissão da palavra ou a publicação, a exposição ou a utilização da imagem de uma pessoa poderão ser proibidas”. Já o artigo 21 diz que “a vida privada da pessoa natural é inviolável, e o juiz, a requerimento do interessado, adotará as providências necessárias para impedir ou fazer cessar ato contrário a esta norma”. O inciso X, do artigo 5 da Constituição Brasileira, afirma que “são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação”.

Os defensores da inconstitucionalidade rebatem com o inciso anterior, o IX, que afirma: “É livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença”. A favor dos defensores da liberdade de expressão há precedentes recentes do STF. Em 2009, com sete votos dos 11 ministros da corte, a Lei de Imprensa, um dos últimos resquícios legais da ditadura (1964-1985), foi derrubada. O Supremo também arquivou, no mês passado, a tentativa do cantor e compositor João Gilberto de proibir o livro “João Gilberto” (ed. Cosac Naify), uma biografia não autorizada escrita por Walter Garcia.

Em outra “briga” antes da divisão, Roberto, Caetano e Erasmo Carlos chegaram a posar unidos nas sessões da Câmara dos Deputados e Senado que aprovaram em julho as mudanças na Lei dos Direitos Autorais. A nova regra destina 85% da arrecadação a compositores e intérpretes – 10% mais do que recebem atualmente. O Escritório Central de Arrecadação de Direitos Autorais (Ecad) e as seis associações que o integram, que antes ficavam com 25%, agora vão receber 15%. No ano passado, o Ecad arrecadou R$ 624,6 milhões em direitos autorais, distribuiu R$ 470,2 milhões e ficou com R$ 172,4 milhões. A lei 12.853 também procura dar maior transparência à gestão dos valores pagos pela execução de obras protegidas por direitos autorais, inclusive em produções audiovisuais.

O Ecad e as seis associações que compõem o escritório terão que se habilitar junto ao Ministério da Cultura para comprovar que têm condições de administrar os direitos de forma eficaz. As regras estão em vigor desde o dia 13, mas na prática os donos dos direitos autorais talvez tenham que esperar mais até perceberem a diferença na conta bancária. O Ecad recorreu ao STF contestando a constitucionalidade da lei com base no argumento de que ela dá ao Estado poder para interferir na gestão de uma atividade de direito privado.

Antes já era assim, mas desde a extinção do Conselho Nacional do Direito Autoral, no governo Fernando Collor (1990-1992), o escritório estava livre de controle. O resultado foi um aumento tão grande no volume de denúncias contra a entidade que o Senado criou uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar as irregularidades.

Uma mudança mais completa da Lei dos Direitos Autorais (lei nº 9.610), que é de 1998, deve esquentar ainda mais o ambiente. Em estudo desde que Gilberto Gil assumiu o Ministério da Cultura, no primeiro governo Lula (2003-2006), ela tramita com lentidão. A Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados realizou audiências públicas com 15 representantes de diversos setores ligados ao direito autoral, mas não avançou muito além disso à espera de um anteprojeto de revisão que o governo ficou de mandar neste ano. A proposta não chegou ao Congresso. Uma parte da discussão deve ser desviada para o debate em torno do Marco Civil da Internet, mas nada que tire o foco do MinC.

Direito de preferência

Um debate intenso, mas de menor apelo público, uma vez que seus personagens não são tão populares quanto Roberto Carlos e Chico Buarque, foi levantado pelo setor das artes plásticas. O decreto presidencial publicado em outubro para regulamentar o Estatuto dos Museus, determinando a criação de um inventário nacional de obras de arte, deixou artistas, galeristas, colecionadores e marchands em pé de guerra contra uma suposta tentativa de intervenção estatal no mercado.

“O Estado é incapaz de fazer o inventário das obras de arte que estão nos palácios da Alvorada e do Itamaraty ou nos acervos da Caixa Econômica Federal e do Banco Central, mas se arroga o direito de policiar as obras de arte privadas. Essa lei veio para policiar um mercado que não precisa de polícia”, diz o presidente da Bolsa de Artes do Rio de Janeiro, Jones Bergamin, dono de uma coleção que inclui obras de Iberê Camargo (1914-1994) e Volpi (1896-1988). Durante dez dias, a reportagem solicitou entrevista à ministra da Cultura, Marta Suplicy, sobre questões como o Estatuto dos Museus, biografias e as mudanças na Lei Rouanet. A assessoria de imprensa do ministério disse que Marta não poderia atender.

“Há um fogo cruzado de versões, mas o espírito da legislação não está em choque com o mercado. O decreto não defende o interesse estatal, mas o interesse público”, afirma Ângelo Oswaldo, presidente do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), vinculado ao Ministério da Cultura.

Oswaldo foi o primeiro integrante do governo que sentou com representantes do setor desgostosos com o decreto 8.124, de 17 de outubro de 2013, regulamentando a lei nº 11.904, de 14 de janeiro de 2009, que instituiu o Estatuto dos Museus. Há ao menos dois pontos polêmicos no decreto. Um prevê que uma obra de arte pode ser declarada de interesse público, o que daria ao Estado preferência de compra. O outro determina que o colecionador será notificado, fiscalizado e até punido pelo Ibram se a obra não estiver sendo bem conservada. Num encontro em São Paulo no mês passado que durou três horas, com Oswaldo, artistas plásticos, galeristas, colecionadores e marchands, ficou decidido que eles vão encaminhar sugestões por escrito. O trabalho está a cargo de Eduardo Saron, diretor do Itaú Cultural. O diálogo aparou algumas arestas.

“A intenção do decreto é boa, porque cuida do patrimônio histórico, mas deixa muitas dúvidas. O importante foi que a gente ouviu e foi ouvida”, diz Alessandra D’Aloia, sócia-diretora da Galeria Fortes Vilaça, de São Paulo, que representa Adriana Varejão e Beatriz Milhazes, duas artistas brasileiras recordistas em leilões internacionais.

“Há exagero dos críticos em dizer que o decreto prevê o confisco de obras de arte, mas há pontos que precisam ser aprimorados. Tem obra de arte que precisa de restauro urgente, não pode depender de autorização do Ibram”, afirma o presidente do Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro, Carlos Alberto Chateaubriand. “A lei é boa, o problema é o decreto. Não dá para anulá-lo, mas na instrução normativa é possível corrigir pontos nebulosos, como o tempo que o Estado tem para exercer o direito de compra de uma obra considerada de interesse público”, diz Eduardo Saron.

Apesar do barulho, o debate parece ter um ponto de consenso: o inventário das obras de arte. A França não teria o Louvre, nem a Espanha o Museu do Prado, pelo menos nos padrões que se conhece hoje, se não houvesse uma legislação que protegesse o patrimônio cultural. Na França, por exemplo, onde a política formal do inventário é de 1837, existem atualmente cerca de 40 mil monumentos no Inventário Complementar dos Monumentos Históricos.

“Mudar a Lei Rouanet é importante, até porque o mercado se tornou dependente químico dos incentivos culturais”, diz Claudio Botelho

O acervo de mais de 380 mil itens do Museu do Louvre, que foi visitado por 9,7 milhões de pessoas em 2012, foi construído com obras confiscadas da família real e dos aristocratas fugidos da Revolução Francesa, nas conquistas das guerras napoleônicas, por doações, mas também por intervenções do governo francês. Ainda assim, a cada ano desaparecem do país entre 6.000 a 7.000 obras e objetos de artes. Na Carta de Atenas, que reúne as conclusões da conferência da antiga Sociedade das Nações, realizada em 1931 para tratar da proteção dos monumentos culturais, já se preconizava a publicação de inventários dos monumentos históricos nacionais. Quase todos os países europeus são dotados de dispositivos que proíbem ou limitam as exportações de bens culturais.

“Há um lado polêmico porque as pessoas não entenderam direito, mas também porque há o temor de que o inventário implique a declaração de bens num mercado meio informal”, afirma Ângelo Oswaldo, do Ibram. Em 2011, o país registrou um recorde nas exportações de obras de arte, com uma movimentação de US$ 60 milhões, mas isso é quase tudo o que se sabe oficialmente sobre o setor. Colecionadores e galeristas gostariam de discutir antes a carga tributária que pagam para trazer ao país uma obra feita por um artista brasileiro que more no exterior. Hoje, esse imposto chega a 45%.

Para alguns entrevistados, o que é culturalmente relevante para o país, como obras do barroco, já foi tombado. “Os museus mantidos pelo poder público estão caindo aos pedaços. Não há dinheiro para a restauração de obras de arte, mas agora se pretende com uma legislação inconstitucional, que fere o direito à propriedade, desapropriar obras de arte como se isso fosse a mesma coisa que desapropriar casas para a passagem de um viaduto”, diz Bergamin. “O direito de preferência do Estado só pode ser exercido em leilões públicos e se o Estado tiver dinheiro para comprar. Não vou entrar numa galeria ou numa coleção e dizer que o Estado quer ficar com a obra de arte”, afirma Oswaldo.

Proposta de júri

O próximo grande debate na fila é a nova Lei Rouanet, o Procultura. O projeto de lei foi aprovado no fim do mês passado na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados, segue para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e, depois, para o Senado. Se não tiver mudanças significativas, pode ser aprovada terminativamente, isto é, sem ir a plenário.

O projeto original propõe o fortalecimento do Fundo Nacional de Cultura, que poderá fazer empréstimos e repassar recursos para fundos municipais e estaduais, amplia as duas faixas de renúncia fiscal (de 30% e 100%) para mais quatro (60%, 70%, 80% e 90%) e aumenta a atratividade do Fundo de Investimento Cultural e Artístico (Ficart), fundo de capitalização na Bolsa de Valores para atrair investimentos.

A ideia era dar maior transparência e ampliar os benefícios da Lei Rouanet, mas nem isso livrou o projeto da acusação de tentativa de dirigismo do Ministério da Cultura, na época (2008-2010) comandado por Juca Ferreira, atual secretário municipal de Cultura de São Paulo.

O projeto chega agora à CCJ com mais dois dispositivos. Um transfere parte dos recursos da renúncia fiscal para o Fundo Nacional de Cultura. Outro cria o conceito de território certificado, que permite, por exemplo, que o bairro do Bixiga, em São Paulo, ou o auto do Cavalo Marinho, em Recife, sejam considerados de relevância cultural e recebam até 100% de incentivos fiscais em projetos de preservação.

“Algumas críticas podem estar deslocadas no tempo. Não se está tirando nada de ninguém”, diz o deputado federal Pedro Eugênio (PT-PE), que relatou o projeto na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara. A necessidade de mudança se tornou evidente a partir da constatação de que, embora tenha ajudado no crescimento do setor (que hoje responde por 16% do PIB brasileiro), a Lei Rouanet (criada há 17 anos) não impediu que 19 segmentos de interesse histórico e cultural (como bibliotecas e acervos) sobrevivam com apenas 14% dos recursos movimentados pela renúncia fiscal.

“Mudar a Lei Rouanet é importante, até porque o mercado se tornou dependente químico dos incentivos culturais. Mas é preciso cuidado para que a mudança não se torne uma pedra num caminho que custou muito para ser pavimentado”, afirma Claudio Botelho, um dos renovadores do teatro musical no país ao lado de Charles Möeller.

Uma pesquisa encomendada ao Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) revelou que nos dez primeiros anos de existência da lei apenas 10% do valor global investido em patrocínios foi constituído por recursos próprios das empresas. O restante era dinheiro público, facilitado aos produtores culturais pela renúncia fiscal permitida ao mecenato.

Em outras palavras, empresas se beneficiam da lei, patrocinando projetos que “agregam valor” às suas marcas –, mas quem pagava a conta era o governo. Além disso, apenas 3% dos proponentes, estabelecidos no eixo Rio-São Paulo, captaram mais de metade dos recursos. As empresas patrocinadoras, por sua vez, se acostumaram com os incentivos fiscais de 100% do valor do projeto permitidos para certos segmentos culturais (como artes cênicas e música erudita ou instrumental) e deixaram de injetar recursos próprios em outras áreas culturais.

Foi com base na Lei Rouanet que o Rock in Rio deste ano obteve do Ministério da Cultura autorização para captar R$ 12 milhões, apesar de ser um dos eventos mais bem-sucedidos de público e marketing do país, com faturamento de R$ 87,9 milhões só com a venda de ingressos. Procurada pelo Valor, a assessoria de imprensa da empresa Rock in Rio não retornou o pedido de entrevista com os diretores até o fechamento desta edição.

Um dos casos mais polêmicos envolveu a autorização para que o estilista Pedro Lourenço captasse até R$ 2,8 milhões, via Lei Rouanet, para a semana de moda em Paris, em outubro. O projeto havia sido rejeitado pela Comissão Nacional de Incentivo à Cultura (Cnic), grupo que escolhe quem pode captar por meio da lei. Uma intervenção de Marta Suplicy reverteu a decisão e gerou um debate sobre a inclusão da moda entre os setores que podem recorrer às leis de incentivos – o estilista não conseguiu captar o montante. No Procultura há a proposta de criação de uma espécie de júri do Ministério da Cultura encarregado de definir que projetos prescindem de recursos incentivados e devem buscar dinheiro no Ficart. Em 2014, os bastidores da cultura prometem ser a atração principal.

* Paulo Vasconcellos, para o Valor Econômico

Retirado em 06/01/13, daqui.

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segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Conferência Nacional discute consolidação do Cultura Viva

Do MinC

O Ministério da Cultura (MinC) levará para a III Conferência Nacional de Cultura (CNC), que começa na próxima quarta-feira (27), em Brasília, as discussões para consolidar o programa Cultura Viva, que precisa da aprovação do Congresso Nacional para virar Lei. A ação coordenada pela Secretaria da Cidadania e Diversidade Cultural (SCDC) da pasta já atende a 3,6 mil Pontos de Cultura em todo País.

Para a titular da SCDC, Márcia Rollemberg, a ideia central é transformar o Cultura Viva em Lei, estabelecendo o Programa como uma política nacional de base comunitária, de forma perene, com a prerrogativa de fortalecer o protagonismo cultural na sociedade brasileira.

"A nossa expectativa é que possamos avançar na pactuação federativa para a implementação de nossos programas e ações, com particular atenção para o Cultura Viva", ressaltou.

A SCDC defenderá na III CNC que o Cultura Viva esteja na programação de políticas nacionais, estando presente em todos os Municípios, valorizando cada vez mais as iniciativas culturais e fruição de bens e serviços culturais, apoiado pelos Pontos de Cultura.

O programa destacado na III CNC está contemplado em uma das 53 metas do Plano Nacional de Cultura (PNC), para orientar o desenvolvimento de programas, projetos e ações culturais, e que tem como horizonte de atuação o período de dez anos – até 2020.  Uma das proposições é justamente a implementação de 15 mil Pontos de Cultura em todo o País, compartilhados entre o Governo Federal, as unidades da Federação e os municípios integrantes do Sistema Nacional de Cultura (SNC).

"A Secretaria articulou e apoiou 14 Conferências Livres – entre indígenas, ciganos e quilombolas – para fortalecer a representação desses segmentos no âmbito da política pública de cultura, principalmente, na Conferência Nacional", disse Márcia Rollemberg.

Nas Conferências Livres, as sugestões são compiladas em forma de propostas, que integram o texto base, com a indicação de um articulador, que terá direito a voz nas pautas discutidas da III CNC, mas não poderá votar.

Cultura Viva

O Cultura Viva foi criado para fortalecer a participação cultural da população brasileira, ampliando o acesso e financiamentos dos serviços culturais. De 2004 a 2012, foram criados 3.662 Pontos de Cultura em todo País.

Para transformar o programa em pacto federativo, a nova etapa do Cultura Viva será a definição de critérios de expansão, de novos pontos, e de fomentos da rede.

Em tramitação no Congresso, o Projeto de Lei nº 757/11, da deputada federal Jandira Feghali (PcdoB/RJ), propõe a transformação do Cultura Viva em Lei Federal, de modo a unificar e dar perenidade à sua gestão nas três esferas de Governo, em parceria com a sociedade civil.

(Texto: Jéssica Prado)

III Conferência Nacional de Cultura
27 de novembro a 1º de dezembro - Centro de Convenções Brasil 21 – Brasília/DF

Assessoria de Imprensa
Fone: (61) 2024-2268
E-mail: imprensacnc@cultura.gov.br

Retirado daqui em 25/11/13.

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segunda-feira, 3 de junho de 2013

Salve Cultura Viva!

Do O Cafezinho

Por Ana de Hollanda*

Ao abordar o programa Cultura Viva do Governo Federal, não há como negar, em sua concepção, uma visão antropológica que enxerga na cultura a tradução dos conhecimentos, crenças, arte, moral, leis, costumes e outros hábitos adquiridos pelo ser humano enquanto membro de uma sociedade. Essa cultura é mutante mas, popular ou erudita, reflete o modo de ser ou pensar de uma determinada comunidade onde se insere um pólo cultural, que veio a ser reconhecido como Ponto de Cultura. A criação do projeto dos Pontos de Cultura em 2004, pelo então ministro Gilberto Gil, foi um marco de mudança de rumo do Ministério da Cultura, dentro do espírito de gestão do Presidente Lula.

Como qualquer programa inovador, após alguns anos de teste deve passar por um diagnóstico qualitativo em relação aos objetivos e resultados alcançados. Nesse sentido, o MinC encomendou ao IPEA uma avaliação criteriosa para que o Ministério, apoiado em resultados concretos, pudesse redirecionar o programa para atender a uma necessidade de readequação e realinhamento, buscando sempre alcançar melhor patamar de desempenho do Cultura Viva. A partir de 2011, o Ministério da Cultura, com apoio e orientação da Controladoria Geral da União, se viu obrigado a diagnosticar a situação legal de todos os contratos em andamento e vistoriar pessoalmente as centenas de Pontos que, apesar de oficializados, nunca haviam recebido a visita de representante do Governo Federal.

Minha prioridade, como Ministra, era a de honrar os compromissos assumidos, a maioria dos quais estava ha mais de um ano sem receber a devida parcela. Por outro lado, buscamos soluções jurídicas e administrativas junto aos órgãos competentes, para adequar instrumentos, procedimentos e garantir a manutenção do Programa que integra 3.703 Pontos de Cultura nos 26 estados e Distrito Federal, atingindo cerca de mil municípios. Nesse processo, boa parte dos orçamentos de 2011 e 2012 foram destinados a quitar restos a pagar dos Pontos e Pontões de Cultura deixados pela administração anterior. No mesmo sentido, dos 172 milhões de reais inscritos nessa condição, 75 milhões foram cancelados, por orientação da CGU, devido a irregularidades nos contratos ou documentações.

É compreensível que a ameaça de possíveis mudanças, alimentada por alarmismos em função do cancelamento de parte dos convênios auditados, tenha gerado inseguranças. Mas o objetivo desse levantamento visava exatamente garantir a continuidade do programa, afastando as suspeitas de não ter condições de cumprir sua vocação.

A partir de março de 2012, o Ministério da Cultura através da Secretaria da Cidadania e da Diversidade Cultural, em parceria com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), num trabalho conjunto com os parceiros e Redes de Pontos de Cultura, promoveu uma série de encontros e seminários visando o Redesenho do Programa Cultura Viva. O redesenho, fruto de diálogos abertos entre o poder público e os representantes dos pontos, auxiliados pelo olhar técnico do IPEA, foi mantido pela Ministra Marta Suplicy, num claro sinal de que o espírito da gestão da Presidenta Dilma é também o de manter os programas culturais que apóiem os movimentos comunitários organizados.

Longa vida ao Cultura Viva!

* Ana de Hollanda, ex-ministra da Cultura do governo Dilma, assina a coluna quinzenal Grão Fino, no Cafezinho.

Retirado do O Cafezinho em 03/06/13 do endereço:

http://www.ocafezinho.com/2013/06/02/ana-de-hollanda-e-o-cultura-viva/

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segunda-feira, 20 de maio de 2013

Cultura Viva Comunitária é tema de congresso na Bolívia

Do MinC

O Ministério da Cultura participa do 1º Congresso Latino-americano de Cultura Viva Comunitária, de 17 a 22 de maio em La Paz, na Bolívia. Os objetivos do Congresso são fortalecer os Pontos de Cultura política e institucionalmente em todo o continente e consolidar a articulação latino-americana em torno da pauta da Cultura Viva Comunitária.

O encontro reúne mais de 600 representantes credenciados de todos os países do continente, a partir de redes e organizações comunitárias Cultura Viva (centros culturais, bibliotecas públicas, teatro comunitário, pintura mural coletiva, arte de rua, Circos, Música, Dança, Cultura digital, Software Livre, Hip-Hop, Rádio e TV comunidade canais, Pontos de Cultura, Escolas populares de arte e transformação social, etc.). Além deles, participam cinco Caravanas Culturais e grupos culturais da América Central, Brasil, Peru, Colômbia e Argentina.

A secretária da Cidadania e da Diversidade Cultural (SCDC), Márcia Rollemberg, representa a Ministra Marta Suplicy no evento, que tem, também, representantes da Secretaria de Políticas Culturais (SPC), Agência Nacional de Cinema (Ancine) e Instituto do Patrimônio Histórico a Artístico (Iphan). A SCDC  apresenta no Congresso a experiência brasileira do Programa Cultura Viva, seus avanços, desafios e sua nova fase de implementação neste ano. A SCDC participou da Mesa de Abertura, do debate entre os gestores, e faz reuniões com os ministérios de Cultura da Bolívia, Peru e Argentina, além de estar presente em vários grupos temáticos do Congresso. Participam do Congresso pelo MinC Pedro Vasconcelos, diretor de Cidadania e Diversidade Cultural, Antonia Rangel, diretora de Cooperação, Articulação e Informação, e Juana Nunes Pereira, diretora de Educação e Comunicação para a Cultura.

Apoio do MinC

O MinC apóia institucionalmente o Congresso por meio do envio de uma delegação de dirigentes e do apoio por meio de edital de intercâmbio a uma delegação da sociedade civil, composta por 25 representantes da rede de Pontos de Cultura, definidas por critérios territoriais e setoriais - indígenas, quilombolas, povos tradicionais, cultura digital, juventude e bens registrados na composição. A Ministra Marta se empenhou junto a cada secretário Estadual e Municipal do País, para que a delegação brasileira fosse o mais ampla, plural e representativa possível.

Trata-se de um encontro no qual a troca de experiências entre os grupos e países, compartilhando perspectivas para fortalecer esses processos, será uma amostra da integração latino-americana na sua plenitude, social, cultural e política.

A programação conta também com mostras, atividades, festivais, debates, shows, oficinas e carros alegóricos, passeatas e manifestações em La Paz.

MÁRCIA ROLLEMBERG

Como será sua participação? O que vai apresentar e o que pretende conhecer neste Congresso? Pode dar exemplos e comentar, em ambos os casos?

Nossa participação é o apoio e mobilização da rede nacional de Pontos de Cultura e gestores para estarem presentes no evento, via edital de intercâmbio, e parcerias com entes públicos, secretarias de cultura e universidades.

Qual sua expectativa a respeito de um inédito Congresso Latino-americano de Cultura Viva Comunitária? O que espera que seja gerado a partir deste encontro continental?

Esperamos a ampliação da pauta de política de base comunitária da América Latina no âmbito da cultura e, ao mesmo tempo, o fortalecimento de movimentos culturais que integram a grande rede de diversidade cultural da latino-americana, fortalecendo o princípio de cooperação entre países e povos.

A realização de um congresso desse porte sinaliza que a expansão de Pontos de Cultura pela América Latina é um dado de transformação social ou ainda é cedo para essa conclusão?

Alguns países já estão adotando o programa. Temos cooperação com a Argentina, o Peru também avança na implementação do programa, e a Bolívia, que sedia o Congresso, que gerou intensa mobilização nos países. A proposta é ter uma pauta de política pública sobre o tema de forma a fortalecer a liderança brasileira nesse processo e sensibilizar o conjunto dos países para pauta da Cultura Viva e para os direitos culturais.

É possível falar em bem estar social a partir da integração das redes de Cultura Viva no continente?

É possível fortalecer a identidade da América Latina e, ao fazê-lo, a gente valoriza nossos modos de ser e de viver buscando um caminho diferenciado, um caminho de desenvolvimento que inclua as culturas tradicionais e o conjunto das sociedades e das comunidades do continente. 

SERVIÇO

1º CONGRESSO LATINO-AMERICANO DE CULTURA VIVA COMUNITÁRIA

La Paz / Bolívia, de 17 a 22 de maio de 2013

Realização: Plataforma Puente Cultura Viva Comunitaria e Compa / Comunidad de Productores en Artes / Teatro Trono

Em conjunto com: Rede Latino-americana de Arte para a Transformação Social (RLATS), Cultura Latino-Americana e Coordenação Política (ALACP), a Rede Latino-Americana de Teatro Comunitário, Associação Latino-Americana para a Rádio Educação (Aler), rede de artistas, gestores e gestores culturais GuanaRED (Costa Rica), Box Brincalhão, Comunidade artes da rede guatemalteca, Movimento americano de Juventude e Comunidade Arts "Maraca" (Guatemala), Rede Brasileira de Artes Educadores (ABRA), Rede Latino-Americana de Gestores culturais, JUNTOS: Conexão Cultural americana, Pontos Nacionais cultura do Brasil, Red Afroambiental, Rede Nacional de Terreiros Povos, Telartes (Bolívia), Pessoas para a Cultura (Argentina), Plataforma Ponte Aburrá Valley, Barcelona Chair Medellin (Colômbia), Red ACAO Grio (Brasil)

Apoio: Governo da Bolívia, La Paz Country, HIVOS, SEGIB (Secretaria Geral Ibero-americana), prefeituras de Lima, Bogotá, Medellin e Cali, Governo do Brasil (MinC) e Governo da Costa Rica.

(Texto: Alessandro Soares / Ascom MinC)

Retirado em 20/05/13 do endereço:

http://www.cultura.gov.br/banner-2/-/asset_publisher/0u320bDyUU6Y/content/9%C2%AA-bienal-do-mercosul/10883;jsessionid=119C84C1C91D333E9BE74890E01157F4.portal2?redirect=http%3A%2F%2Fwww.cultura.gov.br%2Fbanner-2%3Bjsessionid%3D119C84C1C91D333E9BE74890E01157F4.portal2%3Fp_p_id%3D101_INSTANCE_0u320bDyUU6Y%26p_p_lifecycle%3D0%26p_p_state%3Dnormal%26p_p_mode%3Dview%26p_p_col_id%3Dcolumn-2%26p_p_col_count%3D2

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terça-feira, 23 de abril de 2013

Programa Cultura Viva

A secretária da Cidadania e da Diversidade do Ministério da Cultura, Márcia Rollemberg,  participou ontem (22) de uma reunião com secretários de cultura e dirigentes de cultura das capitais e regiões metropolitanas. No encontro, ela apresentou aos secretários e dirigentes - que estão em Brasília para participar, de 23 (hoje) a 25, do II Encontro dos Municípios com o Desenvolvimento Sustentável – Desafio dos novos governantes locais- , as novas bases do Programa Cultura Viva.

"O Programa nasceu reconhecendo as ações das comunidades e agora estamos no momento de expandí-lo, principalmente em relação aos municípios", afirmou Márcia Rollemberg.  Segundo ela, o Cultura Viva é o Programa de base comunitária do Sistema Nacional de Cultura e tem como desafio agora envolver não apenas os estados, mas também os municípios.

"Vamos trabalhar no sentido de sensibilizar os prefeitos para a bandeira da cidadania e da diversidade", informou a secretária. Ela apresentou um histórico sobre todas as etapas do Cultura Viva e do processo de redesenho do Programa, feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). "O nosso objetivo agora é trabalhar com parcerias para buscar a sua ampliação e, neste sentido, as prefeituras são fundamentais", destacou a secretária, acrescentando que essas parcerias para a ampliação e qualificação do Programa se darão também dentro do Sistema MinC.

Márcia Rollemberg informou que, para fortalecer o Programa na base, uma das ideias é utilizar agentes de cultura – como os agentes de saúde – para trabalhar na capacitação de grupos e dos pontos de cultura. "Poderíamos até formar os agentes de saúde, sensibilizá-los para a questão da cultura", ponderou Silvestre Ferreira, ex-secretário de Cultura e presidente da Fundação Cultural de Joinville (SC). Para a vice-presidente da Fundação Cultural de Aracaju, Aglaé D'Avila Fontes, com esta ação o Ministério da Cultura acabaria com a intermediação e acompanharia mais de perto os processos dos Pontos de Cultura.

A secretária da Cidadania e da Diversidade Cultural do MinC informou que, para ajudar no processo de prestação de contas e qualificação dos pontos de cultura, as novas bases do Programa prevê ainda que os pontões funcionem com articuladores dos pontos de cultura. "Esses pontões teriam convênios diretos com o Ministério da Cultura e trabalhariam com  os eixos comunicação, cultura e educação", disse.

Márcia Rollemberg aproveitou para divulgar a agenda da SCDC, com destaque para o encontro com os procuradores que acontecerá dias 6 e 7 de maio em Brasília e que tem com o objetivo ajudar nos processos de prestação de contas dos pontos de cultura. Ela pediu aos secretários e dirigentes de cultura das capitais e regiões metropolitanas para que reflitam sobre o Programa e sobre como os municípios podem ser inseridos na implementação e gestão do Cultura Viva nos estados.

O presidente da Fundação Cultural de Joiville, Silvestre Ferreira, considerou o momento oportuno para a discussão  das novas bases do Programa. "O Fórum é a ponte para criarmos políticas e discutir gestão política", afirmou. Na sua opinião, o Cultura Viva "tira o viés de que, no Brasil, apenas a cultura de entretenimento é valorizada".  

(Redação: Heli Espíndola, Comunicação/SCDC)

(Fotos: Anna Paula Alvarenga, Comunicação/SCDC)

Retirado do site do MinC em 23/04/13 do endereço:

http://www.cultura.gov.br/noticias-destaques/-/asset_publisher/OiKX3xlR9iTn/content/programa-cultura-viva/10901;jsessionid=10470CA43C1C0E4A2BCDE73D26F59285.portal1?redirect=http%3A%2F%2Fwww.cultura.gov.br%2Fnoticias-destaques%3Bjsessionid%3D10470CA43C1C0E4A2BCDE73D26F59285.portal1%3Fp_p_id%3D101_INSTANCE_OiKX3xlR9iTn%26p_p_lifecycle%3D0%26p_p_state%3Dnormal%26p_p_mode%3Dview%26p_p_col_id%3D_118_INSTANCE_x9zwCh7U69gP__column-1%26p_p_col_count%3D1

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terça-feira, 9 de abril de 2013

Pontos de Cultura

Secretária Márcia Rollemberg e secretário Muncipal de Cultura de São Paulo durante reunião na capital paulistaA Secretaria da Cidadania e da Diversidade Cultural do Ministério da Cultura (SCDC/MinC) vai trabalhar conjuntamente com a Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo na implantação da Rede de Pontos de Cultura do município. Para discutir a parceria a secretária da Cidadania e da Diversidade Cultural, Márcia Rollemberg, reuniu-se na última sexta (4), em São Paulo, com o secretário Municipal de Cultura da capital paulista, Juca Ferreira.

No encontro que também contou com as presenças do chefe da Representação Regional do Ministério da Cultura em São Paulo, Valério Bemfica, e do diretor da Cidadania e da Diversidade Cultural da SCDC, Pedro Vasconcellos, a secretária Márcia Rollemberg destacou que "o fato de que o município de São Paulo tem em seu Programa de Metas declarado compromisso com a ampliação dos Pontos de Cultura na cidade, é demonstração de que estamos alinhados no fortalecimento do Programa Cultura Viva".

O Programa de Metas estabelecido pela administração municipal para o período de 2013-2016 prevê a inclusão de 300 novos Pontos de Cultura na cidade de São Paulo. No âmbito Federal, o Plano Nacional de Cultura tem como meta a criação de 15 mil Pontos de Cultura, em todo território nacional, até o ano de 2020.  "Para que possamos realizar esta meta, é fundamental a participação dos estados e das cidades na gestão e execução do Programa", lembrou Márcia Rollemberg.

No encontro foi discutida ainda a criação de um grupo focal para integrar as ações do Programa Cultura Viva, além da parceria nas realizações da TEIA estadual - encontro que reunirá os Pontos de Cultura do Estado, na capital paulista, de 06 a 09 de junho - e a de um Seminário Nacional de Cultura Popular, previsto, inicialmente, para acontecer no mês de setembro.

(Redação: Monica Severo, Comunicação/RRSP/MinC)

(Fotos: Sylvia Masini,Comunicação/Secult/Prefeitura/SP)

Retirado do site do MinC em 09/04/13 do endereço:

http://www.cultura.gov.br/noticias-destaques/-/asset_publisher/OiKX3xlR9iTn/content/pontos-de-cultura/10901?redirect=http%3A%2F%2Fwww.cultura.gov.br%2Fnoticias-destaques%3Fp_p_id%3D101_INSTANCE_OiKX3xlR9iTn%26p_p_lifecycle%3D0%26p_p_state%3Dnormal%26p_p_mode%3Dview%26p_p_col_id%3D_118_INSTANCE_x9zwCh7U69gP__column-1%26p_p_col_count%3D1%26_101_INSTANCE_OiKX3xlR9iTn_currentURL%3D%252Finicio%26_101_INSTANCE_OiKX3xlR9iTn_portletAjaxable%3D1

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terça-feira, 2 de abril de 2013

Cultura Viva, Vale-Cultura e outras políticas do MinC têm destaque no Fórum Social Mundial 2013

O Ministério da Cultura (MinC), no dia 28/3, participou das atividades da Casa Brasil, tenda construída no Forum Social Mundial 2013, em Tunis, Tunisia, para apresentar as ações que envolvem participação social no Brasil.

Mais de 70 mil pessoas, de 4,5 mil associações participam este ano do Fórum Social Mundial, no desenvolvimento de 1,2 mil atividades.

A delegação brasileira teve uma representação de aproximadamente 300 participantes, entre eles três indígenas da APIB (Associação dos Povos Indigenas do Brasil). E dentre eles, havia um Ponto de Cultura Indigena dos Guarani-Kaiowá de Caarapó (MS), também catadores de reciclagem, catadoras de mangaba, centrais sindicais.

Do MinC, estava Américo Córdula, secretário de Políticas Culturais em exercício. Córdula fez uma palestra sobre "Os processos participativos da construção de Políticas Culturais Brasileiras" e o programa Cultura Viva.

Também se colocou em evidência a criação do CNPC (Conselho Nacional de Política Cultural); o processo de Conferências Nacionais, que priorizou a criação do Sistema Nacional de Cultura (SNC) e do Plano Nacional de Cultura. Córdula também tratou de consultas públicas utilizando plataformas da internet, sistemas de informações, cartografias colaborativas e outras ferramentas apresentadas para a participação social.

O Vale-Cultura também foi apresentado como uma política de acesso à cultura e que vai ter sua consulta pública lançada brevemente para a sociedade.

O destaque na apresentação do Programa Cultura Viva foi contar sobre a participação social na sua execução. O programa promove, por meio de uma ação em rede, a comunicação entre diversas ações que acontecem em todo país.

Juliano Basso, coordenador do Ponto de Cultura Cavaleiro de Jorge, apresentou atividades realizadas na Chapada do Veadeiros, como o Encontro de Culturas Tradicionais (ações com a comunidade Kalunga e a Aldeia Multiétnica. 

Texto: Ascom-MinC, com colaboração de Américo Córdula

Retirado do site do MinC em 02/03/13 do endereço:

http://www.cultura.gov.br/o-dia-a-dia-da-cultura/-/asset_publisher/waaE236Oves2/content/cultura-viva-vale-cultura-e-outras-politicas-do-minc-tem-destaque-no-forum-social-mundial-2013/10883?redirect=http%3A%2F%2Fwww.cultura.gov.br%2Fo-dia-a-dia-da-cultura%3Fp_p_id%3D101_INSTANCE_waaE236Oves2%26p_p_lifecycle%3D0%26p_p_state%3Dnormal%26p_p_mode%3Dview%26p_p_col_id%3Dcolumn-1%26p_p_col_count%3D1

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quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Seminário Nacional do Programa Cultura Viva-Redesenho

Retirado do site do MinC em 06/12/12 do endereço:

http://www.cultura.gov.br/culturaviva/seminario-nacional-do-programa-cultura-viva-redesenho/

A Secretaria da Cidadania e da Diversidade Cultural (SCDC/MinC) realizará, nos dias 6 e 7 de dezembro, em parceria com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea),  o Seminário Nacional do Redesenho do Programa Cultura Viva. O evento acontecerá na sede do Ipea (Setor Bancário Sul- Quadra 01 – bloco J), em Brasília e contará com a participação de representantes de pontos de cultura de todo o país, além de gestores públicos da área de cultura.

O Seminário integra o plano de trabalho do Redesenho do Programa Arte, Cultura e Cidadania – Cultura Viva, conduzido em parceria com o Ipea, e que teve como objetivo atender a uma necessidade de readequação e realinhamento para mudar o patamar de controle e desempenho do Cultura Viva.

“O objetivo do Redesenho é conseguirmos uma melhoria dos processos de controle e desempenho e qualificar os resultados do Cultura Viva, aumentando sua estabilidade, efetividade, eficácia e auto renovação”, informa a secretária da Cidadania e da Diversidade Cultural do Ministério da Cultura, Márcia Rollemberg.

O Seminário debaterá os resultados parciais do processo de redesenho que começou com a elaboração de um diagnóstico do Programa a partir das pesquisas avaliativas do Ipea e dos relatórios de auditoria realizados pela Controladoria-Geral da União. Além das pesquisas documentais, o processo do redesenho incluiu a realização de uma série de reuniões temáticas com o Grupo de Trabalho do Programa Cultura Viva e de diálogos virtuais com as redes de pontos e pontões.

Dentre as propostas apresentadas para o redesenho estão o desenvolvimento da tipologia dos Pontos e Pontões e a elaboração de sistema de monitoramento, acompanhamento e avaliação do Programa. Também constam da proposta do redesenho, a produção de uma cartilha contendo orientações sobre os procedimentos corretos à prestação de contas, e de um registro organizado dos processos, editais e relacionamento com os pontos e pontões.

Além dos debates, o Seminário Nacional do Redesenho do Programa Cultura Viva terá ainda apresentações culturais de Pontos de Cultura do Distrito Federal, como o do Grupo Teatro Mamulengo Presepada que fará a abertura e o encerramento do evento no dia 6 e do Ponto de Cultura Congo Nya. O período da tarde do segundo dia (7) será dedicado à reunião final do GT do Redesenho para discussões, encaminhamentos finais e avaliação. As recomendações dos participantes serão sistematizadas e anexadas ao relatório final do GT Cultura Viva.

No dia 8, a partir das 8 horas, os integrantes da Comissão Nacional de Pontos de Cultura, se reunirão ainda no Ponto de Cultura Mapati (707 Norte, Bloco K, Casa 5) para analisar o processo do redesenho do Programa Cultura Viva.

(Redação: Heli Espíndola, Comunicação/SCDC)

Confira aqui a Programação.

O Seminário será transmitido via streaming.

Confira aqui o link de transmissão que estará aberto 30 minutos antes do início do evento.

O link também poderá ser acessado nas redes sociais da Secretaria: @culturaviva, @diversidademinc, Facebook da SCDC.

Serviço:
Seminário Nacional do Programa Cultura Viva-Redesenho
Data
: 6 e 7 de dezembro de 2012
Horário: 9h às 18h
Local:  Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea) – (Setor Bancário Sul, Quadra 01 – bloco J -Ed. BNDES – auditório do subsolo)

Subsídios para debates no Seminário

Programa Cultura Viva: Redes

Avaliação da I Reunião Temática do Redesenho do Programa Cultura Viva: Ponto, Pontões e Redes – 26 e 27/03/2012

Sustentabilidade do Programa Cultura Viva

Fio Lógico da II Reunião Temática do Redesenho do Programa Cultura Viva: Redes, Fomento e Sustentabilidade – 26 e 27/03/2012

Subsídios para o debate da II Reunião Temática do Redesenho do Programa Cultura Viva: Prêmios

Redesenho Cultura Viva: Relatório Parcial – Resumo Executivo

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quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Aprovada a Lei Cultura Viva na Comissão de Finanças e Tributação

Nesta segunda-feira convocamos junto de diversas entidades, coletivos e outras iniciativas, uma mobilização para a aprovação da Lei Cultura Viva na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara. E deu certo!

Segundo a página do Facebook Lei Cultura Viva:

Aprovada a Lei Cultura Viva na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados por unanimidade!

Veja a importância da Lei (http://bit.ly/QIOlEt). Confira o relatório do relator nesta comissão Dep. Osmar Junior : http://bit.ly/UrO08m .

A lei segue para comissão de Constituição e Justiça e Cidadania, depois será votada no Senado e vai à sanção presidencial.

Vitória do Movimento Social das Culturas! #VivaLeiCulturaViva.

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segunda-feira, 2 de julho de 2012

Cultura Viva agora será política de Estado

Na semana passada, dia 27/06, o  projeto de Lei (PL) nº 757/2011, que institucionaliza o programa Cultura Viva, foi aprovado pela comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados. Agora, o programa que desde 2005 é desenvolvido pelo Ministério da Cultura, transforma-se em em política de Estado, ou seja, a partir de então, o programa passa a contar com perenidade e não está mais à mercê dos gestores do MinC, garantindo a manutenção e ampliação dos Pontos e Pontões de Cultura, por exemplo.

Segundo a secretária da Cidadania e da Diversidade Cultural do MinC, responsável pelo programa, “é um importante avanço na implementação das políticas públicas para a cidadania e diversidade”.

A lei então cria  a Política Nacional de Cultura Viva e atende ao que estabelece a Constituição Federal (art.215) no que diz respeito aos direitos culturais, também torna mais simples a prestação de contas por parte dos Pontos Cultura, uma antiga reivindicação das comunidades já atendidas pelo programa.

A autora do PL, a deputada federal Jandira Feghali (PCdoB/RJ) salienta o fim dos excessos burocráticos: “Desburocratiza o processo de avaliação e prestação de contas, retirando algumas imposições da Lei 8.666/93 (lei das licitações), o que facilita para um Ponto de Cultura Indígena por exemplo, que não tem familiaridade com esses trâmites”.

A deputada também comemora o fato de o projeto ter ultrapassado a comissão de Educação e Cultura, na qual é analisado o conteúdo da matéria. “Foi aprovado na comissão temática, estou segura de que passa pelas outras duas.”

Para entrar em vigor, o projeto ainda passa pelas comissões de Finança e Tributação e de Constituição e Justiça e de Cidadania, tramitando em caráter conclusivo nas comissões, segue direto para o Senado. Se aprovado, vai à sanção presidencial.

Com informações do MinC.

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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Cultura Viva

Retirado do site do MINC em 26/01/2011 do endereço:

http://www.cultura.gov.br/site/2012/01/25/cultura-viva-15/

MinC debate em Porto Alegre o redesenho do programa com redes estaduais e municipais

O projeto de redesenho do Programa Cultura Viva foi discutido nos dias 22 e 23 de janeiro, em Porto Alegre, durante o encontro promovido pela Secretaria de Cidadania Cultural do Ministério da Cultura (SCC/MinC) – futura Secretaria de Cidadania e Diversidade Cultural – com os gestores das redes estaduais e municipais dos Pontos de Cultura e com a Comissão Nacional dos Pontos de Cultura (CNPdC). Também participaram do evento vários outros representantes do MinC, incluindo as secretarias de Articulação Institucional, Políticas Culturais, Economia Criativa (em estruturação no ministério) e a Secretaria Executiva.

A iniciativa na capital gaúcha buscou estabelecer um diálogo entre as partes, explorando temas relacionados à gestão, sustentabilidade e capacitação. Boa parte do primerio dia do encontro foi dedicada aos trabalhos em grupos, que elencaram questionamentos e demandas para apresentar à secretária da SCC/MinC na segunda-feira (23).

De acordo com a secretária de Cidadania Cultural, Márcia Rollemberg, a palavra redesenho poderia ser substituída por planejamento, considerando-se a necessidade de se fomentar uma rede de cidadania cultural e de buscar alternativas para a ampliação das ações do Programa e, ainda, estimular a sustentabilidade do processo. “Trata-se de um trabalho que requer empenho de todos os envolvidos, sendo necessária a apropriação, por parte dos personagens, da filosofia que norteia o programa e das interligações com as demais ações empreendidas pelo MinC”, ressaltou a secretária.

A titular da SCC/MinC chamou a atenção para a atual configuração dos pontos de cultura em todo o país, utilizando-se da relação entre indicadores como a renda per capita e o investimento por cidadão. Ela destacou que a busca de alternativas para o fortalecimento do Cultura Viva passa, necessariamente, pela integração de três questões estratégicas, que fundamentam as ações do MinC: comunicação, cultura e educação.

Opiniões

De acordo com Bernardo Machado, da Secretaria de Articulação Institucional do MinC, quatro palavras poderiam resumir os direitos culturais de todo cidadão e coletivo, que devem ser mantidos pelo Estado: liberdade (de criar), igualdade (no acesso), identidade (respeitando-se a diversidade) e intercâmbio (nacional e internacional). “É nesse sentido que os conselhos de cultura devem ser a cabeça do Sistema Nacional de Cultura, tanto no âmbito estadual quanto no âmbito nacional”, completou.

Para João Pontes, gestor da rede estadual do Rio Grande do Sul, as falas evidenciaram a necessidade de um pacto federativo, que atue no sentido de unificar comportamentos e processos por parte dos estados e municípios. Segundo ele, os entes federados precisam estabelecer atribuições, responsabilidades, metodologias e indicadores submetidos ao Sistema Nacional de Cultura (SNC). “Qualquer estado ou município que opte pela adesão ao SNC tem que estar comprometido com o Programa Cultura Viva, de forma a demonstrar disposição de se estabelecer um discurso conjunto no planejamento das ações”, frisou.

Já Leri Faria, da CNPdC , defendeu que “já está na hora de estabelecermos uma agenda efetiva de trabalho com quem está na ponta do processo, com quem está no meio e com quem está na função decisória do governo”. Ele destacou o tripé do programa – empoderamento, gestão compartilhada e protagonismo – como elemento estruturante de transformações concretas na vida das pessoas.

Importância do Cultura Viva

De acordo com José Maria Reis (Zehma), do CNPdC, dois pontos ficaram muito claros nesses dois dias de diálogo: a importância do Programa Cultura Viva e da manutenção de suas ações.  “Esse diálogo é um processo de multiplicação que vai expandindo uma rede que se constrói presencial e virtualmente”, afirmou. Ele ressaltou o compromisso e a disposição de todas as partes envolvidas em participar dessa construção, por meio do diálogo.

Leri Faria disse que, “quando um convite para um diálogo acontece desta forma, provoca uma

reflexão profunda também em nosso coletivo: olhamos ao redor e percebemos as limitações da nossa atuação nessa transformação do real”.  Frisou, em seguida, que “estamos disponíveis a participar dessa construção”.

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