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quarta-feira, 10 de julho de 2013

O corredor cultural já existe

D’O Tempo

Por Daniel Toledo

Realizada no último domingo, “A Ocupação” defende participação social como elemento fundador da cidade

Sem curadorias nem hierarquias, evento atraiu multidão de ações artísticas e políticas ao baixo cent

Enquanto algumas pessoas ainda desocupavam a Câmara Municipal de Belo Horizonte, anteontem, após nove dias de intensa convivência e mobilização, outras se preparavam ante uma nova ocupação, agora em torno do tradicional Viaduto Santa Teresa – e duração de apenas uma tarde e uma noite. Com espírito horizontal e coletivo, o evento intitulado “A Ocupação” convidou centenas de moradores da cidade ao encontro e à prática de propostas para um dos principais projetos urbanísticos em atual desenvolvimento na cidade: o Corredor Cultural da Praça da Estação.

Palestras, debates, performances, apresentações musicais, partidas de queimada, pequenas feiras, exposições de poesia, intervenções políticas e sessões de vídeo foram algumas das ações que transformaram em matéria desejos e atitudes que já há algum tempo pairam sobre a cidade – e, em muitos casos, sobre a própria região onde se localiza o viaduto, como o fundador Duelo de MC’s.

“Sem deixar de lado a heterogeneidade que surge como marca desse evento e de toda essa movimentação, trata-se de uma resistência positiva que afirma o desejo humano de viver o comum, e não o privado. Já há muito tempo, trilhamos um caminho de individualismo que nos deixa muito infelizes, e acredito mesmo nessa movimentação como uma retomada da alegria”, sintetiza a arquiteta e pesquisadora Natacha Rena, integrante do Movimento Fica Ficus e do Comitê de Arte e Cultura da Assembleia Popular Horizontal – dois dentre os vários coletivos presentes no evento.

Projeto. Quando relacionadas ao projeto urbanístico do Corredor Cultural da Praça da Estação, em franco desenvolvimento a partir de discussões entre a Prefeitura de Belo Horizonte e diversos representantes da sociedade civil, as ideias propagadas por Natacha desembocam em equipamentos mais alinhados às ações coletivas e interesses públicos que já se dão a ver naquele espaço do que a anseios privados de cunho meramente turístico ou mercadológico.

“Quando surgiu a ideia do corredor cultural, falava-se em uma mistura entre a Lapa carioca e Puerto Madero (em Buenos Aires), sugerindo mais uma réplica de um modelo urbanístico presente em diversas partes do mundo. Como resposta a essa ideia, houve uma ampla convocação popular, incluindo grupos até então deixados de fora da discussão, como a classe artística da cidade, assim como pequenos comerciantes e os próprios moradores de rua”, explica.

Integrante do grupo Espanca!, com sede localizada na região, e representante da sociedade civil na comissão que discute os rumos do corredor cultural, o ator Gustavo Bones também defende a importância de um projeto mais atento à realidade concreta do local. “É importante, nesse sentido, pensar em iniciativas voltadas à ação cultural, e não somente na reforma e criação de edifícios. Essa é uma discussão que já iniciamos e vamos desenvolver a partir de agora”, conta ele.

Na sua visão, essa junção entre cultura e política faz mesmo parte de um horizonte que se apresenta à capital mineira. “Vejo claramente que muitos agentes culturais estão recuperando essa função histórica da arte, que é levar o debate político à arena da cidade, ocupando, a partir de diferentes estratégias, os vários espaços públicos aos quais devemos ter acesso”, completa.

Perspectiva. Confiante em relação ao momento que se anuncia, Natacha Rena aposta na ocupação de outros espaços como um desdobramento natural do caminho trilhado até aqui. “Sem dúvida alguma, o que vem por aí é uma ocupação muito mais expressiva dos conselhos municipais, a partir da formação de grupos de trabalho que incluem profissionais de diferentes áreas, assim como artistas, professores e integrantes de movimentos sociais. Em meio a isso, eventos como o que participamos no domingo acabam sendo importantes injeções de ânimo para enfrentar burocracias, debates e negociações, inerentes a qualquer processo democrático”, defende a pesquisadora.

“É fundamental aproveitar esse momento político para mantermos vivos o debate e o diálogo, entendendo cada acontecimento desses como parte de um processo que segue – e segue nas nossas mãos”, acrescenta Bones.

Retirado do site d’O Tempo em 10/07/13 do endereço:

http://www.otempo.com.br/divers%C3%A3o/magazine/o-corredor-cultural-j%C3%A1-existe-1.677784

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terça-feira, 4 de junho de 2013

Ocupação criativa no centro de SP

Do cmais+

Por Rafael Cruz

A Cia. Pessoal do Faroeste faz de sua existência um ato político e dá nova perspectiva à região da Cracolândia.

Paulo Faria | Foto: Bob Sousa

Na esquina da Rua do Triunfo com a General Osório, onde o samba e o cinema se encontram, a Cia. Pessoal do Faroeste inicia uma ocupação cultural inovadora. 

Será no “Amarelinho”, imóvel nº 23 da General Osório, que abrigou nos últimos anos o atelier da artista plástica Maria Bonomi - neta de Giuseppe Martinelli, construtor do Edifício Martinelli -, onde cinco companhias teatrais mais cinco produtoras de cinema terão espaço garantido para realizar suas atividades.

A ideia é resgatar a aura da região, conhecida como Boca do Lixo, que nas décadas de 1920 e 1930 sediou os escritórios da Paramount, Fox e Metro, além de distribuidoras e fábricas de equipamentos cinematográficos e voltou a evidência entre os anos 1960 e 1980 com o cinema marginal e as pornochanchadas. Verdadeiro reduto do cinema nacional, origem da fama de nomes como Rogério Sganzerla, Ozualdo Candeias, Júlio Bressane e Zé do Caixão.

Seu Raimundo, como é conhecido o proprietário do imóvel natural de Euclides da Cunha, na Bahia, e que veio para São Paulo como auxiliar de cozinha, possibilitou o uso dos três andares do edifício para a ocupação coletiva, que será coordenada por Paulo Faria.

Paulo é autor, ator, produtor, cenógrafo e diretor teatral. Natural do Pará, tem 47 anos, 34 deles vividos nos palcos. Cursou Letras na Universidade de São Paulo. Foi vencedor do Prêmio Coca Cola de Teatro Jovem (1999), Prêmio Nacional de Dramaturgia Plínio Marcos (2000), Prêmio de Melhor Texto e Melhor Espetáculo no Festival de Cubatão (2009), Prêmio Artes Visuais da Cooperativa Paulista de Teatro (2010) e indicado aos Prêmios Shell e Governador do Estado (2012).

Paulo Faria está à frente da Cia. Pessoal do Faroeste desde sua fundação, em 1998. Em janeiro de 2013 a companhia deixou seu antigo endereço, a Alameda Cleveland nos Campos Elíseos, endereço ocupado pelo grupo desde 2006, e se instalou na atual Sede Luz do Faroeste na Rua do Triunfo, bairro da Luz, região central da capital paulista.

O coletivo cultural que será abrigado no Amarelinho é continuação da dinâmica de transformação que se iniciou com a chegada da companhia teatral num endereço que é um verdadeiro faroeste - esquecido e temido - no coração da metrópole.
sorteio
Tendo como estopim a determinação do então prefeito Jânio Quadros, em 1953, que retirou das ruas do Bom Retiro a atividade de meretrício, o trecho compreendido entre as Avenidas Duque de Caxias, Rio Branco, Ipiranga, as Ruas Cásper Líbero e Mauá e a Praça Júlio Prestes se transformou em ponto de intenso consumo de entorpecentes e prostituição. Trazer o público para assistir peças teatrais em plena Cracolândia, evidenciando a carência da região, é um ato político.

Prestes a abrir um precedente otimista para o centro da capital, Paulo Faria conta ao cmais+ suas expectativas e objetivos com seu projeto de ocupação urbana pela cultura.

cmais+: Paulo, a cultura foi o fator regenerante de muitas localidades ao redor do mundo. Cidades como Barcelona, Bilbao e Medellín se utilizaram da circulação cultural para erradicar problemas de violência. Neste sentido, como a Cia. Pessoal do Faroeste vem utilizando sua presença na região da Cracolândia?

Paulo Faria: Colocando a história da rua de onde criamos no centro da nossa dramaturgia, sempre estruturada num gênero. De forma simples, para que todos entendam. No caso da nossa peça em cartaz, “Homem Não Entra”, o faroeste. E assim criar no público um sentimento de pertencimento, para que, ao sair da peça, se alimente e reconheça onde está. Acho o Largo General Osório uma das mais belas encruzilhadas arquitetônicas da cidade, e com um passado cultural tão belo quanto. Onde o samba se junta ao cinema. Faz ideia do quanto é muito? E estar alinhado a todos os movimentos populares da região – prostituição, pobreza, moradia, poder falar dos excluídos que muitos tentam calar; é dessa forma que sentimos a nossa presença aqui.

cmais+: A iniciativa de cessão do imóvel por um particular e a mobilização das organizações culturais que ocuparão o espaço demonstram a força da iniciativa própria que não conta com fomento. Uma vez instalados, que tipo de olhar e ação por parte do governo espera o coletivo cultural do Amarelinho?

Paulo Faria: Esperamos políticas culturais claras e objetivas que facilitem esse tipo de ação, de ocupação na cidade, como a exemplo da Lei de Fomento ao Teatro para a cidade de São Paulo, que patrocina toda esta ação e que precisa ser ampliada. É impossível estarmos aqui na região sem um investimento público direto sem intermediários, sem isenção fiscal. A Lei de Fomento ao Teatro é um instrumento eficaz para a inclusão e valorização do indivíduo, pela sua expressão e protagonismo. O governo precisa incentivar a produção já existente na cidade, ampliando e facilitando a sua circulação e fruição. O governo não deve encarar as políticas públicas culturais como um evento. Cultura não é só evento. É também. Mas cultura quem faz é o povo.

cmais+: Ao todo, quantas pessoas estão envolvidas com a ocupação? Numa ocupação livre, caracterizada pela autogestão, como será feita a remuneração de todos os profissionais envolvidos? A receita gerada pelas atividades das produtoras e companhias, por si só, será suficiente?

Paulo Faria: Ainda não sei ao certo quantas pessoas cada coletivo reúne. A Cia. As Graças, por exemplo, até tem um ônibus! Ali será um QG de cada coletivo e o encontro possibilitará construir o que e como será essa rede. Em princípio, nos unimos numa guerrilha urbana, num projeto político de ocupação. Tudo será construindo coletivamente. Cada coletivo pagará um valor possível e cada um tem sua produção independente. A ideia não é fazer um condomínio, mas possibilitar o encontro entre o teatro, o cinema e a música, para que a tradição da rua continue, para que o bastão seja passado. Receita? Qual? Agora vamos enrolar as mangas e ir atrás de um patrocinador. Não devemos gerar lucro, geraremos ideias, expressões; não estamos falando de mercado, falamos de contracultura. De um movimento.

cmais+: Há intenção de um próximo passo? Outra ocupação similar nas imediações ou algum efeito multiplicador à ocupação do Amarelinho?

Paulo Faria: Tomara que mais “malucos” se inspirem e que o governo facilite essa maravilha. Por aqui há muito espaço público ocioso e que deveria sediar residências artísticas. Há também outra importante questão, que é a moradia no centro que não deve ser esquecida, principalmente, resolver o déficit de moradia para famílias de baixa renda, que já moram aqui em ocupações, cortiços, regularizar isso de forma simples. Somado aos artistas com seus ateliês, seus teatros, suas produtoras, acredito que essa alquimia possa ajudar a humanizar a região. Vamos garantir espaços para moradias e expressões culturais. Assim a cidade respira melhor. Vamos nos movimentar com os movimentos. A nova gestão da cidade parece que está aguçando sua escuta, parece que existe diálogo em São Paulo novamente. Estamos saudosos disso. Aqui estamos bem otimistas e ávidos que esse diálogo inicie logo.

Retirado do cmais+ em 04/06/13 do endereço:

http://cmais.com.br/arte-e-cultura/ocupacao-criativa-no-centro-de-sp?fb_action_ids=512596928787533&fb_action_types=og.likes&fb_source=aggregation&fb_aggregation_id=288381481237582

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quinta-feira, 2 de maio de 2013

O âmbito da cultura no planejamento urbano

Por Bernardo Vianna

Do Blog Acesso

Em mais de um de seus livros, Ítalo Calvino toma como foco a cidade. Interessa ao escritor italiano o espaço urbano enquanto produto cultural. Em Cidades invisíveis ou em Marcovaldo – Ou as estações na cidade, Calvino descreve, antes da estrutura das torres e das vias públicas, os significados que as permeiam. As cidades tomam forma segundo a percepção e os desejos das personagens. O tema também inspirou Guy Debord a construir o conceito de “psicogeografia”. A partir de tal ideia, o pensador francês inspirou artistas e intelectuais a percorrer as cidades, no bojo dos movimentos de vanguarda europeus das décadas de 1950 e 1960, observando como o desenho de ruas e prédios se relaciona com as emoções e com o comportamento das pessoas.

O âmbito da cultura passou a fazer parte das políticas públicas sobre o uso e o desenvolvimento do espaço urbano, em São Paulo, desde a definição do Plano Diretor Estratégico de 2002. A lei que define, entre outras, diretrizes de ocupação do solo, infraestrutura e mobilidade, trouxe, como inovação, item dedicado à cultura. O documento prevê a elaboração de normas para a preservação de bens culturais e referências urbanas, a preservação da identidade dos bairros e a sensibilização da opinião pública sobre a importância e a necessidade de preservação do patrimônio histórico e cultural.

No último sábado, teve início, com algum atraso, o debate público para a revisão do Plano Diretor Estratégico, o que, a princípio, estava previsto para ocorrer em 2012. De acordo com Nabil Bonduki, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, vereador de São Paulo e relator da Lei do Plano Diretor Estratégico, a cultura, desde 2002, passou a fazer parte, com bastante ênfase, da discussão sobre o uso do espaço urbano. “Por conta disso, eu diria que a expectativa, agora, é que esse assunto ganhe ainda mais importância. Há uma mobilização grande do segmento cultural na discussão do plano diretor e existe também um interesse da própria Secretaria de Cultura nesse sentido”, afirmou o urbanista.

A prefeitura de São Paulo divulgou, em 15 de abril, agenda de encontros para a revisão participativa do Plano Diretor Estratégico, eventos abertos ao público, que pode apresentar propostas e contribuições. Em uma segunda etapa, serão realizadas oficinas públicas nas 31 subprefeituras para ouvir propostas dos moradores locais e será aberto, também, um canal digital para a participação. Audiências públicas, em uma terceira fase do processo, debaterão as propostas apresentadas e será discutida a minuta do projeto de lei. O projeto será, então, encaminhado à Câmara dos Vereadores, que iniciará processo de consulta pública.

Cultura nos espaços públicos

A utilização do espaço público para a cultura é uma discussão que permeará todo o processo. A questão, para Bonduki, é de grande importância e deve ser uma das diretrizes do Plano Diretor. “As atividades culturais têm, certamente, um papel importante no repovoamento do espaço público. Se predominar a perspectiva dos grandes condomínios, das áreas que perdem sua capacidade de serem espaços vivos, teremos a desertificação do espaço, o que é muito ruim e tem impactos importantes, por exemplo, sobre a questão da segurança. Ruas desertas são inseguras, acabam sendo espaços violentos – não só da violência criminal como também da violência dos automóveis em alta velocidade, da falta de comunicação entre as pessoas. A valorização do espaço público é muito importante e a cultura pode ter um papel fundamental nisso”, expôs o especialista.

A valorização dos espaços culturais com saída para a rua, em oposição aos espaços localizados em áreas privadas, como shopping centers fechados, cujo acesso se dá por automóveis particulares, é, na opinião do urbanista, algo urgente. “Hoje, praticamente todos os cinemas de rua fecharam. Os teatros, principalmente na região do Centro expandido, têm dificuldade para manterem-se. Vimos, por exemplo, vários teatros serem fechados na Praça Roosevelt. Na Rua Augusta, muitas casas noturnas e lugares de atividades culturais também estão sendo fechados e sofrendo o processo da especulação imobiliária. Esse é um assunto importante: criar um mecanismo de proteção dos espaços culturais de rua para que eles possam dinamizar o próprio espaço público, a calçada. Se você tem apenas estacionamentos no térreo dos edifícios, apenas paredões e muros, você mata a rua e assim mata, também, a cidade”, disse Bonduki.

Assim como a cultura oxigena os espaços públicos urbanos, de tais espaços dependem a memória e a identidade da cidade. Um instrumento de que já se dispõe são as Zonas Especiais de Proteção Cultural – ZEPEC, áreas destinadas à preservação, recuperação e manutenção do patrimônio histórico e artístico. Outra modalidade que, na opinião de Bonduki, deveria ser incluída, é a proteção de espaços que, se não são particularmente interessantes do ponto de vista arquitetônico, o são a partir da perspectiva da manutenção de determinados usos e práticas culturais. “São locais com os quais a população se identifica. Pode ser um cinema, um teatro ou mesmo um restaurante ou um bar que, se não é interessante arquitetonicamente, transformou-se em ambiente de interesse do ponto de vista da memória da cidade. Claro que não é fácil encontrar instrumentos para garantir essa preservação, mas nós não podemos desconsiderar essa dimensão”, explicou.

Retirado do Blog Acesso em 02/05/13 do endereço:

http://www.blogacesso.com.br/?p=6120

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segunda-feira, 1 de abril de 2013

I Encontro Brasileiro de Pesquisa em Cultura: chamada para trabalhos

I Encontro Brasileiro de Pesquisa em Cultura

“Pesquisa e produção do conhecimento para além da universidade”

1 a 3 de setembro de 2013

Entre os dias 1 e 3 de setembro acontece em São Paulo o I Encontro Brasileiro de Pesquisa em Cultura. Com o tema “Pesquisa e produção do conhecimento para além da universidade”, o encontro busca reunir pesquisadores de todo país para debater e organizar o campo da pesquisa em cultura no Brasil. O objetivo é reunir pesquisadores que investigam a área da cultura, dentro e fora da universidade e que estão dispersos no território nacional, nas diferentes disciplinas e em diferentes contextos sociais. Com o encontro, esperamos fomentar o diálogo entre campos, instituições e agentes, evidenciando convergências e oportunidades de colaboração.

O Encontro Brasileiro de Pesquisa em Cultura foi precedido de dois encontros regionais – o I Encontro Paulista dos Pesquisadores da Cultura e o I Encontro Fluminense e Capixaba dos Pesquisadores da Cultura (realizados em 2012 com a participação de mais de 500 pesquisadores). Os encontros regionais demonstraram a carência de espaços de interlocução e a necessidade da realização de um encontro nacional periódico dos pesquisadores em cultura, rompendo barreiras geográficas, disciplinares e institucionais.

Público-alvo

O encontro está aberto a todos os que fazem pesquisa sobre cultura, dentro e fora das universidades. Ele reunirá pesquisadores acadêmicos de todos os níveis, agentes culturais e gestores públicos que desenvolvem investigações no campo da cultura.

Local

O encontro acontece na Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo. A escola está localizada no bairro de Ermelino Matarazzo, na Avenida Arlindo Bettio, 1000.

Datas chave

18/02: Lançamento do chamado e abertura das inscrições

15/04: Prazo final para envio dos trabalhos

04/05: Divulgação dos trabalhos selecionados

01/09: Início do encontro

Organização do encontro

O encontro contará com uma conferência de abertura, mesas redondas, oficinas de pesquisa e sessões de apresentação de trabalhos. Este chamado dirige-se aos que têm interesse em apresentar suas pesquisas nas sessões de apresentação de trabalhos

Eixos

A partir dos trabalhos apresentados nos encontros regionais foram elaborados os seguintes eixos temáticos:

Eixo I: Cultura e identidade (cultura periférica, cultura popular, culturas juvenis, identidades, ritos)

Eixo II: Linguagens artísticas (artes visuais, audiovisual, dança, literatura, moda, música, teatro)

Eixo III: Cultura e cidade (cultura e território, patrimônio cultural)

Eixo IV: Mediação (mediação, arte e educação; formação de público; participação cultural)

Eixo V: Economia da cultura (cultura e economia, direito autoral, mercado editorial)

Eixo VI: Política cultural (política e gestão cultural)

Eixo VII: Comunicação (mídia e comunicação, editoração e imprensa)

Eixo VIII: Teoria e história da cultura (história e cultura, memória e oralidade, teoria cultural)

Esses eixos são apenas indicações preliminares, com o objetivo de organizar a avaliação e apresentação dos trabalhos. Isso não impede que pesquisas que não se enquadrem nos eixos sejam apresentadas – podendo, inclusive, dar origem a novos eixos.

Inscrição

O encontro aceitará dois tipos de trabalhos: trabalhos acadêmicos e não acadêmicos. Os dois tipos têm regras de submissão diferentes (explicadas abaixo), mas as sessões de apresentação serão mistas, organizadas pelos temas e eixos temáticos. Todas as apresentações de trabalho terão duração de no máximo 15 minutos. A inscrição de trabalho na categoria acadêmico ou não acadêmico independe de titulação ou vínculo com instituição acadêmica – ou seja, pessoas não vinculadas a instituições universitárias podem inscrever pesquisas de natureza científica e, inversamente, pessoas vinculadas à universidade podem inscrever pesquisas não acadêmicas. Cada pesquisador poderá inscrever apenas um trabalho, indicando uma das categorias.

Trabalhos acadêmicos

Os trabalhos acadêmicos devem ter de 5 a 12 páginas, seguir os padrões ABNT e incluir resumo de até 6 linhas, palavras-chave e referências bibliográficas. Os artigos não devem conter a identificação do autor ou autores.

Os trabalhos serão avaliados por pares com duplo-cego (tanto a identificação dos pareceristas quanto dos autores é mantida em sigilo) e a avaliação será coordenada pela comissão de avaliação.

A submissão de trabalhos será feita pelo site mediante preenchimento de ficha de inscrição e envio do artigo em formato eletrônico pdf. O arquivo deve ser nomeado com as três primeiras palavras do título, sem acentos ou cedilhas, separadas por hífen. Por exemplo, para o artigo de título “Dimensões da cultura e políticas públicas”, o nome do arquivo deve ser: dimensoes-da-cultura.pdf

Trabalhos não acadêmicos

Os trabalhos não acadêmicos podem ter dois formatos: trabalhos escritos e produção audiovisual.

Os trabalhos escritos devem ter de 5 a 12 páginas e incluir um resumo de até 6 linhas. Os trabalhos não devem conter a identificação do autor ou autores.

Os trabalhos em formato audiovisual (vídeos ou gravações de áudio) devem ter até 5 minutos. Eles devem ser submetidos nos formatos mp4 ou mp3 e acompanhados de título e resumo explicativo (preenchidos na ficha de inscrição).

Os trabalhos serão avaliados por pares com duplo-cego (tanto a identificação dos pareceristas quanto dos autores é mantida em sigilo) e a avaliação será coordenada pela comissão de avaliação.

A submissão de trabalhos será feita pelo site mediante preenchimento de ficha de inscrição e envio de texto em formato eletrônico pdf ou produção audiovisual em formato mp3 ou mp4. O arquivo deve ser nomeado com as três primeiras palavras do título, sem acentos ou cedilhas, separadas por hífen. Por exemplo, para a produção audiovisual de título “Ilha das flores”, o nome do arquivo deve ser: ilha-das-flores.mp4

Serão aceitos trabalhos não acadêmicos que apresentem reflexões ou pesquisa sobre práticas e produtos culturais e que contribuam para aprofundar sua compreensão.

Não serão aceitos trabalhos que sejam apenas obras criativas ou artísticas, independentemente do valor estético ou cultural.

Não serão aceitos trabalhos que sejam puramente descritivos e não contenham elementos de reflexão ou investigação.

Sugere-se que os trabalhos não acadêmicos contenham uma apresentação geral da ação ou produto cultural, histórico, justificativa da sua relevância e questões e reflexões suscitadas.

Acesse aqui o formulário de inscrição.

Contato

Informações adicionais: encontro@pesquisaemcultura.org

Retirado do Pesquisa em Cultura em 01/04/13 do endereço:

http://www.pesquisaemcultura.org/?p=586

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quarta-feira, 4 de abril de 2012

Prédios e esgotos de São Paulo estão em exposição no site Arte Fora do Museu, com visita guiada.

Retirado do Pop Kitsch & Cult em 04/04/12 do endereço:

http://carlosminuano.blogspot.com.br/2012/04/cidade-oculta.html

Por Carlos Minuano

Na correria quase insana do dia a dia, quantas pessoas são capazes de perceber que a cinzenta capital paulista abriga obras artísticas em muros, prédios, jardins e até em canais de esgoto? Circulando por essa “cidade oculta” dois jornalistas tiveram uma ideia: criar um site que mapeasse a arte espalhada pelas ruas de São Paulo. Assim surgiu o projeto Arte Fora do Museu. Desde meados de 2011, quando entrou no ar, o site oferece uma visita guiada por um circuito de arte praticamente desconhecido, com pinturas, esculturas, construções arquitetônicas e grafites feitos em espaços públicos, que muita gente sequer sabe que existem.

O projeto começou a tomar forma na cabeça de Felipe Lavignatti em 2007, quando foi à Faap ver uma exposição: “Fiquei espantado quando vi, no saguão de entrada da faculdade, réplicas de esculturas do Aleijadinho. É fácil saber quais obras estão em museus como o Masp, o MAM. Mas identificar de quem é uma escultura no centro da praça da Sé é uma tarefa um pouco mais difícil”, argumenta. Os jornalistas Lavignatti e André Deak, que trabalham juntos em outros projetos na Casa da Cultura Digital Brasileira, decidiram se dedicar ao mapeamento de, ao menos, algumas dessas obras da cidade, incluindo ainda sinopses detalhadas e comentários de especialistas. “O conteúdo jornalístico de pesquisa e a análise de cada item desse projeto compõem um material de apoio à visita”, observa Deak. “Como identificar o autor de um grafite somente pelos traços do artista? Sem um conhecimento prévio, fica difícil”, acrescenta.

O Arte Fora do Museu começou a ganhar corpo, efetivamente, em 2010, após ter sido selecionado em primeiro lugar no edital Bolsa Funarte de Reflexão Crítica e Produção Cultural para Internet. Os autores tinham, então, seis meses para fazer o levantamento de cem obras de arte em áreas públicas. Escolheram um sistema de georreferenciamento que funcionasse a partir de celulares, por meio de um aplicativo para Iphone, uma estratégia chamada de mobile first – que permite desenvolvimento para celulares, mas que funciona também na web. Ajudaram na tarefa de seleção das obras os consultores Fabio Cypriano, crítico de arte do jornal Folha de S. Paulo, e Diogo de Oliveira, que trabalha com turismo voltado para arte. A segunda etapa era organizar o acervo. Segundo Deak, na hora de peneirar o que incluiriam, ou não, no site, optaram por dar prioridade às obras com relevância reconhecida por especialistas, consideradas modernas ou contemporâneas, que ficassem em localidades próximas ao centro da cidade e às quais o acesso fosse fácil e gratuito.

Depois disso, foi a hora de sair para a rua e fotografar. Também conversaram sobre cada obra com especialistas como o grafiteiro Pato, os arquitetos Ricardo Ohtake e Valter Caldana, a educadora Rosana de Paula Prado e a mosaicista Isabel Ruas. As entrevistas resultaram em cem vídeos, produzidos com equipamentos simples como uma pequena câmera Flip HD, um microfone de lapela com fio ligado em um gravador digital e um tripé comprado na rua Santa Ifigênia. As fotos, que estão no Flickr, e as entrevistas, disponíveis no YouTube, estão liberados com licença Creative Commons. “Se foi feita com dinheiro público, toda a produção resultante deve ser pública. Mas também nos interessa que nosso trabalho circule, e que mais pessoas tenham acesso ao que fizemos”, justifica Deak.

Escola a céu aberto. “Foi um aprendizado incrível”, conta Lavignatti. As “aulas” aconteciam durante viagens de metrô, passeios a pé, de carro e bicicleta, por cerca de sete dias. Enquanto o mapeamento das obras era feito com auxílio do Google Street View, que dava o local exato de cada uma, o site começava a ser desenhado pelo programador Paulo Geyer, outro parceiro do projeto. Apesar de trabalhar quase sem recursos e sem ganhar nenhum centavo, a dupla de criadores do Arte Fora do Museu não pretende parar por aí: “Esperamos que a ideia floresça e que alguém resolva patrocinar uma continuação, aprimoramentos e uma versão para Android”, diz Deak.

Os dois pretendem investir em maior interação com redes sociais, inserção de comentários e espaço para que os internautas possam mandar suas sugestões de obras. Ventos parecem soprar a favor do projeto. Lavignatti conta que um grupo de Montevidéu os procurou para propor o desenvolvimento de um projeto similar na capital uruguaia, a ser lançado em breve. E o projeto também deve ir em breve para o Rio de Janeiro. Se as negociações avançarem e a ideia sair do papel, 200 obras de arte devem ser mapeadas na cidade maravilhosa. Fora do Brasil existem algumas experiências semelhantes, mas quase todas baseadas em catalogação colaborativa, ou seja, demandam um sistema complexo de checagem da produção coletiva. Por isso, a opção pelo caminho jornalístico mais tradicional: apuração com especialistas, produção de conteúdo, edição e apresentação multimídia. “Nosso objetivo é construir um grande portal integrado, com o maior número de cidades possível”, explica Lavignatti.

www.arteforadomuseu.com.br

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quinta-feira, 1 de março de 2012

Faop transforma tapumes de Ouro Preto em obra de arte a céu aberto

Retirado do site da SEC-MG em 01/03/12 do endereço:

http://www.cultura.mg.gov.br/component/content/article/176-noticias-da-secretaria/687-faop-transforma-tapumes-de-ouro-preto-em-obra-de-arte-a-ceu-aberto

Exposição a céu aberto: Ex-alunos do Aro transformam tapumes do Centro Histórico de Ouro Preto em obras de arte

A Rua Padre Rolim, principal via de acesso ao Centro Histórico de Ouro Preto, ficou mais bonita com as intervenções artísticas do projeto Tapume + Arte feitas pela Fundação de Arte de Ouro Preto | Faop, entidade ligada à Secretaria de Estado de Cultura. A iniciativa, em parceria com a Prefeitura, transformou os tapumes que cercam a área afetada por deslizamento de terra próximo ao Terminal Rodoviário. As fortes chuvas do início deste ano provocaram queda de parte do Morro do Piolho, que atingiram a Rodoviária. 

No lugar do desastre, surgiu uma obra artística coletiva. Os tapumes viraram tela para a oficina de aderência com ex-alunos do  ARO | Formação em Arte, Restauro e Ofícios e do Comunidade + Arte. Com desenhos escolhidos pelos próprios participantes, os jovens deram um colorido especial à rua com a técnica grafite, sob a orientação dos professores Dinho Bento e Thiago Alvim.

Como uma exposição a céu aberto, os professores acreditam que o trabalho vai interferir no cotidiano tanto de moradores quanto de turistas que transitam pela área. “O processo de criação coletivo realizado pela oficina colabora com a melhoria da autoestima dos participantes, que aprendem a cuidar e intervir no ambiente, sem agredi-lo”, comentam.

Para a presidente da Faop, Ana Pacheco, as ações do Tapume + Arte são uma forma de mostrar que a arte pode surgir nos mais variados espaços. No caso específico da Rodoviária, os tapumes alegram o local e também dão esperança para quem transita pela rua. A arte tomou lugar da tristeza que as chuvas de janeiro trouxeram para Ouro Preto. “É uma maneira de acolher melhor os turistas que chegam à cidade, pois essa é a principal via de acesso ao centro histórico”, completa Ana Pacheco.

Tapume + Arte

A ideia do Tapume + Arte é criar uma obra de arte coletiva, que mobilize alunos, professores e a comunidade onde a edificação está inserida. É um projeto de intervenção artística urbana, com o objetivo de transfigurar a função de proteção que o tapume exerce em uma obra, transformando-o também em um objeto de contemplação, uma obra artística voltada para o espaço público.

O projeto surgiu durante a restauração da Casa Bernardo Guimarães, sede administrativa da Faop, entre os anos de 2005 e 2006, visando a instigar a comunidade de Ouro Preto a perceber que no local, nasceria um importante centro cultural da cidade. Depois, a iniciativa se estendeu a outros pontos da cidade, por exemplo a antiga Santa Casa, e serviu de inspiração inclusive para intervenções e oficinas em outros municípios, como Betim. Em fevereiro deste ano, a iniciativa também decorou Ouro Preto para o Carnaval , com a pintura dos tapumes colocados para preservar o patrimônio e salvaguardar os foliões em outros dois locais da cidade: Ponte dos Contos (Centro) e Murinho dos Namorados (bairro Rosário).

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sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Vide Urbe

Retirado do Overblog em 16/12/2011 do endereço:

http://overmundo.com.br/overblog/vide-urbe-por-renato-rezende

Por Renato Rezende*

vide urbe · Rio de Janeiro, RJ

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Mapa-convite da mostra em maio de 2011

 

A primeira mostra do projeto Vídeo Urbe, idealizado pela artista e pesquisadora multimeios Moana Mayall, apresentou uma curadoria de instalações de videoarte, tendo como suporte a própria pele da cidade (a fachada ou empena de edifícios em diferentes bairros do Rio de Janeiro). Realizado em maio de 2011, com trabalhos dos artistas Eder Santos, Chico Jofilsan, Simone Michelin e João Penoni em Ipanema, Centro, Lapa e Maracanã, levantou relevantes questões sobre a arte contemporânea, suas fronteiras e suas implicações públicas. Como é amplamente sabido, o conceito de “campo ampliado”, cunhado por Rosalind Krauss em seu célebre artigo de 1979, oferece balizamento teórico para um sem número de obras multimídias, hibridizações e mestiçagens que caracterizam o momento pós-moderno.

Instalações e trabalhos multimídia tornaram-se, já no despontar do século 21, onipresentes em galerias, feiras de arte e bienais de todo o mundo. No entanto, as potencialidades geradas por tais desguarnecimentos de fronteiras e de procedimentos entre as artes no momento atual, longe de estarem esgotadas, continuam a instigar novas pesquisas e exigir novos posicionamentos de cada artista e de cada espectador. Desta forma, o projeto Vídeo Urbe, já em sua primeira edição, procura renovar o conceito de arte pública e de intervenção urbana ao mesclar tais práticas, em geral eruditas, não simplesmente aos recursos e procedimentos pop de VJs e do digital graffiti, mas também às pesquisas de linguagem próprias do videoarte (que por sua vez dialoga com a linguagem da poesia) e às experiências do trans-cinema, seja imersivo ou participativo.

Desta forma, engajando artistas, espectadores e habitantes, o projeto Vídeo Urbe chama à vida o próprio corpo da cidade, resgatando-a como organismo. A ideia é transformar a cidade em elemento ativo, capaz de emitir uma voz, de especificar uma gramática, de entrar em diálogo, de criticamente lançar de volta a nossa imagem em movimento, espelhar os nossos próprios corpos, surpreendentemente vivos e latejantes, como parte da própria obra. Levantando questões sobre a arte, suas funções e suas práticas, seus procedimentos, sua estética e sua fruição, seus espaços e seus públicos, divertindo, transgredindo e emocionando, o projeto Vídeo Urbe tem tudo para se expandir e se firmar como um evento anual no circuito das artes cariocas.

*Renato Rezende é autor de Passeio (Record, 2001, Bolsa da Biblioteca Nacional para obra em formação), Ímpar (Lamparina, 2005, Prêmio Alphonsus de Guimaraens da Fundação Biblioteca Nacional) e Noiva (Azougue, 2008), além de Guilherme Zarvos por Renato Rezende (Coleção Ciranda da Poesia, EDUERJ, 2010), Coletivos (com Felipe Scovino, Circuito, 2010) e No contemporâneo: arte e escritura expandidas (com Roberto Corrêa dos Santos, Circuito/FAPERJ, 2011), entre outros. Tem apresentado trabalhos em diferentes suportes em eventos como a Draw_drawing_london biennale (2006), o festival de poesia de Berlim (com o coletivo GRAP = rap + poesia + grafitti, 2007), o Anarcho Art Lab, em Nova Iorque (2011), e o Urbano Digital, no Parque Lage, Rio de Janeiro (2009), entre outros. Em 2010 apresentou o site specific Eu posso perfeitamente mastigar abelhas vivas e em 2011 a interferência urbana MY HEART IN RIO, em parceria com Dirk Vollenbroich, no Oi Futuro de Ipanema, Rio de Janeiro. É Mestre em Artes pelo Instituto de Artes da UERJ.

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quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Resenha: Poro – um grande deslocamento (Revista Concinnitas/UERJ)

Retirado do Poro em 01/12/2011 do endereço:

http://poro.redezero.org/biblioteca/resenha-poro-um-grande-deslocamento-revista-concinnitas-uerj/?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+Poro+%28Poro%29

Poro. Perca tempo, 2009

*Texto de Isabel Carvalho, publicado na Revista Concinnitas junho de 2011 – ano 12 n.18 – Publicação do Instituto de Artes da UERJ

A construção de um pensamento voltado para o cotidiano das cidades se desenvolve com poéticas ações de um coletivo chamado Poro. Suas intervenções indicam outras práticas e espacialidades, como sugere o nome de um trabalho. Ler, ver e entender os trabalhos do Poro.

Espaços urbanos, interferências, deslocamentos.

De espaços a espaços, em faixas e sutis folhas de ouro, descobrimos o Poro. Poéticas ações que se desdobram em meio ao comum, mas ao mesmo tempo distante, olhar na cidade. Intervalo, respiro, pequenos deslocamentos é tão somente mais uma poesia vislumbrada pela poética de nove anos de trabalho da dupla Brígida Campbell e Marcelo Terça-Nada. Trata-se de um coletivo de Belo Horizonte que vem desenvolvendo suas ações em diferentes espaços públicos de grandes cidades brasileiras.

O livro reúne trabalhos do Poro, como um catálogo, entremeados por textos de autoria de amigos da dupla. Como veremos adiante, o registro está atrelado diretamente ao trabalho do coletivo. As ações são normalmente publicadas no site. Nesse caso, o registro também se fez em forma de livro. Os textos selecionados descrevem e discutem alguns trabalhos e traçam os conceitos e questionamentos envolvidos nas intervenções.

Essas intervenções do Poro, segundo André Brasil,1 são insignificâncias, ou seja, deslocamentos mínimos. As insignificâncias, como o próprio nome diz, são as intervenções sutis e anônimas que, ao ocupar o espaço urbano, passam despercebidas; são atos de profanação. Com base em Giorgio Agamben,2 o autor observa que à medida que uma coisa é sacralizada ela se torna alheia e distante de qualquer intervenção do homem. Ora, se a sacralização é aposta à profanação, em vez da retirada há, portanto, a restituição, que se dá por meio do uso negligente, que é o que nos “religa aos objetos que foram abstraídos por nós por meio de um sacrifício”.

Existem em nosso cotidiano slogans e palavras de ordem espalhados pela cidade; são coisas comuns que foram ressignificadas pelo Poro. As frases de impacto e os slogans se mantêm, mas visando atingir a sociedade de forma diferente daquela que a mídia e o marketing o fazem. Em outras palavras o Poro deseja fazer as pessoas pensarem, apropriando-se dessas faixas, papéis no dia a dia, mas ressignificando e atribuindo outros valores que não os associados à mídia e ao marketing. Perca tempo (2010), Contra palavras de ordem (2006) e Faixas de antissinalização (2009) são trabalhos que fazem referência às questões colocadas.

Dando seguimento aos textos, Anderson Almeida3 lança suas memórias da vivência de dois dias da interferência Azulejos de papel, mas sem deixar de observar os intrigantes questionamentos que os trabalhos do Poro geram. O texto é uma lembrança de 2009, quando acompanhou os artistas no Verão, arte contemporânea (VAC) em Belo Horizonte. Percorreram os bairros da Lagoinha, Concórdia e Floresta colando os azulejos de papel em muros e construções. Foi de fato experiência única acompanhar os artistas e vivenciar ali o processo artístico das intervenções. Segundo ele, “os azulejos não transformavam os lugares em algo que não eram, antes os complementavam”.

A efemeridade desses singelos azulejos, de acordo com Daniela Labra,4 resgata a memória urbana. Para a autora, a realidade do agitado cotidiano nas cidades, que passa despercebida para a maioria de nós, ganha potencial poético nas intervenções, com simplicidade e desprendida de quaisquer espetacularizações. Nessas cidades-máquinas, expressão utilizada por André Mesquita,5 maximiza-se a “impessoalidade pela individualidade”, e é nesse contexto que o Poro vem denunciar as injustiças sociais e incitar a mudança nas relações que mantemos com o urbano. Segundo ele, desmaterializar e enfatizar essa participação do espectador são propostas atualizadas pelo Poro do conceitualismo da América Latina, adaptadas, no entanto, para nossos objetivos. Além disso, o autor afirma que o compartilhamento dos trabalhos na rede socializa os saberes e possibilita que outras pessoas transformem a realidade que as cerca.

Daniel Toledo e Luis Carlos Garrocho6 pontuam, nas intervenções do Poro, os regimes de corte, que são dois, segundo eles: um significante (através das representações) e outro ‘assignificante’ (que foge às representações). O Poro também produz imagens que não pertencem ao dia a dia das cidades. Portanto, operam cortes que se fazem assignificantes, primeiro sobre as instituições de arte – a relação com o ambiente da galeria – e, segundo, sobre um corte nas cidades e situações do cotidiano, para fazer-nos atentar para o efêmero, seja por meio de peixinhos em um poste suspenso ou em tiras de papel arremessadas ao vento.

(Imagem à esquerda: Poro. Azulejos de Papel, 2007-2011)

Outra questão colocada pelos autores diz respeito à efemeridade da maioria das intervenções doPoro. São outros os cortes. Afirmam que “não é o espaço das galerias que tornará ‘mais durável’” a arte do coletivo. Desenvolvendo um registro – fotográfico e documental –, a obra passará a ter esse caráter durável e poderá ser vista e reproduzida por outras pessoas. Um próximo corte se estabelece na questão da autoria ou, melhor, do anonimato. Referem-se ao fato de as pessoas não saberem que por detrás da obra está a assinatura de Brígida Campbell e Marcelo Terça-Nada!

Com base na arte expandida de Simon O´Sullivan,7 os autores também levam em conta nas intervenções quatro pontos fundamentais: o trabalho colaborativo (prática participativa, a interação do espectador), a dimensão ética (experimentação, as pessoas são afetadas pelos trabalhos), a dimensão política (dupla crítica: ordem capitalista mundial, individualismo e estratégia de desconstrução dos regimes de significação; uma política para as pessoas agirem de outra maneira – outros modos de vida), e as virtualidades (o que é possível, mas não foi realizado; trabalhos que materializam o que já acontece, o real, embora invisível a nossos olhos). Novamente aborda-se a questão da ressignificação. O Poro se apropria de elementos cotidianos para estabelecer essas novas relações com faixas, cartazes e panfletos. Os trabalhos podem ser vistos por um transeunte como um acaso poético do dia a dia e não como um trabalho artístico.

Em Arquiteturas Adesivas, Renata Marquez e Wellington Cançado utilizam Azulejos de papel e Interruptores para poste de luz para assinalar questões referentes ao público e ao privado.

(Imagerm à esquerda: Poro. Aquários suspensos, 2007)

Dizem os autores que as imagens evocadas dos azulejos mimetizam essa autodestruição da cidade; percebe-se que no espaço urbano há a invasão do “poder público sobre o domínio privado”. Nessa cidade os azulejos revestem a destruição e o abandono; tornam-se confusas as limitações entre o público e o privado. Já os interruptores de papel servem a princípio para apagar ou acender a luz do poste, mas o que o Poro promove é uma aproximação entre objetos que pertencem ao espaço privado (o interruptor) e ao espaço público (o poste). Há uma diferença “fictícia e burocrática” entre o público e o privado; não faz diferença o poste estar na rua se ele não ilumina a rua e sim o apartamento do segundo andar. Na realidade o interruptor ‘transfere’, e não desloca o poder público (das prefeituras) para as pessoas. A intenção dessa intervenção é propor a transferência, a alteração do poder, possibilitando a autonomia dos cidadãos e a interação coletiva. Dessa maneira, os dois trabalhos não têm a pretensão de funcionar como aquilo que de fato representam. Não se trata de criar coisas, mas de fazer uma proposta. O Poro, nesses dois trabalhos, transforma a rua em extensão doméstica e a casa em intenção pública.

E não só de textos em prosa se faz o livro do Poro. As poéticas ações só ficam completas com “Inúmero Poro”, poema de Ricardo Aleixo, que consegue transmitir a mensagem do coletivo e dos textos aqui citados, nessa outra forma. O comum do cotidiano transforma-se em incomum. O Poro utiliza faixas com formatos e materialidades semelhantes aos daquelas que vemos rotineiramente nas ruas. Com inscrições como “Perca tempo”, “Viva a borda desloque o centro”, essas faixas surgem carregadas por duas pessoas que se posicionam diante dos automóveis, parados, quando o sinal de trânsito fecha. Ao voltar a ficar verde a luz do sinal, as faixas são recolhidas, e o trânsito flui normalmente. Terão as pessoas dentro dos automóveis reparado nas faixas? Provável. Mas elas terão entendido suas mensagens? Talvez. Terão refletido? Algumas sim, outras não.

“(…) disposição para extrair

do comum

o incomum

e

antes que o

sinal verde

novamente se abra,

devolvê-lo

(o comum)

ao lugar que ésó dele (o comum) (…)8”

    Um só livro reuniu os registros de intervenções efêmeras, de exposições de fotos em galerias e de textos valiosos para o aprofundamento dos estudos sobre coletivos. Essa perfeita combinação de textos e imagens/descrições dos trabalhos permite vivenciar as experiências do Poro. Mesmo que nunca presenciemos as ações, um grande deslocamento acontece: questionar tudo o que está a nosso redor, até as sutilezas, pois nelas estão os verdadeiros desafios das cidades.

    Isabel Carvalho (UERJ, Rio de Janeiro, Brasil) é graduanda em história da arte pela UERJ, bolsista Pibic do projeto “Arte e história na contemporaneidade: implicações políticas” e atua na pesquisa de coletivos brasileiros. / isabel.qcarvalho@gmail.com

    NOTAS

  1. Brasil, André. “Insignificâncias: a política nas intervenções do Poro” in Intervalo, respiro, pequenos deslocamentos. São Paulo: Radical Livros, 2011, p. 33-36.

  2. Citado por Brasil, 2009.

  3. Almeida, Anderson. “Azulejos de papel” in Intervalo, respiro, pequenos deslocamentos. São Paulo: Radical Livros, 2011, p. 51-56.

  4. Labra, Daniela. “Poro: Poesia para alguém” in Intervalo, respiro, pequenos deslocamentos. São Paulo: Radical Livros, 2011, p. 97-98.

  5. Mesquita, André. “Sobre a arte das pequenas coisas” in Intervalo, respiro, pequenos deslocamentos. São Paulo: Radical Livros, 2011, p. 105-111.

  6. Toledo, Daniel e Garrocho, Luis Carlos. “Poro: na linha dos olhos” in Intervalo, respiro, pequenos deslocamentos. São Paulo: Radical Livros, 2011, p. 157-163.

  7. Citado por Toledo, Garrocho, 2011.

  8. Aleixo, Ricardo. “Inúmero Poro” in Intervalo, respiro, pequenos deslocamentos. São Paulo: Radical Livros, 2011, p. 121-123.

    Texto originalmente publicado em: http://www.icons4u.com.br/concinnitas/texto.cfm?id=17

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quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Por outras práticas e espacialidades: ANESTESIA = PERDA DE SENSIBILIDADE

Mucuryanos,

Já publicamos aqui outras coisas do Poro, mas esta também vale a pena. É um Cartaz que “faz parte da série ‘Por outras práticas e espacialidades’, composta por 13 cartazes, originalmente impressos em serigrafia no formato 70x100cm e afixados em locais públicos”.

Confiram:

>> Para imprimir e espalhar por aí: Faça download deste cartaz em PDF

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