segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Exposição de Almandrade em São Paulo

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Almandrade - pelo(s) pubianos amor de deus- 2003

escultura de carpete  1982

escultura madeira _ 1986


monumento à arquitetura moderna 1978

Exposição de Almandrade em São Paulo

Por Francisco Antônio Zorzo - Professor da Ufba

A exposição de uma artista plástico como Almandrade, na Caixa Cultural de São Paulo, permite que se avalie a qualidade da produção baiana. Essa é uma excelente oportunidade para se constatar a coerência do projeto estético do multi-artista e festejar o seu reconhecimento nacional.

Desde a década de 1970, Almandrade incorporou às suas peças a atitude crítica da arte contemporânea. Tendo uma formação universitária como arquiteto pós-Brasilia, veio a assumir uma posição autônoma em relação à geração anterior, que foi muito festejada na Bahia, composta por artistas tais como Cravo Jr., Scaldaferri e Paraíso, entre outros.

Nos primeiros tempos, orientou-se pela abstração construtivista, mas depois derivou por um caminho próprio. Em suas relações com artistas que circulavam ao nível nacional, se aproximou bastante dos criadores Hélio Oiticica e de Lígia Clark e de poetas como Dias Pino e Ferreira Gullar.

Uma lâmina gilete pendurada dentro de uma garrafa compõe um objeto criado por Almandrade que gerou fértil polêmica. Como interpretar um objeto que incorpora significados múltiplos e cortantes, do vidro e do aço da realidade? Cada objeto construído depende do sentido agregado pelo artista e pelo espectador. Da parte do escultor, uma atribuição de sentido que lhe correspondeu a uma experimentação e a uma reflexão singular. No olhar do expectador a

leitura pode ir do vértice do absurdo ao erotismo-vulgar de um corte na pele.

No livro que publicou recentemente reunindo análises realizadas no correr de sua trajetória, Escritos sobre Arte, Almandrade deu a pista para muito de seus truques e procedimentos operativos. O importante, no caso da produção desse artista “cult” baiano é que obras e discursos se traduzem um ao outro, bem como conservam sintonia com sua proposta estética. Essas reflexões são importantes, porque a estética engendrada não atendeu a nenhuma chamada gregária no sentido de banalizar a arte baiana.

Como pode um objeto ser capaz de, ao mesmo tempo, causar uma fruição direta e uma decodificação crítica? As obras

de Almandrade primam pela simplicidade e pela economia de meios. Ele certamente está entre os menos barrocos produtores visuais do período entre os anos 1980 e 2000 no Brasil. Os objetos e pinturas discutiram sempre os conceitos em voga e instalaram a cunha de resistência de um pensamento rigoroso.

Para deixar mais um exemplo de suas criações, vale retomar um objeto que expôs numa galeria do Rio Vermelho, anos atrás. Um instrumento quadrado composto de duas peças sobrepostas, uma grande azul e uma pequenina dourada no meio, sendo a primeira delas vazada e riscada com linhas brancas. Esse objeto poético-visual foi denominado “Violão da Bossa Nova”. Ao fazer soar esse violão quadrado soar, Almandrade conduziu, como um mestre, seu olhar reflexivo e solitário sobre os campos das artes e da cultura contemporânea no país.


Aalmandradelmandrade (Antônio Luiz M. Andrade)

Artista plástico, arquiteto, mestre em desenho urbano e poeta.

Participou de várias mostras coletivas, entre elas: XII, XIII e XVI Bienal de São Paulo; "Em Busca da Essência" - mostra especial da XIX Bienal de São Paulo; IV Salão Nacional; Universo do Futebol (MAM/Rio);

Feira Nacional (S.Paulo); II Salão Paulista, I Exposição Internacional de Escultura Efêmeras (Fortaleza); I Salão Baiano; II Salão Nacional;

Menção honrosa no I Salão Estudantil em 1972. Integrou coletivas de poemas visuais, multimeios e projetos de instalações no Brasil e exterior. Um dos criadores do Grupo de Estudos de Linguagem da Bahia que editou a revista "Semiótica" em 1974;

Realizou cerca de vinte exposições individuais em Salvador, Recife, Rio de Janeiro, Brasília e São Paulo entre 1975 e 1997;

Escreveu em vários jornais e revistas especializados sobre arte, arquitetura e urbanismo;

Prêmios nos concursos de projetos para obras de artes plásticas do Museu de Arte Moderna da Bahia, 1981/82;

Prêmio Fundarte no XXXIX Salão de Artes Plásticas de Pernambuco em 1986;

Editou os livretos de poesias e/ou trabalhos visuais: "O Sacrifício do Sentido", "Obscuridades do Riso", "Poemas", "Suor Noturno" e Arquitetura de Algodão".

Prêmio Copene de cultura e arte, 1997. Tem trabalhos em vários acervos particulares e públicos, como: Museu de Arte Moderna da Bahia e Pinacoteca Municipal de São Paulo.

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