quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Movimento Minas mapeia iniciativas de Economia Criativa

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O Movimento Minas dá inicio a mais um processo de construção colaborativa. Desta vez o tema é a Economia Criativa, que engloba diversas áreas de atuação em que a imaginação está aliada com a geração de renda, são elas: artes, arquitetura, publicidade, design, moda, audiovisual, publicações e conteúdos digitais.

Cada tema passa por três fases. A primeira delas é a escuta, na qual incentivamos a participação de pessoas envolvidas com o tema. Com base no que for ouvido formulamos uma questão a ser solucionada e entramos na etapa de geração de ideias, que no terceiro momento serão testadas na prática. Confira aqui o vídeo sobre como funciona o Movimento Minas.

Queremos escutar quem trabalha com economia criativa e saber mais sobre a atividade do empreendedor, arquiteto, músico, educador, artista, designer, programador e de todas as pessoas que aliam sua atividade econômica com a imaginação. Ouviremos pessoas de diferentes realidades e com experiências diversas. Para participar basta acessar a plataforma digital e se identificar em um breve formulário de mapeamento de atores.

O objetivo dessa escuta é captar percepções quanto às principais questões que envolvem a economia criativa, os desafios, as soluções, os riscos, enfim, informações relevantes para o debate sobre o desenvolvimento do segmento. Em seguida formularemos, em conjunto, uma questão para o próximo quebra-cabeças do Movimento Minas. Lançaremos na plataforma virtual essa questão, relacionada ao que foi ouvido, para sugestões de ideias e propostas de solução.

Fonte: Movimento Minas

Data: 05/09/2012

Confira mais em www.redemineiradecultura.com.br

Visite Rede Mineira de Cultura em: http://redemineiradecultura.com.br/?xg_source=msg_mes_network

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terça-feira, 4 de setembro de 2012

“Em Algum Lugar” do Grupo In-Cena de Teatro, amanhã.

O Programa de Ocupação do Papo Café traz amanhã (05/09), um dos espetáculos mais premiados de Minas Gerais!

Espetáculo “Em Algum Lugar” do Grupo In-Cena de Teatro

Dia: 05/09

Hora: 20h

Valor: R$10,00

Classificação: 16 anos

A Peça: A elaboração de Em algum lugar começou durante oficinas que o diretor fez com Márcio Abreu, da Cia Brasileira, de Curitiba, e com a cearense Cia Bagaceira de Teatro. Os primeiros exercícios de dramaturgia aproximaram André Luiz dos universos literários de Clarice Lispector, Fernando Pessoa, Carlos Drummond de Andrade e, a partir daí, o texto foi lapidado. “A peça narra o reencontro de duas mulheres que resolvem colocar para fora emoções guardadas há muito tempo”, detalha André.

Em resumo, a peça fala de autoconhecimento. Assim, como frisa o autor, o lugar do título não é geográfico, mas algo abstrato e íntimo. “A correria do dia a dia faz com que nos esqueçamos de nós mesmos. Falamos de alguns lugares a que deveríamos ir de vez em quando, onde estão guardadas as coisas com as quais não sabemos lidar”, adianta. (*)

(*) Trecho extraído de matéria no Caderno Divirta-Se do Estado de Minas, disponível aqui.

Ficha Técnica

Direção e Texto: André Luiz Dias

Elenco: Andrine Maisch e Mayara Cruz

Trilha Sonora: Beatriz Farias

Confira a programação completa de Aniverário do Papo Café!

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Edital Coletânea Música Minas foi prorrogado até o dia 06 de setembro

MM_coletanea_webflyer_prorrogacaoO prazo para inscrições no Edital Coletânea Música Minas foi prorrogado até o dia 06 de setembro. Com a mudança, o resultado será divulgado no dia 27 de setembro. Os músicos interessados podem acessar as informações necessárias no sitewww.musicaminas.com

A coletânea será dividida por estilos, com o objetivo de fornecer um recorte da atual e vasta produção musical de Minas Gerais. Todo o material será distribuído entre formadores de opinião, agentes, programadores e produtores em feiras nacionais e internacionais, espaços que constituem algumas das mais expressivas oportunidades para a promoção e divulgação da música atualmente.

Esta será a terceira edição da Coletânea Música Minas, que já foi lançada nos anos 2009 e 2010. Na última edição, reuniu artistas residentes em Minas Gerais de várias vertentes musicais. O material foi distribuído em feiras nacionais e internacionais como: WOMEX (Dinamarca), - BAFIN (Argentina), CMJ (Nova York), CMW (Canadian Music Week), Mercado Da Música Viva De Vic (Espanha), Culturgal (Galícia), Feira Música Brasil, Feira da Música do Sul, Brasil Central Music, Mercado Cultural de Salvador, entre outras.

Desde o seu lançamento, em 2009, o Programa MÚSICA MINAS beneficiou cerca de 740 artistas, por meio de 173 propostas selecionadas pelos seus Editais. A iniciativa levou artistas mineiros para importantes festivais, cursos e eventos em todo o mundo, além de ter realizado ações de representação em feiras internacionais de música como: WOMEX (Copenhague/Dinamarca), BAFIM (Buenos Aires/Argentina), CMJ Music Marathon (Nova York/EUA), CMW - Canadian Music Week (Toronto/Canadá), Mercado da Música Viva De Vic (Espanha), Culturgal - Feiras das Indústrias Culturais da Galícia (Pontevedra/Espanha), dentre outras.

O programa Música Minas é realizado por meio da parceria firmada entre o poder público, representado pela Secretária de Estado de Cultura e a sociedade civil, na figura do Fórum da Música de Minas Gerais, que une entidades organizadas e representativas da música como a AAMUCE (Associação dos Amigos do Museu Clube da Esquina), COMUM (Cooperativa da Música de Minas), FEM (Fora do Eixo Minas), Grupo Cultural NUC, Rede Catitu, SIM (Sociedade Independente da Música) e VALE MAIS (Instituto Sociocultural do Jequitinhonha).

www.musicaminas.com

http://www.cultura.mg.gov.br

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30ª edição da Bienal de São Paulo começa nesta sexta-feira

Retirado do Cultura e Mercado em 04/09/12, do endereço:

http://www.culturaemercado.com.br/agenda/30a-edicao-da-bienal-de-sao-paulo-comeca-nesta-sexta-feira/

Da Redação

A 30ª Bienal de São Paulo começa nesta sexta-feira (7/9), seguindo até 9 de dezembro, no Pavilhão Ciccillo Matarazzo, no Parque Ibirapuera. Nesta edição, entitulada “A Iminência das Poéticas”, serão exibidas cerca de três mil obras, criadas por 111 artistas. A curadoria é do venezuelano Luis Pérez-Oramas, curador responsável pelo departamento de arte latino-americana do Museum of Modern Art (MoMA) de Nova York.

A seleção dos artistas e obras da mostra foi feita em conjunto com os curadores-associados André Severo e Tobi Maier e a curadora-assistente Isabela Villanueva. “Fizemos uma mostra como poucas na história da Bienal. Ela propõe uma temática nova de debate, um discurso novo”, analisa o presidente da Fundação Bienal de São Paulo, Heitor Martins.

Segundo ele, a 30ª edição foi produzida com um orçamento 20% menor que o da edição anterior. “Concluímos toda a captação de recursos, de R$ 22,4 milhões, antes da abertura da mostra.”

No início do ano, a Fundação Bienal teve que lidar com um possível cancelamento desta edição e com as contas bloqueadas, devido alguns questionamentos da Controladoria-Geral da União (CGU) sobre convênios firmados entre 1999 e 2007. Porém, o Tribunal Regional Federal (TRF) concedeu uma liminar autorizando a realização.

A mostra será dividida em quatro temas: “Sobrevivências”, “Alterformas”, “Derivas” e “Vozes”, além de uma zona transversal, chamada “Reverso”. Pela primeira vez, a Bienal também será levada para outros espaços culturais, entre eles  Museu de Arte Brasileira – Faap, Instituto Tomie Ohtake, Casa do Bandeirante, Estação da Luz e Masp.

Clique aqui para ler entrevista de Heitor Martins à Folha de S. Paulo.

*Com informações da Folha Online, do Estadão.com e do Guia da Semana

 

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segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Inscrições do Beco das Cultura até 15/09!

Da Comissão de Organização

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O edital de participação do Beco das Cultura 2012 foi prorrogado até 15/09.

Aproveite para fazer sua inscrição! Compartilhe!

É a última oportunidade.

 

Em 2011 o Beco das Cultura surgiu do encontro de grupos, artistas e produtores descaradamente inspirados no Beco das Garrafas carioca (clique aqui e aqui e saiba mais), movimento que deu novo impulso à cultura brasileira, além dos diversos festivais do sistema Fora do Eixo e outros projetos coletivos e colaborativos.

É uma espécie de tropicalismo borun-mucuriano, no qual as mais diversas expressões culturais têm sua vez: Hip Hop, Artes Visuais, Artesanato, Fotografia, Teatro, Música, Cinema, Graffitti, Quadrinhos, Performances, tudo quanto há feito no Mucuri ou fora dele: ARTE e CULTURA.
É uma mostra do que é possível e exequível neste nosso Mucuri, e aqui em Teófilo Otoni.

O nome além de ser um bricolage, é nossa variação dialetal, uma brincadeira entre nossa gramática lusitana e tupiniquim, no qual o substantivo não precisa de plurais, costumeiramente nesta terra flexionamos os artigos, como “Os peixe”, “Os Menino”. No caso específico, adicionamos ao artigo a preposição “de” com valor situacional, como nos diria Celso Cunha, ficando “das Cultura”, dizem que isso vem do tupi-guarani, tudo bem que descendemos dos “borun”, mas linguisticamente os ameríndios litorâneos foram mais eficazes.

Em maio deste ano lançamos o Manifesto do Beco das Cultura que resume o que vem por aí, clique aqui e confira.

Nesta edição foram escolhidos coletivamente três conceitos que definem esta proposta:

• Diversidade -  é uma proposta que visa garantir o acesso democrático aos bens culturais através de uma programação ampla, que atenda a pessoas de diferentes idades e com experiências culturais diversas. O objetivo central é promover a integração e o respeito à pluralidade, tão característica de nossa população. Dessa forma, o conceito DIVERSIDADE será tratado como pilar principal, pois refere-se não só à variedade de expressões artísticas e culturais que serão apresentadas, mas também representa a característica central do evento;

• Sustentabilidade – entende-se SUSTENTABILIDADE como um conceito sistêmico relacionado aos aspectos econômicos, sociais, culturais e ambientais da sociedade, significa buscarmos o equilíbrio entre nossas ações e suas consequências em relação ao meio ambiente e à natureza, de modo que consigamos explorar nossos potenciais criativos agindo com pró-eficiência de maneira a respeitar a biodiversidade. É uma proposta inovadora do ponto de vista organizacional e de visão de mundo não pode se furtar no trabalho de conscientização para que produzamos uma sociedade e um mundo melhor e mais justo;

• Liberdade Criativa – visa-se divulgar a cultura local e oferecer uma alternativa cultural para a cidade de Teófilo Otoni. Baseia-se na multiplicidade de formas de ser criativo, reunindo as diferentes expressões artístico-culturais que existem na região e fora dela num processo de intercâmbio cultural e de construção coletiva e compartilhamento de conhecimento.

O Beco das Cultura é um festival livre de arte e cultura, sem quaisquer preferências por manifestações artístico-culturais, ele é diverso desde a raiz.

Visitem a página do Beco das Cultura , conheçam o edital e inscrevam-se!

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6ª Primavera dos Museus

Retirado do site do MinC em 03/09/12 do endereço:

http://www.cultura.gov.br/site/2012/08/31/6%C2%AA-primavera-dos-museus-2/

Ibram/MinC divulga guia de programação de eventos que movimenta instituições de todo o País

O público já pode ter acesso aos mais de 2.400 eventos que serão realizados em cerca de 800 museus espalhados por 364 municípios brasileiros. O Instituto Brasileiro de Museus (Ibram/MinC) divulgou o guia da programação da 6ª Primavera dos Museus que acontece entre os dias 24 e 30 de setembro e terá como tema A Função Social dos Museus.

Entre os destaques da programação, o Museu Imperial, em Petrópolis (RJ), com a Contação de Histórias voltado para deficientes auditivos e visuais no dia 25, das 14h30 às 16h30. O Sarau de premiação Mulheres Guerreiras 2012, no Museu da Favela, no Rio de Janeiro, em 28 de setembro, também é uma das atrações da programação. Além da visita temática ao acervo que revela as origens de algumas palavras, no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, no dia 28 de setembro.

Para ter acesso a todo o guia, clique aqui.

Além de atingir todos os estados brasileiros e mais o Distrito Federal, a edição desse ano conta pela primeira vez com uma participação estrangeira: o Museo Etnolóxico, de Ribadavia, na região da Galícia (Espanha) que promove ação educativa entre os dias 25 a 28 de setembro, das 10h às 20h.

Outra novidade da sexta edição é a parceria do Ibram com o Metrô do Rio de Janeiro. A partir do dia 1º de setembro quem for a um museu carioca com o cartão MetrôRio válido e carregado, terá 50% de desconto na entrada com mais um acompanhante. A partir do dia 23 de setembro, portanto, na semana do evento, a entrada será gratuita para o portador do cartão e mais um acompanhante. Além disso, o MetrôRio também vai indicar a visitação de 13 museus gratuitos próximos a estações.

Primavera dos Museus

Coordenada pelo Ibram, a Primavera dos Museus tem por objetivo chamar a atenção de museus e sociedade para o debate em torno de assuntos atuais por meio de atividades, como exposições, seminários, oficinas e palestras, etc.

O tema deste ano homenageia os 40 anos da Declaração da Mesa Redonda de Santiago do Chile, realizada em 1972. A partir da assinatura da declaração, os museus passaram a ser entendidos como instituições a serviço da sociedade com importante papel na formação da consciência das comunidades.

(Texto: Marcos Agostinho, Ascom/MinC)
(Fonte: Site do Ibram/MinC)

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Cultura para poucos

Enviado por Manoel J. Souza Neto

Retirado do The Brazilizan Post em 03/09/12 do endereço:

http://brazilianpost.co.uk/30/08/2012/cultura-para-poucos/

Universalização dos serviços culturais ainda é um desfaio para o Brasil

Por Guilherme Reis

(Read in English)

Apenas 14% dos brasileiros vão ao cinema pelo menos uma vez por mês; 92% da população nunca frequentou museus; 93% nunca foram a exposições de arte, enquanto 78% nunca assistiram a um espetáculo de dança; 92% dos municípios brasileiros não têm cinema, teatro ou museu. Esses dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e deixam claro o tamanho do desafio que o Brasil precisa enfrentar para, de fato, universalizar os serviços culturais, dar acesso e favorecer a produção fora dos grandes eixos econômicos.

A história brasileira sempre foi marcada pelo que podemos chamar de “concentração”. O dinheiro público sempre cai nas mãos das oligarquias e dos grandes conglomerados empresariais, sobretudo da indústria, do setor financeiro e da mídia. No setor cultural, essa concentração salta aos olhos ao analisarmos a Lei de Incentivo, mais conhecida por Lei Rouanet.

Criada em 1991, a lei estabeleceu mecanismos que possibilita empresas e cidadãos aplicarem uma parte do Imposto de Renda em ações culturais. Mas, se por um lado a lei estimulou uma indústria cultural que cresceu de mãos dadas com o meio empresarial, por outro fez com que toda a produção artística que não dialoga com o mercado ficasse excluída, sendo até hoje ameaçada pela falta de mecanismos estatais responsáveis por suprir os desafios da infraestrutura, da pesquisa e do acesso.

Em entrevista exclusiva ao The Brazilian Post, o cientista político e membro do Conselho Nacional de Políticas Culturais, Manoel de Souza Neto, falou sobre as origens da concentração das verbas culturais no Brasil, sobre a relação entre sociedade civil e governo, Lei Rouanet e possíveis soluções para o setor, como os Pontos de Cultura – iniciativa que busca democratizar o acesso à cultura por meio do incentivo da produção comunitária. Confira abaixo:

O que estimulou e/ou ainda estimula a concentração das verbas de cultura no Brasil?

A Lei de Incentivo foi um instrumento criado com objetivo de prover produção e fruição cultural, mas foi rapidamente deturpada devido ao modelo neoliberal de Estado não interventor que se instalou no Brasil na década de 1990. Neste modelo o Estado lava as mãos e entrega ao mercado as decisões. A lei Rouanet é um instrumento de manutenção de poder e ferramenta de exclusão social. O modelo é excludente em si; esta é a própria função paradoxal das leis de incentivo que, ao incentivar a produção cultural, geram uma dicotomia entre cultura e mercado, favorecendo os campos econômicos e sociais privilegiados e agindo em detrimento das comunidades, etnias, artistas e culturas periféricas, justamente os que mais precisam.

As decisões são do mercado, o patrocinador; são sempre eles os maiores beneficiados e, graças ao sistema que só permite patrocínio de empresas com lucro presumido, somente grandes empresas são patrocinadoras; o restante vem do próprio governo. O mercado e o mundo publicitário assumem a forma de agentes intermediários do modelo, que de tão afunilado gerou uma moeda de troca ilegal, um cambio negro. Políticos, agências de publicidade, departamentos de marketing e captadores exigem comissões “extras” para liberarem recursos, tornando os fazedores de arte em pagadores de propina, criminalizando o artista, que acaba refém da “turma” instalada ao centro do poder.

A exclusão ocorre por via estrutural e linguística, regras que eliminam a ampla maioria por não deterem o conhecimento do campo cultural de mercado e de política, orçamentos, publicidade, serviços, por não terem como ocupar espaços privilegiados, por questões burocráticas, enfim, por não deterem redes de relações de poder. Se o ex-ministros da Cultura Gilberto Gil e Juca Ferreira tentaram apoiar um modelo de cultura em três dimensões – cidadã, econômica e simbólica -, a atual ministra Ana de Hollanda só fala em economia criativa e reforço das leis de direito autoral no sentido de dificultar o acesso. Os mesmos que não querem mudar a Lei de Incentivo também não querem mudar as regras da Lei de Direitos Autorais para uso na educação.

Como você avalia os 20 anos da Lei Rouanet e o que precisa ser mudado para que ela democratize o acesso à cultura?

Com o tempo a captação das leis se profissionalizou, democratizou em algum sentido a produção, mas em outro sentido ela descumpre a função de políticas públicas prevista na constituição, porque não garante o acesso, nem promove a diversidade cultural. Se por um lado a distribuição de recursos da Lei Rouanet já supera mais de 10 bilhões de reais desde a década de 1990, chegando na atualidade a mais de um bilhão de reais ao ano, de fato 95% dos patrocínios ainda vem das empresas do governo.

Muitos projetos importantes como preservação de museus, edição de livros, difusão de manifestações e atividades culturais foram apoiados, mas o saldo é negativo dada a concentração das verbas que geram ampliação das desigualdades sociais no território nacional. O problema se agrava com a questão da concentração de beneficiados por metro quadrado, já que os dados revelam que 80% das verbas ficam no eixo Rio-São Paulo. Célio Turino, ex-secretário do Ministério da Cultura nas gestões de Gil e Juca, vai além; repito aqui e faço das palavras dele as minhas: 3% do total dos proponentes de projetos culturais captam 50% dos patrocínios. Outros 20% de proponentes ficam com o restante dos recursos, sendo que quase 80% dos autores de propostas culturais a serem incentivadas nada captam. Uma concentração inacreditável, em que 3% significam menos de 100 pessoas, empresas ou instituições no país. Mesmo com o sucesso do cinema nacional, a produção gerada pela Lei de Incentivo não chega nem a 10% da população; e este dado é otimista, pois inclui um ou outro sucesso de bilheteria.

Quais medidas são exemplos bem sucedidos na tentativa de descentralizar os investimentos nessa área? Os Pontos de Cultura são uma dessas iniciativas?

Os Pontos de Cultura se tornaram um grande instrumento de descentralização de recursos, beneficiando mais de 2.000 pequenos equipamentos culturais direto nas comunidades. A própria gestão do Ministério da Cultura, com participação da sociedade civil, gerou o chamado emponderamento e governança através das esferas de participação, gerando pesos e contra pesos na fiscalização das políticas, através de colegiados e conselhos. Com isso não apenas ocorreu diálogo, mas também, através de conferências, conselhos, colegiados setoriais e encontros de culturas populares, mudanças nas relações entre sociedade civil e o governo, que passou de um ministério de poucos para um representante de toda a cultura brasileira. Mas isso somente até 2010.

No campo do orçamento, na última década, a criação do Fundo Nacional de Cultura, com fundos setoriais, gerou o estimulo para criação de fundos estaduais e municipais com objetivo de diminuir as distorções. O Sistema Nacional de Cultura em construção aproximou políticas públicas de cultura, desafogando as regiões ilhadas por visões arcaicas. Com o enfraquecimento do programa Pontos de Cultura, ocorreu um claro retrocesso, um rompimento de um projeto de governo.

Como a sociedade civil tem se organizado para estreitar o relacionamento com o governo nessa área?

O diálogo ocorreu em larga escala na gestão dos ex-ministros Gilberto Gil e Juca Ferreira, mas foi interrompido com a gestão de Ana de Hollanda. Nem o Conselho Nacional de Cultura (CNPC) consegue manter diálogo com a cúpula principal. Atualmente existe um clima de violência simbólica evidente no ar contra a sociedade civil. Durante da última década o Brasil pôde observar o avanço dos movimentos civis se organizaram fóruns, coletivos e outras organizações em todos os segmentos. A participação em colegiados, câmaras, conselhos, seminários e conferências mobilizou o Brasil ao redor do Ministério da Cultura. Infelizmente tudo isso está em risco porque existem outros tipos de mobilização de grupos de interesses.

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