Mostrando postagens com marcador poesia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador poesia. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Revista Mucury 11 no ar

Por Bruno Bento.

Este 2014 foi brabo. Mas apesar das rosnadas e mordidas, salvamo-nos todos, ainda mais fortes e determinados a seguir aboiando sonhos e esperanças nestes grotões coloridos e profundos.

A Revista Mucury é uma destas resistências aboiadas, é fruto de muito amor e dedicação de uma equipe incrível, particularmente as meninas do Estúdio COMBO, Adélia Braga e Viviane Silva, da nossa editora Clarice Palles e de toda a equipe da Associação Mucury Cultural. E claro, de nossos lindos, maravilhosos e talentosíssimos colaboradores, que são poetas, gestores culturais, jornalistas, fotógrafos, artistas visuais, professores, cientistas políticos, sociólogos e por aí vai.

Já é a 11 e agora vocês vão saber a história da Feirinha do Veneta! Ou pelo menos as imagens da minha primeira aula de diversidade.

Finalmente podemos mostrar como esta revista é sortida. É que nem a Feirinha do Veneta, retratada pelo fotógrafo Leonardo Cambuí, que trocou tanto as unhas dos dedos no futebol de rua de “pé-de-moleque” da Teófilo Rocha. Tem ela e muita poesia, artes visuais, ciência política e gestão cultural, nesse “secos e molhados”, sortida e diversa Revista Mucuri 11.

Chega de falatório por cá, aproveitei essa belezura!
É só clicar na imagem e folhear.

E que Krenhouh Jissa Kiju continue nos dando brabeza e coragem!

Leia Mais ►

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Teófilo Otoni recebe Projeto Memória Drummond

Enviado pela ASCOM-PMTO

drumond1A Secretaria Municipal de Educação e Cultura de Teófilo Otoni e a Fundação Banco do Brasil convidam para a solenidade de abertura da Semana dedicada a “Memória de Carlos Drummond de Andrade” com exposições em painéis e vídeo de toda a sua trajetória como um grande testemunho da experiência humana.

O Projeto Memória Drummond é resultado da parceria entre a Fundação Banco do Brasil, a Petrobrás e a Associação de Amigos da Casa de Rui Barbosa.

Em sua 13ª edição, dá continuidade ao trabalho de mostrar à sociedade personagens da história do País, levando cultura e conhecimento às escolas públicas, aos professores, aos alunos e ao público em geral.

A mostra acontecerá no período de 5 a 9 deste mês de agosto, nos horários de 8h às 11h e 14h às 17h, na sede do Rotary Clube, na Rua José de Souza Neves, 220, Bairro Marajoara. A solenidade de abertura será às 9h do dia 5, nesta segunda-feira.

SERVIÇO

Evento: Projeto Memória Drummond

Data: 05 a 9 de Agosto

Local: Rotary Clube

Endereço:  Rua José de Souza Neves, 220, Bairro Marajoara.

Horário: 8h às 11h e 14h às 17h

Entrada: Gratuita.

Leia Mais ►

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Anti Pós-Moderno ou Tropicae Et Immundi: a poesia contemporânea do Vale do Mucuri

 

Por Maurício Beirão

Anti pós-moderno ou tropicae et immundi

Meu manifesto
é pra romper com a dominação.
Meu rock in roll
é pra acordar o vizinho coitadinho.
Meu linguajar
é gíria contemporânea e porca.
Meu pensar
é pesadelo esquizofrênico e multicor.

Sabiá Coitelinho

 

Manifesto Anti Pós-moderno

Sabiá Coitelinho, mineiro, nascido na cidade de Campanário, filho do Vale do Mucuri, economista e poeta. Seu caráter marginal resume-se na possibilidade de uma poesia contemporânea que rompe com a cultura opressora e dominadora. Denominado Anti Pós-Moderno ou Tropicae Et Immundi, essa bandeira constitui-se como uma manifestação artística que parte do cotidiano da década de 2010, onde a possibilidade de produção literária de engajamento político e de defesa da liberdade individual e coletiva criam a tendência desta proposta que é repudiar os valores culturais próprios da sociedade contemporânea, marcado pelo conhecimento especializado, pela exploração do trabalho, pela globalização da miséria, pelo ressurgimento do nacionalismo agressivo, pela ilusão da “ascensão social” representada pelo aumento da classe média e pelo domínio da estética pós-moderna estabelecida pela produção poética despolitizada. Sua contemporaneidade expressa-se na vida cotidiana, sendo que sua poesia incorpora a face do mundo, ao passo que surge deste mundo real, comum e banal. Em outras palavras, sua poesia surge do cotidiano, mas seu caráter marginal cria uma nova concepção da realidade, afastando-se da mera aparência destas relações. Como produto de uma arte essencialmente fundada sob a realidade capitalista e industrial, utiliza-se do conceito de modernidade como possibilidade real de ruptura com a cultura opressora, sintetizada na cultura de massa. Como forma de contestação social, o foco funde-se nas questões de consciência, valores e comportamentos da sociedade contemporânea, utilizando-se dos meios de comunicação de massa da mesma forma que questiona-se os valores centrais da cultura dominante.

Este caráter de marginalidade do poeta Sabiá Coitelinho relaciona-se com a reiteração do processo de libertação da escrita e da expressão livre nos anos 2010, visto que com a utilização dos novos veículos de comunicação de massa (a internet como exemplo) tem-se a possibilidade real de produção lírica alternativa figurada na poesia livre e acessível. O movimento Anti Pós-Moderno ou Tropicae Et Immundi nasce em um contexto de permissividades e libertinagens próprias de sua época. Utilizando-se de humor direto e objetivo, o autor critica os resquícios conservadores nos costumes e hábitos brasileiros, explorando o mundo real próprio de uma sociedade capitalista desenvolvida, entendido como um espaço miserável e perigoso. Desta maneira, esta poesia não se enquadra em um perfil literário específico, sua escrita de aspecto sensacional, direto e obsceno desmascara a literatura conservadora, pois estrutura-se como uma possibilidade de produção de uma poesia libertadora, ou seja, uma lírica sem grilhões, não tem pós, nem antes, sem pena, sem dó, sem choro, um texto que liberta-se a todo momento de punição e de vigilância. Deriva disso seu caráter avassalador no sentido de que o autor não possui obrigações, encerrando certo egocentrismo que revela-se no confronto com os resquícios de conservadorismo nas relações humanas nos anos 2010 e com a doutrina pós-moderna como cultura dominante.

A poesia marginal de Sabiá Coitelinho é caracterizada por frases curtas, linguagem coloquial, espontaneidade, experimentação, sentimentalismo, anti-academicismo e liberdade temática. Seu estilo singular é marcado pelo jeito simples de escrever e pela incorporação de outras linguagens e diferentes níveis de fala (gírias e outras manifestações linguísticas populares da atualidade), aliando influências da cultura popular brasileira e elementos externos, tornando a experiência estética lírica um instrumento social revolucionário no sentido de que independe da tendência oficial e o processo de produção artística é submetido à realidade social.

O hibridismo aparece nesta proposta como uma possibilidade para a produção poética. O movimento Anti Pós-Moderno ou Tropicae Et Immundi propõe para a cultura brasileira dos anos 2010 a digestão dos elementos culturais estrangeiros em um processo dinâmico de incorporação desses elementos externos a diversidade da cultura nacional. Essa arte híbrida representa: (1) o caráter universal da arte na contemporaneidade; (2) a preservação da particularidade e da diversidade da cultura nacional moderna; e (3) a singularidade da arte que representa essas novas relações. Outra característica é o resgate do regionalismo, visto que uma das temáticas desta proposta é a expressão da realidade do interior do Brasil, sendo o Vale do Mucuri, nordeste do Estado de Minas Gerais, um dos panos de fundo para esta poesia. Nisso resulta a contribuição desta proposta em meio à diversidade da produção literária nacional. Instaura-se como uma poesia de vanguarda, expressão de três fatores essenciais na performance de autor: o conceito de antagonismo (relação entre a luta de classes no Brasil nos anos 2010 e a questão social), caráter jovem do eu-lírico e a concepção revolucionária como a influência mais importante do que a própria obra em si. É um poeta vanguardista porque exprime a dianteira do elevado processo de desenvolvimento da produção literária do Vale do Mucuri e propõe um novo caminho para a poesia nacional, exercendo nesse processo um papel pioneiro, resgatando a produção poética nacional e avançando a partir da realidade dos anos 2010, ou seja, produção de poesia buscando a universalidade, isto é, produção poética para o futuro, rompendo com os resquícios de tradicionalismo. Esta poesia traduz-se por seu caráter de mudança e de contestação aos padrões. É uma poesia do presente para o futuro.

Anti Pós-Moderno ou Tropicae Et Immundi expressa-se em um contexto de globalização, onde a internet representa um meio alternativo. No contexto dos anos 2010, a geração internet designará a possibilidade alternativa para a criação e publicação de textos por parte de uma nova geração de poetas brasileiros. Os textos de Sabiá Coitelinho podem ser acessados em seu blog: http://www.cigarrodepalha.blogspot.com. Com uma sucessão de ambientes urbanos e interioranos, resgatando os elementos centrais da cultura nacional, de temas como amor e paixão, erotismo e liberdade de expressão, esta proposta articula-se com elementos da cultura popular brasileira engendrada no contexto dos anos 2010 e da questão social desta época. Porém, ao mesmo tempo, tem-se a busca contínua pela universalidade, pois os textos de Sabiá Coitelinho não se restringem a especificidade histórica dos anos 2010, mas atingem a universalidade humana e rompem com o conceito de fragmentação da realidade.

Viva a poesia brasileira!

Viva a cultura popular do Vale do Mucuri.

Leia Mais ►

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Turbossílabas de Léo Lobos por Antonio Arroyo Silva

Retirado do site da Aliás, revista eletrônica de cultura em 11/02/13 do endereço:

http://www.aliasrevista.com/index.php?option=com_content&view=article&id=48%3Aturbossilabas&catid=54%3Aensaios-a-resenhas&Itemid=37

Por Antonio Arroyo Silva

Tradução: Maria Eugenia Gay-Brussino

Para Benjamín, essa inocência que ilumina.

Não sei por que os livros de poesia às vezes são tão especiais. Talvez o sejam aqueles que nasceram de uma palpitação, ou que ao longo dos anos a sua existência tem alcançado um alto nível de energia. Há palavras que nascem mortas pois, por pretensão, esgotam o seu dizer. Ao contrário, outras, que recém-nascidas apenas são um sopro, com os anos adquirem a força de um furacão. Acontece que, quando temos a fortuna de ler um desses livros, sentimos um impulso de emoção imenso e, ao tentar abordá-lo de um ponto de vista minimamente crítico, podemos cair na tentação da exaltação deformante. Não é exatamente o que me aconteceu com essa antologia que reúne os poemas do poeta chileno Leo Lobos. Muitas viagens que medeiam no autor de uma data à outra (França, Estados Unidos, Brasil, México...) têm lhe dado esse tom universalista de cidadão do mundo, além do que herdou dos seus antecessores da poesia chilena. Um poeta que transcende não somente as fronteiras físicas, mas da própria língua, quando submerge na tradução de poetas brasileiros com a mesma soltura e carinho com que escreve os seus próprios textos. Nesse sentido, Leo Lobos não é o típico "traduttore tradittore" mas alguém que capta a respiração de outro poeta e a conduz à sua língua. Um tradutor consciente e defensor de uma linguagem universal da poesia, e aliás, poeta. Outra fronteira que atravessa é a da própria palavra, a eletricidade que produz a palavra ao ser articulada. Daí a outra cara da sua obra: a poesia visual. Um número infinito de sugestões nos traz à mente essa face do autor; mas agora vamos nos ocupar com Turbossílabas , seu livro de poemas.

Inventar paraísos e infernos através da palavra é narrar, é levar a mente humana além de onde o pensamento consigue alcançar. Porém, da necessidade de narrar a vida de uma pessoa surge a magia da poesia. Não se trata, pois, de fixar gêneros literários nem de dilucidar a adscrição dessa obra.

É real o tom narrativo que comenta a autora do prólogo do livro, como reais são o profundo lirismo que vai além da metafísica de manual de uso. Trata-se da vida, onde (é um fato) está e deve estar todo o referente da poesia, que nada diz àquele que não se deixe levar pela inocência primigênia. Neste ponto, a intenção do autor é inversa a do simples narrador: não a grande mentira expansiva da ficção narrativa mas a verdade nua de todo saber ulterior ao fato da própria vida. Embora essa verdade seja contraditória.

O próprio poeta, desde o início, nos faz uma declaração de intenções focada sempre na vida e pela vida. Testemunha de um trabalho que pode ser chamado de poesia, ideias líquidas como o sangue, barcos que silenciosamente chocam com o nada, delírios, augúrios, amor, cartas que se escapam da mão, garrafas jogadas no mar durante anos, fumaça e álcool, vozes, livros, sonhos, vigílias, partidas e cavalos pretos de xadrez, filmes, profecias, viagens, dinheiro, solidão, fotos e óleos, desenhos, sol e tormentas, amizade, música, palavras, signos, enigmas voltando do esquecimento.

Não a vida a partir da escritura anterior, mas escrever com o corpo, este que carregamos.

Desta forma, despersonalizando o fato literário, deixando-o nu ao relento do viver, chega a palavra inaugural à poesia de Leo Lobos. Palavra que retorna do esquecimento; mas chega acompanhada de todos esses objetos e ações que circundam o existir e fazem parte da sua aura. Palavras que com o roce dos objetos recuperam sua música e fluem como rios de energia vital e dada a sua vocação líquida não renunciam à sua expansão em direção ao mar próximo, que não separa mas que une, pois nos transcende. Não viver vidas de ficção e gastar energias ocultando-se no texto mas expandir a vida própria para procurar esse Uno que somos. Uma ideia orientalista que não parte dos conhecimentos prévios mas que forma o tecido da respiração do autor: se bem sabê-lo, fazendo-o bem. Assimilação, diria eu, rejeição da batuta da tradição literária, essa que se constrói na base de recortes celulares para achar a razão do vazio.

Claro que há uma tradição que Leo Lobos recolhe na sua escrita, tanto das suas leituras de Jorge Teillier, Enrique Lihn, Nicanor Parra, Gonzalo Rojas… como do entusiasmo que esses autores lhe transmitiram em vida, o hálito das suas poéticas, esse estranhamento e afastamento crítico da literatura oficialista para aprofundar em um coloquialismo que lhes conferiu maior vitalidade na expressão.

Também há que nuançar a importância que nosso autor tem dado aos grandes romancistas de ficção científica. Já os escritores norte-americanos da beat generation viram nesse gênero, não uma literatura de evasão e entretenimento, mas uma busca de utopias possíveis e impossíveis. Nova Express de William Burroughs é um exemplo. Deleuze procurando a pulsão do rizoma na expressão. Mas aliás, temos a presença de Frank Herbert e Isaac Asimov.

A ficção científica, a princípio considerada um gênero narrativo menor pela Academia, assume na poesia de Leo Lobos entidade de utopia como as de Platão, Tomás Moro ou Erasmo de Rotterdam. O poeta vê neles não a evasão romântica em direção a mundos imaginários e fantásticos, mas a presença de uns visionários que veem a humanidade expandida pelo universo procurando a inocência do berço primeiro ou passeando por entre as dunas da sua própria desolação projetada para um futuro longínquo, onde, apesar de todos os obstáculos, o ser humano irá encontrar uma saída na sua própria energia vital. Desta forma, Leo Lobos não pisca na hora de citar esses autores junto dos poetas chilenos. Citações, diga-se, desatreladas de toda intenção academicista ou pós-moderna. Não no sentido que lhe deram os novíssimos espanhóis dos anos 80. É sua maneira de que estes personagens participem no poema-vórtice posterior. Não personagens, como diz o prólogo, mas integrantes de uma conversa intemporal que se estende aos leitores. Vozes corais estrategicamente colocadas na tecelagem acadêmica do poema. Visionário, pois ele mesmo poeta. Desta maneira aponta ao homem da cidade, como um ser contraditório (como ser humano que é) que algumas vezes se vê como um pequeno deus e outras como a criatura mais ínfima da criação em toda sua finitude e desassossego, que nem sequer pára para pensar em sua finitude.

Quando passe nada,

e o céu se estraçalhe sobre nossas

cabeças, e entremos a empurrões no

cemitério, como

vacas mortas

no vivedouro.

Eis aqui a urbe onde o ser humano se transforma em homúnculo, que se dilui entre a multidão e se despersonaliza, onde mais do que a morte realmente lhe espanta a vida. É a primeira morte da que fala o poeta, a inanição da consciência do Um cujo destino é se integrar em uma totalidade também unitária. Porém,

No haverá no

paraíso outra

morte.

Não a haverá, claro, pois o ser perde desta forma sua identidade, está perdido do dizer, pois

Quantas vezes depois

de morrer

tem sentido ganas de viver,

e provar o que se sente.

Isto é o que o poeta chama a morte grande. Note-se a agilidade que produzem os solapamentos que não somente se dão nesses exemplos mas ao longo de todo o poemário. Uma utilização que vai além do retórico e nos coloca no plano do visual. Desta maneira, por exemplo, o céu cai sobre nossas cabeças ou há uma dissociação entre o paraíso e sua concreção, pois entre ele e paraíso aparece um abismamento visual, como se cortasse o cordão umbilical entre o homem e o seu desejo de transcender. Textualidade que aspira e chega aos níveis do caligrama. É um olhar-ler, como diz Leo Lobos, é a voz que se toca. Não é estranho que o poeta irrompa no território do visual, pois, neste sentido, esta outra faceta vem a ser não a outra cara da mesma moeda, mas dois aspectos que se intercomunicam e se complementam.

A tudo isso há que somar esse ritmo sincopado que nos remete ao jazz. De novo o urbano e a forma possível de liberação das correntes alienantes das grandes cidades. Uma música que procede dos escravos rurais negros norte-americanos que acalmavam suas penas com o soul e sorriam apesar de todos seus males. Sorriso de jazz para que o ser humano possa recuperar a individualidade da sua consciência que uma vez esteve apegada e consoante com a natureza.

"Olhar o olho desse falcão e assustar-se/Não do olho, mas da sua alegria". Nesse díptico de O homem da guitarra azul de Wallace Stevens vejo um resumo do que venho dizendo, e que Leo Lobos manifesta dessa maneira tão sugestiva ao longo da sua viagem pelas ruas de todas as cidades do mundo que percorre no poemário e na sua vida. Assustar-se dos sentimentos que surgem do centro de cada um, assustar-nos de olhar no espelho e ver que apesar de tudo brilhamos. Medo não de conhecer mas de conhecer-nos. E tudo porque os seres humanos observam a triangular estruturação da vida que não diz nada a ninguém descalço de perguntas. Quiçá quando todas as palavras percam o seu sentido primeiro, sobrevivam os batimentos elétricos de umas sílabas carregadas de eletricidade batente de um coração vivo que irradie energia e luz desde um lugar tão longínquo como nós mesmos.

Antonio Arroyo Silva: nascido em Santa Cruz de La Palma, Canarias, Espanha, em 1957. Bacharel em filologia Hispánica pela Universidad de la Laguna e professor de Língua e Literatura espanhola. Foi colaborador de revistas em papel, como Artymaña, La menstrua Alba (de Canarias), Zurgai (de Bilbao) e de revistas como a Sociedad de Escritores de Chile, Cinosargo, a Antología de Poesía Mundial de Fernando Sabido entre outras. Publicou os livros de poemas: Las metamorfosis (Cabildo Insular de La Palma, 1991) Esquina Paradise (El Vigía Editora, 2008) e Caballo de la luz (El Vigía Editora, 2010). Em preparação tem os seguintes poemários: Symphonia, Marzo, Fila Cero, Poética de Esther Hughes y Casi luz. Foi 2º premio no concurso de poesia de Granadilla (Tenerife), en 1981. Participou no Festival Internacional de Poesía encuentro 3 Orillas (Tenerife 2009) e no Homenaje de Poetas del Mundo a Miguel Hernández (junio de 2010). Atualmente é vocal da Asociación Canaria de Escritores.

Leia Mais ►

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Declame para Drummond 2012

304493_420786674641277_573673822_nO projeto Declame para Drummond 2012 é um intercâmbio de poesia autoral em homenagem ao poeta que completaria 110 anos no dia 31 de outubro deste ano. O coletivo, formado por 110 poetas de todo o Brasil, distribuirá milhares de poemas em suas cidades para que sejam encontrados “no meio do caminho” de algum ilustre desconhecido. O Declame para Drummond é uma iniciativa da poeta e produtora cultural independente Marina Mara - que vem realizando projetos de popularização da poesia pelo Brasil - em parceria com poetas de várias regiões do país e também de Portugal. Todos os poetas do coletivo, assim como as pessoas interessadas em distribuir os poemas do projeto em suas cidades, receberão os textos prontos para imprimir, devidamente identificados com o nome do projeto e uma caricatura do poeta Carlos Drummond de Andrade feita pelo mestre Chico Caruso, que carinhosamente abraçou o projeto.

Além de mostrar que a poesia – e nossos poetas - estão bem vivos, o projeto também chama a atenção para a necessidade de consumir poesia em nossa sociedade atual. Segundo a idealizadora do projeto, Marina Mara, “o Declame para Drummond, apesar de homenagear o grande poeta imortal, tem como maior objetivo disseminar os poemas autorais de nossos poetas vivos, muitas vezes esquecidos pela nossa sociedade e pelo mercado literário”. E completa “além de ser a poesia atual e democrática, ela também é uma forma acessível de lapidação humana.”

A edição de 2010 realizou um sarau aberto com a participação de poetas do Rio de Janeiro, da família de Drummond, além do público que declamou próximo à sua estátua na praia de Copacabana – RJ. Nessa edição, uma estrutura com mil poemas enviados de todo o Brasil foi instalada no local – era só escolher e declamar.

Melhore sua cidade, distribua poesia.

Contato:

Marina Mara marinamara@gmail.com / www.marinamara.com.br – (21) 8315-8221

Em Teófilo Otoni:

O evento acontecerá com a contribuição da Mucury Cultural, Educarte/UFVJM, Grupo In-Cena de Teatro, Livraria e Cafeteria Papo Café e Prefeitura Municipal.

Dia: 30/10/2012

Hora: 17h -varal de poesia

         20h – sarau

Local: Coreto da Praça Tiradentes

Nesta edição do Declame para Drummond, há um poeta de Teófilo Otoni.

Leia Mais ►

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Sarau Sanitário.com

Enviado por Clau Monteiro:

Quem imaginaria que ilustres cidadãos de Brasília ligados à música, ao teatro e até à política dividiriam um palco como poetas? Pois bem, esse inusitado encontro será realizado por uma causa nobre, a popularização da poesia.

Após a grande repercussão do projeto Sarau Sanitário.com, que levou mil cartazes com poesias ilustradas para banheiros públicos de todo o Distrito Federal e para deficientes visuais, será lançado um livro homônimo de maneira inusitada. Segundo a poeta Marina Mara, idealizadora do projeto: “O Sarau Sanitário.com nasceu para chamar a atenção do grande público para a poesia que é tida por muitos como elitista ou ultrapassada. Foi daí que surgiu a ideia de convidar não-poetas para declamar, mostrando que esse gênero literário pode e deve ser apreciado por qualquer pessoa e em qualquer local, inclusive no banheiro.” O projeto, que tem apoio do Fundo de Apoio à Cultura – FAC, ainda conta com o sítio www.sarausanitario.com no qual é possível baixar os cartazes do projeto, ler o livro e ainda ouvir os poemas gravados em áudio para os deficientes visuais. Cada poema tem o fundo musical de artistas de Brasília, que estão dando total apoio ao projeto.

No dia do evento serão exibidos curtas-metragens produzidos na periferia do DF com o apoio da Central Única das Favelas – CUFA. O poeta-rapper Gog, atualmente o maior representante da classe artística do DF, é um grande entusiasta do Sarau Sanitário.com e se apresentará no evento com declamação de suas poesias de cunho social. A ocasião também contará com uma exposição de telas de Clarice Gonçalves, uma jovem artista plástica de Taguatinga que vem despertando a atenção de outros países para sua arte, além do projeto Pipocando Poesia, da banda Fora de Si e do Lampiõez Interações Visuais, todos apoiadores do projeto.

Como palco do evento será montado um banheiro em meio ao público que receberá os “não-poetas” Cristóvam Buarque, Mariana Salles (neta de Cora Coralina), o filho do Renato Russo (Giuliano Manfredini), Phillipe Seabra (Plebe Rude) e Ricardo Pipo (Os Melhores do Mundo). O lançamento contará com a apresentação de humor e poesia de Marina Mara, porém, a parte mais emocionante do evento será a declamação do poema A vida em Braille, por Noeme, uma bela artista deficiente visual.

O livro, que já está disponível para leitura no www.sarausanitario.com, será oferecido por R$ 25,00 e o montante arrecadado servirá para viabilizar o lançamento do projeto em outros estados do Brasil.

A autora:

Marina Mara é brasiliense e nasceu em trinta de março de 1979 e hoje mora no Rio de Janeiro. É jornalista, publicitária, produtora cultural independente,  letrista e roteirista. A escritora multimídia idealiza projetos e intervenções urbanas visando a popularização da poesia e a inclusão sociopoética do grande público.

Marina Mara venceu alguns concursos de poesia, conto e redação, dos quais se destacam o Prêmio Criatividade 2005, realizado pelo Governo do Distrito Federal e, em 2006, teve sua redação escolhida entre mais de 37 mil textos de todo o país para compor um livro em homenagem ao centenário do voo do 14 Bis. Esse concurso foi realizado pelo Ministério da Educação, Ministério da Ciência e Tecnologia e pelo Jornal Folha Dirigida. Em junho de 2009, Marina teve seu poema, intitulado o mcdonald´s me comeu, selecionado entre poemas de todo o Brasil para compor a coletânea Palavras Veladas, em São Paulo. Ainda em 2009, Marina foi selecionada para o Concurso Nacional de Poesia Cassiano Nunes, realizado pela Universidade de Brasília, no qual prestou uma homenagem ao centenário de Burle Marx. Em agosto de 2010, a poeta teve seus poemas traduzidos em espanhol por alunos de Letras da Universidade de Brasília – UnB, por meio do curso de extensão Palavra Viva.

A poeta elabora suas intervenções direcionadas ao público que a assiste – uma miscelânea de humor, poesia, intervenção urbana, videoarte e teatro. Em maio de 2010, Marina Mara lançou seu primeiro livro solo, o Sarau Sanitário.com, que é parte de um projeto homônimo de inclusão social de deficientes visuais e popularização da poesia por banheiros públicos e pelo mundo virtual. O projeto teve repercussão em mídia nacional e em breve será lançado em outros estados do Brasil.

Em outubro de 2010, Marina produziu o Declame para Drummond, intervenção que levou mil poemas enviados de todo o país à Copacabana – RJ, para homenagear os 108 anos de Carlos Drummond de Andrade. Em setembro de 2011, Marina foi convidada a participar do projeto Orchestra of Sample, do Addictive TV, importante duo audiovisual da cena internacional. No dia vinte e quatro de março de 2012, Marina produziu a Parada Poética, reunindo cerca de cinquenta artistas no palco-caminhão do Teatro Mapati para celebrar o Dia Mundial da Poesia. O local escolhido foi a Praça do Índio, na qual – há quinze anos – o Pataxó Gaudino dos Santos foi covardemente queimado enquanto dormia na parada de ônibus, a qual foi envelopada com páginas do livro Sarau Sanitário. Essa intervenção humana deu ao local sua devida leveza, como é alma de índio.

Em junho de 2012, Marina foi convidada a se apresentar em diferentes palcos da Cúpula dos Povos na Rio +20 (Museu da República, Tenda Ágora Ambiental, Museu de Arte Moderna) e também realizou intervenções poéticas Rio a fora, distribuindo cerca de 500 poemas em troca de sorrisos.

Informações do site da autora, clique aqui para visitá-lo.

Leia Mais ►

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Versejando, de Clau Monteiro

Com um certo grau de surpresa, alegria e curiosidade ficamos sabendo que nossa grande amiga Clau Monteiro poetisa publicara Versejando e melhor, está à venda!

Uma das coisas que nos fazem mais falta neste mundo quase sempre cinza, a poesia, é uma das paixões desta autora, seus poemas são de uma delicadeza infalível no colorimento dos dias cor de chumbo.

Não falaremos muito pois ficaremos envoltos em pleonasmos e redundâncias, então Clau define-se e seu livro assim:

nasci em 68, sob o signo de ar,

sob o amor intenso de Vênus,

sob a revolução, a nova construção,

a arte sempre correu junto do meu sangue,

a arte desenhada e escrita,

as palavras jorram quando a disciplina me permite,

escrever é um ato de amor,

amor às palavras, as pessoas

a dimensão dos atos,

permita-me invadir teu universo com meus devaneios,

permita-se sentir e tocar as frases erotizadas,

permita-se entrar no universo "Versejando"

Recomendamos que vá urgentemente nestes endereços abaixo para conhecer melhor a poesia de Clau e adquirir o livro (que é barato! muito barato!):

Para a página do Versejando no Facebook, clique aqui.

Editora Malagueta: - http://www.editoramalagueta.com.br/editora2/

Livraria GLS - http://www.livrariagls.com.br/

Em Brasília:

no Rayuela - 412 Sul

e Café com Letras - 203 sul

Leia Mais ►

quinta-feira, 19 de abril de 2012

933 já leram a mycury 8. e vc?

Lançada nos finalmentes do ano passado, o número 8 da Revista Mucury faz sucesso de público e crítica.

Marcamos 933 leitroes.

Para todos os gostos e tipos de leitores, a Revista Mucury transita entre artigos científicos à poesia, sem crise.

Sempre com grandes colaboradores, além de todos os que vêm ao longo de 5 anos e 8 números, além de nossa equipe, não é mesmo? Clarice Palles, Daniella Salles, Viviane Silva e Marcelo Torres.

É “tão sortida quanto a feirinha do Veneta”,  tem de tudo: literatura, poesia, cultura popular, antropologia, sociologia e história. E nossa linha editorial só tem um norte: ao menos um texto sobre o Mucuri.

A nove está no forno, aguardem…

Confira outros números clicando aqui.

Para dar uma adiantada, eis o que de recheio:

A palavra em pelo

Viola Caipira

João Evangelista Rodrigues

Jornalista, Escritor e Compositor

http://vialaxia.blogspot.com/

BALADA PARA UMA MOCINHA

A!MOR

AMOR FORA DE HORA

SEM VOCÊ

PARA UMA MENINA COM UMA DOR

Madson Hudson Moraes é poeta e jornalista pela Universidade São Judas Tadeu, em São Paulo. Suas atividades acadêmicas estão mais voltadas para a Literatura, Música e Poesia Brasileira. Selecionado na 54º Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos e no livro Contos de Outono - Contos de Amor e Desamor, ambos publicados pela Câmara Brasileira de Jovens Escritores. Esteve entre os 100 vencedores do Prêmio Literário Waldeck Almeida de Jesus no ano de 2008.

Introdução EFBM

ESTRADA DE FERRO BAHIA E MINAS

Fernando da Matta Machado

Nasceu em 1943 na cidade do Rio de Janeiro (RJ).O pai natural de Diamantina (MG) e a mãe de Teófilo Otoni (MG).

Bacharel em Ciências Econômicas pela UFRJ.

Membro do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais - IHGMG, do Instituto Histórico e Geográfico de Sabará - IHGSa, do Instituto Histórico e Geográfico do Alto Rio das Velhas – IHGARV e da Academia de Letras Ciências e Artes do São Francisco – ACLECIA.

Autor do livro “Navegação do Rio São Francisco”, do texto “Dados biográficos de Pedro Versiani” e da monografia "Contratação e liquidação de câmbio de exportação".

Organizador dos livro “A Companhia de Santa Bárbara: um caso da indústria têxtil em Minas Gerais” e "Memórias", de João da Matta Machado.

Publicou diversos artigos em jornais e revistas.

Noções Maleáveis sobre o sertão

Mariana Oliveira e Souza

Graduada em Ciências Sociais na UFMG, com ênfase em Antropologia, Arqueologia e formação complementar em História. Atualmente é mestranda do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da UFMG e participa do Núcleo de Estudos de Populações Quilombolas e Tradicionais-NUQ-UFMG.

Introspecção e mineiridade: um olhar cultural

Maurício Caleiro

Cineasta e jornalista.

Blog: http://cinemaeoutrasartes.blogspot.com

“cidade dos mortos – notas sobre o cemitério do Bonfim”

Patrick Arley de Rezende

É fotógrafo e livreiro. Graduado em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Minas Gerais e é mestrando em Antropologia pela mesma UFMG.

MILTON RIBEIRO TAVARES, "de saudosa memória"

Igor Sorel Tavares

Arquiteto pela UFMG, 1980, com especialização em transportes pelo IBAM, 1983, funcionário da Secretaria Municipal de Indústria Comércio e Turismo da Prefeitura Municipal de Teófilo Otoni.

Os primeiros 123 versos da Eneida de Virgílio

Luís Santiago

Graduado em História pela Universidade Estadual de Montes Claros. Escritor com títulos publicados sob o nome de Luís Santiago (a maioria sem ISBN), com destaque para a série O Vale dos Boqueirões, sobre a história do vale do Jequitinhonha, da qual quatro volumes já foram publicados.

Relações de poder, distribuição do espaço doméstico e o ‘designer’ de interiores

Tania Quintaneiro

Mestre em Ciência Política pela Universidade Federal de Minas Gerais e graduada em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Minas Gerais. Professora adjunta aposentada do Departamento de Sociologia e Antropologia da Universidade Federal de Minas Gerais. Atua nas áreas de teoria sociológica clássica. Pesquisa a política interamericana e a atuação do Estado, com ênfase nas relações entre o Brasil, os Estados Unidos e América Latina no período da Segunda Guerra Mundial. Pesquisa relações de gênero por meio da produção de viajantes estrangeiros ao Brasil no século XIX. Tem se dedicado especialmente ao estudo da sociologia de Norbert Elias.

Vejo gentes

Bom Dia Mãe

João Quixico Domingos

Natural de Cazenga-Luanda -Angola, mestrando em Ensino da Língua e Literatura Portuguesa

Saca-rolhas

Roberto Taufick

Bacharel em Direito pela Faculdade do Largo de São Francisco/USP, membro honorário da sua Academia de Letras Contista, cronista, romancista, poeta e compositor. Nas horas vagas, Especialista em Políticas Públicas em Gestão Governamental, com foco em antitruste.

Folhei-a:

Leia Mais ►

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

UN POEMA DE SUSANA SOCA (URUGUAY)

Um pouco de poesia de nossos irmãos latinoamericanos, e sugerido pelo amigo Antonio Arroyo Silva, grande conhecedor e incentivador da poesia em língua espanhola e a desta nossa América, Latina.

Retirado do Esquina Paradise em 05/01/2012 do endereço:

http://esquinaparadise.blogspot.com/2012/01/un-poema-de-susana-soca-uruguay.html

susana soca

Noche y cruz

Por el camino de una noche mía

anuladora exacta,

entro sin gestos, sin golpear en vano,

en la noche de todos.

Como ninguna pródiga en modos de morir,

cuando en secreto el aloe da renovados zumos

para llegar a innumerables bocas,

cuando el nocturno pecho dentro de mí jadea,

la cruz de la noche entra en la cruz de mis manos

sobrellevada a tientas y de pie.

Es la noche sin tregua, la que busca cien muertos

para aprender hasta qué extremo un solo

agonizante puede respirar.

Cuando persigue el hombre sin cesar al hombre

la misma trampa sirve para el uno y el otro

la misma ausente mano

hace cortar el cuello del lobo y de la tórtola.

Y la rutina ordena

con más rigor que la pasión difunta.

Cuando persigue el hombre en cada sitio al hombre,

a los unos da muertes que no serían la suya,

al uno quita el alma, al otro sepultura.

Una metralla ciega hasta en los muertos cava

y la mano de un niño cuelga de frescos olmos.

En súbito tumulto

se incendia la noche desde adentro.

Se reduce el antiguo lugar para la sombra,

como muros y troncos se parten las tinieblas.

Desaparecen ellas, las casas y los bosques.

Una noche con ojos abiertos para siempre,

ha de seguir en busca de los perdidos párpados.

Ahora es el tumulto

y la cruz de la noche silenciosa,

en la cruz de las manos.

Susana Soca

De: Noche cerrada

-------------------------------------------------------

Susana Soca (1907 - 1959). Nació en Montevideo y murió en un accidente de aviación sobre las selvas del Amazonas. Fue hija de un distinguido médico, Francisco Soca. Su permanente contacto con escritores y artistas europeos fructificó en una revista, La Licorne, que apareció en París en 1937, y que renació en Montevideo en 1953 como Entregas de la Licorne (diez volúmenes), reflejando los selectísimos gustos de su editora, hasta su muerte. Al ocurrir ésta, tenía preparado su primer libro, que es en realidad una antología “arbitrariamente diferida”: En un país de la memoria, que se publicó a poco de su muerte. En 1962, sus familiares reunieron sus inéditos en Noche cerrada. El mundo de la cultura que fue su ámbito natural –hablaba a la perfección varios idiomas, aprendió ruso para conocer a Boris Pasternak –no se trasluce visiblemente en su poesía, que por el contrario responde a otras solicitaciones: “la angustia humana en su más acongojada e inmediata encarnación, la guerra; en el orden de lo particular, existían ciertas cavilaciones de carácter ultraindividual y obsesivo; y al extremo opuesto de lo uno y lo otro, se insinuaba un llamado a la alegría, a cierto esplendor que llega simultáneamente de personas, cosas, paisajes, a una evasión en los jardines pasados y presentes”. A su fidelidad introspectiva corresponde una expresión que somete musicalidad, flexibilidad, brillos varios, a su acendrado, estricto decir.

Ida Vitale.

Fuente: Nuevo Diccionario de Literatura Uruguaya.

Leia Mais ►

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

a Baal deus da pedra negra

Retirado do Vialaxia de nosso amigo poeta, compositor, filósofo e fotógrafo, João Evangelista Rodrigues, em 02/01/2012 do endereço:

http://vialaxia.blogspot.com/2011/12/baal-deus-da-pedra-negra-ofereco-este.html


a Baal deus da pedra negra
ofereço este altar de palavras
ofereço o sacrifico da pedra
que da montanha sagrada
cai a cada manhã
ofereço
o que pelo fogo se purifica
a alma da pedra no forno
o coração do povo
de voz contrita se humilha
cubro de cal a cidade proibida

Leia Mais ►

terça-feira, 29 de novembro de 2011

QUINTA POÉTICA – ESPECIAL RIO DE JANEIRO - 44ª edição

    Governo de São Paulo, Secretaria de Estado da Cultura e Escrituras Editora convidam para a QUINTA POÉTICA – ESPECIAL RIO DE JANEIRO - 44ª edição

    8 de dezembro de 2011 - com início às 19h - na Casa das Rosas (evento gratuito, com sorteio de livros entre os presentes)

    Com os poetas convidados: Elaine Pauvolid, Mirian de Carvalho, Paula Wenke, Ricardo Ruiz, Rosane Carneiro, Tanussi Cardoso, Zeh Gustavo.

    Participações especiais de Humberto Lima e Samba de Terreiro de Mauá.

    Curadoria: José Geraldo Neres

    --

    Casa das Rosas - Espaço Haroldo de Campos

    Av. Paulista, 37 - São Paulo/SP

    Próximo ao metrô Brigadeiro.

    Convênio com o estacionamento Patropi - Alameda Santos, 74

    Informações: (11) 5904-4499

    Saiba mais sobre o evento e os convidados:

    Quinta poética

    Curadoria: José Geraldo Neres

    Mensalmente, a Casa das Rosas - Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura abre suas portas para a Quinta Poética, um grande encontro dos amantes da boa poesia, com a presença de poetas consagrados e novos talentos, que têm a oportunidade de apresentar seu trabalho por meio de intervenções artísticas das mais diferentes expressões, como dança, música, artes plásticas, cultura popular, envolvem a leitura dos poemas. Grandes nomes da poesia já estiveram presentes nesses encontros, que são promovidos pela Escrituras Editora e a Casa das Rosas - Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura.

    --

    Os poetas:

    ELAINE PAUVOLID. Publicou quatro livros de poesia, entre eles O silêncio como contorno da mão (Editora Multifoco, Selo Orpheu, 2011). Mantém o blog: www.jokasta.org , diálogos entre poesia e artes visuais, outra atividade a qual tem se dedicado.

    --

    MIRIAN DE CARVALHO. Publicou seis livros de poesia, entre eles Violinos de Barro (Escrituras Editora, 2009), classificado em 1º lugar no Prêmio Adalgisa Nery, UBE-RJ, 2010.

    --

    PAULA WENKE. Publicou Zoom in Zoom out. Atriz, poeta, cronista, roteirista e publicitária. Graduada em Artes Cênicas pela Universidade de Brasília e é licenciada pelo MEC para formar atores.

    http://paulawenke.com/

    --

    RICARDO RUIZ, poeta, historiador e produtor cultural. Publicou Poesia Profana (Ibis Libris, 2000). Coordenou os eventos: República dos Poetas (solo), PoemaShow (com Tavinho Paes) e Ponte de Versos (com Thereza Motta).

    --

    ROSANE CARNEIRO. Publicou Excesso (edição da autora, 1999) Prova (Ibis Libris, 2004) e Corpo estranho (Editora da Palavra, 2009). É editora, redatora e mestre em Literatura Brasileira pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.

    --

    TANUSSI CARDOSO. Poeta, contista, crítico literário, letrista, jornalista. Publicou nove livros de poesia, entre dezenas de antologias, sendo o último, bilíngue, "Do Aprendizado do Ar", Ed. Fivestar.

    http://tanussicardosopoetaetc.blogspot.com/

    --

    ZEH GUSTAVO. Músico e escritor. Publicou, entre outros títulos, Idade do Zero (Escrituras Editora, 2005) e A Perspectiva do Quase (Arte Paubrasil, 2008). É membro do grupo de samba Terreiro de Breque.

    www.myspace.com/terreirodebreque

    --

    PARTICIPAÇÕES ESPECIAIS:

    HUMBERTO LIMA. Violonista erudito e popular, vencedor do XIII Concurso de Violão Souza Lima na categoria música de câmara, e atual produtor musical da cantora e compositora de MPB Helena Elis.

    http://humbertocamilodelima.blogspot.com/

    --

    SAMBA DE TERREIRO DE MAUÁ. Trazem no sangue a linhagem do samba de terreiro, cultuado e praticado no Rio Antigo. As referências são as escolas de samba, bem como os registros da Era de Ouro do Rádio. http://terreirodemaua.blogspot.com/

    --

    CURADORIA:

    JOSÉ GERALDO NERES. Poeta, ficcionista, e produtor cultural paulista. Publicou dois livros de poesia: Pássaros de papel (Dulcinéia

  • Catadora, 2007) e Outros silêncios (Escrituras Editora, 2009).

    http://neres-outrossilencios.blogspot.com/

    --

    Escrituras Editora

    Rua Maestro Callia, 123 - Vila Mariana

    04012-100 - São Paulo - SP - Brasil

    Tel.: (11) 5904-4499 (Pabx)

    www.escrituras.com.br

    www.youtube.com/user/EscriturasEditora

    http://escrituraseditora.blogspot.com/

    www.twitter.com/escriturasedit

    www.facebook.com/escrituras.editora

    •  

Leia Mais ►

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

TRES POEMAS DE NARA OSES (ARGENTINA)

retirado do Esquina Paradise de nosso amigo Antonio Arroyo lá das Canárias, no dia 14/11/2011 do endereço:

http://esquinaparadise.blogspot.com/2011/11/tres-poemas-de-nara-oses-argentina.html

cuando  regreses

“tú ese  amor  el  odio  a  veces  el  ansia”

                    Antonio Arroyo  Silva- Canarias

si  de   lejos   viniste

amor    el  miedo  a  veces  la    locura

si   de  allí  te  regresas

amor   tus   ojos   a  veces  en  el   tiempo

si   apenas   veo   tu   cuerpo

amor      el   viento    te  arrastra    y   me  deja

si    sólo  me    miraste

amor    silencio    tu    sombra    y   el    cielo

si   nada   me  dirás   y   así  te  irás

amor    si    te  reinventas     en  la  luna  vuelo

________________________________

el  alma    vuela

abandona   el  dominio

y   vuela

imposible   alcanzarla

de  lejos    mira  la  angustia

y  ríe

el  alma

que  dicen   huele  a   jazmín

alocada     como  está,  y  exhausta

juega

no   deja  de   mirar

tira   de   la  cuerda    suave

sacude   su    estuche   de   corazón  humano

y    en  tiempos     extraños

regresa

un   viaje   sin   muerte

una  travesura

buscaba  instantes    de  ríos   y   cisnes

octubres

___________________________________

  guarda    dentro

  en  la  zona   del   plexo  solar

  un  territorio      frágil

  lo   custodia  

  teme  un  ataque   y  una  destrucción

  supone  no  poder  defender el  lugar

  esta   tarea   sin  fin

  aisló    sus  horas

  y  su   sonrisa

  ahora,  el   sitio   está  intacto

  y  él   enmudecido,  solo

  casi   sin   voluntad.

  anoche   soñó 

  el   territorio  frágil  y   antiguo

  se  parece  a   un  valle  alto

  en  la  montaña

  lo   pudo  ver,  lo  recorrió

  no     vio   secretos  ni  angustias

  ningún  tesoro

  ningún  misterio

  nada   para   sitiar

NARA OSES

Leia Mais ►

sábado, 12 de novembro de 2011

Duas Crisálidas

Mucuryanos, este é mais uma mostra do trabalho de nosso amigo Leo Lobos, poeta e artista visual chileno.

Confiram.

Duas Crisálidas - audiovisual y poesía: Jiddu Saldanha, arte de Leo Lobos, música Andreas Wollenweider - 2009

Leia Mais ►

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Exposição de Yara Tupinambá será aberta nesta segunda (07/11)

Enviado pela Rede Mineira de Cultura.

A figura dos pais é uma das cenas retratadas pela artista sobre o poema de Drummond

Em 1951, Carlos Drummond de Andrade publicou o poema “A mesa”, em que os membros de uma família se reuniam na hora da refeição, “largavam as tristes dietas, esqueciam seus fricotes e tudo era farra honesta”. Inspirada no poema, a artista plástica Yara Tupinambá pintou um painel com 19 imagens que retratam as cenas descritas pelo poeta itabirano. Esse painel, pertencente à Fundação Cultural de Itabira, estará na a exposição “A mesa”, que será aberta na Galeria de Arte da Assembleia Legislativa de Minas Gerais nesta segunda-feira (7/11/11).

Além da abertura da exposição, haverá também o lançamento do livro “A mesa de Carlos Drummond de Andrade”, de Ozório Couto. A solenidade que vai marcar a abertura da exposição e o lançamento do livro, marcada para as 19 horas desta segunda-feira (7), vai contar com a presença do presidente da ALMG, deputado Dinis Pinheiro (PSDB). A exposição poderá ser vista até o dia 30 de novembro, de segunda a sexta-feira, das 8 às 18 horas, com entrada franca.

O poema “A mesa” faz parte do livro “Claro enigma”, considerado uma das obras mais importantes de Carlos Drummond de Andrade. Ele relata o encontro de uma típica família mineira em torno de uma mesa farta, em que vêm à tona lembranças do passado em meio a “gestos acumulados de efusão fraterna”. As pinturas de Yara Tupinambá em óleo sobre chassi de madeira formam um painel de 19 m x 1,5 m. Elas foram pintadas no início dos anos 1980 e receberam elogios do próprio Drummond, que lhe emprestou retratos de seus pais e irmãos para a composição da obra.

Já o livro de Ozório Couto reúne as seis cartas enviadas por Drummond a Tupinambá e reproduções dos módulos pintados por ela. Também fazem parte do livro um estudo analítico da obra do poeta e um ensaio sobre o trabalho de Yara Tupinambá e sua relação com a poesia drummondiana.

Fonte: ALMG

Leia Mais ►

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Sarau Cultural e Lançamento do disco Nas trilhas do Mucuri, de Tau Brasil!

Pessoal,

No próximo dia 10 de novembro, teremos um encontro imperdível no Campus Mucuri da UFVJM, acontecerá o show de Lançamento do novo disco de Tau Brasil, o Nas trilhas do Mucuri e o Sarau Cultural, com a presença de diversos artistas e grupos apresentando-se à toda a comunidade!

A programação é parte da Campanha “Sou do Mucuri”, que tem por objetivo a valorização da cultura desta nossa região.

Não perca!

É de graça!

Local: Campus Mucuri da UFVJM

Dia: 10/11/11

Hora: a partir das 17h:00min 

Leia Mais ►

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

"...chove chuva choverando que a casa do meu bem está-se toda se molhando..." O.A.

 

Ilustr. Carla Caruso

A chuva cai

Cai de bruços

A magnólia abre o para-chuva

Para-sol da cidade

De Mário de Andrade

A chuva cai

Escorre das goteiras do domingo

Trecho do poema "Soidão" de Oswald de Andrade

Leia Mais ►

terça-feira, 4 de outubro de 2011

versos do João Evangelista

Retirado do Vialaxia em 04/10/2011 do endereço:

http://vialaxia.blogspot.com/2011/10/aqui-estou-meio-caminho-de-pedra-fujo.html


aqui estou

a meio caminho de pedra

fujo do medo de me fugir

da perda de mim mesmo

do rugir da fera na sala iluminada

aqui estou sem fingir

de poeta fingidor

sem apalavras de água

que me cerquem

me lavem e me saciem

aqui estou sem mágoa

em meu exílio voluntário

fora do calendário oficial

do dicionário honorífico

do vendaval de glorias e medalhas

aqui onde sou apenas bruma

na manha de chuva

sem história sem relevo

apesar da geografia montanhosa

vivo sem tempo e sem aurora

porque assim é este tempo

sem memória sem aura e sentimento

Minha foto

João Evangelista Rodrigues
Leia Mais ►

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Pronomes

retirado do SALADA POETICÁLIA em 22/09/2011 do endereço:

http://saladapoeticalia.blogspot.com/2011/09/pronomes.html

Pronome I

Eu,
Que não me encontrei
Numa classificação definida,
Busco no caso reto
A obliquidade do mim:
Naufrago na conjugação
Do verbo amar
Perdendo-me
Num pretérito mais-que-perfeito.
Eu,
Que não vivo
Os momentos até o fim,
Encontro-me ilhado
Num abismo egocêntrico:
Percebo o singular
Necessitando do plural,
E mesmo assim
O EU vive em mim.

Pronome II

Eu sou
Quem sou
Pronome sem definição
E de nome
Não sei nada
Só o nada me compõe.
Sou escasso de vocábulos
E preenchido de ilusões
Que torturam meu dicionário
De palavras neo-inventadas.
Sou o Aquilo Daquilo
Isto, não Isso.
Sou o Assim.

Pronome III

Eu,
Pronome sem definição,
Escapo nas horas do fim
Alimentando as tristezas do ego.
Eu,
Intransferível no começo,
Chego a pensar em ti
Mas sempre lembrando de mim.
Calmo, centrado
Cínico – cogito.
Cumprimento o sentido
Do verbo sentir
E sinto um aperto
Quando conjugo
O verbo “não-amar”.

Leia Mais ►