terça-feira, 7 de maio de 2013

Pontos de Cultura

A Secretaria da Cidadania e da Diversidade Cultural do Ministério da Cultura (SCDC/MinC) deu início, na manhã desta segunda-feira (6), ao Encontro de Gestores e Procuradores Estaduais e Municipais das Redes de Pontos de Cultura, em Brasília. A secretária Márcia Rollemberg presidiu a mesa de abertura e mediou o debate entre os cerca de 100 participantes – de 16 estados e 24 municípios do país.

O objetivo geral da reunião é discutir o alinhamento jurídico e a construção de propostas dentro da legislação vigente para a produção de normativas menos burocráticas que forneçam novos instrumentos para o processo de ampliação do Programa Cultura Viva (PCV). A secretária Márcia Rollemberg ainda salientou que "é preciso prevenir a formação de passivos e possibilitar a obtenção de maior efetividade na avaliação dos resultados do Programa".

A secretária de Cultura de Londrina (PR), Solange Batigliana, cumprimentou o MinC pela iniciativa "em proporcionar o debate do assunto com gestores das comunidades e com representantes da área jurídica do governo".

Também conversaram com os participantes da reunião o assessor Especial de Controle Interno do MinC (AECI/MinC), Cleômenes Viana Batista; o Consultor Jurídico do MinC, Cláudio Péret Dias; o Diretor da Cidadania e da Diversidade Cultural do MinC, Pedro Vasconcellos; e a assessora da Secretaria Geral da Presidência da República, Laís Lopes. O encontro dos Gestores e Procuradores Estaduais e Municipais das Redes de Pontos de Cultura terá agenda de reuniões até a tarde desta terça-feira.

Para 2013 a SCDC trabalha como prioridades o fortalecimento do Programa Cultura Viva como política de base comunitária do Sistema Nacional de Cultura (SNC); a qualificação da gestão compartilhada e articulação das redes sociais; e a maior efetividade do Programa com a modernização da gestão institucional.

(Texto: Lara Aliano / Ascom MinC

Fotos: Alan Rones)

Retirado do site do MinC em 07/05/13 do endereço:

http://www.cultura.gov.br/noticias-destaques/-/asset_publisher/OiKX3xlR9iTn/content/pontos-de-cultu-1/10883;jsessionid=6E5837E6D12A32428A1908EDF7C4E724.portal2?redirect=http%3A%2F%2Fwww.cultura.gov.br%2Fnoticias-destaques%3Bjsessionid%3D6E5837E6D12A32428A1908EDF7C4E724.portal2%3Fp_p_id%3D101_INSTANCE_OiKX3xlR9iTn%26p_p_lifecycle%3D0%26p_p_state%3Dnormal%26p_p_mode%3Dview%26p_p_col_id%3D_118_INSTANCE_x9zwCh7U69gP__column-1%26p_p_col_count%3D1

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sexta-feira, 3 de maio de 2013

forumdoc de volta a Teófilo Otoni

forumdoc_2012_07
FORUMDOC.BH
MOSTRA ITINERANTE TEOFILO OTONI 2013
O forumdoc.mg tem como objetivo ampliar e democratizar o acesso a uma programação de cinema diferenciada no estado de Minas Gerais. Os filmes que integram o forumdoc.mg em 2013 são representativos das mostras que compuseram o 16º Festival do Filme Documentário e Etnográfrico - forumdoc.bh, festival de cinema que acontece anualmente em Belo Horizonte desde 1997.
As temáticas e as formas de cada filme são variadas, mas sempre se preocupam com uma proposição política, social e estética, proporcionando uma discussão mediada com os espectadores, e buscando o compartilhamento de experiências, ao tentar perceber principalmente o que cada um deles tem a nos mostrar sobre a vida e sua maneira de nos apresentar ao nosso mundo.
Em Teófilo Otoni, o forumdoc.mg acontece de 16 a 19 de maio de 2013, no Auditório da CDLTO. A curadoria é composta por filmes que participaram das Mostras do forumdoc.bh.2012. As sessões serão comentadas por Carla Italiano, mestranda em Comunicação Social pela UFMG. Atua na área de audiovisual como produtora e montadora.
O evento, que se encontra em sua quinta edição, conta com o patrocínio da CEMIG/Governo de Minas e da Secretaria de Audiovisual do Ministério da Cultura/Governo Federal, via Lei de Incentivo à Cultura. Além disso, conta com a parceria das instituições locais ICETAS/CDLTO e Associação Histórico Cultural Mucury.
Todas as atividades que compõem a programação têm caráter público e gratuito.
Dia: 16 a 18 de maio
Local: Auditório da CDLTO
Endereço: Avenida Luiz Boali, 1370 – Ipiranga
Entrada: Gratuita
Realização: Associação Filmes de Quinta, Associação Mucury Cultural e ICETAS.
Apoio:  Casa de Cultura de Teófilo Otoni-PMTO, Livraria e Cafeteria Papo Café e Restaurante Rua das Flores.
PROGRAMAÇÃO

Dia: 16/05- Quinta
20h:00min
clip_image002Tava, a casa de pedra
Brasil | 2012 | cor | 78’
Direção: Ariel Ortega, Ernesto de Carvalho, Patrícia Ferreira, Vincent Carelli
Fotografia e som: Ariel Ortega, Ernesto de Carvalho, Patrícia Ferreira, Vincent Carelli
Montagem: Tatiana Almeida, Vincent Carelli
Produção: Vídeo nas Aldeias
Sinopse: Interpretação mítico-religiosa dos Mbya-Guarani sobre as reduções jesuíticas do século XVII no Brasil, Paraguai e Argentina.
Dia: 17/05- Sexta
16h:00min
clip_image004A falta que me faz
85 min| Brasil | 2009
Personagens: Alessandra Ribeiro, Priscila Rodrigues, Shirlene Rodrigues, Valdênia Ribeiro, Paloma Campos
Direção: Marília Rocha
Produção: Luana Melgaço
Produtor Associado: Helvécio Marins Jr., Felipe Duarte
Fotografia: Alexandre Baxter, Ivo Lopes Araújo
Montagem: Francisco Moreira, Marília Rocha
Sinopse: Durante um inverno, rodeadas pela Cordilheira do Espinhaço, um grupo de meninas vive o fim da adolescência. Um romantismo impossível as enlaça com homens de fora, deixando marcas em seus corpos e na paisagem a seu redor. Entre festas, amizades, angústias e contradições da passagem para a idade adulta, cada uma encontra sua maneira particular de resistir à mudança e existir na incerteza.
Dia: 17/05 - Sexta
20h:00min
clip_image006A cidade é uma só?
Brasil | 2012 | cor | 80’
Direção: Adirley Queirós
Roteiro: Adilrey Queirós e Thiago Mendonça
Fotografia: Leonardo Feliciano
Som: Francisco Craesmeyer
Montagem: Marcius Barbieri
Produção: Adirley Queirós e André Carvalheira
Sinopse: Daí eu pensei em como fazer um filme bem legal, agradável e gângster: Brasília, I Love You.
Dia: 18/05- Sábado
16h:00min
clip_image008Doméstica
Brasil | 2012 | cor | 75’
Direção: Gabriel Mascaro
Montagem: Eduardo Serrano
Produtor: Rachel Ellis
Sinopse: Sete adolescentes assumem a missão de registrar por uma semana a sua empregada doméstica e entregar o material bruto para o diretor realizar um filme com essas imagens. Entre o choque da intimidade, as relações de poder e a performance do cotidiano, o filme lança um olhar contemporâneo sobre o trabalho doméstico no ambiente familiar e se transforma num potente ensaio sobre afeto e trabalho.
Dia: 18/05- Sábado
20h:00min
clip_image010OTTO
Brasil | 2012 | cor | 71’
Direção: Cao Guimarães
Fotografia: Cao Guimarães e Florencia Martínez
Som: O Grivo
Montagem: Cao Guimarães e Florencia Martínez
Produção: Cao Guimarães
Sinopse: OTTO é um filme que acompanha o processo de gravidez de minha mulher e nascimento de meu filho. Instintivo e visceral como um gesto. Intimista e confidente como um diário filmado. Uma celebração à vida, um filme de amor.
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Sarau In-Cena, hoje

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quinta-feira, 2 de maio de 2013

O âmbito da cultura no planejamento urbano

Por Bernardo Vianna

Do Blog Acesso

Em mais de um de seus livros, Ítalo Calvino toma como foco a cidade. Interessa ao escritor italiano o espaço urbano enquanto produto cultural. Em Cidades invisíveis ou em Marcovaldo – Ou as estações na cidade, Calvino descreve, antes da estrutura das torres e das vias públicas, os significados que as permeiam. As cidades tomam forma segundo a percepção e os desejos das personagens. O tema também inspirou Guy Debord a construir o conceito de “psicogeografia”. A partir de tal ideia, o pensador francês inspirou artistas e intelectuais a percorrer as cidades, no bojo dos movimentos de vanguarda europeus das décadas de 1950 e 1960, observando como o desenho de ruas e prédios se relaciona com as emoções e com o comportamento das pessoas.

O âmbito da cultura passou a fazer parte das políticas públicas sobre o uso e o desenvolvimento do espaço urbano, em São Paulo, desde a definição do Plano Diretor Estratégico de 2002. A lei que define, entre outras, diretrizes de ocupação do solo, infraestrutura e mobilidade, trouxe, como inovação, item dedicado à cultura. O documento prevê a elaboração de normas para a preservação de bens culturais e referências urbanas, a preservação da identidade dos bairros e a sensibilização da opinião pública sobre a importância e a necessidade de preservação do patrimônio histórico e cultural.

No último sábado, teve início, com algum atraso, o debate público para a revisão do Plano Diretor Estratégico, o que, a princípio, estava previsto para ocorrer em 2012. De acordo com Nabil Bonduki, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, vereador de São Paulo e relator da Lei do Plano Diretor Estratégico, a cultura, desde 2002, passou a fazer parte, com bastante ênfase, da discussão sobre o uso do espaço urbano. “Por conta disso, eu diria que a expectativa, agora, é que esse assunto ganhe ainda mais importância. Há uma mobilização grande do segmento cultural na discussão do plano diretor e existe também um interesse da própria Secretaria de Cultura nesse sentido”, afirmou o urbanista.

A prefeitura de São Paulo divulgou, em 15 de abril, agenda de encontros para a revisão participativa do Plano Diretor Estratégico, eventos abertos ao público, que pode apresentar propostas e contribuições. Em uma segunda etapa, serão realizadas oficinas públicas nas 31 subprefeituras para ouvir propostas dos moradores locais e será aberto, também, um canal digital para a participação. Audiências públicas, em uma terceira fase do processo, debaterão as propostas apresentadas e será discutida a minuta do projeto de lei. O projeto será, então, encaminhado à Câmara dos Vereadores, que iniciará processo de consulta pública.

Cultura nos espaços públicos

A utilização do espaço público para a cultura é uma discussão que permeará todo o processo. A questão, para Bonduki, é de grande importância e deve ser uma das diretrizes do Plano Diretor. “As atividades culturais têm, certamente, um papel importante no repovoamento do espaço público. Se predominar a perspectiva dos grandes condomínios, das áreas que perdem sua capacidade de serem espaços vivos, teremos a desertificação do espaço, o que é muito ruim e tem impactos importantes, por exemplo, sobre a questão da segurança. Ruas desertas são inseguras, acabam sendo espaços violentos – não só da violência criminal como também da violência dos automóveis em alta velocidade, da falta de comunicação entre as pessoas. A valorização do espaço público é muito importante e a cultura pode ter um papel fundamental nisso”, expôs o especialista.

A valorização dos espaços culturais com saída para a rua, em oposição aos espaços localizados em áreas privadas, como shopping centers fechados, cujo acesso se dá por automóveis particulares, é, na opinião do urbanista, algo urgente. “Hoje, praticamente todos os cinemas de rua fecharam. Os teatros, principalmente na região do Centro expandido, têm dificuldade para manterem-se. Vimos, por exemplo, vários teatros serem fechados na Praça Roosevelt. Na Rua Augusta, muitas casas noturnas e lugares de atividades culturais também estão sendo fechados e sofrendo o processo da especulação imobiliária. Esse é um assunto importante: criar um mecanismo de proteção dos espaços culturais de rua para que eles possam dinamizar o próprio espaço público, a calçada. Se você tem apenas estacionamentos no térreo dos edifícios, apenas paredões e muros, você mata a rua e assim mata, também, a cidade”, disse Bonduki.

Assim como a cultura oxigena os espaços públicos urbanos, de tais espaços dependem a memória e a identidade da cidade. Um instrumento de que já se dispõe são as Zonas Especiais de Proteção Cultural – ZEPEC, áreas destinadas à preservação, recuperação e manutenção do patrimônio histórico e artístico. Outra modalidade que, na opinião de Bonduki, deveria ser incluída, é a proteção de espaços que, se não são particularmente interessantes do ponto de vista arquitetônico, o são a partir da perspectiva da manutenção de determinados usos e práticas culturais. “São locais com os quais a população se identifica. Pode ser um cinema, um teatro ou mesmo um restaurante ou um bar que, se não é interessante arquitetonicamente, transformou-se em ambiente de interesse do ponto de vista da memória da cidade. Claro que não é fácil encontrar instrumentos para garantir essa preservação, mas nós não podemos desconsiderar essa dimensão”, explicou.

Retirado do Blog Acesso em 02/05/13 do endereço:

http://www.blogacesso.com.br/?p=6120

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Inscrições abertas para o curso Pensar e Agir com Cultura – Desenvolvimento e Gestão Cultural / 1º Semestre 2013

Por ODC

Do Observatório da Diversidade Cultural

Curso será realizado de 18 de maio a 24 de agosto de 2013 no Museu Mineiro

O Observatório da Diversidade Cultural está recebendo inscrições para o curso de Desenvolvimento e Gestão Cultural / 1º semestre de 2013. Realizada desde 2003, a programação é referência na área, ao enfatizar a reflexão sobre a cultura como importante meio de desenvolvimento econômico e social, assim como as estratégias para potencializar ações culturais para consolidação de políticas públicas na área. Voltado a gestores e agentes culturais, artistas, educadores e interessados na área, o programa capacita gestores culturais locais com visão ampla, para a construção de parcerias e viabilização de propostas. O curso será realizado de 18 de maio a 24 de agosto de 2013, sempre aos sábados, das 08h30 às 17h30, no Museu Mineiro.

No próximo dia 18 de maio, o coordenador do Observatório da Diversidade Cultural, José Márcio Barros, realizará palestra que dará início ao curso de 88h/aula, composto pelos módulos: Cultura, diversidade e desenvolvimento; Trabalho colaborativo e em rede com a Cultura; Elaboração de projetos culturais; Políticas públicas de Cultura no Brasil; Mecanismos de financiamento e de viabilização de projetos culturais; Aspectos jurídicos da Cultura; Planejamento estratégico com a Cultura; Produção cultural; Gestão de espaços culturais; Gestão de projetos culturais; Seminário de resultados.

ODC

Reconhecido pela Unesco como uma das entidades, no mundo todo, que promove e protege a diversidade cultural, o ODC é uma organização não governamental que tem como objetivo produzir informação e conhecimento, assim como gerar experiências e experimentações, atuando sobre os desafios da proteção e promoção da diversidade cultural. O Observatório desenvolve programas de ação colaborativa entre gestores culturais, artistas, arte-educadores, agentes culturais e pesquisadores, construindo competências pedagógicas, culturais e gerenciais. A Ong busca incentivar e realizar pesquisas e práticas inovadoras, proporcionando experiências de mediação no campo da Diversidade Cultural – entendida como elemento estruturante de identidades coletivas abertas ao diálogo e respeito mútuos.

Curso Desenvolvimento e Gestão Cultural

Quando: aos sábados, de 18 de maio a 24 de agosto de 2013, das 08h30 às 17h30.

Onde: Museu Mineiro – Av. João Pinheiro, 342 – Funcionários, Belo Horizonte /MG.

Investimento: R$ 400 (à vista) ou 2 parcelas de R$ 225.

Inscrições e informações.

Retirado em 02/05/13 do endereço:

http://observatoriodadiversidade.org.br/site/inscricoes-abertas-para-o-curso-pensar-e-agir-com-cultura-desenvolvimento-e-gestao-cultural-1o-semestre-2013-2/

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Uma avaliação da gestão Marta Suplicy

Por Carlos Henrique Machado Freitas

Do Trezentos

“Eu sou que nem gato, me enxotam no quintal eu volto pelo telhado. Esse é o truque. Eles não perceberam. Não é o povo! Não e Não! É preciso não trocar. Não confundir o povo. Povo! Não confundir… Nem com público, nem com massa…é importante. A massa é a massa. O público se enfeita todo e vai para as salas de concerto, com cara de quem está entendendo tudo. É preciso notar a diferença. A massa é horizontal, o público é vertical, mas o povo, pelo menos o povo brasileiro é DIAGONAL. É por isso que eu gosto do povo, e é por isso que a minha música é popular. Popular porque eu cuido muito mais do aspecto DIAGONAL do que horizontal ou vertical ( Villa-Lobos)”.

Passado o período de transição e da mediação aberta entre o colapso que foi o MinC de Ana de Hollanda, com os objetivos de Marta Suplicy, o que podemos classificar é que houve uma substituição da estética da barbárie instituída por Ana pela estética de civilidade atordoada de Marta.

Marta, sob o ponto de vista político, ainda vê se agigantar um conjunto claro de ações de renovação e quebra de paradigma do estatuto neoliberal na cidade de São Paulo por Fernando Haddad, o que contrasta com a sua gestão, porque Marta vem vivendo até então num mundo de fluidez virtual.

Daí o bordão vago diante das realidades emergentes, “Cultura como alimento para a alma”. Isso não quer dizer rigorosamente nada e, desse modo, vai tornando o território da cultura, hoje pacificado, em uma impaciente ansiedade em busca de uma outra ordem que não seja um ministério que paralelamente se equilibra num pacto colonial entre Estado, empresas e partidos.

Não há um ponto de vista mais avançado, menos ainda um ritmo divergente do que é estabelecido pela regulação criada por uma tríade de interesses e pactos. Como não consegue modificar o estatuto colonial e, com isso, não consegue colocar o MinC a serviço da democracia social, a ministra Marta se divide em valorizar diferentes vertentes de um mundo sobre o qual literalmente ela não tem um conhecimento concreto. E com essa artificialidade vai perdendo musculatura política, tornando-se mais aristocrática, buscando não correr riscos que ultrapassem a interpretação estabelecida pelo sistema hegemônico que não deixa intervalos para a produção de outros objetivos que não os que já estão petrificados em seu estatuto.

Marta tentou de forma seletiva, sobre o modelo construído por essa hegemonia, particularizar o progresso técnico para a produção material e econômica de quem fundamentalmente estava fora do tratado que são as manifestações de matrizes africanas no Brasil.

Certamente a ministra imaginou que, por intermédio das técnicas, afirmaria uma cidadania que sequer chegou perto da porta estreita que o sistema hegemônico desenvolveu. Porém, a ministra deve ter percebido nesse campo que a ausência de progresso se deu, muito mais porque ela reduziu a própria noção desse universo que se realiza a serviço da cultura brasileira como a principal força motora de nossas manifestações.

Recursos criativos não faltam ao universo da cultura negra no Brasil, mas é justamente a partir do uso pragmático dos equipamentos como leis, editais dessa modernização institucional, que são assegurados aos filhos escolhidos da classe dominante, branca e indiscutivelmente primitiva, do ponto de cultural, os privilégios históricos que definem a própria operação institucional do Estado.

Então o MinC de Marta Suplicy também entrou em colapso, até porque a ministra, assim como o presidente da Funarte, Antônio Grassi, o único das vinculadas que não foi substituído, enxerga a cultura brasileira pelo buraco do guichê e os brasileiros não como cidadãos, mas como público consumidor de arte.

Seria muito mais fácil Marta seguir algo natural, dar um choque de soberania nacional com uma política concreta de valorização dos Pontos de Cultura revelando os movimentos da sociedade que podem ser os únicos protagonistas a subverter o antigo jogo de evolução territorial imposto pelas novas lógicas do tratado colonial entre Estado, empresas e partidos. A ministra ainda não entendeu que o ator mais poderoso para o qual ela deveria reservar os melhores pedaços do território, é o povo brasileiro que se expressa através do programa Cultura Viva.

O credo financeiro visto pelas lentes do sistema econômico é examinado como ideologia do pensamento único que hoje domina o Ministério da Cultura, enquanto aqui fora esse discurso vai perdendo a força.

Marta cedeu para o esquema grosseiro a partir de uma classificação arbitrária dos tecnocratas do MinC que, influenciados pela cultura de massa, buscam homogeneizar e impor sobre a cultura popular uma planilha extraída do reino do mercado. Este mercado que é a expansão paralela das formas de globalização econômica, financeira, técnica e cultural que, diante das manifestações da sociedade jamais encontrará eco.

A subjetividade do discurso de Marta “a gente não quer só comida…” mostra que todas as formas exóticas que incluem novas técnicas como editais, leis, prêmios, têm origem na própria cultura de massa e jamais poderão ser instrumentos da cultura popular que, por sua vez, tem sua própria forma de expressão que associa espontaneidade com ingenuidade, sempre com um discurso universal que acaba empiricamente alimentando uma política de solidariedade.

Na verdade a questão da escassez de inspiração da ministra aparece justamente porque ela quer dispor de meios materiais para tentar fazer com que a cultura popular participe plenamente do universo da cultura moderna de massas. Certamente a ministra não conhece os símbolos e códigos da cultura popular que estão inseridos na imensa maioria do povo brasileiro. Daí o vazio de ideias de cidadania cultural que a ministra tem apresentado diante da mídia.

Tenho certeza de que nessa guerra Marta não tem culpa, mas poderia exercer um papel determinante na busca por uma qualidade interpretativa dos interesses do povo brasileiro, saindo da valorização da forma e investindo na valorização do conteúdo, o que lhe permitiria pensar nos Pontos de Cultura como o verdadeiro universalismo que perdura, mesmo diante de um jogo desigual, como a principal identidade cultural do povo brasileiro. Como disse o gênio Villa Lobos… “O povo, pelo menos o povo brasileiro é DIAGONAL”.

Retirado do Trezentos em 02/05/13 do endereço:

http://www.trezentos.blog.br/?p=7903&cpage=1#comment-11623

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Luísa Cangussu no Espaço Cultural In-Cena/Botiquim Cultura

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