quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Remuneração de 63% dos produtores depende de outras atividades

Enviado por Daianne Prates

Retirado do Cultura e Mercado em 07/02/13 do endereço:

http://www.culturaemercado.com.br/panoramadacultura/remuneracao-de-63-dos-produtores-culturais-depende-de-outras-atividades/

Por Raul Perez

imageDividir o tempo entre o trabalho como produtor cultural e outras atividades para conseguir complementar a renda é uma realidade para 63% dos profissionais da área, segundo dados do Panorama Setorial da Cultura Brasileira, pesquisa patrocinada pela Vale e Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet. O estudo indica que 77% destes produtores obtêm mais da metade da renda por meio dessas outras atividades.

A variação entre os valores recebidos pode ser um dos fatores que influenciam a estatística. Mais de 70% dos entrevistados pela pesquisa declararam que sua remuneração oscila de acordo com o trabalho realizado. Na atividade de produtores de audiovisual, essa porcentagem chega a 86%.

Em alguns casos, o dinheiro arrecadado é o suficiente apenas para pagar o trabalho empreendido, sem margem de lucro. “Oscila bastante, tem produção que paga as minhas contas, mas tem produção que coloco do bolso de outros freelas”, afirma a produtora cultural Adriana Barbosa.

Ela é uma das criadoras da Feira Preta, em São Paulo, evento que reúne uma série de produtos e serviços voltados à cultura negra. Apesar de já ter chegado a pensar em investir em outras áreas quando as contas no fim do mês não batiam, Adriana diz que nos últimos cinco anos, todo o sustento tem sido tirado do trabalho como produtora.

“Optei pela profissão, no início, por necessidade. Precisava me sustentar e a área de produção era algo que eu já fazia como assalariada e, depois, a produção cultural virou uma oportunidade, a ponto de eu trilhar um caminho de formação na área [ela é pós-graduada em Gestão Cultural pela Universidade de São Paulo]”, conta.

De acordo com a pesquisa, a renda média para um produtor cultural no Brasil gira entre R$ 5 mil e R$ 8 mil, faixa em que se encontram 38,8% dos entrevistados – o salário médio mensal de um profissional com ensino superior no Brasil é de R$ 3,6 mil, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Experiência – O produtor brasileiro está envolvido, em média,  há 14,5 anos com a profissão. Mais da metade dos entrevistados (54%) tem mais de 11 anos de experiência em produção cultural. Flávio Passos é um desses casos.

Formado em Administração de Empresas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e músico profissional há mais de duas décadas, ele acabou se tornando produtor cultural por causa do contexto, assim como é o caso de 47% dos entrevistados pela pesquisa. “Quando essa atividade [música] começou a se tornar profissão, havia no mercado uma carência muito grande de profissionais especializados em produção cultural”, explica.

“A demanda era bem maior que a oferta. Comecei produzindo meu próprio trabalho musical, a coisa foi evoluindo e a profissão de produtor cultural se sobrepôs à de músico”. Desde 2000, ele comanda a Central de Bandas, empresa que criou para fazer a produção de artistas da região Sul do país. Atualmente, são mais de 20 grupos no casting da agência.

Como empreendedor, a remuneração depende de como os negócios se comportam, mas ele afirma que consegue o sustento com o valor que recebe. “Optei por trabalhar com música, algo que amo e me satisfaz. Tenho o privilégio de viver e pagar minhas contas fazendo aquilo que gosto”, declara, colocando-se em um lugar diferente de grande parte daqueles que atuam como produtores culturais.

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90% aprovados, mas só 17% a captar. O resultado da Lei Estadual de Cultura em números

Retirado do blog da Nexo em 07/02/13 do endereço:

http://nexo.is/resultado-lei-estadual-2012#comment-27

No último mês, a Secretaria de Cultura de Minas Gerais lançou o resultado do Edital 01/2012 da Lei Estadual de Incentivo à Cultura. Nos debruçamos sobre ele e apresentaremos a seguir uma série de apontamentos, com diversos números, críticas e reflexões sobre um dos principais mecanismos de financiamento da produção cultural do Estado.

O primeiro aspecto refere-se a forma de apresentação dos resultados. A lista dos projetos aprovados é apresentada em formato PDF com o mínimo de informações necessárias para identificação do projeto: número de protocolo, nome do projeto, nome do empreendedor e valor aprovado. Não há informações básicas como o objetivo da ação cultural ou contato do proponente, o que poderia facilitar o exercício do controle social sobre os projetos e até mesmo a busca ativa de projetos por potenciais patrocinadores. A análise atual só foi possível após dias de trabalho braçal de tabulação, gerando uma planilha mais amigável à elaboração de filtros e agrupamento dos dados para elaboração deste post.

Dos 1.888 projetos inscritos, 1.696 foram aprovados para captação – o que representa um índice de aprovação de 90%. A aprovação de um número elevado de projetos – quase a totalidade do que foi apresentado – demonstra um sinal claro que a Secretaria de Cultura de Minas Gerais está designando ao empresariado a função de definir quais projetos devem ser financiados ou não.

É evidente que por se tratar de um mecanismo de mercado, deve haver mais opções do que o valor exato que pode ser investido (caso contrário, não se justificaria o incentivo fiscal ao invés de uma ação direta da Secretaria). Contudo, com a aprovação de R$ 411.932.376,00 em projetos passíveis de serem patrocinados, chegamos a um montante seis vezes maior do que limite do incentivo fiscal (na casa dos R$55 milhões nos últimos anos). Em outras palavras: no máximo 17% do que foi aprovado poderá ser captado.

Quando se leva em conta o fator de localização geográfica, constatamos que o mínimo de 44% de projetos destinados para o interior, conforme previsto no parágrafo quinto do artigo 10 da Lei 17.615/2008, não está sendo cumprido. Se considerarmos o quantitativo de projetos, o interior ficou com 42,6% do total aprovado e quando consideramos o valor aprovado o índice cai para 41,2%. Abaixo, a lista dos municípios que tiveram o maior número de projetos aprovados.

Numa comparação entre a localização dos projetos aprovados e as cidades mais populosas de Minas Gerais, nota-se que alguns municípios de grande porte ainda tem uma escassez de projetos, a destacar Governador Valadares e Uberaba, dois grandes centros regionais e econômicos do Estado.

Analisando as estatísticas de aprovação descritas acima, chegamos a algumas conclusões. Ipatinga, Poços de Caldas e Uberlândia serem os principais municípios com projetos aprovados no interior pode ser explicado pelo fato de serem cidades que abrigam alguns dos maiores e mais tradicionais investidores na Lei Estadual de Cultura de Minas nos últimos anos, respectivamente, Usiminas (2º maior investidor), DME Participações (17º maior) e Algar (8ª maior). Ou seja, a existência de grandes investidores tende a fomentar uma maior produção cultural local.

A forte presença de Nova Lima, por sua vez, é analisada numa outra perspectiva: trata-se de um município conurbado a Belo Horizonte e que recentemente vem recebendo grande imigração por parte da classe artística.

Outra análise possível a partir das poucas informações divulgadas e que chama atenção é a predominância de projetos aprovados por pessoas físicas: 60,7% dos projetos e 70,5% dos valores aprovados. Não há nenhum tipo de limitador de valor para o proponente pessoa física, que considerando a possibilidade de aprovação de até dois projetos, pode receber autorização para captar valores que se aproximam a R$1 milhão. Entendemos que há aqui uma boa oportunidade para revisão da lei, com a criação de mecanismos de incentivo à profissionalização da área cultural, limitando a renúncia destinada a pessoas físicas e privilegiando pessoas jurídicas. Consideramos que a formalização de uma organização é um passo fundamental para profissionalização do setor e para a boa gestão dos recursos públicos.

A predominância de pessoas físicas também facilita uma prática usual, que contraria a legislação estadual: a apresentação de mais de dois projetos por empreendedor ou “núcleos compostos por pessoas ligadas entre si” (§ 1º do art. 18 do Decreto 44.866/2008). Fato é que agora os empreendedores iniciam mais uma jornada na busca por patrocinadores para os seus projetos.

A corrida está lançada até 31 de dezembro de 2013, quando menos de 20% deles terão motivos para comemorar…

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Pré-estreia de “Sob a Luz de um Cabaré” do Grupo In-Cena de Teófilo Otoni em Capelinha

Uma comédia brega. E o que não é? As cartas de amor são. E de onde mais o Grupo In-Cena de Teatro teria inspiração para o espetáculo “Sob a Luz de um Cabaré”? Um grande show brega terá sua pre-estreia nas festividades do centenário de Capelinha no Vale do Jequitinhonha.

Serviço

Dia: 17/02

Hora: 20h:00min

Local: Espaço Ativa Idade

Preço: Gratuito

Produção: Grupo de Teatro Anim’Art e do Regis Produções e Eventos

Produções e Eventos.

Ficha Técnica do Espetáculo

Texto e Direção: André Luiz Dias.

Direção Musical: Matheuz Lazarin.

Elenco: Andrine Maisch, Carol Trindade, Elmo Mendes e Matheus Lazarin.

Fotografia: F.G. Junior.

Com informações do Blog RegisCap1.

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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Carnaval no Botiquim

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Governo do Estado lança, oficialmente, o Carnaval de Minas Gerais

Retirado do site da Agência Minas em 06/03/13 do endereço:

http://www.agenciaminas.mg.gov.br/noticias/governo-do-estado-lanca-oficialmente-o-carnaval-de-minas-gerais/

Evento, que será realizado na Cidade Administrativa, nesta quarta-feira (hoje), contará com a participação de blocos carnavalescos de cidades mineiras

Por Neno Vianna / Barrocopress

No Carnaval de 2012, foliões encheram as ruas de Ouro Preto

A participação de quatro cidades pertencentes ao Circuito das Águas, Cambuquira, Caxambu, Lambari e São Lourenço, será a grande novidade do lançamento oficial do Carnaval de Minas Gerais deste ano, que será realizado pelo Governo do Estado, nesta quarta-feira (6), às 12h, na Cidade Administrativa. O evento contará com a presença de blocos e bandas carnavalescas tradicionais de cidades históricas como Diamantina, Mariana, Ouro Preto, Sabará, São João del-Rei e Tiradentes.

O objetivo é reforçar o movimento de resgate das manifestações carnavalescas tradicionais, que privilegiam as marchinhas, bandas locais, bonecos e blocos de Carnaval, o que já acontece nesses municípios. O Governo de Minas pretende, ainda, incentivar a preservação do patrimônio histórico e cultural, a sustentabilidade do ambiente e a folia saudável e com segurança.

Neste ano, o Carnaval em Minas, coordenado pela Secretaria de Estado de Turismo (Setur), conta ainda com a participação das Secretarias da Saúde, Cultura, Desenvolvimento Social, Esportes e da Juventude, da Fundação Hemominas, Belotur, Cemig, Corpo de Bombeiros e Polícias Civil e Militar. Todos farão ações específicas durante o período da festa para que os foliões possam aproveitar a folia com responsabilidade e segurança. Além dos desfiles, marchinhas, blocos e shows para todos os gostos, quem quiser aproveitar o Carnaval em Minas também vai contar com orientações sobre como prevenir doenças sexualmente transmissíveis, os risco sobre o uso de drogas, dicas de segurança no trânsito, como evitar afogamentos, entre outras informações importantes.

Cerimônia de lançamento

O evento na Cidade Administrativa é apenas um exemplo do que os foliões poderão desfrutar em várias cidades do Estado. Na oportunidade, blocos carnavalescos tradicionais como o Ora-Pro-Nóbis, de Tiradentes, e o Zé Pereira dos Lacaios, de Ouro Preto, farão uma demonstração do que o visitante encontrará ao chegar ao destino escolhido. A abertura será animada pelo grupo de percussão da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) e pelo Bloco Show, formado por oficiais da corporação. Oficinas de grafite serão promovidas entre uma atração e outra. A banda do Corpo de Bombeiros também vai se apresentar no lançamento, que terá a presença do mascote Foguinho. Na ocasião, os bombeiros repassarão informações sobre a prevenção de acidentes de trânsito durante o período carnavalesco, quando são registrados inúmeros acidentes nas estradas.

Pela primeira vez, São Lourenço, pertencente ao Circuito das Águas, vai participar da cerimônia. Para representar a folia que acontece na cidade todos os anos, a Banda Sambanejo, que mistura letras de músicas sertanejas com ritmos de samba, foi escolhida para dar uma amostra do que o município pode oferecer aos turistas que visitarem o local durante o período. Caxambu entrará na folia com a banda de samba Caroço de Banana e a histórica Mariana vai levar sua Incrível Banda, com bonecos gigantes e bloconecos.

Durante o lançamento oficial do Carnaval mineiro, as diversas ações realizadas pelo Governo de Minas estarão expostas em estandes, com distribuição de material explicativo e realização de demonstrações. O objetivo é alertar, orientar e tirar as dúvidas dos cidadãos que desejam aproveitar a folia.

Ações no período da folia

A PMMG vai reforçar o policiamento em todo o Estado. As ações serão iniciadas às 18h desta sexta-feira (8), e se estenderão até às 12h da Quarta-Feira de Cinzas (13). Também estão previstas blitze nas divisas do Estado e intervenções em áreas críticas, nos corredores de segurança e em rodovias.

A corporação vai disponibilizar ainda parte do efetivo para integrar a operação Minas em Segurança, iniciada em 15 de dezembro do ano passado. Estão previstas ações policiais nos locais onde ocorrerão desfiles e bailes carnavalescos, e também em áreas com aglomeração de foliões.

Já no estande da Polícia Civil, estarão disponíveis informações sobre o trabalho da instituição. Peritos criminais mostrarão os diferentes tipos de drogas, exemplos de falsificação de documentos, cédulas e moedas em geral, vídeos e fotos de perícia de crimes contra o patrimônio, luz fluorescente para a busca de pistas, impressões digitais e outras marcas; maletas de perícia equipadas e óculos especiais.

A Secretaria de Estado de Saúde (SES), por sua vez, escolheu o dia do evento para dar inicio às ações de prevenção à Aids que serão realizadas ao longo do Carnaval. Para isso, o órgão terá um estande com material informativo, adesivos e dois personagens do imaginário popular.

A fim de alertar os foliões sobre os perigos de se contrair doenças sexualmente transmissíveis, sobretudo durante o Carnaval, a SES fez uma campanha que será veiculada em rádios da capital e do interior, em outdoors, no metrô, na internet, na rodoviária de Belo Horizonte e em revistas de circulação estadual. Também serão distribuídos 1,5 milhão de folders, 1 milhão de adesivos alusivos à campanha e 55 mil unidades de preservativos. Rodoviárias de dez cidades mineiras receberão blitze educativas. Em Belo Horizonte, a ação será feita na Estação Central de Trem e nos aeroportos da Pampulha e de Confins.

Já a Secretaria de Estado de Esportes e da Juventude, por meio da Subsecretaria de Política sobre Drogas, realizará a campanha “Pule Fora das Drogas. Pule Carnaval”. A ação tem como finalidade conscientizar o cidadão sobre os riscos e danos causados pelo consumo de álcool e drogas por meio de apresentações musicais, artísticas e blitze educativas em 60 municípios de Minas Gerais em parcerias com a Juventude Polícia.

Com o objetivo de chamar ainda mais atenção, enquanto a equipe realiza a entrega de materiais explicativos sobre o risco do uso de drogas, distribui preservativos e orienta os participantes sobre como utilizar os serviços existentes no Estado, as blitze serão acompanhadas pela percussão do Bloco Juventude Polícia. Várias ações educativas também serão desenvolvidas juntamente com as prefeituras e Conselhos Municipais de Políticas sobre Drogas.

Outra campanha que será divulgada no período é “Proteja nossas Crianças também no Carnaval”. A iniciativa é da Secretaria de Desenvolvimento Social, por meio da Subsecretaria de Direitos Humanos. A finalidade é conscientizar a sociedade sobre a importância de se preservar os direitos da criança e do adolescente e, em caso de suspeita de violação, denunciar por meio do Disque Direitos Humanos (0800-311119).

A Cemig, por sua vez, fará uma campanha para alertar os foliões e a população sobre os riscos de acidentes com a rede elétrica. O objetivo é evitar ocorrências com carros alegóricos e trios elétricos, dando atenção especial à altura desses veículos. Segundo o material informativo, palanques devem ter sua altura calculada para não se aproximarem da rede elétrica. A montagem e a desmontagem dessas estruturas devem ser feitas com cuidado para que nenhum material se aproxime dos fios da rede durante a sua movimentação.

Veículos de som e trios elétricos requerem uma verificação prévia do trajeto para evitar a aproximação de suas partes ou de seus ocupantes dos fios e equipamentos da rede elétrica, respeitando-se a distância mínima de 1,5 metros.

A Secretaria de Estado de Cultura e o Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG) exibirão, no local da cerimônia de abertura do Carnaval de Minas, informações alertando prefeituras e foliões sobre a importância de se preservar o patrimônio histórico das cidades durante os quatro dias de folia, além de medidas que as prefeituras podem tomar para evitar danos a esses bens.

Fundação Hemominas distribuirá para os convidados, filipetas com orientações sobre a doação de sangue e levará o mascote da instituição.   

A Belotur apresentará a programação oficial do Carnaval na capital mineira, que terá atrações entre os dias 8 e 11 de fevereiro, na Praça da Estação. No dia 10, será realizado o desfile dos Blocos Caricatos e, no dia 11, o tradicional desfile das Escolas de Samba, no Boulevard Arrudas. A programação nas nove regionais municipais com matinês, bailes e concursos de fantasias também estará disponível.

Clique aqui para conferir a programação completa do Carnaval de Minas Gerais 2013 (Arquivo Word).

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Nova edição da Revista de Poesia 7faces on-line

Enviado por Pedro Fernandes

A nova edição do caderno-revista 7faces já está on-line hoje. É a 6ª edição entre os sete números já editados (a outra edição foi acadêmica com incursões de renomados ensaístas de Brasil, Argentina e Portugal em torno da poesia de José Saramago).

Com rico conteúdo reunindo trabalhos de 22 poetas de Brasil, Portugal e Moçambique - a citar, Ricardo Dantas, Davi Araújo, Tiago Duarte Dias, Adriano Winter, Guerá Fernandes, Joice Berth, Marco Polo Guimarães, Ianê Mello, Pedro Belo Clara, Rosane Carneiro, Carina Carvalho, Paulo Lima, Natália Turini, Luís Garcia, Paula Cajaty, Nuno Júdice, Amosse Muscavele, Carlos Margarido, Amélia Luz, Paulo Vitor Grossi e Renata Bomfim.

Em artes plásticas ensaio e estudos de Jordny. A edição em questão presta homenagem mais que especial à Dora Ferreira da Silva. Da poeta a revista traz inéditos, imagens, depoimentos e dois ensaios sobre sua obra: um de Alexandre Bonafim e outro, inédito no Brasil, de Euryalo Cannabrava (in memoriam) que fora publicado inicialmente pela Revista Colóquio/Letras, da Fundação Calouste Gulbenkian e cedido para a 7faces. Ainda na edição, um apêndice com uma conversa franca com Inês Ferreira da Silva Bianchi, filha de Dora,  que relembra a relação com a mãe e a dedicação dela à poesia.

Aproveitamos para anunciar que estamos ampliando nossas fronteiras. A partir da 7ª edição a sair em julho próximo, mas que já anda a ser pensada, estamos em parceria com o recente amigo, o Professor Cesar Kiraly, da Universidade Federal Fluminense que pela sua experiência acadêmica e no trato com a poesia deverá enriquecer e muito os trabalhos daqui para adiante. A partir de amanhã, 1º de fevereiro, já está aberta a chamada para recepção de materiais para o número de julho.

A POESIA, UMA VIA DE VER AS COISAS (*)

No começo de tudo, quando a palavra e o mundo estavam fundidos e as linhas entre um e outro, portanto, não se difundiam, a poesia estava na matéria do gesto, no pulso do corpo em êxtase, no lugar do divino, numa dimensão, por isso, dada a poucos. Todo poeta, é por essa razão primordial, um geômetra do universo, e o seu exercício escritural nunca poderá está reduzido ao movimento da letra desdobrada uma após outra no espaço amplo do branco da página. Se assim ocorre o universo será estrutura opaca, um defeito, uma mancha dispersa presa no papel. Aliás, a poesia não pode está reduzida ao desenho da forma informe ou do sentido invertebrado do texto. Ela deve conspirar e ter pulso para saltar da superfície lisa da folha e ser matéria pulsante, suspensa, atmosfera capaz de atuar no desempenho do corpo humano, pela lágrima, pelo riso, pelo gozo. É nesse instante que ganha, a palavra, seu real lugar no complexo sistema a que pertence e se ilumina a ponto de refundar o sujeito e o ser.

O poeta enquanto feitor do poema, instante em que primeiro se prime em suas fronteiras as possibilidades da poesia, é somente aquele capaz de conviver no limiar de uma epifania constante que lhe permita está cercado do tempo primordial; epifania que é um fenômeno do espírito e diz uma maneira de estar locado e simultaneamente deslocado. Um pulso de iluminação. Não há, para isso, leis próprias, fórmulas prontas de se ensinar. Há para isso a necessidade do poeta ser feito pela vivência da palavra e seu denso universo fulgurativo. 

Não é poeta aquele que se derrama pelos cantos, que faz histórias de histórias pintando o papel de ponta leste a oeste de berros de amor, de factoides vazios, porque o amor e as vivências são coisas moventes, sentidas mas impossíveis de sua partilha como cópia fiel pelo dorso da palavra. Nunca o poema será mímesis se o poema é sempre criação.

Também não é poeta o que quer ser qualquer coisa que o valha, inclusive poeta; poeta não é profissão, é modo de estar no mundo. A busca cega pela forma, fruto de um encantamento pela palavra e uso inadequado das maneiras do tecnicismo que suprime o próprio pulso da letra, da voz que lhe antecede, é vã; terá e tem levado muitos por descaminhos que nada tem do poeta e da gesta do poema. A busca do poeta que deve se dá pelo dorso da palavra é a de se reaproximar do estágio genesíaco do universo e os únicos guias nessa empreitada são ele próprio e sua vontade de experimentar-se pela boca dos seus antepassados, aqueles que fundaram e ultrapassaram a esfera do tempo comum e se fizeram eles mesmos tempo.

Por motivos como estes, ninguém melhor que Dora Ferreira da Silva para ser homenageada neste caderno-revista. Não é que a poeta tenha uma obra alheia a si e ao mundo empírico, mas ela é o constante estágio de epifania entre este e o lugar genesíaco. Sua poesia parte das dissonâncias existenciais, e só este instante já é de natureza poética, para ultrapassá-las e alcançar um instante único na extensa rede de vozes dos seus antepassados. Alimenta-se de um teor estético e renova o diálogo esquecido pelos estetas da forma, o que não quer dizer que esse trabalho de elaboração esteja ausente na sua obra; do contrário, talvez até esteja mais que em outros, porque a poesia de Dora se guia pela experimentação e refiguração do simbólico que ora se manifesta no poema através da composição linguística, ora através do corpo estrutural do texto. Sente-se, que sua poesia é muito estudada e talvez por isso consiga cumprir o seu papel no universo da linguagem e fora dele: que é o de promover o reencontro do sujeito com outros lugares e a partir daí seja encorajado pela descoberta do universo primordial reencontrado por Dora.

Pedro Fernandes

edito-chefe

Para ler e-ou baixar a edição clique aqui

(*) retirado do site da Revista 7faces.

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terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Tambores de Minas em festa

Recomendado por Guilardo Veloso.
Retirado do site d’OTEMPO em 05/02/13 do endereço:

http://www.otempo.com.br/otempo/noticias/?IdNoticia=220188%2COTE&fb_action_ids=10151418293806797&fb_action_types=og.recommends&fb_source=other_multiline&action_object_map=%7B%2210151418293806797%22%3A243794235756429%7D&action_type_map=%7B%2210151418293806797%22%3A%22og.recommends%22%7D&action_ref_map=%5B%5D

Por Lygia Calil

Especial para O Tempo

No Carnaval do Recife, a festa só começa depois que os maracatus vão para a rua. Como lá, entre ritmo, dança e tradição, o grupo belo-horizontino Maracatu Lua Nova antecipa o Carnaval mineiro e lança hoje, na Funarte, seu primeiro CD, que resgata as origens e memórias desta manifestação folclórica. É o anúncio do Carnaval na cidade e também a comemoração de 10 anos do grupo.

Os convidados da festa são a Guarda de Congo Feminina de Nossa Senhora do Rosário, a Guarda de Moçambique Divino Espírito Santo e o grupo Ensaios - Samba do Seu Marcelo. A programação conta também com exposição de fotos do grupo.

"Maracatus do Recife" é a primeira gravação das 22 músicas escritas ao final do livro homônimo, do compositor e pesquisador carioca César Guerra-Peixe (1914-1993). As composições, de autoria desconhecida e domínio público, datam da virada do século XIX para o século XX. "O livro é a maior referência sobre o maracatu, muito usado por quem pesquisa e se interessa pelo assunto. Nesse guia, as músicas foram detalhadas, não só com as partituras, mas também em seus rituais. E foi isso que gravamos: um material que quase se perdeu no tempo", diz o fundador do grupo, André Salles-Coelho.

Além da comemoração da primeira década de história, o Maracatu Lua Nova também vai inaugurar um novo jogo de uniformes e adereços, nas cores oficiais, azul e laranja. Ainda segundo Salles-Coelho, quem for à Funarte pode esperar a antecipação do Carnaval, um pedacinho do Recife em Belo Horizonte.

Para a exposição, o grupo reviu o seu arquivo de mais de 3.000 fotos. Entre elas, foram selecionadas cerca de cem de momentos marcantes, como a primeira apresentação, a primeira visita à sede, além de viagens, apresentações, ensaios e gravações.

Particularidades.O maracatu mineiro, de acordo com o fundador do grupo, tem suas particularidades. Comparado ao original pernambucano, o gingado de Minas Gerais é mais contido, quase tímido. E o Maracatu Lua Nova surgiu de uma vontade de tentar diminuir os quase 2.100 km de distância até o Recife. "Não é fácil ir até lá, ver ao vivo, então nos viramos por aqui mesmo", explica.

A história que começou com o grupo musical se desdobrou por várias outras atividades, em uma associação cultural sem fins lucrativos, que também oferece aulas e oficinas culturais.

A partir do Lua Nova, foram criados outros grupos que também têm na identidade o resgate de ritmos tradicionais brasileiros, como o grupo de coco Ouricuri, o de chorinho Caxinha de Phósphoro, o de música barroca Arandela e a Orquestra 415. "Foi um sonho que tomou caminhos que nunca imaginei. Quando o Lua Nova começou, achava que o máximo que iria acontecer seria tocarmos no Recife, o que nunca aconteceu. Mas nasceu tanta coisa legal que hoje nem penso mais na viagem", conta.

Mais de 600 pessoas já passaram pelas oficinas, aulas e ensaios do Lua Nova, nos quais aprenderam as noções básicas do ritmo, da dança e do ritual do maracatu. Hoje, são cerca de 60 integrantes. "Nunca é um número fixo, porque eventualmente as pessoas entram e saem do grupo e é sempre muita gente tocando junto. As nossas portas estão sempre abertas, entra quem quiser". Todos os sábados, o grupo realiza apresentações abertas ao público, sempre a partir das 16h, na sede na rua Dona Clara, no bairro Aparecida.

Agenda

Lançamento do CD "Maracatus do Recife", do grupo Maracatu Lua Nova

Quando:Hoje, às 19h

Onde: Funarte (Rua Januária, 68, Floresta)

Quanto: Entrada Franca

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