quarta-feira, 24 de abril de 2013

Anti Pós-Moderno ou Tropicae Et Immundi: a poesia contemporânea do Vale do Mucuri

 

Por Maurício Beirão

Anti pós-moderno ou tropicae et immundi

Meu manifesto
é pra romper com a dominação.
Meu rock in roll
é pra acordar o vizinho coitadinho.
Meu linguajar
é gíria contemporânea e porca.
Meu pensar
é pesadelo esquizofrênico e multicor.

Sabiá Coitelinho

 

Manifesto Anti Pós-moderno

Sabiá Coitelinho, mineiro, nascido na cidade de Campanário, filho do Vale do Mucuri, economista e poeta. Seu caráter marginal resume-se na possibilidade de uma poesia contemporânea que rompe com a cultura opressora e dominadora. Denominado Anti Pós-Moderno ou Tropicae Et Immundi, essa bandeira constitui-se como uma manifestação artística que parte do cotidiano da década de 2010, onde a possibilidade de produção literária de engajamento político e de defesa da liberdade individual e coletiva criam a tendência desta proposta que é repudiar os valores culturais próprios da sociedade contemporânea, marcado pelo conhecimento especializado, pela exploração do trabalho, pela globalização da miséria, pelo ressurgimento do nacionalismo agressivo, pela ilusão da “ascensão social” representada pelo aumento da classe média e pelo domínio da estética pós-moderna estabelecida pela produção poética despolitizada. Sua contemporaneidade expressa-se na vida cotidiana, sendo que sua poesia incorpora a face do mundo, ao passo que surge deste mundo real, comum e banal. Em outras palavras, sua poesia surge do cotidiano, mas seu caráter marginal cria uma nova concepção da realidade, afastando-se da mera aparência destas relações. Como produto de uma arte essencialmente fundada sob a realidade capitalista e industrial, utiliza-se do conceito de modernidade como possibilidade real de ruptura com a cultura opressora, sintetizada na cultura de massa. Como forma de contestação social, o foco funde-se nas questões de consciência, valores e comportamentos da sociedade contemporânea, utilizando-se dos meios de comunicação de massa da mesma forma que questiona-se os valores centrais da cultura dominante.

Este caráter de marginalidade do poeta Sabiá Coitelinho relaciona-se com a reiteração do processo de libertação da escrita e da expressão livre nos anos 2010, visto que com a utilização dos novos veículos de comunicação de massa (a internet como exemplo) tem-se a possibilidade real de produção lírica alternativa figurada na poesia livre e acessível. O movimento Anti Pós-Moderno ou Tropicae Et Immundi nasce em um contexto de permissividades e libertinagens próprias de sua época. Utilizando-se de humor direto e objetivo, o autor critica os resquícios conservadores nos costumes e hábitos brasileiros, explorando o mundo real próprio de uma sociedade capitalista desenvolvida, entendido como um espaço miserável e perigoso. Desta maneira, esta poesia não se enquadra em um perfil literário específico, sua escrita de aspecto sensacional, direto e obsceno desmascara a literatura conservadora, pois estrutura-se como uma possibilidade de produção de uma poesia libertadora, ou seja, uma lírica sem grilhões, não tem pós, nem antes, sem pena, sem dó, sem choro, um texto que liberta-se a todo momento de punição e de vigilância. Deriva disso seu caráter avassalador no sentido de que o autor não possui obrigações, encerrando certo egocentrismo que revela-se no confronto com os resquícios de conservadorismo nas relações humanas nos anos 2010 e com a doutrina pós-moderna como cultura dominante.

A poesia marginal de Sabiá Coitelinho é caracterizada por frases curtas, linguagem coloquial, espontaneidade, experimentação, sentimentalismo, anti-academicismo e liberdade temática. Seu estilo singular é marcado pelo jeito simples de escrever e pela incorporação de outras linguagens e diferentes níveis de fala (gírias e outras manifestações linguísticas populares da atualidade), aliando influências da cultura popular brasileira e elementos externos, tornando a experiência estética lírica um instrumento social revolucionário no sentido de que independe da tendência oficial e o processo de produção artística é submetido à realidade social.

O hibridismo aparece nesta proposta como uma possibilidade para a produção poética. O movimento Anti Pós-Moderno ou Tropicae Et Immundi propõe para a cultura brasileira dos anos 2010 a digestão dos elementos culturais estrangeiros em um processo dinâmico de incorporação desses elementos externos a diversidade da cultura nacional. Essa arte híbrida representa: (1) o caráter universal da arte na contemporaneidade; (2) a preservação da particularidade e da diversidade da cultura nacional moderna; e (3) a singularidade da arte que representa essas novas relações. Outra característica é o resgate do regionalismo, visto que uma das temáticas desta proposta é a expressão da realidade do interior do Brasil, sendo o Vale do Mucuri, nordeste do Estado de Minas Gerais, um dos panos de fundo para esta poesia. Nisso resulta a contribuição desta proposta em meio à diversidade da produção literária nacional. Instaura-se como uma poesia de vanguarda, expressão de três fatores essenciais na performance de autor: o conceito de antagonismo (relação entre a luta de classes no Brasil nos anos 2010 e a questão social), caráter jovem do eu-lírico e a concepção revolucionária como a influência mais importante do que a própria obra em si. É um poeta vanguardista porque exprime a dianteira do elevado processo de desenvolvimento da produção literária do Vale do Mucuri e propõe um novo caminho para a poesia nacional, exercendo nesse processo um papel pioneiro, resgatando a produção poética nacional e avançando a partir da realidade dos anos 2010, ou seja, produção de poesia buscando a universalidade, isto é, produção poética para o futuro, rompendo com os resquícios de tradicionalismo. Esta poesia traduz-se por seu caráter de mudança e de contestação aos padrões. É uma poesia do presente para o futuro.

Anti Pós-Moderno ou Tropicae Et Immundi expressa-se em um contexto de globalização, onde a internet representa um meio alternativo. No contexto dos anos 2010, a geração internet designará a possibilidade alternativa para a criação e publicação de textos por parte de uma nova geração de poetas brasileiros. Os textos de Sabiá Coitelinho podem ser acessados em seu blog: http://www.cigarrodepalha.blogspot.com. Com uma sucessão de ambientes urbanos e interioranos, resgatando os elementos centrais da cultura nacional, de temas como amor e paixão, erotismo e liberdade de expressão, esta proposta articula-se com elementos da cultura popular brasileira engendrada no contexto dos anos 2010 e da questão social desta época. Porém, ao mesmo tempo, tem-se a busca contínua pela universalidade, pois os textos de Sabiá Coitelinho não se restringem a especificidade histórica dos anos 2010, mas atingem a universalidade humana e rompem com o conceito de fragmentação da realidade.

Viva a poesia brasileira!

Viva a cultura popular do Vale do Mucuri.

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